AMS79 | Fórmulas comerciais contaminadas – a necessidade de uma resposta global
IBFAN | MAIO 2026
AMS79 – 79ª Assembleia Mundial da Saúde – Genebra, Suíça, 18 a 23 de maio de 2026.
IBFAN NA AMS 79
A IBFAN esteve em Genebra para a 79ª Assembleia Mundial da Saúde, trazendo ao cenário global uma mensagem urgente: a crise de contaminação de fórmulas infantis não é um incidente isolado — é uma falha sistêmica que exigiu uma resposta global imediata.
Durante 47 anos, a IBFAN trabalhou em conjunto com a OMS e a sociedade civil para proteger as famílias de propagandas enganosas e produtos inseguros. Naquele momento, esse trabalho tornou-se mais urgente do que nunca. Com mais de 130 países afetados por recalls, investigações judiciais em andamento sobre mortes infantis e diretrizes desatualizadas em quase 20 anos, as evidências eram claras: o sistema atual estava falhando com as famílias que deveria proteger.
A IBFAN apelou aos Estados-Membros da OMS para que agissem – para que exigissem supervisão independente da fabricação, atualizassem as diretrizes da OMS e do Codex e fizessem cumprir as resoluções existentes sobre a comercialização digital de substitutos do leite materno. As famílias mais vulneráveis – no Sul Global e em contextos de emergência – não podiam esperar por processos regulatórios lentos.
Na sexta-feira, 22 de maio, a IBFAN, a ILCA (Associação Internacional de Consultores de Lactação), o Burundi, o Panamá e o Equador coorganizaram um evento paralelo na sede da OMS para abordar a crise de contaminação e seu impacto nas famílias em todo o mundo. Porque proteger todos os bebês – os que são amamentados e os que são alimentados com fórmula – não é uma escolha. É um compromisso.


Declarações da IBFAN durante a AMS79
Item 13 – Emergências de saúde pública: preparação e resposta
Juanita Jauer Steichen | IBFAN/LLL França (19/05/2026)
Como membro do grupo central interinstitucional de alimentação infantil em emergências, a IBFAN está muito preocupada com as novas diretrizes do Codex Alimentarius que permitirão flexibilidade na rotulagem, inclusive de fórmulas infantis e alimentos para bebês, durante emergências. Caberá aos Estados-membros impedir a exploração por aqueles que buscam minar o aleitamento materno e expandir os mercados. Há evidências de que poucos Estados-membros possuem planos eficazes de preparação para emergências, portanto, não têm capacidade para reconhecer rotulagem enganosa. Durante a COVID-19, fórmulas infantis alegam fornecer imunidade durante inundações, quando na verdade auxiliam na recuperação. Qualquer desregulamentação coloca em risco a saúde e a sobrevivência de famílias deslocadas, além de prejudicar o rastreamento de produtos contaminados. Embora todas as mulheres tenham o direito soberano de tomar decisões sobre a alimentação infantil, a rotulagem completa e precisa é essencial, especialmente em situações de emergência. É hora de os Estados-membros garantirem isso.
Itens 12.4 – Cobertura universal de saúde
Juanita Jauer Steichen | IBFAN/LLL França (22/05/2026)
A IBFAN apoia veementemente o direito de acesso a cuidados de saúde gratuitos e adequados. Para serem eficazes, são necessárias salvaguardas robustas contra conflitos de interesses, a fim de prevenir práticas industriais prejudiciais que impactam negativamente a saúde. A prevenção para uma saúde ideal é crucial e começa com a alimentação de bebês e crianças pequenas – aleitamento materno e a rejeição de produtos ultraprocessados. As empresas processam ingredientes crus para obter o sabor doce, alegando que os produtos são saudáveis. O sabor doce vicia e estabelece preferências gustativas nas crianças, condicionando-as ao consumo de produtos ultraprocessados. Os níveis mais elevados de açúcar adicionado praticados internacionalmente por empresas que visam os países do Sul Global representam um duplo padrão antiético e inaceitável. A IBFAN insta os governos a implementarem integralmente o Código, que já tem 45 anos, e a promulgarem uma legislação rigorosa que abranja todos os produtos comercializados para bebês e crianças.
Item 15.4 – Nutrição materna, infantil e de crianças pequenas
Tshimi Lynn Moeng | IBFAN África (23/05/2026)
Uma nova ameaça à saúde infantil é o capitalismo de desastre.
Em primeiro lugar, a contaminação intrínseca das fórmulas infantis, o primeiro alimento ultraprocessado da criança, levou a ações judiciais relacionadas a mortes e doenças infantis.
Um único ingrediente contaminado foi distribuído para 130 países, causando recalls sem precedentes.
A fiscalização deficiente, a falta de transparência, a fraude e a má gestão de crises corroeram a confiança pública no atual sistema alimentar, dependente de um punhado de corporações.
Em segundo lugar, o Codex Alimentarius poderá em breve permitir uma rotulagem menos rigorosa dos produtos alimentícios em situações de emergência.
Isso abre caminho para a exploração comercial, a adoção de padrões duplos e o descarte antiético de produtos no Sul Global.
Solicitamos aos Estados-Membros que enviem delegados da área da saúde ao Codex e garantam que os produtos para bebês sejam excluídos dessa proposta.
Confira destaques do Evento Paralelo à 79° Assembleia Mundial da Saúde
Fórmula comercial contaminada – a necessidade de uma resposta global
Organizado por: IBFAN, ILCA, COLANSA, The van Tulleken Foundation, Burundi, Panama e Ecuador

Evento híbrido
Data e horário: Sexta-feira, 22 de maio de 2026, das 13h00 às 14h20 (CEST)
local: Sede da OMS, Sala T do Jardim – Genebra, Suíça.
Participação presencial: Inscreva-se
Transmissão online ao vivo – sem necessidade de inscrição
Ao longo dos anos, o marketing enganoso e a contaminação intrínseca de fórmulas infantis comerciais – o primeiro contato das crianças com produtos ultraprocessados - levaram a mortes de bebês, fechamento de fábricas, interrupção no fornecimento e sofrimento para as famílias. A detecção de contaminação desde novembro de 2025 resultou em recalls contínuos em mais de 130 países, investigações judiciais sobre mortes de bebês na França e ações judiciais relacionadas a atrasos, falta de transparência, fraude e homicídio culposo.
Como redes globais, a IBFAN e a ILCA concentrarão seus esforços no impacto que esta crise teve em todas as famílias, especialmente aquelas no Sul Global e em contextos de emergência onde os testes, a detecção, o tratamento e as alternativas seguras podem ser limitados.
O evento convocará os Estados-Membros a trabalharem em prol de uma melhor segurança alimentar obrigatória durante a fabricação, supervisão independente dos operadores alimentares, melhores sistemas de alerta para profissionais de saúde e pais, e um sistema de saúde bem equipado para monitorar e documentar problemas de saúde durante surtos. A plena implementação das recomendações e resoluções da OMS é uma salvaguarda essencial para todos os bebês – tanto os amamentados quanto os alimentados com fórmulas lácteas comerciais.
A promoção online de substitutos do leite materno (proibida pela WHA78.18) cria dependência de produtos comerciais além da necessidade real. A exportação desses produtos agrava os riscos inerentes à segurança do uso de fórmulas infantis e cria problemas para recalls.
Ao lado de palestrantes da OMS, UNICEF, parlamentares e Estados-Membros, Yasmine Motarjemi, especialista em segurança alimentar com experiência singular como chefe dos Departamentos de Segurança Alimentar tanto na OMS quanto na Nestlé, explicará como o sistema alimentar precisa mudar e como os denunciantes precisam ser ouvidos e protegidos.
Convidados palestrantes
Zoe Faulkner — Membro do Conselho de Administração da ILCA;
Dra. Joan Matji — Chefe de Nutrição e Segurança Alimentar do UNICEF;
Dra. Carmen Savelli — Segurança Alimentar e Nutrição da OMS;
Dra. Yasmine Motarjemi — Especialista Independente em Alimentos e Denunciante;
Dr. Bob Boyle — Professor Associado de Pediatria do Imperial College London;
Patti Rundall — Diretora de Políticas Globais da IBFAN (Baby Milk Action).
Dr Romualdo Navarro — Ministério da Saúde, Panamá
Petrine Johannesen Berner — Delegada Jovem Dinamarquesa da ONU
Katja Čič — Instituto Nacional de Saúde Pública, Eslovênia
Dr Polycarpe Ndayikeza — Porta-voz do Ministério da Saúde, Burundi
Tilly Metz — MEP, Luxemburgo
Dra. Lynn Tshimi Moeng Mahlangu — Coordenadora da IBFAN.
CONFIRA O VIDEO
Com informações da IBFAN
