IBFAN: um exemplo de luta da sociedade civil pelo direito de amamentar

IBFAN: um exemplo de luta da sociedade civil pelo direito de amamentar

IBFAN Brasil | 12 NOVEMBRO 2025


O novo episódio do videocast Deleitando – A Ciência da Amamentação, produzido pelo grupo Mulheres Apoiando Mulheres na Amamentação em parceria com o núcleo Telas da Universidade Federal Fluminense (UFF), recebeu Marina Rea, médica sanitarista, pesquisadora e fundadora da IBFAN Brasil, uma das maiores referências na defesa do direito de amamentar.

No encontro, conduzido por Rosane Rito e pela IBFANer Patrícia Lima, Marina revisita momentos marcantes de sua trajetória pessoal e profissional — desde o início de sua carreira médica na década de 1970 até a construção da rede IBFAN no Brasil e no mundo. Entre lembranças e reflexões, ela revela como a prática da amamentação foi, desde o início, atravessada por disputas políticas, econômicas e éticas.

Da experiência pessoal ao ativismo

Marina conta que, em seus primeiros anos como médica formada pela USP, ainda não havia consciência sobre a importância do aleitamento materno. Ao relatar que recebia latas de leite distribuídas pela própria indústria em hospitais e residências médicas, ela demonstra como o marketing de fórmulas infantis influenciava diretamente o desmame precoce e as decisões profissionais na área da saúde.

Essa experiência, somada à observação de mães do Vale do Ribeira que amamentavam de forma natural e prolongada, despertou sua inquietação e deu origem à sua dissertação de mestrado, defendida em 1981 — justamente o ano em que o Brasil criou o Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno.

A criação da IBFAN e o Código Internacional

Durante um período de estudos em Nova York, Marina se aproximou de ativistas que lideravam o boicote à Nestlé e participou das primeiras mobilizações que levaram à criação, em 1979, da International Baby Food Action Network (IBFAN) — uma rede internacional que nasceu do lema:

“Se eles se organizam multinacionalmente, nós também temos que nos organizar multinacionalmente.”

A partir daí, Marina participou diretamente da elaboração e aprovação do Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno, aprovado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1981, com voto contrário apenas dos Estados Unidos. No Brasil, a luta resultou na criação da NBCAL — Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras.

Política, resistência e vigilância constante

Ao longo da conversa, Marina recorda a participação brasileira em assembleias da OMS e destaca o papel da IBFAN na defesa contínua do Código Internacional, sobretudo frente às novas formas de marketing digital de produtos que competem com a amamentação. Em 2025, a IBFAN foi protagonista na articulação que levou o Brasil a propor, com o apoio de 22 países, uma nova resolução sobre controle do marketing digital na Assembleia Mundial da Saúde.

A coordenadora da IBFAN Brasil ressalta que essa é uma luta permanente:

“É uma luta sem fim. O inimigo está à espreita. […] É um inimigo que pensa no lucro como seu primeiro móvel de vida. Nós não podemos deixar que isso aconteça. […] É necessário ter gente jovem nessa luta. […] É muito necessário que vocês abracem isso como nós abraçamos.”

História, mobilização e futuro

O episódio também revisita a história do Mil Mães Amamentando, ação simbólica e emocionante que tradicionalmente abre o Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAM) em diferentes cidades brasileiras.
Idealizada para celebrar o poder coletivo da amamentação e dar visibilidade à causa, a iniciativa reúne centenas de mães amamentando simultaneamente, simbolizando união, força e resistência.

A professora Rosane Rito, uma das apresentadoras do videocast, participou ativamente da organização de três edições do Mil Mães Amamentando, experiência que reforça seu compromisso com a mobilização social e a promoção do aleitamento materno livre de interferências comerciais.


Assista ao episódio completo “IBFAN: um exemplo de luta da sociedade civil pelo direito de amamentar”


no YouTube ou no Spotify.


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