1. Comunicações coordenadas
#219 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
A ATROFIA MUSCULAR PROGRESSIVA NO CICLO GRAVÍDICO-PUERPERAL: IMPORTÂNCIA DO SUPORTE DO BANCO DE LEITE HUMANO E DAS PRÁTICAS DO HOSPITAL AMIGO DA CRIANÇA NA AMAMENTAÇÃO
LÚCIA VIRGÍNIA REIS ARAGÃO DE CARVALHO; MARIA EUNICE LEAL CAVALCANTE; SUELLEN SOARES NEGREIROS DA SILVA; EVELINE COSTA DA SILVA; MAYSA OLIVEIRA ROLIM SANFORD FROTA; ANA MÁRCIA BUSTAMANTE DE MORAIS; JÉSSYKA FONTENELES FREITAS; DÉBORA DOMINGUES PINHEIRO
Hospital Geral de Fortaleza
Resumo
Objeto: O acompanhamento de uma puérpera com atrofia muscular atendida pela equipe de Banco de Leite Humano (BLH) desde o pré-natal.
Contexto: Puérperas com necessidades especiais, como aquelas com atrofia muscular, necessitam de apoio contínuo e individualizado desde o pré-natal, para garantir o direito à amamentação e à participação no cuidado ao filho. Nesse contexto, a atuação do BLH, articulada às equipes assistenciais, destaca-se na oferta de ações educativas, suporte técnico e acolhimento emocional, visando promover a autonomia materna, fortalecer o vínculo mãe-bebê e assegurar práticas inclusivas no cuidado.
Descrição da execução: Trata-se de um relato de experiência desenvolvido em hospital de referência com BLH, envolvendo acompanhamento de uma gestante com atrofia muscular progressiva, com perda do controle de movimentos corporais e dependência total de cuidados básicos. Durante o pré-natal, a gestante e 02 acompanhantes participaram da educação em saúde em grupo, rotina do serviço. Receberam orientações sobre aleitamento materno, posições adaptadas às limitações motoras, métodos de ordenha e conservação do leite humano ordenhado cru (LHOC). A equipe de enfermagem do BLH realizou intervenções no alojamento conjunto e unidade neonatal, focando no estímulo à lactação com ordenha nas primeiras 24 horas, e contato pele a pele precoce, respeitando a estabilidade clínica do binômio. No dia seguinte, realizou-se intervenções para apoiar a amamentação, conforme os limites funcionais da puérpera. Em seguida, o LHOC foi ofertado ao neonato conforme prescrição médica, reforçando à mãe os benefícios para a recuperação clínica do bebê.
Resultados: A assistência do BLH e o suporte familiar propiciaram o aleitamento materno exclusivo, mantido há quatro meses, desde a alta. O uso de LHOC favoreceu a recuperação clínica do recém-nascido, o vínculo afetivo e o empoderamento da puérpera.
Considerações finais: Estar inserido em um hospital amigo da criança com BLH direciona a assistência inclusiva no apoio à amamentação. O acompanhamento precoce e o cumprimento dos "Dez Passos" viabilizaram a amamentação mesmo em contexto de internação neonatal. Reitera-se o papel estratégico dos BLH na promoção da equidade e na garantia do direito à amamentação para puérperas com necessidades especiais.
#88 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
A EFETIVIDADE DO PROGRAMA CEDAE POR ELAS NO APOIO À AMAMENTAÇÃO DURANTE O RETORNO AO TRABALHO
VERÔNICA CRISTINA DE OLIVEIRA DOS SANTOS; FERNANDA DO ROSÁRIO PEREIRA; TALITA AGUIAR SHORT DE LIMA; ALINE DE SOUSA BRANDÃO DOS SANTOS
CEDAE GOVRJ
Resumo
O Programa Cedae Por Elas, da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE), tem como um de seus objetivos oferecer suporte às mulheres trabalhadoras no incentivo à amamentação, antes, durante e após a licença-maternidade, por meio da atuação de uma equipe dedicada e da disponibilização de uma sala de apoio à amamentação.
O programa ao longo de 30 meses, acompanhou 75 mulheres gestantes/puérperas, dentre as quais 34 apresentaram dificuldades no processo de amamentação, incluindo casos de alta complexidade. Em situações específicas, o uso de fórmula láctea foi necessário como estratégia complementar, especialmente nos momentos iniciais do puerpério, sem que isso representasse o abandono do aleitamento materno.
A análise dos dados aponta que o suporte oferecido pela equipe foi determinante para os desfechos observados. As 87 visitas hospitalares/domiciliares possibilitaram intervenções precoces, favorecendo a identificação de dificuldades específicas. Os 1.598 atendimentos ampliaram o acesso ao suporte, garantindo respostas às demandas emergentes, enquanto os encaminhamentos para a rede de atenção à saúde/ assistência social asseguraram a integralidade do cuidado.
Ao longo do Programa, identificou-se que três mulheres, que não contaram com acompanhamento durante o período gestacional e por fatores diversos necessitaram incluir fórmula. Embora a equipe tenha realizado tentativas de contato e orientação após a identificação desses casos, não foi possível reverter essa decisão, o que evidencia a importância do acompanhamento desde a gestação como fator estratégico para a manutenção do aleitamento materno.
Em contrapartida, as mulheres acompanhadas desde o período gestacional não desistiram de tentar manter o aleitamento materno, evidenciando persistência, engajamento e compromisso com a amamentação. Até o momento, nenhuma mulher atendida de forma integral pelo programa interrompeu completamente o aleitamento materno, mesmo diante de múltiplos desafios.
Essas estratégias contribuíram para que as mulheres retornassem da licença-maternidade, mantendo o aleitamento materno, com a utilização da sala de apoio à amamentação. Como resultado, registrou-se, até o momento, a extração de 212 litros de leite destinados ao congelamento para consumo do bebê, bem como cerca de 99 litros de leite materno destinados à doação, ampliando o impacto social.
#252 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
A ELABORAÇÃO DO PROGRAMA NACIONAL DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E APOIO À AMAMENTAÇÃO NO ÂMBITO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
PRISCILA OLIN SILVA; RENARA GUEDES ARAÚJO; LORENA TOLEDO DE ARAÚJO MELO; GABRIELA SINTRA RIOS; SONIA ISOYAMA VENANCIO
Ministério da Saúde
Resumo
Objeto: Descrição do processo de elaboração do Programa Nacional de Promoção, Proteção e Apoio à Amamentação no âmbito da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (MS).
Contexto: Desde a década de 80, o Brasil tem implementado ações para proteger o direito à amamentação e aumentar as taxas dessa prática, reconhecendo seus benefícios para a criança, para quem amamenta, para a sociedade e o planeta. Apesar dos grandes avanços nas últimas décadas, o país ainda está aquém do alcance de um cenário ideal de amamentação.
Descrição da execução: A elaboração da proposta iniciou em 2023, com uma Análise de Impacto Regulatório para definição do ato normativo mais adequado à implementação das ações de amamentação nas Redes de Atenção à Saúde (RAS). Para garantir uma construção coletiva, entre 2023 e 2024 foram realizadas consultas aos seguintes atores: Conselho Nacional de Saúde, Câmara Técnica Assessora de Aleitamento Materno e coordenadores estaduais de saúde da criança e/ou de amamentação. A proposta também foi submetida à apreciação da Consultoria Jurídica do MS. Após essas etapas, a minuta da Política foi apresentada para o Grupo de Trabalho (GT) da Atenção Primária à Saúde da Comissão Intergestores Tripartite, no qual as representações do Conass e Conasems defenderam a proposta de fortalecimento das estratégias e ações em andamento no âmbito da rede de atenção à saúde materna e infantil. Considerando a importância da amamentação nesse contexto, ao final das discussões no GT, optou-se por aprovar um programa nacional voltado às ações de amamentação, no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Resultados: Em outubro de 2025, o Programa Nacional de Promoção, Proteção e Apoio à Amamentação foi instituído pelo MS por meio de Portaria, visando fortalecer, organizar e qualificar a implementação das ações de amamentação nas RAS. Esta Portaria também instituiu o Comitê Nacional de Amamentação. Como desdobramento, está sendo elaborado de forma colaborativa um documento orientador para a implementação do Programa, destinado a gestores estaduais e municipais de saúde.
Considerações finais: Esta experiência demonstra a relevância de desenvolver coletivamente instrumentos robustos para apoiar a implementação das ações de amamentação nos territórios e a importância de mobilizar as diversas instâncias de gestão do SUS e outros atores implicados nesse processo.
#222 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
A IMPLEMENTAÇÃO DA PNAISC E DA ESTRATÉGIA ALIMENTA E AMAMENTA BRASIL: UM ESTUDO DOCUMENTAL NA BAIXADA SANTISTA
GABRIEHL SANTOS KIRILOV; LIA THIEME OIKAWA ZANGIROLANI
Curso de Nutrição, do Instituto Saúde e Sociedade (ISS) da Universidade Federal de São Paulo - Campus Baixada Santista (Unifesp-BS).; Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva - DPPSC/ISS/Unifesp-BS.
Resumo
Introdução: A prevalência do Aleitamento Materno Exclusivo (AME) no Brasil permanece abaixo da meta de 70% recomendada pela OMS. Diante do desmame precoce como problema de saúde pública, tornam-se indispensáveis o monitoramento de indicadores e a implementação de políticas públicas eficazes.
Objetivo: Analisar a integração da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) e da Estratégia Alimenta e Amamenta Brasil (EAAB) nos Planos Municipais, Planos Anuais e Relatórios de Saúde de Santos, São Vicente e Cubatão (2018-2025).
Metodologia: Realizou-se análise documental dos Planos Municipais de Saúde (PMS), Programações Anuais de Saúde (PAS) e Relatórios Anuais de Gestão (RAG) das três municipalidades citadas.
Resultados: Observou-se disparidade na disponibilidade e coerência documental entre os municípios. Santos apresentou maior transparência e alinhamento das ações com a EAAB e PNAISC. Em São Vicente, embora haja alinhamento parcial com as políticas de AM/AME, notou-se falta de correspondência entre planos e relatórios, além de acesso público limitado aos documentos. Cubatão revelou o cenário mais crítico, com ausência de RAGs e baixa institucionalização das ações previstas. Identificou-se, ainda, grave subnotificação no SISVAN em toda a amostra, com lacunas de registros que comprometem o monitoramento e a análise de resultados. Essa carência de dados impacta negativamente o planejamento estratégico, a definição de metas e a alocação de dotação orçamentária por parte dos gestores municipais.
Conclusão: O fortalecimento do AM/AME é vital para reduzir custos no SUS e promover a saúde materno-infantil. É urgente qualificar os sistemas de monitoramento e organizar indicadores de impacto, garantindo que o tema seja priorizado de forma estruturada e transparente na gestão pública municipal.
#264 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ABRANGÊNCIA DO CURSO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA (EAD) DA ESTRATÉGIA AMAMENTA E ALIMENTA BRASIL (EAAB): AVANÇOS E DESAFIOS NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS E TUTORES NA APS
GABRIELA SINTRA RIOS, RENARA GUEDES ARAÚJO, PRISCILA OLIN SILVA, SONIA ISOYAMA VENANCIO, LUCIA HELENA ALMEIDA GRATÃO, CAMILA GONÇALVES OLIVEIRA CHAGAS, KELLY POLIANY DE SOUZA ALVES
Ministério da Saúde
Resumo
Objeto da experiência: Relatar o panorama atual da formação em amamentação e alimentação complementar de profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) e de novos tutores da Estratégia Amamenta e Alimenta (EAAB) na modalidade EaD.
Contexto: A EAAB, instituída em 2013, é a principal ação voltada ao fortalecimento da promoção, proteção e apoio à amamentação (AM) e alimentação complementar saudável (ACS) no âmbito da APS, por meio da qualificação dos processos de trabalho das equipes.
Descrição da execução: Desde 2021, o Ministério da Saúde (MS) disponibiliza, na plataforma UNA-SUS, dois cursos online voltados para a qualificação de profissionais da APS na EAAB. O Curso I é autoinstrucional e aborda as diretrizes do Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos e é aberto para todos os profissionais. Recentemente atualizado, o conteúdo desse curso oferece subsídios para fortalecer o cuidado com a amamentação e alimentação complementar saudável na APS. Vale destacar que a conclusão deste curso é pré-requisito para quem deseja atuar como tutor da Estratégia. Para ser um tutor, os gestores municipais indicam profissionais que devem realizar o Curso II da EAAB. Esse curso, com tutoria, foca especificamente na formação de tutores, um dos pilares essenciais para garantir a implementação e sustentabilidade da Estratégia.
Resultados: Entre 2021 e janeiro de 2025, o Curso I teve 201.647 matriculados e 98.680 concluintes, o que representa uma taxa de aproveitamento de 48,9%. Já o Curso II, registrou 2.434 matrículas e 1200 conclusões, apresentando um índice de formação de 49,3%. O Sudeste se destaca como a região que apresenta um maior número de tutores formados no formato EAD (36%) seguido do Nordeste (24%).
Considerações gerais: As ações de formação da EAAB consolidam uma estratégia de qualificação contínua na temática da amamentação e alimentação complementar saudável, gerando impactos positivos na APS. Apesar do número de profissionais formados, torna-se fundamental a expansão da qualificação das equipes e a formação de novos tutores, dado o papel estratégico que desempenham no fortalecimento da EAAB no território.
#265 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
AÇÃO DE EXTENSÃO - CAPACITAÇÃO DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE SOBRE ALEITAMENTO MATERNO EM CAMPO GRANDE, MS
LETICIA BARROS DELMONDES; BEATRIZ DOS SANTOS DAHLEN CORREA; KARLA LEONEL DE OLIVEIRA; DEISE BRESAN; OSVALDINETE LOPES DE OLIVEIRA SILVA; KARINE DE CÁSSIA FREITAS GIELOW
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)
Resumo
Objeto da experiência: A experiência teve como objetivo realizar capacitações sobre aleitamento materno, manejo clínico da amamentação, aconselhamento, Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL) e doação de leite humano, direcionadas aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de Campo Grande (MS). A ação foi desenvolvida como atividade extensionista pela Liga Acadêmica Multiprofissional de Aleitamento Materno (LAMAM), visando qualificar ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno na Atenção Primária à Saúde.
Contexto: As atividades ocorreram em Unidades Básicas de Saúde da Família, considerando o papel estratégico dos ACS como elo entre serviços de saúde e comunidade, especialmente no acompanhamento de gestantes, puérperas e lactentes. A iniciativa buscou enfrentar desafios como desinformação, insegurança diante de intercorrências na amamentação e desconhecimento sobre a doação de leite humano e os Bancos de Leite Humano.
Execução As capacitações ocorreram entre 2022 e 2025 em quarenta Unidades Básicas de Saúde da Família, com cerca de 200 ACS, 40 acadêmicos e 3 docentes do curso de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. As atividades foram conduzidas por integrantes da LAMAM, com metodologias participativas e linguagem acessível, por meio de exposição dialogada de conteúdos técnico-científicos atualizados. Abordaram-se benefícios do aleitamento materno exclusivo até seis meses e complementado até dois anos ou mais, fisiologia da lactação, manejo de intercorrências, aconselhamento, doação de leite humano, funcionamento dos Bancos de Leite Humano e orientações sobre a NBCAL. Como estratégia central, realizou-se a dinâmica “Mitos e Verdades sobre o Aleitamento Materno”, estimulando reflexão e troca de experiências.
Resultados e considerações finais Observou-se ampla participação e engajamento dos ACS, que relataram maior segurança para orientar gestantes e puérperas. Houve reconhecimento de práticas inadequadas e maior compreensão sobre manejo da amamentação e encaminhamento aos Bancos de Leite Humano. A experiência fortaleceu o papel dos ACS como multiplicadores de informação e evidenciou a relevância das ações extensionistas para qualificar a atenção materno-infantil.
#279 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
AÇÕES BRASILEIRAS ACERCA DA ALIMENTAÇÃO INFANTIL EM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIAS: INDICADOR 9 DO WBTi
DAIANI OLIVEIRA CHERUBIM; CLEIA COSTA BARBOSA; SONIA SALVIANO; MARGOT FRIEDMANN ZETZSCHE; MIRIAM OLIVEIRA DOS SANTOS; VALDEREZ ARAGÃO; MARIA DE NAZARÉ CARVALHO NERY; ANNELISE BARRETO KRAUSE
IBFAN
Resumo
O relatório WBTi - é uma iniciativa que aborda a situação da estratégia global para o aleitamento materno e alimentação de lactentes e crianças de primeira infância. Constituída de 15 indicadores, tem-se o indicador de número 9, “Alimentação Infantil em Emergências”. A construção do relatório baseia-se na pergunta chave: Existem políticas e programas adequados para garantir que mães, bebês e crianças pequenas recebam proteção e apoio adequados para uma alimentação adequada durante emergências? Membros responsáveis e colaboradores buscaram documentos, portarias e protocolos municipais, estaduais e nacionais para sustentar o relatório. Dessa forma, se constatou que o Brasil possui políticas e instrumentos normativos específicos voltados à proteção e ao apoio à alimentação adequada de mães, bebês e crianças pequenas em emergências, calamidade pública e desastres naturais. O Marco Legal da Primeira Infância foi aprimorado pela Lei nº 15.220/2025. Além disso, tem-se a Lei nº 11.265/2006, a Nota Técnica Conjunta nº 56/2024 (SAPS/MS) e a Norma Técnica nº 56 da rBLH/MS. Esses instrumentos reforçam a responsabilidade de assegurar o acesso a alimentos seguros. Observou-se que o Brasil evoluiu em relação as pesquisas nos anos de 2008 e 2014, e 2025. Foram realizadas seguindo a metodologia da WBTi, coletados relatos da IBFAN; percebidas lacunas e foram feitas recomendações pertinentes. A atuação intersetorial é fundamental e envolve o CONSEA, o PNAE, o Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos e a EAAB. A sociedade civil é fundamental na mobilização e no controle social, por meio de entidades como a IBFAN, a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, o IDEC e o Joio e o Trigo. Evidenciou-se a fragilidade nas interações entre os Ministérios do Governo, e as suas esferas para a efetivação das ações oportunas, como os Planos de Contingências abrangerem a NBCAL e garantir plena atenção à alimentação segura e saudável. Diante dos mais de 7,5 mil desastres climáticos registrados entre 2020 e 2023 (USP, 2024), e as recentes como secas, enchentes, tornado em 2025, impactos ambientais e sociais, é urgente instituir uma política nacional específica para a alimentação infantil em emergências, como eixo estruturante de de proteção, equidade e justiça social, promovendo sustentabilidade e cuidado integral na primeira infância.
#301 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
AÇÕES ESTRATÉGICAS DE ALEITAMENTO MATERNO E ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR NA PNAISC: ANÁLISE DOCUMENTAL DOS ATOS FEDERAIS NORMATIVOS E ORÇAMENTÁRIOS (2015–2025)
GLÁUBIA ROCHA BARBOSA RELVAS; CAROLINA BELOMO DE SOUZA; DAIANE SOUSA MELO; GEORGIANA ESTEVES; GESSICA MERCIA DE ALMEIDA; GABRIELA BUCCINI
Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso; Universidade Federal do Paraná; University of Nevada, Las Vegas; Universidade Federal de Goiás
Resumo
Introdução: A consolidação de políticas públicas de saúde depende de atos federais normativos e orçamentários que sustentem sua implementação. No âmbito da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), estruturada em sete eixos estratégicos, esses atos federais são essenciais para a efetivação das ações. Este trabalho apresenta um recorte dos atos federais normativos e orçamentários relacionados ao Eixo 2 da PNAISC: aleitamento materno e alimentação complementar saudável.
Objetivos: Analisar o perfil da produção normativa federal relativa ao Eixo 2 da PNAISC entre 2015 e 2025.
Métodos: Pesquisa documental quanti-qualitativa. A estratégia de busca utilizou termos baseados nas ações da PNAISC em portais de legislação e na Biblioteca Virtual em Saúde. As buscas ocorreram entre março e abril de 2025, de forma manual e via inteligência artificial. Para análise preliminar, foram incluídos somente documentos do Eixo 2, identificando a tipologia dos documentos, a intencionalidade, e a existência de alocação orçamentária.
Resultados: Foram identificados 19 documentos; destes, a tipologia predominante foi de Portarias (42,1%; n=8) e Notas Técnicas (21,1%; n=4). Observou-se uma concentração da produção normativa no biênio 2024-2025, que respondeu por 36,8% (n=7) das publicações deste eixo. Quanto à intencionalidade, os documentos centram-se na institucionalização da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH) e no estabelecimento de diretrizes para as ações de aleitamento materno e alimentação complementar saudável. Apenas 31,6% (n=6) dos documentos abordam o financiamento de ações estratégicas do Eixo 2, evidenciando uma lacuna na dotação orçamentária explícita nos atos normativos analisados.
Conclusões: As ações do eixo 2 foram centrais na produção normativa da PNAISC entre 2015-2025. As normativas são majoritariamente relacionadas com a infraestrutura administrativa e de diretrizes técnicas e operacionais. A transferência orçamentária federal documentada é limitada, o que pode desafiar a sustentabilidade e a inovação de ações em longo prazo.
Financiamento: Ministério da Saúde
#152 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ADEQUAÇÃO DO PERFIL DOS POSTOS DE RECEBIMENTO DE LEITE HUMANO EM UNIDADES DE ATENÇÃO PRIMÁRIA: UM OLHAR SOBRE O MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
PRISCILA DA SILVA COSTA; DANIELE MARANO ALBUQUERQUE; DANIELLE APARECIDA DA SILVA; MARIA TERESA ROSSETTI MASSARI; LETICIA VICTORIA AMARAL CONCEIÇÃO
Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira; mt.massari@gmail.com; leticiavicamaral@gmail.com
Resumo
Introdução: Dentre as diversas estratégias voltadas à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, destacam-se os Postos de Recebimento de Leite Humano (PRLH) por desempenharem papel fundamental na ampliação da captação de leite humano e no fortalecimento da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH).
Objetivo: Avaliar o perfil e o nível de adequação dos PRLH instalados em unidades de atenção primária no município do Rio de Janeiro.
Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, realizado em 19 unidades de atenção primária com PRLH em funcionamento no município do Rio de Janeiro. A coleta de dados ocorreu em 2025 por meio de entrevistas presenciais com o profissional responsável pelo posto, além da avaliação da estrutura física e organizacional do serviço. Utilizou-se um questionário estruturado elaborado de acordo com a RDC 171/2006 e as normas técnicas da rBLH. A análise descritiva foi organizada em nove blocos compostos por quesitos previamente definidos com base nas normativas supracitadas. O percentual de adequação foi calculado pela razão entre o número de quesitos atendidos e o total de itens avaliados ( 60), sendo o resultado expresso em percentual - valores entre 0 e 33,3% foram classificados com adequação incipiente; acima de 33,3% até 66,6%, adequação parcial; e acima de 66,6%, adequação satisfatória.
Resultados: Todos os postos foram classificados com adequação satisfatória%. O percentual total de adequação dos postos variou entre 68,8% e 86,8% .
Conclusão: Os achados evidenciaram que a totalidade dos PRLH avaliados apresentou nível de adequação satisfatório, demonstrando conformidade com as normativas técnicas vigentes e reforçando a capacidade organizacional das unidades na captação e no manejo do leite humano doado. Esse resultado destaca a importância da consolidação dos PRLH como estratégia estruturante para o fortalecimento da rBLH. Ainda que tenham sido identificadas fragilidades pontuais, o desempenho global das unidades sinaliza avanço na padronização e na qualidade da assistência prestada em âmbito metropolitano.
#136 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
AGOSTO DOURADO COMO ESTRATÉGIA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA PARA A PROMOÇÃO DA AMAMENTAÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA INTERPROFISSIONAL
JULIANA ARAUJO TEIXEIRA (TEIXEIRA, JULIANA A.); VIVIANE LAUDELINO VIEIRA (VIEIRA, VIVIANE L.); CARMEN SIMONE GRILO DINIZ (DINIZ, CARMEN SIMONE G.); COLETIVO AGOSTO DOURADO 2025
Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP, Brasil; Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP, Brasil
Resumo
Objeto da experiência: Realização do Agosto Dourado como atividade extensionista institucional da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), integrada à curricularização da extensão e orientada à promoção, proteção e apoio à amamentação.
Contexto: No Brasil, o Agosto Dourado foi instituído pela Lei nº 13.435/2017 como estratégia nacional de conscientização sobre a amamentação. Alinhada a essa agenda, a FSP-USP incorporou a campanha ao seu calendário oficial e realizou, em 2025, a 11ª edição do evento, fortalecendo seu compromisso com políticas públicas de saúde e responsabilidade social universitária.
Descrição da execução: O evento ocorreu entre 04 e 29 de agosto de 2025, envolvendo o Centro de Saúde Geraldo de Paula Souza, a Liga Acadêmica de Nutrição Materno-Infantil e 17 estudantes dos cursos de Nutrição, Saúde Pública, Economia e Direito. A programação foi construída de forma participativa, com organização dos estudantes por eixos temáticos, planejamento coletivo das atividades e supervisão contínua.
Resultados: Foram realizadas 17 atividades, com participação de 466 pessoas. As ações incluíram inauguração da sala de apoio à amamentação, exposição fotográfica, rodas de conversa no centro de saúde sobre desafios da amamentação, introdução alimentar e práticas integrativas seguras. Mesas-redondas e aulas técnicas abordaram temas como sistemas alimentares e sustentabilidade, políticas públicas, organização dos serviços, emergências humanitárias, trabalho em equipe, manejo da amamentação, licenças parentais, direitos reprodutivos e diversidade de experiências. Também foram produzidos 12 materiais digitais para redes institucionais sobre sustentabilidade, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, equidade social, direitos e apoio familiar. Intervenção artística com palhaçaria no restaurante universitário ampliou o alcance comunitário. Observou-se fortalecimento da articulação universidade-serviço-comunidade, ampliação do acesso a informações qualificadas, desenvolvimento de competências extensionistas e maior engajamento discente em práticas interprofissionais.
Considerações finais: A experiência demonstrou que o Agosto Dourado, enquanto atividade extensionista, é estratégico para a formação interprofissional dos estudantes e estruturante para uma agenda institucional sustentável, com potencial de replicação em diferentes territórios.
Financiamento: Algumas atividades do Agosto Dourado foram financiadas pela Comissão de Cultura e Extensão da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
#236 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ÁLBUM SERIADO E FOLDER PARA ORIENTAÇÃO DE ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR
MARIA TEREZA CUNHA ALVES RIOS – RIOS, MTCA; HELENA VASSIMON BERNARDES – BERNARDES, HV; LILIAN DONIZETE PIMENTA NOGUEIRA – NOGUEIRA, LDP; MARCIA SOARES FREITAS DA MOTTA – MOTTA, MSF; LUIS ÂNGELO MARTI TRAVER VILELA – VILELA, LAMT; GABRIELA SILVA FURTADO – FURTADO, GS
Secretaria da Saúde da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto; Secretaria da Educação da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto
Resumo
Desenvolvimento de materiais ilustrativos como recursos para facilitar a comunicação entre profissional e família com criança em fase de alimentação complementar. A obesidade infantil é um problema mundial de saúde pública. Segundo dados do SISVAN (2025), em Ribeirão Preto 10,66% das crianças menores de 5 anos já estão com excesso de peso; 20,52% estão com risco de desenvolver sobrepeso; 2,5% das crianças apresentam magreza ou magreza acentuada. A alimentação tem papel fundamental em todas etapas da vida, especialmente nos primeiros anos, que são decisivos para o crescimento, desenvolvimento, formação de hábitos e manutenção da saúde. Tendo em vista que os profissionais de saúde são atores fundamentais na orientação da alimentação de crianças, este material vem como um recurso para as consultas. Em 2022 foi realizada uma reunião em que participaram pediatras e Médicos de Saúde da Família da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto, em que estiveram presentes 36 profissionais. Nesta reunião, foi apresentado um modelo inicial do álbum seriado e do folder e foram registradas todas as sugestões dos profissionais participantes. Em 2024/2025 foram criados e impressos dois materiais: álbum seriado e folder para orientação da alimentação complementar. O conteúdo do álbum foi: 1) “Como fica a amamentação com a introdução de novos alimentos?”; 2) “Quando meu bebê deve começar a comer?”; 3) “Paciência e persistência”; 4) Por onde eu começo?”; 5) Estrutura da alimentação complementar para cada faixa etária; 6) “O que meu bebê deve comer?”; 7) “Qual a quantidade de comida que devo oferecer?”; 8) “Como oferecer a comida para o bebê?”; 9) “O que meu bebê não deve comer?”; 10) “Como reconhecer um alimento ultraprocessado - Leitura de rótulo”; 11) “Técnicas de preparo, congelamento, armazenamento”; 12) “Dúvidas mais comuns na alimentação complementar”; 13) “Como estimular a criança a comer alimentos saudáveis?”; 14) “Custo dos alimentos ultraprocessados”; 15) “Ficou com dúvidas?”. O folder conta com 4 páginas, sendo um resumo dos pontos principais do álbum seriado. Percebemos que estes materiais podem ajudar a sanar as principais dúvidas das famílias em relação à alimentação complementar, que perpassam por questões como quantidade e consistência dos alimentos. As imagens esclarecem as dúvidas das famílias com mais eficiência do que apenas a orientação falada.
#68 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ALEITAMENTO MATERNO E CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS EM CRIANÇAS BRASILEIRAS MENORES DE DOIS ANOS: RESULTADOS DO ENANI-2019
YVE FERREIRA (FERREIRA, Y.); ELISA MARIA DE AQUINO LACERDA (LACERDA, E.M.A); JULIANA VIEIRA DE CASTRO MELLO (MELLO, J.V.C); SANDRA PATRICIA CRISPIM (CRISPIM, S. P.); DAVI BORGES DAMASCENO (DAMASCENO, D. B.); DRIELE RODRIGUES (RODRIGUES, D.); NATHALIA CRISTINA DE FREITAS-COSTA (FREITAS-COSTA, N. C.); GILBERTO KAC (KAC, G)
Observatório de Epidemiologia Nutricional, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Instituto de Nutrição Josué de Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Programa de Pós-Graduação em Alimentação e Nutrição, Departamento de Nutrição, Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Resumo
Introdução: O aleitamento materno (AM) é recomendado exclusivamente até os 6 meses e continuamente até 2 anos ou mais. A alimentação complementar deve manter o AM, priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e evitar ultraprocessados (AUP), relacionados a padrões alimentares inadequados e doenças crônicas não transmissíveis. Considerando que o AM pode estar associado a práticas parentais saudáveis, são escassas evidências nacionais sobre sua relação com AUP.
Objetivos: Avaliar a associação entre AM e consumo de AUP em crianças brasileiras menores de 2 anos, conforme faixa etária (0-5 e 6-23 meses), e descrever os principais grupos de AUP segundo AM.
Metodologia: Foram incluídas 6.307 crianças (1.967 entre 0-5 meses; 4.340 entre 6-23 meses) participantes do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), um inquérito domiciliar de base populacional. O AM (sim/não) foi avaliado por meio do questionário estruturado de marcadores de consumo alimentar referente ao dia anterior. O consumo de AUP foi obtido por recordatório alimentar de 24 horas e definido pela ingestão de ≥1 AUP, segundo a classificação NOVA. Utilizaram-se modelos de regressão logística ajustados por fatores de confusão definidos por Gráficos Acíclicos Direcionados, incluindo macrorregião, renda familiar per capita, raça/cor do cuidador e participação no Programa Bolsa Família. Estimaram-se odds ratios (OR) e intervalos de confiança de 95% (IC95%).
Resultados: A prevalência de AM foi de 86,6% em crianças de 0-5 meses e de 51,7% entre 6-23 meses. O consumo de AUP foi de 14% e 86% nos grupos de 0-5 e 6-23 meses. As prevalências de consumo de AUP foram menores no grupo amamentado. A ausência de AM associou-se a maior chance de consumo de AUP tanto em crianças de 0-5 meses (OR = 5,06; IC95%: 3,15-8,12) quanto nas de 6-23 meses (OR = 3,46; IC95%: 2,13-5,62). O consumo de guloseimas foi de 56,1% (IC95%: 51,7-60,4) no grupo amamentado e de 59,4% (IC95%: 55,3-63,4) no grupo não amamentado; seguido por biscoitos [41,9% (IC95%: 37,0-46,9) e 45,7% (IC95%: 41,8-49,6)] e farinhas ultraprocessadas [20,5% (IC95%: 17,1-24,4) e 43,1% (IC95%: 39,6-46,6)], respectivamente.
Conclusões: Crianças não amamentadas no dia anterior apresentaram maior chance de consumo de AUP, com destaque para as farinhas ultraprocessadas.
Financiamento: CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Ministério da Saúde e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
#286 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ALEITAMENTO MATERNO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: IMPACTO DA CAPACITAÇÃO MATRICIAL DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE EM UBS DA ZONA SUL DE SÃO PAULO
NATALIA TURANO MONTEIRO; FERNANDA SINATORA; CARLA PEREIRA BARRETO; SIMONE DIVINA FERNANDES; MARCELA MENAH DE SOUSA LIMA
Einstein Hospital Israelita
Resumo
Objeto da experiência: Relatar a experiência de capacitação matricial de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) em aleitamento materno na Atenção Primária à Saúde e seu impacto no cuidado ofertado às gestantes, puérperas e famílias atendidas em Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Contexto: O aleitamento materno é reconhecido como estratégia fundamental para a promoção da saúde infantil e redução da morbimortalidade. Apesar das recomendações nacionais e internacionais, dificuldades relacionadas ao manejo da amamentação persistem na Atenção Primária, especialmente no acompanhamento longitudinal das famílias. Identificou-se a necessidade de fortalecer o papel dos ACS como agentes estratégicos no apoio ao aleitamento materno, ampliando conhecimento técnico, segurança nas orientações e alinhamento com as boas práticas assistenciais.
Descrição da execução: A experiência foi desenvolvida em 14 UBS da Zona Sul de São Paulo, por meio de um processo de capacitação matricial conduzido por equipe especializada em saúde materno-infantil. A intervenção incluiu encontros presenciais com abordagem teórico-prática, discussão de casos, utilização de metodologias ativas e materiais educativos padronizados. Os conteúdos abordaram fundamentos do aleitamento materno, manejo das principais intercorrências, escuta qualificada, comunicação com as famílias e alinhamento às diretrizes institucionais. A capacitação foi acompanhada de suporte contínuo às equipes, favorecendo a integração entre educação permanente e prática assistencial.
Resultados: Participaram da capacitação Agentes Comunitários de Saúde de 14 Unidades Básicas de Saúde da Zona Sul de São Paulo, totalizando mais de 400 respondentes no pré-teste e aproximadamente 370 no pós-teste. A adesão geral ao treinamento foi elevada, com 84,58% de presença entre os profissionais convidados. Observou-se aumento de 5,22 pontos percentuais na média de acertos no pós-teste, quando comparado ao pré-teste. Na autoavaliação de preparo para orientar e apoiar demandas relacionadas à amamentação, houve predomínio dos níveis 4 e 5 no pós-teste, representando cerca de 80% dos participantes. Além disso, 89% afirmaram que recomendariam o treinamento.
Considerações finais: A capacitação matricial dos ACS mostrou-se uma estratégia efetiva para qualificar o cuidado em aleitamento materno na Atenção Primária.
#147 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
AMAMENTAÇÃO COMO PAUTA PRIORITÁRIA EM UM PROJETO SOCIAL DE ENSINO SOBRE PREMATURIDADE
GABRIELLE SAUINI; MONICA MENDES; SIMONE SALDÍBIA; CINTIA WYZYGOWSKI; VIVIANE MATOS; FERNANDO LOPES; DENISE SUGUITANI; ALINE HENNEMANN
ONG Prematuridade.com
Resumo
Introdução: A prematuridade possui estreita relação com a amamentação, que, embora seja essencial para a sobrevivência, apresenta desafios significativos nesta população. Diante disso, uma organização brasileira voltada à prematuridade criou um projeto para disseminar evidências sobre o tema a graduandos da saúde, incluindo a amamentação entre os tópicos.
Objetivo: Promover informações baseadas em evidências sobre prematuridade e amamentação a graduandos da saúde, ampliando o alcance dos temas.
Metodologia: Trata-se de um projeto online e voluntário iniciado em 2021, envolvendo graduandos de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, medicina, psicologia e terapia ocupacional. O projeto conta com 15 profissionais de saúde especialistas em saúde materno-infantil e convidados, e segue as premissas da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde. O cronograma inclui 31 encontros (26 multiprofissionais e 5 específicos), com atividades teóricas e práticas, elaboração de conteúdos nas mídias sociais e entrega de relatórios. Dos 26 encontros gerais, 16 (57,7%) abordam a amamentação, sendo 86,7% diretamente, com temas como Bancos de Leite Humano e aleitamento em prematuros, e 13,3% indiretamente, envolvendo relatos de pais sobre sua experiência com a prematuridade. Além disso, os alunos participam de campanhas como a doação de leite e a Semana Mundial de Amamentação, com ações nas redes sociais, em universidades e comunidades.
Resultados: o projeto já alcançou mais de 800 estudantes de 25 estados brasileiros, de universidades públicas (42,3%) e particulares (57,7%). O Instagram do projeto contava com mais de 4000 seguidores em Janeiro de 2026. A abordagem multidisciplinar reforça a relevância da interdisciplinaridade na saúde materno-infantil. Ao focar em graduandos, o projeto permite que mesmo estudantes que não seguirão na área adquiram conhecimentos essenciais sobre os temas. Além disso, o protagonismo da família é sempre reforçado, com base nos princípios do cuidado centralizado na família. O projeto tem um índice de aprovação de 99% entre os alunos que finalizam o curso.
Conclusão: A iniciativa fornece conteúdos sobre amamentação e prematuridade na formação de graduandos em saúde, suprindo uma lacuna do ensino das graduações. Isso contribui para uma atuação qualificada e humanizada dos futuros profissionais, fortalecendo a atenção à saúde pública.
#120 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
AMAMENTAÇÃO COMO RESPONSABILIDADE COLETIVA: EXPERIÊNCIA INTERSETORIAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
LAÍS FOLHA PECCIA; DEBORA GARCIA B. SANTOS; DIANA SIQUEIRA NUNES DA SILVA; KÁTIA IARED SEBASTIÃO ROMANELLI; LILIANE SZILI; VALÉRIA ROMA DE FREITAS; VIVIANE FERRI ROSS PERUCHA; MÔNICA CORDEIRO NOGUEIRA DA CRUZ
Organização da Sociedade Civil Leite Materno na Escola (LeME), São Paulo/SP - Brasil; Coordenadoria de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME/CODAE)
Resumo
A Coordenadoria de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME/CODAE) e a organização da sociedade civil Leite Materno na Escola (LeME) realizaram uma parceria intersetorial em maio de 2025 para promover ações voltadas ao acolhimento do aleitamento materno (AM) nas Unidades Educacionais. Entende-se que o ingresso na escola não é motivo para o desmame, assim, LeME e CODAE se uniram para fortalecer o incentivo e a promoção da cultura do AM no espaço educacional. Firmou-se um acordo de cooperação de 1 ano sem transferência de recursos e o escopo das ações foi dialogado de acordo com a disponibilidade das voluntárias do LeME. Foram acordadas as seguintes atividades: a) cessão de uso de vídeo produzido pelo LeME “Passo a passo para extração e envio do leite materno à unidade educacional”; b) 5 turmas de formação para profissionais da SME/CODAE; c) 5 workshops sobre extração de leite materno, com objetivo de orientar mães e sua rede de apoio sobre como manter a amamentação mesmo durante suas ausências, abordando de forma acessível a extração, o armazenamento e a oferta segura do leite materno; d) 15 oficinas de sensibilização para equipes educacionais, que utilizam a escuta e a troca de histórias de AM para engajar educadores no apoio à amamentação, destacando seu papel fundamental na rede de cuidado às famílias. No primeiro semestre da parceria, entre maio e novembro de 2025, foram realizados 3 workshops de extração de leite materno com famílias, 5 turmas de formação com profissionais da SME/CODAE, 1 oficina de sensibilização com equipe educacional e a cessão do vídeo do LeME para fins educacionais. A experiência da parceria LeME/CODAE reforça a relevância e a potência do trabalho intersetorial, que pode preencher lacunas importantes na ação institucional e criar uma rede de apoio efetiva. Enquanto o governo implementa políticas públicas, instituindo ações, normativas e organizando a formação profissional, a sociedade civil pode atuar de maneira complementar, acessando as famílias e a comunidade escolar de modo acolhedor e em uma relação mais próxima. Os resultados indicam que o AM, enquanto ato coletivo e de saúde pública, é fortalecido por este trabalho integrado, demonstrando um caminho promissor para a proteção, promoção e apoio do AM no ambiente escolar.
#156 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
AMAMENTAÇÃO NA PRIMEIRA HORA DE VIDA EM RECÉM-NASCIDOS FILHOS DE PUÉRPERAS ADOLESCENTES INDÍGENAS, MATO GROSSO DO SUL
MAYARA CAROLINA CAÑEDO; GLÊNIO ALVES DE FREITAS; RENATA PALÓPOLI PÍCOLI
Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul; Universidade Federal de Uberlândia; FIOCRUZ de Mato Grosso do Sul
Resumo
Introdução: A amamentação após o nascimento do recém-nascido (RN) é conhecida como Golden Hour e é fundamental para estabelecer vínculo entre mãe e filho e favorecer a manutenção do aleitamento materno (AM).
Objetivos: Estimar a prevalência de amamentação na primeira hora de vida de RN de puérperas adolescentes indígenas.
Metodologia: Estudo transversal na linha de base da coorte de nascimentos indígenas de Mato Grosso do Sul, com 122 puérperas adolescentes indígenas que residiam em dez municípios do estado de Mato Grosso do Sul, cujos partos e/ou atendimento pós-parto imediato ocorreram em 13 hospitais, entre 2021 e 2022. Os dados foram obtidos por entrevistas com as adolescentes durante a hospitalização, por meio de instrumento estruturado e consulta de registros da caderneta da gestante. A amamentação na primeira hora de vida foi definida conforme critérios da Organização Mundial da Saúde adotados pelo Ministério da Saúde. Analisaram-se as variáveis sociodemográficas (idade e etnia) e obstétricas maternas (via de parto, número de consultas de pré-natal e peso ao nascer). O estudo foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (parecer nº 5393.703/2020).
Resultados: Após a exclusão dos dados sem registros, foram incluídos 119 casos na análise, com prevalência de AM na primeira hora de vida de 82,4%. Entre as etnias, a prevalência de amamentação na primeira hora de vida foi maior entre Kaiowá e Guarani (86,8%) em comparação à etnia Terena (73,8%). A prevalência de AM na primeira hora de vida foi entre filhos de adolescentes com idade entre 12 a 14 anos (90%) e seguidas daqueles entre 15 a 19 anos (81,7%). A prevalência de AM na primeira hora foi maior entre os filhos de puérperas adolescentes com registro de 4-6 consultas pré-natal (85,1%). Entre os RN com baixo peso ao nascer, a prevalência de AM na primeira hora foi de 92,9%. A via de parto foi a única variável associada estatisticamente (p=0,00057), sendo o parto vaginal relacionado com maior prevalência de AM na primeira hora de vida, com 88,5% em comparação à cesárea (52,4%).
Conclusão: Observou-se elevada prevalência de AM na primeira hora de vida de filhos de adolescentes indígenas. Contudo, o parto cesáreo mostrou-se associado a menor prevalência de AM, evidenciando a necessidade de fortalecer estratégias assistenciais que promovam e apoiem essa prática, especialmente no contexto hospitalar.
Financiamento: Programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão à Saúde da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas/FIOCRUZ/2020.
#28 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ANÁLISE DAS NORMATIVAS QUE FUNDAMENTAM A IMPLEMENTAÇÃO DAS AÇÕES ESTRATÉGICAS DO EIXO 2 DA PNAISC
GIULIA SANCHEZ LEONARDO; MARIANA TARRICONE GARCIA; ROBERTA MARIA MIRANDA RIBEIRO; MARCELA MATOS DE CAMARGO; MARIA IZABEL SANCHES COSTA
Instituto de Saúde - Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (IS-SES/SP); Faculdade de Saúde Pública - Universidade de São Paulo (USP)
Resumo
Introdução: O eixo 2 da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) envolve ações estratégicas para a promoção, proteção e apoio à amamentação e alimentação complementar saudável. As normativas que estruturam a sua implementação devem fundamentar diretrizes e a tomada de decisão de gestores e trabalhadores dos três níveis federativos. A Ciência da Implementação utiliza frameworks para examinar como os documentos normativos favorecem, limitam ou moldam a implementação das políticas.
Objetivo: Identificar as contribuições e as lacunas dos documentos normativos para a implementação das ações estratégicas do Eixo 2 da PNAISC, com base no framework Modelo Integrado para análise de Implementação de Políticas de Saúde (MIPS).
Metodologia: O levantamento de documentos normativos das ações do eixo 2 da PNAISC foi realizado nos repositórios do Ministério da Saúde (MS) e da Rede Brasileira de Bancos de Leite (rBLH), selecionados e validados pela equipe de pesquisadoras, por especialistas e pela área técnica de saúde da criança do MS. A partir do framework MIPS foram definidos os códigos: Ambiente facilitador (Arranjos intersetoriais, Atribuições, Responsabilidades e relações entre os entes federados, Financiamento, Organização do SUS), Monitoramento, Atores envolvidos na implementação, Efeitos e impactos esperados (outcomes e outputs). O software MAXQDA foi utilizado para extração e sistematização dos trechos de interesse dos documentos.
Resultados: O arcabouço normativo contemplou 11 documentos: 4 leis , 1 decreto , 5 portarias e 1 Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da ANVISA. As dimensões que apresentaram mais lacunas são: financiamento, monitoramento, resultados e efeitos esperados/previstos na população (outcomes). A Portaria nº 1.130, que institui a PNAISC é o único documento que contempla todos os constructos e aspectos avaliados da matriz de avaliação.
Conclusões: As lacunas identificadas nas normativas, especialmente nas dimensões de financiamento, monitoramento e resultados e efeitos esperados/previstos na população (outcomes), podem constituir barreiras relevantes à implementação, ao reduzir a clareza operacional, previsibilidade de recursos e parâmetros de acompanhamento por parte dos gestores da PNAISC.
Financiamento: Financiamento do Departamento de Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde, do Ministério da Saúde (Decit/SECTICS/MS) e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq
#233 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ANINHA E O MELHOR ALIMENTO: CARINHO DESDE O NASCIMENTO
AUREA TAMAMI MINAGAWA TORIYAMA; GIOVANNA GARCIA CARVALHO; ILLY STER ALMEIDA ROCHA
Escola de Enfermagem da USP
Resumo
Introdução: O aleitamento materno oferece vantagens em escala individual e coletiva, traz impactos sociais e econômicos. No entanto, as iniciativas para a promoção, proteção e apoio têm sido voltadas principalmente para as mulheres, enquanto gestantes ou puérperas. A educação para a amamentação deve ser para toda a comunidade, desde a infância: quanto mais cedo for abordada sua importância, maior será a aceitação e apoio a esta prática. Neste sentido, o desenvolvimento de materiais educativos para crianças contribui com a ampliação das estratégias para envolvimento da família e comunidade no apoio ao aleitamento materno.
Objetivos: Verificar aspectos do aleitamento materno a serem abordados numa história infantil. Verificar aspectos da literatura infantil a serem considerados para elaboração de uma história. Elaborar uma história infantil sobre a importância do Aleitamento Materno.
Metodologia: Para elaborar a história infantil, o processo criativo ocorreu em três momentos distintos: delimitando os temas gerais a serem compreendidos através da revisão narrativa; traçando o enredo da história; e adequando o texto à Literatura de Potencial Recepção Infantil (LPRI) lançando mão do recurso da rima.
Resultados: Na Revisão Narrativa apresentou-se a história do Aleitamento Materno, desde os primeiros registros, até a ascensão da indústria alimentícia, incluindo as novas perspectivas para a amamentação e os desafios contemporâneos. Foram retratados os aspectos do aleitamento materno a serem abordados numa história infantil e aspectos da literatura infantil a serem considerados para elaboração de uma história. Por fim, é apresentada a história infantil elaborada, que aborda a temática da amamentação com crianças, de forma lúdica e rítmica, instigando a curiosidade sobre o assunto, e explicitando a corresponsabilidade do ato para além da mulher, incluindo a família e a sociedade.
Considerações finais: Espera-se que a história “Aninha e o melhor alimento: Faz crescer igual fermento” contribua para o conhecimento de crianças sobre a amamentação e que elas possam ampliar a comunidade militante, defensora e de apoio ao aleitamento materno.
#23 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
APLICAÇÃO DE UM MODELO CONCEITUAL AO MARKETING DIGITAL DE FÓRMULAS LÁCTEAS COMERCIAIS
PAULA MARTINS HORTA (HORTA PM); CAROLINA MURTA FONSECA SILVA (SILVA CMF); JULIANA DE PAULA MATOS (MATOS JP)
UFMG
Resumo
Introdução: O marketing digital de Fórmulas Lácteas Comerciais (FLC) pode influenciar decisões de pais e cuidadores, contribuindo para a redução do aleitamento materno e de outras práticas alimentares saudáveis. Um modelo conceitual do marketing digital de alimentos organiza as estratégias nesse meio em três dimensões: saturação (presença simultânea e repetida de múltiplos elementos de marketing em um mesmo espaço ou entre diferentes plataformas), congruência (alinhamento entre a mensagem e o contexto de veiculação) e influência social (mobilização de interações sociais, validação por pares, influenciadores ou figuras de autoridade). Apesar de sua relevância, essas dimensões não foram exploradas na análise do marketing de FLC.
Objetivo: Aplicar as dimensões de um modelo conceitual de marketing digital de alimentos na análise de publicações de FLC no Instagram no Brasil.
Metodologia: Estudo qualitativo. Foram mapeadas páginas oficiais brasileiras no Instagram de marcas de empresas de FLC com maior participação no mercado (Nestlé, Danone e Mead Johnson). Os perfis selecionados foram: @aptanutribrasil, @nestlenanlac, @nestleninho, @nestlenestonutri e @nestleneslac. A seleção das publicações foi intencional, orientada pelas definições e categorias analíticas do referencial adotado.
Resultados: As publicações (n=4) contemplavam fórmulas infantis de seguimento para crianças na primeira infância ou compostos lácteos. Observou-se, na dimensão da saturação, a articulação de múltiplos elementos de marketing, incluindo vídeos com narrativas afetivas, anúncios gráficos com forte presença das marcas e posicionamento dos produtos em contextos cotidianos do cuidado infantil. Na dimensão da congruência, as publicações apresentaram alinhamento entre produto, narrativa e contexto, como em conteúdos protagonizados por figuras associadas à maternidade que incorporam as FLC à rotina maternal e destacam benefícios do produto. Quanto à influência social, identificaram-se estratégias como recomendações de influenciadoras digitais reforçadas pela indicação de pediatras e nutricionistas, combinando validação social e autoridade profissional.
Conclusão: O marketing de FLC no Instagram articula as dimensões de saturação, congruência e influência social, ampliando a exposição aos produtos, reduzindo a percepção do caráter publicitário das publicações e reforçando a legitimação social do consumo de FLC.
#223 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
APROVAÇÃO DA RESOLUÇÃO DA REGULAÇÃO DO MARKETING DIGITAL DE SUBSTITUTOS DO LEITE MATERNO NA ASSEMBLEIA MUNDIAL DA SAÚDE (AMS)
RENARA GUEDES ARAÚJO; PRISCILA OLIN SILVA; GABRIELA SINTRA RIOS; SONIA ISOYAMA VENANCIO; LÚCIA HELENA ALMEIDA GRATÃO; KAIO TAVARES RODRIGUES; CAMILA GONÇALVES OLIVEIRA CHAGAS; KELLY POLIANY DE SOUZA ALVES
Ministério da Saúde
Resumo
Objeto: Relatar, pela ótica do governo, o processo de liderança do Brasil na formulação e aprovação da Resolução WHA78.18, quanto à regulação do marketing digital de Substitutos do Leite Materno (SLM).
Contexto: Passados mais de 40 anos do lançamento do Código Internacional de Comercialização de SLM pela Organização Mundial da Saúde (OMS), novas estratégias de marketing surgiram, em especial no ambiente digital, impactando negativamente na amamentação. Historicamente, o Brasil endossa o Código, por meio da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças na Primeira Infância (NBCAL). Em 2023, a OMS publicou recomendações sobre a regulamentação do marketing digital de SLM destinadas a restringir a comercialização digital desses produtos.
Descrição da execução: Entre 2024 e 2025, o Brasil liderou a construção e discussão de uma proposta de Resolução para regulamentar o marketing digital de SLM. Na 155ª Sessão do Conselho Executivo da OMS (EB/OMS), em 2024, o país manifestou a intenção de apresentar esta proposta para apoiar as orientações da OMS. Durante a 77ª AMS, o Brasil liderou uma declaração conjunta em nome de 27 países, expressando a intenção de apresentar o rascunho da Resolução em 2025. Para construir esse texto, o Ministério da Saúde (MS) apoiou a condução de negociações com os estados-membros, a fim de coletar sugestões para a proposta. Durante o processo, participaram vários atores como: MS, Ministério das Relações Exteriores, Anvisa, organizações da sociedade civil e organismos internacionais. Com o copatrocínio do México e apoio de outros países, o Brasil apresentou o texto na 156ª Sessão do EB/OMS. A versão final foi apresentada na 78ª AMS, em Genebra. Com um diálogo intersetorial, articulação multilateral e negociação junto aos Estados-Membros da OMS, a proposta traz diretrizes para o fortalecimento da regulação, monitoramento e fiscalização do marketing digital de SLM.
Resultados: O processo resultou na aprovação da Resolução WHA78.18, em 05/2025, na 78ª AMS, fortalecendo a proteção da amamentação e alimentação infantil a nível mundial.
Considerações finais: A experiência demonstra a relevância da articulação intersetorial e diplomacia para enfrentar novos desafios regulatórios. A liderança do Brasil contribuiu para a aprovação da Resolução WHA 78.18, reforçando seu papel histórico na defesa da amamentação.
#66 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ARMAZENAMENTO PROLONGADO DO LEITE HUMANO ORDENHADO CRU: UMA ANÁLISE LONGITUDINAL DA ACIDEZ E DO CONTEÚDO ENERGÉTICO
DIANA SIQUEIRA NUNES DA SILVA; ANA MARIA PITA LOTTENBERG; MARIA SILVIA F. LAVRADOR
FICSAE / LeME; FICSAE
Resumo
Introdução: O leite humano ordenhado cru (LHOC) é o alimento padrão-ouro para lactentes, e sua ordenha seguida de armazenamento é estratégica para a manutenção da amamentação em contextos de separação mãe-bebê. Enquanto o protocolo brasileiro (ANVISA) recomenda até 15 dias de congelamento, diretrizes internacionais aceitam períodos maiores. Este estudo buscou avaliar se a qualidade físico-química do LHOC, indicativo para a segurança e o valor nutricional, se mantém durante armazenamento prolongado.
Objetivo: Avaliar a variação da acidez e do conteúdo energético do LHOC ao longo de 150 dias de armazenamento em congelador doméstico (-18 °C).
Metodologia: Coorte prospectiva observacional com amostras de LHOC de 28 lactantes, analisadas nos dias 1, 15, 30, 60, 90, 120 e 150 pós-coleta. A acidez titulável foi determinada pelo método Dornic e o conteúdo energético estimado pela técnica do crematócrito, ambos utilizados rotineiramente nos Bancos de Leite Humano (BLH) do Brasil como parte do controle de qualidade. A análise estatística foi realizada por modelos mistos generalizados (GMM), com comparações post-hoc e análises temporais.
Resultados: Observou-se aumento progressivo e estatisticamente significativo da acidez Dornic ao longo do tempo de armazenamento, com médias estimadas de 3,88 ºD no dia 1 e 12,83 ºD no dia 150. O limite de 8 ºD, estabelecido pelo protocolo brasileiro como critério eliminatório antes da pasteurização, foi atingido, em média, após 60 dias de armazenamento. O conteúdo energético manteve-se estável durante todo o período analisado, sem diferenças significativas entre os tempos, embora tenha sido observada variabilidade interindividual associada ao tempo de lactação das participantes.
Conclusão: O LHOC apresentou aumento progressivo da acidez titulável ao longo do armazenamento, atingindo valores superiores a 8 ºD após 60 dias de congelamento, e o conteúdo energético permaneceu estável pelos 150 dias. Considerando o protocolo brasileiro vigente, o LHOC manteve-se dentro dos padrões físico-químicos de qualidade por até 60 dias de armazenamento em congelador doméstico, reforçando que a acidez é o principal parâmetro limitante para o uso do LHOC em períodos mais longos. Os resultados sugerem que, para uso próprio em contexto domiciliar, o prazo de armazenamento poderia ser reavaliado, aproximando-se a protocolos internacionais mais extensos.
Financiamento: Bolsa de IC FAPESP (Processo nº 2025/05105-2)
#64 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ARMAZENAMENTO PROLONGADO DO LEITE HUMANO ORDENHADO CRU: UMA ANÁLISE LONGITUDINAL DA OCORRÊNCIA DE COLIFORMES
DIANA SIQUEIRA NUNES DA SILVA; ANA MARIA PITA LOTTENBERG; MARIA SILVIA F. LAVRADOR
FICSAE / LeME; FICSAE
Resumo
Introdução: Único e inigualável, o leite humano é reconhecido como alimento padrão-ouro, ideal para a criança, e sua ordenha seguida de armazenamento é estratégica para a manutenção da amamentação em contextos de separação mãe-bebê. Enquanto o protocolo brasileiro (ANVISA) recomenda até 15 dias de congelamento, diretrizes internacionais aceitam períodos mais longos. Este estudo avaliou se o tempo de armazenamento do LHOC em congelador doméstico aumenta a contaminação por coliformes e se essa ocorrência se relaciona com alterações físico-químicas do leite sem perda da qualidade e segurança, principalmente se destinado a bebês a termo e saudáveis num contexto doméstico.
Objetivo: Analisar a frequência de coliformes totais no LHOC ao longo de 150 dias em congelador doméstico e sua relação com parâmetros de qualidade.
Metodologia: Coorte prospectiva observacional com amostras de LHOC de 28 lactantes. As amostras foram coletadas de acordo com as recomendações preconizadas para uso doméstico (sanitização em água fervente por 15 minutos), armazenadas em congelador de porta separada (-18 °C) e analisadas nos dias 1, 15, 30, 60, 90, 120 e 150 pós-coleta. A detecção de coliformes foi realizada pelo teste presuntivo em caldo BGBL (Brilliant Green Bile Lactose), método utilizado rotineiramente nos Bancos de Leite Humano (BLH) do Brasil como parte do controle de qualidade. A acidez e o conteúdo energético também foram mensurados. Para análise estatística utilizou-se teste exato de Fisher e análise qualitativa.
Resultados: 5,9% das amostras apresentaram coliformes ao longo de todo o período estudado, sem associação significativa com o tempo de armazenamento (p=0,126). A contaminação foi esporádica e de baixa carga, sugerindo origem no manuseio inicial ou durante o processamento das amostras. Não houve correlação entre presença de coliformes e aumento da acidez (p=0,33) ou variação do conteúdo energético (p=0,13). A estabilidade microbiológica foi mantida ao longo de 150 dias.
Conclusão: O armazenamento do LHOC em congelador doméstico (-18 °C) por até 150 dias mostrou-se microbiologicamente seguro, com baixa e não progressiva ocorrência de coliformes. Os resultados suportam que o LHOC mantém estabilidade microbiológica por períodos superiores a 15 dias, sendo um método confiável para o uso doméstico, capaz de apoiar a continuidade do aleitamento materno.
Financiamento: Bolsa de IC FAPESP (Processo nº 2025/05105-2)
#103 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ARTICULAÇÃO INTERINSTITUCIONAL NO AGOSTO DOURADO: RELATO DE EXPERIÊNCIA NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO NA AMAZÔNIA OCIDENTAL
PATRÍCIA TAÍNE ARAUJO BATISTA; VANIZIA BARBOZA DA SILVA MACIEL; MARCIA DE PAULA SOARES; IGLÊ MONTE DA SILVA; JACINTA ALBINO DE JESUS
Hospital da Mulher e da Criança do Juruá; Universidade Federal do Acre; Associação dos Pais e Amigos de Pessoas com Autismo - APAA
Resumo
O aleitamento materno é estratégia central para a promoção da saúde infantil, segurança alimentar e redução de desigualdades. Campanhas como o Agosto Dourado e a Semana Mundial do Aleitamento Materno fortalecem a mobilização social e institucional. Em 2024, o slogan “Amamentação: Apoie em Todas as Situações” ressaltou a necessidade de suporte contínuo às nutrizes, especialmente em emergências e crises. Na região amazônica, cheias e estiagens impactam o acesso aos serviços de saúde, reforçando a necessidade de estratégias intersetoriais. Objetiva-se relatar a experiência de articulação interinstitucional na organização e execução das ações do Agosto Dourado em Cruzeiro do Sul (AC) e região. Trata-se de relato descritivo realizado de 02 a 30 de agosto de 2024, por parceria entre Banco de Leite Humano do Hospital da Mulher e da Criança do Juruá, Secretarias Municipais de Saúde, Universidade Federal do Acre, Faculdade Afya e outros. A abertura ocorreu na sede do Ministério Público do Acre, com presença de gestores, profissionais, equipe das Unidades Básicas de Saúde e instituições de ensino. Ao longo do mês ocorreram ações educativas e de mobilização social em diferentes cenários, com fortalecimento da integração entre atenção primária e especializada e atuação do BLH junto a gestantes e puérperas das UBS dos municípios parceiros. As atividades foram estendidas ao município de Mâncio Lima, à Terra Indígena Puyanawa, com liga acadêmica de saúde indígena, e ao município de Guajará (AM), em ação interestadual. O encerramento incluiu caminhada e blitz educativa no centro da cidade. Participaram das ações profissionais de nível médio e superior, estudantes de enfermagem, nutrição e medicina, além do público alvo que eram as gestantes, puérperas e sua rede de apoio. As estratégias envolveram palestras, demonstrações de pega e posição, apresentação do BLH, orientações sobre doação de leite humano, rodas de conversa, dinâmicas educativas e distribuição de materiais informativos. As ações ampliaram o alcance das orientações, deram visibilidade ao BLH, fortaleceram a integração entre serviços e contribuíram para a formação interdisciplinar. A experiência evidenciou que a articulação entre universidade, serviços de saúde e gestão pública potencializa ações de promoção do aleitamento materno, especialmente em territórios com desafios ambientais e de acesso.
#113 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ASSOCIAÇÃO ENTRE GANHO DE PESO GESTACIONAL E INDICADORES DE ALEITAMENTO MATERNO: ESTUDO NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO INFANTIL (ENANI-2019)
HELENA COLETA; YVE FERREIRA; GILBERTO KAC; THAÍS RANGEL BOUSQUET CARRILHO
Observatório de Epidemiologia Nutricional, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil.; Department of Obstetrics and Gyanecology, Faculty of Medicine, University of British Columbia, Vancouver, Canada
Resumo
Introdução: O ganho de peso é um importante indicador a ser monitorado na gestação, pois está associado a desfechos maternos e infantis adversos. Ganho de peso gestacional (GPG) inadequado parece estar associado a dificuldades em iniciar e continuar com o aleitamento materno (AM). Entretanto, evidências disponíveis são majoritariamente de países de alta renda, cujos indicadores de AM apresentam tendências distintas daquelas observadas no Brasil.
Objetivo: Avaliar a associação entre o GPG inadequado (acima/abaixo das recomendações) e indicadores de AM em amostra de mães e crianças brasileiras menores de dois anos.
Metodologia: Foram analisados dados de 4.783 pares de mães e crianças entre zero e 23 meses, participantes do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição (ENANI-2019). O GPG foi obtido por meio da diferença entre o peso pré-gestacional e ao final da gestação, e categorizado em abaixo, de acordo, ou acima das recomendações brasileiras. O AM (sim/não) foi avaliado por meio do questionário estruturado dos marcadores de consumo alimentar. Foram construídos indicadores de AM na primeira hora de vida (AM1h), AM exclusivo (AME), AM continuado no primeiro ano (AMc1), AMc no segundo ano (AMc2) e alguma vez amamentado. Modelos de regressão logística brutos e ajustados por idade e escolaridade materna, número de gestações, cor da pele e situação conjugal foram estimados. As análises foram estratificadas por faixa etária infantil e índice de massa corporal pré-gestacional (IMC: <25; ≥ 25 kg/m2).
Resultados: As mães avaliadas ganharam em média 11.3 kg (DP=7,3) durante a gestação e 22,3% foram classificadas com GPG abaixo e 57,2%, acima das recomendações. As prevalências de AM1h, AME, AMc1, AMc2 e alguma vez amamentado foram de 65,8%, 49,3%, 57,4%, 39,5% e 96,8%, respectivamente. Mães com IMC < 25 kg/m2 e GPG acima da recomendação apresentaram chance 20% menor de AM1h (OR = 0,79; IC95%: 0,65–0,97), quando comparadas àquelas com GPG dentro das recomendações. Não foram observadas associações estatisticamente significativas entre o GPG e demais indicadores de AM para ambas as categorias de IMC.
Conclusões: O GPG inadequado parece estar associado às práticas de AM apenas entre mulheres com IMC < 25 kg/m2. O monitoramento do estado nutricional materno antes e durante a gestação pode contribuir para melhores práticas de AM no Brasil.
Financiamento: Ministério da Saúde (CNPq/MS/SCTIE/DECIT/SAS/DAB/CGAN no 11/2017) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Brasil.
#41 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ASSOCIAÇÃO ENTRE INDICADORES DE ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR E DESENVOLVIMENTO NA PRIMEIRA INFÂNCIA EM CRIANÇAS BRASILEIRAS DE 6-23 MESES: RESULTADOS DO ENANI-2019
DAVI BORGES DAMASCENO; JULIANA VIEIRA DE CASTRO MELLO; YVE FERREIRA; NATHALIA CRISTINA DE FREITAS-COSTA; ELISA MARIA DE AQUINO LACERDA; GILBERTO KAC
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
Introdução: Os primeiros 1000 dias de vida representam uma janela crítica de oportunidades para o desenvolvimento na primeira infância (DPI). Nesse sentido, a alimentação complementar assume papel essencial, mitigando atrasos e promovendo o DPI.
Objetivos: Avaliar a associação entre indicadores de alimentação complementar e o DPI em crianças brasileiras de 6-23 meses de idade.
Metodologia: Foram avaliadas 4.340 crianças de 6-23 meses do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil-2019, inquérito populacional de base domiciliar cujos dados de consumo foram obtidos por um recordatório de 24h. Os seguintes indicadores de alimentação complementar propostos pela OMS/UNICEF foram analisados: diversidade alimentar mínima (DAM): consumo ≥5 entre 8 grupos alimentares; frequência mínima de refeições (FMR): consumo mínimo de alimentos sólidos, semissólidos ou macios em um número mínimo de vezes; dieta mínima aceitável (DMA): cumprir simultaneamente o DAM e o FMR. Foi calculado o escore de diversidade alimentar (EDA): contagem de grupos alimentares consumidos (0-8) (mesmos grupos da DAM). O DPI foi avaliado por meio da escala Survey of Well-Being of Young Children. A idade de desenvolvimento (ID) foi determinada por modelo de resposta gradual, e usada para calcular o quociente de desenvolvimento (QD = ID ÷ idade cronológica). QD<1 sugere risco de atraso no desenvolvimento. Foram estimados modelos de regressão linear ajustados com estimação de coeficientes β e seus respectivos intervalos de confiança (IC) 95%.
Resultados: As prevalências (IC95%) de DAM, FMR e DMA foram de 51,0% (47,5-54,6), 90,6% (89,0-92,2) e 44,9% (41,4-48,4), respectivamente. A média (IC95%) do QD foi de 1,14 (1,11-1,17). Os indicadores de alimentação complementar DAM e DMA foram positivamente associados ao QD (DAM: β=0,049; IC95%: 0,002-0,097; DMA: β=0,050; IC95%: 0,007-0,093). Para o EDA cada grupo alimentar adicional consumido representou um aumento de 0,026 pontos no QD (β=0,026; IC95% 0,007-0,046). Não foi observada associação estatisticamente significativa para a FMR.
Conclusão: A qualidade da alimentação complementar, refletida pela DMA e pelos indicadores de diversidade alimentar DAM e EDA, associou-se à maiores escores do QD. Os resultados reforçam a importância de políticas públicas que incentivem a diversidade alimentar para promover o pleno potencial e diminuir o risco de atraso no DPI.
Financiamento: CAPES, Ministério da Saúde e UFRJ
#246 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ASSOCIAÇÃO ENTRE POBREZA ALIMENTAR E TRAJETÓRIAS DE PESO PARA IDADE EM CRIANÇAS BRASILEIRAS MENORES DE DOIS ANOS: DADOS DO SISTEMA DE VIGILÂNCIA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
JOSÉ THIAGO ALVES DE SOUSA; NATHÁLIA TEIXEIRA DE OLIVEIRA; GIOVANA NIGRI CURSINO; DAYANA RODRIGUES FARIAS
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
Introdução: A pobreza alimentar (PA), caracterizada pelo acesso limitado a alimentos adequados e variados, é um importante determinante do crescimento infantil, podendo afetar o peso corporal ao longo da vida.
Objetivo: Avaliar a associação entre PA e as trajetórias de peso para idade (P/I) em crianças brasileiras menores de dois anos.
Metodologia: Estudo longitudinal que utilizou microdados de 86.709 crianças de 10 a 23 meses de idade que tinham pelo menos uma medida de consumo alimentar entre 10 e 11 meses e medidas repetidas de crescimento entre 12 a 23 meses, registradas no SISVAN (2015–2019). Os escores z do P/I foram calculados de acordo com as curvas de crescimento da OMS. A Diversidade Alimentar Mínima (DAM) foi estimada considerando o consumo de ≥5 dos 8 grupos alimentares: (1)leite materno; (2)cereais; (3) frutas e vegetais ricos em vitamina A; (4)carne; (5)ovos; (6)leguminosas; (7)outras frutas e vegetais; e (8)leite e derivados. A ausência de DAM foi classificada como pobreza alimentar moderada (3–4 grupos) e pobreza alimentar grave (≤2 grupos). Foram utilizados modelos lineares de efeitos mistos, para avaliar as trajetórias de P/I incluindo um termo de interação entre PA e idade da criança, ajustados por macrorregião, participação no Programa Bolsa Família, IDHM e Índice de Gini.
Resultados: Na amostra, 15,28% das crianças apresentavam PA, sendo 11,14% em PA moderada e 4,14% em PA grave. Em relação ao estado nutricional, 2,21% das crianças apresentaram baixo peso para idade. Observou-se uma interação entre pobreza alimentar e idade da criança, indicando diferenças nas trajetórias de peso para idade ao longo do tempo. Em média, crianças expostas à pobreza alimentar moderada e grave apresentaram uma trajetória de P/I progressivamente mais baixa ao longo da idade, em comparação àquelas sem PA. Embora as diferenças nos coeficientes tenham sido pequenas, os resultados indicam que, com o avanço da idade, o P/I tende a se reduzir ao longo do tempo entre crianças em situação de pobreza alimentar moderada (β = −0,003; p=0,006) e grave (β = −0,004; p=0,047).
Conclusões: A PA associou-se negativamente às trajetórias de P/I ao longo do tempo, com maior declínio entre crianças em pobreza alimentar moderada e grave, reforçando a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso a alimentos adequados e diversificados para prevenir desigualdades nutricionais.
Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq
#251 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
BANCO DE LEITE HUMANO (BLH): ESPAÇO DE ACOLHIMENTO, RESOLUÇÃO DE DIFICULDADES, SEGUIMENTO DE FAMÍLIAS E CELEBRAÇÕES DOS GANHOS COM O ALEITAMENTO MATERNO (AM)
ANA LUIZA VELLOSO DA PAZ MATOS; DOLORES FERNANDEZ FERNANDEZ
INSTITUTO DE PERINATOLOGIA DA BAHIA -IPERBA
Resumo
Objeto: Relatar os atendimentos individuais e desdobramentos no BLH do Instituto de Perinatolologia da Bahia (IPERBA) de binômios com dificuldade no AM.
Contexto: O BLH foi inaugurado em 08/09, e o ambulatório de AM em 2010, com objetivo de atender binômios com dificuldades. Enfocaremos seu crescimento nos últimos 5 anos.
Descrição da execução: O público atendido é diversificado, vindo da própria maternidade, de outros hospitais da rede SUS, de serviços privados, porque o ambulatório tornou-se referência. Todos que buscam atendimento relatam alguma dificuldade para amamentar, desde “a pega”, a fissuras complicadas, anquiloglossias, prematuridade, uso de mamadeira, galactoceles, mastites, abscessos (às vezes complicados com fístulas de leite) candidíase mamária, fenômeno de Raynaud, hipoplasia mamária, hipotireoidismo, “baby blues”, depressão pós-parto, problemas motores relacionados ao bebê, bebês sindrômicos, etc. Todas são atendidas nas diversas demandas, realizados pequenos procedimentos se necessário, contando com possibilidade de internamento, mastologia, laboratório, US.
Resultados: Os binômios permanecem no ambulatório por 1 ano, inicialmente com a frequência necessária até a resolução do problema, a seguir mensalmente. Toda a puericultura é realizada, no 6º mês é introduzida, alimentação complementar saudável, com manutenção do AM, alta com 1 ano em AM. Desde 2013, realizamos em outubro o evento “BEBÊS FÃS DO PEITO”, uma celebração com binômios/doadoras/outros convidados/colaboradores sempre regada com alimentação saudável, decorações temáticas alusivas ao AM: “Princesas amamentando”; “Mônica mamando”; “Bebês movidos a leite materno”, etc. Este evento tem sido engrandecido com depoimento de mães que nos emocionam reproduzindo suas experiências de sucesso. Entre 2021 e 2025 realizamos 15108 atendimentos individuais no BLH, acreditamos que esta proposta promove grande impacto na manutenção do AM.
Considerações finais: O início da amamentação nem sempre é fácil, ter um serviço de referência na rede SUS, que apoie o binômio em dificuldades, pode fazer grande diferença no sucesso da manutenção do AM , como uma experiência exitosa e consequentemente uma promoção e apoio da saúde materno infantil. Celebrar festivamente estas vitórias com estas mães é uma forma também de emponderá-las.
#291 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
BANCO DE LEITE HUMANO DE BAURU E SEU PAPEL NA SAÚDE PÚBLICA
MARIA NEREIDA PANICHI; BEATRIZ TOMAZ DE ABREU DA SILVA; KÉSIA MARIA DE OLIVEIRA TEZOTTO; MARIA TEREZINHA MUCHERONI COVOLAN; MARIANA ALVARENGA FALCONI ZANINI
IBFAN e Prefeitura Municipal de Bauru/Secretaria de Saúde; Prefeitura Municipal de Bauru/Secretaria de Saúde
Resumo
Introdução: O Banco de Leite Humano (BLH) é um Serviço de Saúde, que atuando como centro especializado é responsável pelas ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno no município de Bauru. Tem papel relevante na Política Municipal de Aleitamento Materno (AM), sendo ainda referência regional. Pela sua gestão ser da Secretaria Municipal de Saúde, o BLH de Bauru tem suas atividades voltadas a saúde pública, diferentemente da maioria dos Bancos de Leite Humano, que atuam essencialmente na área hospitalar.
Objetivos: Realizar a coleta, processamento e controle de qualidade do leite humano (LH), para distribuição aos lactentes internados em UTIs e UCIs Neonatais; oferecer atendimento ambulatorial para resolução de problemas decorrentes da prática do AM; desempenhar papel educativo e social.
Métodos: Os serviços oferecidos no BLH de Bauru compreendem como nos demais, o atendimento ambulatorial para o manejo das dificuldades no AM enfrentadas pelo binômio mãe-bebê; coleta nos domicílios, no BLH e nos hospitais; processamento e controle de qualidade do LH coletado, para posterior distribuição às Unidades Hospitalares Públicas e Privadas; atendimento da Odontologia Neonatal quando identificado dificuldades no manejo do AM, relacionados a estrutura anato neuro funcional do bebê; atendimento de Nutrição para o binômio com foco na manutenção do aleitamento materno exclusivo, na introdução alimentar e no retorno ao trabalho. Entretanto por estar vinculado a Saúde Pública do município assume a realização de capacitações, matriciamento, planejamento e organização de eventos comemorativos sobre BLH, AM, Alimentação Complementar Saudável e NBCAL para os profissionais de saúde, da Atenção Primária, das Instituições Públicas e Privadas do município e região. Sendo ainda campo de estágio e desenvolvendo atividades educativas em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.
Resultados: Entre 2021 e 2025, o BLH de Bauru realizou 6.190 atendimentos, coletou 4.797 litros de LH e distribuiu 4.110 litros para 4.109 receptores, com 3.155 doadoras. Promoveu atividades comemorativas em maio, agosto e novembro, e manteve ações educativas e formativas organizadas por meio de planejamento anual.
Conclusão: Os BLH têm sido uma das mais importantes estratégias de segurança alimentar e nutricional para os RNs e lactentes e das políticas públicas em benefício da amamentação.
Financiamento: Secretaria Municipal de Saúde/Bauru-SP
#161 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
BANCO DE LEITE HUMANO E SUSTENTABILIDADE: ESTIMATIVA DE IMPACTO AMBIENTAL DA DISTRIBUIÇÃO DE LHP
JANAINA DE LIMA MOTA WOICICHOSKI; ANA CARINA EFFTING; ADRIANE WELTER; GIORGIO ALDIGUERI TRENTIN
Hospital São Lucas, Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde; Hospital São Lucas; Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde, Escola Municipal de Saúde
Resumo
Introdução: O aleitamento materno é amplamente reconhecido como a forma mais adequada de alimentação infantil. Entretanto, para recém-nascidos internados, principalmente prematuros, o leite humano pasteurizado (LHP) torna-se a principal alternativa, ofertada por meio dos Bancos de Leite Humano (BLH). Em dezembro de 2023, o Hospital São Lucas, em parceria com a Prefeitura de Lucas do Rio Verde, inaugurou seu BLH, com o objetivo de fortalecer o cuidado neonatal e apoiar mães doadoras. Além dos benefícios nutricionais e imunológicos do LHP, sua utilização representa ação ambientalmente sustentável, ao substituir fórmulas infantis industrializadas e reduzir resíduos e emissões associadas à sua produção e transporte.
Objetivos: Avaliar a quantidade de leite humano pasteurizado distribuído nos primeiros 24 meses do Banco de Leite Humano do Hospital São Lucas e estimar seu impacto ambiental.
Metodologia: Trata-se de relato de experiência baseado em dados secundários extraídos do sistema da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. Foram analisados os volumes mensais de LHP distribuído entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025. Para estimar o impacto ambiental, considerou-se que cada 2.400 ml de LHP substitui, em média, uma lata de fórmula infantil de 400 g. As estimativas de resíduos sólidos evitados e de emissões de CO₂ foram realizadas com base em literatura técnica sobre ciclo de vida de produtos lácteos industrializados, considerando que cada lata representa aproximadamente 1 kg de CO₂ emitido em sua cadeia produtiva.
Resultados: Nos 24 meses analisados, o Banco de Leite Humano do Hospital São Lucas distribuiu 289 litros de leite humano pasteurizado, evitando o uso estimado de 121 latas de fórmula infantil. Considerando que cada lata representa, em média, 1 kg de CO₂ emitido em sua cadeia produtiva, estima-se redução de 121 kg de emissões de carbono. Além disso, foram reutilizados 1.445 frascos de vidro com tampas plásticas, contribuindo para a diminuição na geração de resíduos sólidos e promoção do uso racional de materiais.
Conclusões: A experiência demonstrou que a implantação do Banco de Leite Humano em Lucas do Rio Verde ampliou o acesso ao leite humano para recém-nascidos em risco e gerou impacto ambiental positivo ao reduzir resíduos e emissões relacionadas à substituição de fórmulas infantis.
Financiamento: Fundação Luverdense de Saúde e Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde
#150 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
CARTILHA AMAMENTAÇÃO PARA TODAS AS PESSOAS
RAFAELE CRISTINE BARCELOS DOS SANTOS LUZ RIBEIRO
PPGBIOS/UERJ
Resumo
Pessoas com Deficiência têm, muitas vezes, sua capacidade de amamentar questionada devido a mitos e falta de qualificação profissional que fazem com que a maior barreira para o aleitamento humano desse público seja a atitudinal, deixando explícito o capacitismo estrutural que cerca a sociedade. Projeto Aleitamento Materno Inclusivo na rBLH, ação interunidades Ensp/IFF-rBLH teve como foco identificar e reduzir as lacunas e barreiras que impedem a integralidade no apoio à amamentação de Pessoas com Deficiência. Este relato de experiência descreve o processo de elaboração da cartilha ampliada, intitulada Amamentação para Todas as pessoas, um dos produtos do projeto. Trata-se de um material educomunicacional sobre amamentação inclusiva para profissionais de saúde e cuidadores, com informações estatísticas considerando a diversidade de corpos, identidades de gênero, contextos socioculturais , e sobre como a influência do apoio ao aleitamento humano é marcada por esses determinantes sociais, sobretudo quando se trata de Pessoas com Deficiência. A cartilha apresenta possibilidades técnicas de como pessoas com diferentes naturezas de deficiência podem ser apoiadas no processo de amamentação. A produção foi desenvolvida a partir de atividades de pesquisa bibliográfica, escuta qualificada de demandas do público-alvo, diálogo com profissionais da saúde e análise de materiais institucionais sobre amamentação e acessibilidade. A cartilha foi construída com linguagem simples, acessível e inclusiva. Foram utilizando recursos visuais ilustrativos. O material buscou valorizar a autonomia das pessoas com deficiência que amamentam, reconhecer barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais, e oferecer estratégias possíveis para o manejo da amamentação em diferentes realidades. Nesse contexto, concluímos que a elaboração da cartilha mostrou a relevância da produção de materiais educomunicacionais que considerem a interseccionalidade entre deficiência, gênero, raça e território. Esses materiais contribuem para fortalecer o cuidado integral e para garantir o direito à amamentação de forma digna, segura e equânime, contribuindo para o fortalecimento do cuidado e para a garantia do direito à amamentação de todas as pessoas. A experiência reforça o papel da educação em saúde como ferramenta de inclusão, equidade e transformação da realidade e das práticas assistenciais.
#24 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
“CHAPEUZINHO VERMELHO DAS FRUTAS”: ATIVIDADE DE EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL NAS CRECHES DO MUNICÍPIO DE MUQUI - ES
CHRISTIANE ZANOL ARAUJO; CAMILA AVELINO ALVES HENRIQUE; CAROLINY ZAMPIRIS DE LIMA ARAUJO
Prefeitura Municipal de Muqui - ES
Resumo
A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) exerce papel fundamental na promoção da saúde e no fortalecimento da cidadania. O projeto teve como público-alvo as três creches do município de Muqui-ES, que atendem crianças de 0 a 3 anos. As ações de EAN nesse contexto, visaram estimular a autonomia e valorizar a alimentação saudável por meio de recursos lúdicos, tornando a aprendizagem mais envolvente e significativa. O projeto foi desenvolvido a partir da proposta já existente nas creches, que realizam a chamada “quarta-feira da fruta”, um dia em que os pais enviam frutas na mochila das crianças. A partir disso, foi elaborada uma atividade integrada, na qual a estagiária de Nutrição caracterizou-se como a personagem Chapeuzinho Vermelho e realizou visitas às creches, sempre às quartas-feiras, levando uma cesta de frutas que dizia estar preparando para levar à “vovozinha”. As crianças foram reunidas nos pátios das instituições, onde a personagem iniciou um diálogo, questionando se gostavam de frutas, se as consumiam com frequência apresentando as que estavam na cesta, incentivando-as a nomeá-los e a compartilhar suas preferências. Observou-se entusiasmo e engajamento, sendo perceptível que a maioria reconhecia as frutas e demonstrava aceitá-las. Esse momento favoreceu a familiarização com os alimentos e reforçou sua valorização no cotidiano alimentar. Ao final, foi explicado que o consumo de frutas contribui para a saúde e o bem-estar, convidando as crianças para a refeição coletiva com frutas preparadas pela equipe da creche.
Para complementar, a estagiária elaborou um folheto informativo destinado aos pais, encaminhado por meio da agenda escolar, com orientações sobre a oferta diária de frutas, a importância da variedade, das diferentes preparações e do exemplo familiar como estratégia de incentivo. Esse material ampliou a ação educativa ao ambiente familiar, fortalecendo o envolvimento da família na formação de hábitos alimentares saudáveis.
A ação envolveu 226 crianças de 0 a 3 anos nas três creches municipais, que apresentaram grande aceitação das frutas, além de reconhecerem todos os alimentos apresentados. Evidencia-se, assim, a primeira infância como período fundamental para a formação de hábitos alimentares e para o desenvolvimento integral da criança, reforçando a importância da oferta regular e atrativa de alimentos in natura e minimamente processados.
#82 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
CONCORDÂNCIA ENTRE O AUTORRELATO MATERNO E A TÉCNICA DOSE-TO-MOTHER NA CLASSIFICAÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO
GABRIELA TORRES SILVA (SILVA, G. T.); ADRIANA DIVINA DE SOUZA CAMPOS (CAMPOS, A.D.S); AMANDA CAROLINE CUNHA FIGUEIREDO (FIGUEIREDO, A. C. C.); BRUNA CELESTINO SCHNEIDER( SCHNEIDER, B. C.); DANIELA PAULA POLESSA (POLESSA, D. P.); LUANA ELISA WEBER (WEBER, L. E.); DANIELA DE BARROS MUCCI (MUCCI, D. B),; GILBERTO KAC (KAC, G.)
Instituto de Nutrição Josué de Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil.; Instituto de Nutrição Josué de Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil
Resumo
Introdução: A avaliação do aleitamento materno exclusivo (AME) em estudos epidemiológicos é um desafio, uma vez que o método de mensuração empregado pode afetar a acurácia das estimativas.
Objetivo: Avaliar a concordância entre autorrelato materno e a técnica dose-to-mother (DTM) para a classificação de aleitamento materno exclusivo em lactentes ente 3,5 – 5,99 meses de idade, do estudo The Mothers, Infants and Lactation (MILQ).
Metodologia: O estudo MILQ acompanhou mães-filhos saudáveis em três visitas: 1–3,49; 3,5–5,99 e 6–8,5 meses de idade. Foram incluídas 88 participantes com idades entre 3,5 – 5,99 meses na presente análise. O status de AME entre 3,5-5,99 meses foi avaliado com base em um questionário estruturado sobre práticas de aleitamento, incluindo a idade de introdução de água, outros líquidos e/ou alimentos e com a aplicação da técnica DTM com óxido de deutério para estimar a ingestão de líquidos não provenientes do leite materno. Segundo o questionário estruturado, o AME foi classificado na ausência de introdução de líquidos ou outros alimentos. Segundo a DTM, o AME foi definido como ingestão de líquidos não provenientes do leite materno ≤ 86,6 g/dia. A concordância entre os métodos foi avaliada por meio do coeficiente Kappa de Cohen e de medidas de sensibilidade e especificidade, considerando o DTM como método de referência e a classificação de acordo com Landis e Koch (1977).
Resultados: A prevalência de AME foi de 50% segundo o DTM e de 37% segundo o autorrelato materno. A concordância entre os métodos foi de 67%, com coeficiente Kappa indicando concordância razoável (κ = 0,34; IC95%: 0,13–0,55). Considerando o DTM como método de referência, o autorrelato apresentou sensibilidade moderada (59%; IC95%: 43,2–73,7) e especificidade moderada a boa (75%; IC95%: 59,7–86,8), sugerindo tendência à subestimação da classificação do AME.
Conclusão: Os resultados evidenciam concordância razoável entre o autorrelato materno e a técnica DTM, com tendência à subestimação do AME pelo autorrelato. Esses resultados indicam que a estimativa da prevalência de AME pode ser sensível ao método utilizado, ressaltando a importância de técnicas baseadas em mensuração direta para a avaliação das práticas de aleitamento materno.
Financiamento: Gates Foundation
#126 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
CONSTRUÇÃO DO PLANO ESTADUAL DA PRIMEIRA INFÂNCIA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO COM FOCO NA PNAISC: UMA AÇÃO A MUITAS MÃOS!
1. ROBERTA RODRIGUES DA COSTA SERRA, SERRA R.R.C.; 2. MICHELLI MELO GRAMA, GRAMA, M.M.; 3. ROSANE SIQUEIRA VASCONCELLOS PEREIRA, PEREIRA R.S.V; 4. VIVIANE SILVA PACHECO - PACHECO, V.S.; 5. MARIA DA CONCEIÇÃO MONTEIRO SALOMÃO, SALOMÃO M.C.M.; 6. ANA CRISTINA WERGLES. WERGLES, A.C.; 7. ANA CLAUDIA RODRIGUES NOGUEIRA, NOGUEIRA, A.C.R.; 8. THAIS GUILHERME PEREIRA PINHEIRO PIMENTEL- PIMENTEL, T.G.P.P.
Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro
Resumo
Objeto e contexto: A primeira infância compreende o período de 0 a 6 anos e nela ocorrem as bases do desenvolvimento infantil, vínculos afetivos e formação do cérebro humano com impactos na vida adulta. Em 2025, o Ministério da Saúde lançou o Decreto 12.574 instituindo a Política Nacional da Primeira Infância. Entre os eixos do Plano está o Viver com Saúde onde são delineadas ações para investir no desenvolvimento infantil.
Descrição e local: Desde outubro de 2024, a Área Técnica de Saúde da Criança (ATSC) da Superintendência de Atenção Primária à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do RJ participa da elaboração do Plano Estadual da Primeira Infância (PEPI), sendo responsável pela coordenação do componente Saúde, em articulação com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, que conduz o processo de construção do Plano no estado.
Técnicas adotadas: O componente Saúde do PEPI RJ está centrado nas ações estratégicas de saúde da criança que compõem os sete eixos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC, 2015) e se baseia no Marco Legal da Primeira Infância (2016).
Resultados: A população na Primeira Infância (0 a 6 anos) no RJ é de 1.078.521 crianças, 6,3% da população total e a cobertura da Atenção Primária estimada em 79,11%. Destacam-se como ações no PEPI-RJ: Triagem Neonatal Biológica ampliada desde 2024, com maior número de exames realizados, abrangendo 54 doenças, em parceria com centros de atendimento para as doenças triadas; ações de aleitamento materno com a certificação de 22 Hospitais Amigos das Criança pelo MS, sendo 4 nos últimos dois anos e 113 unidades básicas amigas da amamentação certificadas pela SES RJ. Qualificação da APS no uso da caderneta da criança com e cursos EAD de Puericultura e Desenvolvimento Infantil. Retomada do apoio e acompanhamento das crianças com Síndrome Congênita pelo Vírus Zika e suas famílias, com oficinas nos territórios em parceria com a EBBS/IFF/Fiocruz e CGCRIAJ/MS. Reativação do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Infantil e Fetal, Resolução SES N°3185 de 26 de outubro de 2023, com reuniões mensais, análise de dados, recomendações e estímulo à implantação de comitês municipais.
Considerações finais: A construção do PEPI-RJ constitui diretriz estratégica para a gestão estadual orientar o planejamento e a qualificação das ações de saúde voltadas à primeira infância.
#121 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS E BEBIDAS ADOÇADAS POR CRIANÇAS 6 A 23 MESES: UMA ANÁLISE A PARTIR DE DADOS DO SISVAN
RENATHA CELIANA DA SILVA BRITO LORENZO; CAMILA GONÇALVES OLIVEIRA CHAGAS; LUCIA HELENA ALMEIDA GRATÃO; MARIA CRISTINA LIMA FONTENELE PRESTA; GISELE BRAGA DE ALMEIDA PIRES; LISSANDRA AMORIM SANTOS DEGNER; CARLA RENATA DOS SANTOS MARQUES; KELLY POLIANY DE SOUZA ALVES
Ministério da Saúde - CGAN/DEPROS/SAPS
Resumo
Introdução: O consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) e bebidas adoçadas na primeira infância está associado a pior qualidade da dieta, ao excesso de peso, à cárie dentária e à formação de hábitos alimentares inadequados. O Guia Alimentar para Crianças, recomenda evitar esses produtos nessa fase. No SUS, os marcadores de consumo alimentar do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) permitem o monitoramento dessas práticas e subsidiam ações de promoção da alimentação adequada e saudável.
Objetivo: Descrever a tendência nacional do consumo de AUP e bebidas adoçadas por crianças de 6 a 23 meses, no período de 2015 a 2024, a partir de dados do SISVAN.
Metodologia: Estudo ecológico de série temporal e análise descritiva. As informações foram obtidas a partir da ficha de marcadores de consumo alimentar por profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), junto aos responsáveis de crianças entre 6 a 23 meses, considerando o número de crianças que consumiram AUP no dia anterior à avaliação (hambúrguer, embutidos, bebidas adoçadas, macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote, biscoitos salgados, biscoito recheado, doces e/ou guloseimas). Destaca-se, o consumo de bebidas adoçadas, devido à sua relevância e nas questões de saúde pública. Entre 2015 e 2024, foram incluídos, respectivamente, 45.853 e 493.107 registros de crianças com idade entre 6 e 23 meses, com informações válidos de consumo alimentar. Por utilizar dados agregados e públicos, o estudo dispensa apreciação por comitê de ética em pesquisa.
Resultados: Observa-se tendência de redução ao longo da série histórica. O consumo de AUP passou de 56% em 2015 para 36% em 2024 em crianças de 6 a 23 meses (redução relativa de 25,7%). No mesmo período, o consumo de bebidas adoçadas reduziu de 40% para 22% (redução relativa de 45%).
Conclusão: A redução do consumo de AUP e de bebidas adoçadas na primeira infância representa avanço relevante em saúde pública, indicando efeitos positivos de estratégias como qualificação dos profissionais da APS, o uso do Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, ações de educação alimentar e nutricional e fortalecimento da vigilância alimentar e nutricional.
#115 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS NA INTRODUÇÃO ALIMENTAR EM COORTE INFANTIL INDÍGENA NO MATO GROSSO DO SUL
REIS, SR; PÍCOLI, RP; AQUINO, JF; MACHADO, IR
FIOCRUZ/MS; HU-UFGD
Resumo
Introdução: A introdução precoce de alimentos ultraprocessados compromete o crescimento e o desenvolvimento, influencia negativamente as preferências alimentares e se associa à obesidade, às doenças crônicas não transmissíveis, à fome oculta e à dupla carga da má-nutrição, em razão da elevada densidade energética e do baixo teor de micronutrientes. Esses efeitos tendem a ser agravados em contextos de vulnerabilidade social e sanitária, marcados por restrições territoriais, mudanças nas práticas tradicionais de subsistência e maior dependência de benefícios sociais, cestas de alimentos e aquisição de alimentos no mercado, como os vivenciados por populações indígenas no Mato Grosso do Sul.
Objetivos: Estimar a prevalência do consumo de alimentos ultraprocessados em crianças indígenas com seis meses em uma coorte no Mato Grosso do Sul.
Métodos: Trata-se de um estudo transversal, com 139 crianças indígenas inseridas na coorte infantil intitulada Magnitude das Doenças Diarreicas Agudas no Primeiro Ano de Vida de Crianças Indígenas e sua Associação com as Condições de Saneamento realizada nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Mato Grosso do Sul, no período de agosto a dezembro de 2025. Para a verificação do consumo de alimentos ultraprocessados aplicou-se recordatório de 24 horas (listagem de 20 alimentos), em entrevista com as mães de crianças aos 6 meses (10 dias antes ou após a data da entrevista), mediante Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Para a classificação dos alimentos utilizou-se a classificação NOVA (Monteiro et al., 2010). A exposição foi definida como o consumo de pelo menos um alimento ultraprocessado no dia anterior. O estudo foi aprovado CEP/CONEP nº 7.299.408.
Resultados: Das 139 crianças indígenas avaliadas, 14 (10,1%) consumiram ao menos um alimento ultraprocessado. Os itens mais frequentemente relatados foram macarrão instantâneo (n = 13; 9,4%), bebidas adoçadas (n = 7; 5,0%) e salsicha (n = 1; 0,7%).
Conclusões: A prevalência do consumo de alimentos ultraprocessados durante a introdução alimentar sinaliza a inserção precoce de alimentos de baixa qualidade nutricional e reforça a necessidade de ações intersetoriais que ampliem o acesso e promovam a alimentação adequada e saudável na primeira infância da criança indígena no Mato Grosso do Sul.
Financiamento: INOVA/FIOCRUZ
#55 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
CONTRIBUIÇÃO CALÓRICA DOS GRUPOS NOVA NA ALIMENTAÇÃO DE CRIANÇAS COM ANEMIA FERROPRIVA: ENANI-2019
IARA ARAÚJO FERREIRA; IARA PENZO BARBOSA; FERNANDA RAUBER
Universidade de São Paulo
Resumo
Introdução: A anemia ferropriva (AF) infantil ainda constitui um problema de saúde pública no Brasil, marcando o período de transição nutricional no país. Em crianças pequenas, está associada a práticas alimentares inadequadas, como a ausência do aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida e a introdução alimentar precoce e/ou inadequada, além de fatores socioeconômicos, demográficos e culturais.
Objetivo: Descrever o consumo alimentar de crianças brasileiras menores de dois anos com AF segundo a classificação de alimentos Nova.
Metodologia: Estudo transversal descritivo com dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI 2019), incluindo crianças de 6 a 23 meses com AF (7,9% da população do estudo), definida por hemoglobina <11mg/L e ferritina <12ng/mL na ausência de inflamação (PCR<5mg/L) e <30ng/mL na presença de inflamação (PCR≥5mg/L). O consumo alimentar foi mensurado a partir do recordatório de 24 horas e todos os itens foram classificados em: alimentos in natura/minimamente processados (G1), ingredientes culinários processados (G2), alimentos processados (G3), alimentos ultraprocessados (G4), fórmulas infantis (FI) e leite materno (LM). Estimou-se a contribuição calórica de cada grupo considerando o desenho amostral complexo e calibração por estratos.
Resultados: No consumo alimentar das crianças <1 ano foi predominante o LM (52,0%), seguido de G1 (29,5%), G4 (14,5%), G2 (2,7%), G3 (1,1%) e FI (0,2%). Entre crianças de 12 a 23 meses, houve maior participação de G1 (46,7%) e de G2 (7,5%), menor de LM (23,4%) e FI (0,1%), enquanto os G4 mantiveram participação relevante (20,1%). Em ambas as faixas etárias, os alimentos mais consumidos em G1 foram leite (8,5% e 12,6%), frutas (4,5% e 5,7%), arroz (3,5% e 6,3%) e feijão (3,7% e 3,9%). Destaca-se o baixo consumo de carne bovina, principal fonte de ferro heme, especialmente entre as crianças <1 ano (0,9% e 4,6% entre aquelas >1 ano). No G4, observa-se maior consumo de biscoitos doces (3,2%) e bebidas lácteas (4,72%) entre as crianças mais novas. Entre as mais velhas, destaca-se o consumo de biscoitos salgados e de pacote (5,3%), biscoitos doces (3,3%) e doces (2,2%).
Conclusão: Crianças com AF apresentam padrão alimentar caracterizado pela presença precoce de G4 e pela baixa participação de alimentos fontes de ferro heme, principalmente no primeiro ano de vida.
Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
#57 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
CONTRIBUIÇÃO CALÓRICA DOS GRUPOS NOVA NA ALIMENTAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA DE VITAMINA A: ENANI-2019
IARA ARAÚJO FERREIRA; IARA PENZO BARBOSA; FERNANDA RAUBER
Universidade de São Paulo
Resumo
Introdução: A deficiência de vitamina A (DVA) é primariamente resultante do consumo inadequado de vitamina A e alta frequência de infecções. No Brasil, essa condição ainda é relevante para a saúde pública, ocorrendo num contexto marcado por desigualdades sociais, insegurança alimentar e transição nutricional.
Objetivo: Descrever o consumo alimentar de crianças brasileiras menores de dois anos com DVA segundo a classificação de alimentos Nova.
Metodologia: Estudo transversal descritivo com dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI 2019), incluindo crianças de 6 a 23 meses com DVA (6,4% da população de estudo), definida por retinol sérico <0,7μmol/L. O consumo alimentar foi mensurado a partir do recordatório de 24 horas e os itens foram classificados em: alimentos in natura e minimamente processados (G1), ingredientes culinários processados (G2), alimentos processados (G3), alimentos ultraprocessados (G4), fórmulas infantis (FI) e leite materno (LM). Estimou-se a contribuição calórica dos grupos considerando o desenho amostral complexo e calibração por estratos.
Resultados: Entre crianças de 6 meses a 1 ano com DVA, houve maior participação calórica de G1 (42,6%), seguida de LM (36,1%) e G4 (13,6%), com menor participação de G2 (4,2%), FI (3,1%) e G3 (0,5%). Entre crianças de 12 a 23 meses, houve predominância de G1 (49,2%) e G4 (23,9%), acompanhados por menor participação de LM (18,2%), além de G2 (5,9%), G3 (2,6%) e FI (0,2%). Em ambas as faixas etárias, houve baixa participação calórica de alimentos fonte de vitamina A, como vísceras, verduras, legumes e ovos (<1,1%). Destaca-se, além do LM, a contribuição relevante do leite entre os alimentos consumidos (cerca de 20%). No G4, houve maior participação calórica de farinhas ultraprocessadas (8,0% e 5,7%) e biscoitos doces (3,7% e 4,2%).
Conclusão: O padrão alimentar de crianças com DVA foi caracterizado por baixa contribuição de alimentos fonte de vitamina A e participação relevante de G4, com diferenças no perfil de consumo entre faixas etárias. Essas achados reforçam a importância de estratégias de promoção da alimentação adequada e saudável na primeira infância, considerando o contexto de transição alimentar no país.
Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
#206 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
CUIDADOS DE ENFERMAGEM EM UM SERVIÇO PÚBLICO ESPECIALIZADO EM ALEITAMENTO MATERNO: SATISFAÇÃO DAS LACTANTES
CAMILA SANTOS DO COUTO; ANA PAULA QUIRINO LUCENA DOS SANTOS; JANE CRISTINA ANDERS; DANIELA CRISTINA RÁTICO DE QUADROS; MARLI TEREZINHA STEIN BACKES; EVANGELIA KOTZIAS ATHERINO DOS SANTOS
Universidade do Vale do Itajaí / Universidade Federal de Santa Catarina / Secretaria Municipal de Saúde de Itajaí; Secretaria Municipal de Saúde de Itajaí; Universidade Federal de Santa Catarina; Universidade do Vale do Itajaí
Resumo
Introdução: A atuação do enfermeiro é fundamental junto à lactante e sua família, valorizando a rede de apoio e realizando educação em saúde acerca da amamentação, favorecendo a prática do aleitamento, reduzindo o desmame precoce e a morbimortalidade infantil.
Objetivo: Identificar a satisfação das lactantes atendidas por enfermeiras em um serviço especializado em aleitamento materno.
Metodologia: Estudo descritivo de abordagem quantitativa, realizado em um serviço especializado em aleitamento materno da rede pública de saúde do município Itajaí/SC. Realizado cálculo amostral, sendo considerado o nível de confiança de 95%. A amostra foi composta por 142 participantes. Coleta realizada de março a junho de 2024, por meio de entrevistas individuais estruturadas com questões sociodemográficas e relacionadas à amamentação e do Instrumento de Satisfação do Paciente validado para a cultura brasileira, composto por 25 itens, agrupados nos domínios profissional, educacional e confiança. Utilizou-se o programa Statistical Package for the Social Sciences v. 22.0 para análise estatística, sendo adotado um nível de significância de 5% (p < 0,05) para os testes estatísticos. Estudo aprovado sob parecer nº 6.422.128.
Resultados: Trata-se de um grupo com idade média de 32 anos, com nível de escolaridade entre o ensino médio (43%) e superior completo (47,9%), de raça/cor branca (66,9%), com apenas um filho (63,4%), presença de rede de apoio (73,9%), com vínculo empregatício formal e direito a licença maternidade (76,1%). A maioria era primípara, porém as multíparas relataram dificuldades na amamentação anterior (77,2%). Na amamentação atual, a maioria estava em aleitamento materno exclusivo (62%) e aproximadamente 85% relataram intercorrências, como: dor (35,2%), pega incorreta (35,2%) e trauma mamilar (28,2%). As pacientes relataram satisfação com os cuidados de enfermagem acima da média, obtendo-se todas as medianas de pontuação todas próximas à pontuação total em todos os domínios, resultando em consistência interna satisfatória.
Considerações finais: Identificou-se bom nível de satisfação geral e por domínio, indicando a excelência dos cuidados prestados pelas enfermeiras do serviço especializado em aleitamento materno. Destaca-se a importância de conhecer a satisfação do paciente com o cuidado, possibilitando qualificar a assistência prestada.
#9 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
DA ASSISTÊNCIA AO FORTALECIMENTO DO ALEITAMENTO MATERNO: A EXPERIÊNCIA DE INSERÇÃO DA FISIOTERAPIA EM UM BANCO DE LEITE HUMANO
AMARA MARTINS BATISTA DE LIMA; JOYCE LAISE MENDONÇA FREIRE; IANE OLIVEIRA DIAS SOARES
BLH Dr. Virgílio Brasileiro
Resumo
O presente trabalho tem como objeto relatar a experiência de inserção da fisioterapia especializada em um Banco de Leite Humano (BLH) como estratégia de fortalecimento do aleitamento materno. A experiência ocorreu no Banco de Leite Humano Dr. Virgílio Brasileiro, localizado nas dependências da maternidade pública do município de Campina Grande, o Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA), no contexto da atenção materno-infantil, com atuação voltada às puérperas oriundas de diferentes contextos de parto, tanto do sistema público quanto do privado, independentemente da maternidade de origem. A execução envolveu atendimentos individuais às puérperas que procuravam o serviço, ações educativas e apoio técnico às equipes de saúde. As atividades desenvolvidas compreenderam orientações especializadas acerca do manejo da lactação, prevenção e tratamento de intercorrências mamárias, promoção da amamentação exclusiva e estímulo à doação de leite humano, bem como o compartilhamento de informações técnicas com as equipes da Atenção Básica e o acompanhamento sistemático das lactantes assistidas. O serviço foi implementado no início do ano de 2024, envolvendo adaptações na estrutura física, qualificação da equipe e organização dos fluxos burocráticos. Conclui-se que a inserção da fisioterapia no Banco de Leite Humano promoveu impactos expressivos na organização e nos resultados do serviço, evidenciados pelo aumento superior a 100% no estoque de leite humano ordenhado cru, pela ampliação do número de doadoras de 60 para 140 mulheres e pelo aumento do tempo médio de permanência das doadoras em aproximadamente dois meses. Observou-se ainda um crescimento significativo no número de atendimentos, passando de 128 atendimentos gerais para 672 atendimentos especializados realizados pela fisioterapia. A atuação contribuiu também para a mudança do perfil das usuárias atendidas, passando a incluir puérperas provenientes de maternidades privadas e de outros municípios, além daquelas oriundas da maternidade local. Esses resultados refletem a qualificação da assistência prestada, o fortalecimento da humanização do cuidado e o reconhecimento do Banco de Leite Humano como espaço de apoio efetivo à promoção, proteção e manutenção do aleitamento materno.
#53 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
DA GESTAÇÃO À CONTINUIDADE DO ALEITAMENTO: PLANO DE AMAMENTAÇÃO COMO ESTRATÉGIA EDUCATIVA PARA PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E APOIO DO ALEITAMENTO
ANA PAULA VIOTO FERRAZ; DENISE HELENA FORNAZARI; PATRÍCIA SANCHES; MARCUS RENATO DE CARVALHO
Programa Municipal de Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável/ Secretaria Municipal de Saúde/Piracicaba-SP; Programa Municipal de Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável/Secretaria Municipal de Saúde/ Piracicaba-SP; Atenção Primária à Saúde/ Secretaria Municipal de Saúde Piracicaba-SP; Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
A gestação constitui um período estratégico para intervenções educativas capazes de influenciar decisões futuras relacionadas ao cuidado, dentre as quais está o aleitamento, considerando seus benefícios e os desafios que interferem em sua prática. Nesse contexto, o Plano de Amamentação (PA) configura-se como uma ferramenta que, ao ser discutida com a gestante e sua rede de apoio, mostra-se muito útil para despertar consciência, intenção e corresponsabilização em relação ao aleitamento. Em Piracicaba-SP, um modelo inicial baseado no PA Australiano foi implementado na rede desde 2022, amplamente divulgado e discutido em diversas ações e capacitações de aleitamento do município. As equipes de saúde passaram a utilizar o PA em rodas de conversas com gestantes e acompanhantes, em consultas ou durante visitas domiciliares. Após uma avaliação com os profissionais de saúde que o utilizam para apreciar sua aplicabilidade, o PA foi atualizado para um formato que, além de permitir que a pessoa pudesse fazer suas escolhas, oferecesse também informações claras e objetivas que embasassem tais escolhas de maneira informada. Assim, o PA se tornou um instrumento estruturado de diálogo, que estimula a gestante e sua rede de apoio a refletir antecipadamente sobre expectativas, crenças, dúvidas e possíveis dificuldades relacionadas à amamentação. Esse modelo elaborado possibilita que a aplicação ocorra de forma participativa, com o profissional de saúde atuando como facilitador do diálogo. Além disso, essa abordagem permite identificar precocemente vulnerabilidades, corrigir informações equivocadas e planejar estratégias de apoio individualizadas, fortalecendo a tomada de decisão informada. O PA apresenta-se dividido em seções para facilitar o diálogo e organizar os pontos fundamentais a serem abordados durante a gravidez para promover, proteger e apoiar o aleitamento. Hora dourada, contato pele a pele, o que é esperado nos primeiros dias de vida, uso de fórmulas e bicos artificiais, duração do aleitamento são os temas das seções do PA. Considera-se um amplo alcance terem sido distribuídas quase 8 mil cópias até o momento nas 75 Unidades de Saúde do Município. Acredita-se que o PA apresenta-se como uma estratégia educativa simples, de baixo custo e alto potencial de impacto, capaz de qualificar a educação em saúde no pré-natal, protegendo, apoiando e promovendo o aleitamento.
#288 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
Desafios do Aleitamento Materno e Impacto do Apoio Especializado de Enfermagem em Consulta Domiciliária: Estudo Quantitativo
ANDREIA FILIPA MENDES DE AMARAL; TATIANA MOURALINHO DE ALMEIDA
SOSMAMÃ
Resumo
O aleitamento materno constitui um desafio frequente para bebés, famílias e profissionais de saúde, apesar da sua ampla promoção na prática clínica. Dor durante a amamentação, lesões mamilares e insegurança materna são dificuldades recorrentes que podem comprometer a continuidade do aleitamento e cuja resolução depende, frequentemente, de apoio especializado. Este estudo quantitativo teve como objetivo identificar os principais desafios associados ao aleitamento materno e avaliar o impacto do apoio prestado por um enfermeiro especialista, com formação específica em aleitamento materno, em contexto de consulta domiciliária. A recolha de dados foi realizada através de um questionário estruturado, enviado a 226 famílias acompanhadas entre o segundo semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2025. Foram obtidas 56 respostas válidas, correspondendo a uma taxa de resposta de 23,4%, reconhecida como uma limitação do estudo. Relativamente aos resultados, verificou-se que 85,2% dos participantes realizaram formação pré-parto relacionada com a amamentação, sendo que 81,5% realizaram contacto pele a pele e iniciaram aleitamento materno na primeira hora de vida. À data da alta hospitalar, 74,1% referiram aleitamento materno como método predominante, e 73,1% mantiveram aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida. No que respeita às dificuldades, 88,9% dos participantes referiram desafios no processo de amamentação, destacando-se a dor (72,9%), as lesões mamilares (66,7%) e a insegurança materna (60,4%). Relativamente à avaliação do apoio profissional recebido em consulta domiciliária, 84,6% classificaram o apoio como muito útil e 12,5% como útil. Em 90,2% das respostas, o motivo do pedido de apoio foi totalmente respondido e 90,4% consideraram o apoio essencial para o sucesso da amamentação. Conclui-se que o acompanhamento profissional especializado, em contexto domiciliário, assume um papel relevante no apoio às famílias, indo ao encontro do que nos diz a evidência e contribuindo para a resolução dos desafios do aleitamento materno e para a sua continuidade.
#186 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA ASSISTÊNCIA Á DUPLAS DE MÃES E RECÉM-NASCIDOS COM ANQUILOGLOSSIA ACOMPANHADOS EM BANCO DE LEITE HUMANO
MARIA TERESA CERA SANCHES; LAIS FOLHA PECCIA
Instituto de Saúde da SES/SP
Resumo
Introdução: Anquiloglossia tem sido apontada como potencial dificultador da amamentação. O “Fluxo de Atenção ao recém-nascido (RN) com suspeita de anquiloglossia”, proposto pelo Ministério da Saúde, orienta o cuidado à essa população, ofertando acesso ao seguimento adequado e, se necessário, intervenção cirúrgica oportuna. Dada a complexidade do tratamento, esse estudo descreve desafios clínicos e possibilidades encontrados na assistência a duplas mãe/RN com suspeita de anquiloglossia.
Metodologia: Parte de coorte prospectiva, conduzida pelo Instituto de Saúde-SES/SP, com 55 duplas mãe/RN a termo, sem alterações clínicas, congênitas ou psicossociais que impedissem a amamentação, identificados com suspeita de anquiloglossia, em maternidade pública, credenciada pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança e acompanhadas em Banco de Leite Humano (BLH) até o 3°mês de vida por equipe interdisciplinar (neonato., odontopediatra, fono). Todas receberam manejo clínico da amamentação com disponibilidade para retornos conforme necessidade clínica individualizada. Indicou-se frenotomia diante da persistência das dificuldades de amamentação, descartadas demais alterações, avaliando-se cicatrização e implicação clínica do procedimento. Avaliou-se: aspectos orofaciais, da amamentação (LATCH) e do frênulo lingual (Bristol) (frequência de adequação (escore=2) em cada aspecto e escore total, inicial e final, em cada protocolo pelo teste pareado, sendo significativo p<0,05).
Resultados: Além da anquiloglossia, 36,4% (n=20) apresentavam ao menos uma alteração orofacial, (retrognatia, pouca abertura da boca ou assimetria facial), sendo que em 12,7% (n=7) mais de uma associadas. Indicou-se frenotomia a 87%, com melhora universal da sucção e 86,5% mamando imediatamente após o procedimento. Contudo, 12,5% (n=7) choraram excessivamente, houve readerência pós-cirúrgica em 8,3% (n=4) e sangramento intenso em 2% (n=1). Encaminhou-se 58%: acompanhamento especializado (fono., fisio. ou buco-maxilo externo). O escore Bristol passou de 3 a 5 e o LATCH de 5,5 a 7,8 (p<0,0001), com maior adequação em todos os aspectos (p<0,01). Ao 3º mês, 60% amamentavam exclusivamente.
Conclusões: É imprescindível que o diagnóstico e cuidado em anquiloglossia seja abrangente, interdisciplinar e considere demais alterações orofaciais possivelmente associadas para a efetiva reabilitação oral e melhora da amamentação.
Financiamento: Instituto de Saúde da SES/SP
#63 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
DESIGUALDADES RACIAIS NO CONSUMO DE FRUTAS E DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS NO BRASIL: ANÁLISE DOS DADOS DO SISVAN 2024
MAISA BELTRAME PEDROSO; DIEGO SILVEIRA SIQUEIRA; MARIA ALICE VIEIRA LANTMANN; DEISE VALÉRIO VETROMILLA; FERNANDA BARRETO MIELKE; ELIANE DE SOUZA RANGEL ROQUE; MARINA SOARES BURALDE
Secretaria Estadual de Saúde/RS
Resumo
Introdução: A alimentação adequada e saudável é um determinante fundamental das condições de saúde. No entanto, padrões alimentares podem apresentar desigualdades associadas a fatores sociais, incluindo raça/cor. Compreender essas diferenças é essencial para o planejamento de ações de promoção da saúde e equidade no SUS.
Objetivo: Analisar o consumo de frutas e de alimentos ultraprocessados segundo raça/cor e fase do ciclo de vida, utilizando dados consolidados do SISVAN referentes ao ano de 2024.
Metodologia: Estudo descritivo baseado em dados secundários do SISVAN referentes ao ano de 2024. Foram analisados registros de consumo alimentar estratificados por raça/cor (branca, preta, amarela, parda e indígena) e por fases do ciclo de vida (2–4 anos, 5–9 anos, adolescentes, adultos, idosos e gestantes). O estudo avaliou a frequência absoluta e a proporção (%) de consumo de frutas e de alimentos ultraprocessados.
Resultados: A análise de 124.372 registros mostrou diferenças marcantes no consumo de alimentos saudáveis e ultraprocessados entre grupos raciais e faixas etárias. Em crianças de 2 a 4 anos, o consumo de frutas foi alto em todos os grupos (74% a 86%), enquanto o de ultraprocessados foi elevado, chegando a 100% entre indígenas. Na faixa de 5 a 9 anos, indígenas novamente apresentaram 100% de consumo de ultraprocessados. Entre adolescentes, o consumo de frutas foi menor (57% a 59%) e os ultraprocessados atingiram 88% entre pretos. Entre adultos, frutas variaram entre 58% (pardos) e 67% (pretos), e ultraprocessados foram mais consumidos por pretos (76%). Nos idosos, indígenas tiveram o maior consumo de frutas (73%), mas também consumo elevado de ultraprocessados (73%). Entre gestantes, frutas variaram de 70% (pretas) a 100% (indígenas), e ultraprocessados seguiram altos, sobretudo entre indígenas (86%).
Conclusão: Os dados do SISVAN revelam persistentes desigualdades raciais no padrão alimentar. Apesar de alguns grupos consumirem mais frutas, o consumo de alimentos ultraprocessados permanece elevado entre todas as raças/cores e faixas etárias, com índices particularmente altos entre povos indígenas. Esses achados apontam para a necessidade de políticas públicas que unam a promoção da alimentação saudável ao enfrentamento das iniquidades raciais no SUS.
#11 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
DORA E BIA: AÇÕES PARA DIVULGAR A DOAÇÃO DE LEITE HUMANO
ELIANE REGINA GRACIANO; JANAINA MARA DE ALMEIDA; ANA PAULA SZCZEPANIK
Complexo Hospital de Clínicas UFPR/EBSERH
Resumo
Objeto: A doação de Leite Materno é um ato de solidariedade que acontece diariamente em milhares de lares brasileiros. Mesmo a Rede Global de Bancos de Leite Humano - Brasil (rBLH) atuando há mais de quarenta anos, ela ainda não é conhecida por grande parte da população.
Contexto: Para ajudar na divulgação desta valiosa ação, no mês de agosto de 2024 um pequeno grupo de servidoras de um Banco de Leite Humano e amigas/os, idealizaram a personagem Dora e sua filha Bia, na cidade de Curitiba-Paraná-Brasil. O intuito é conquistar novas doadoras, informar a população sobre a importância do trabalho dos Bancos de Leite Humano e incentivar todos/as a serem divulgadores/as da doação de leite humano.
Descrição da execução: Foram realizadas visitas nos alojamentos conjuntos, pronto atendimento de ginecologia/obstetrícia, ambulatório de gestantes e cursos de formação de profissionais em maternidades. Utilizando instrumentos e voz, foram apresentadas as paródias “Baião da Doação” e “Vamos Doar”. Participação em eventos como Agosto Dourado, organizado pelo Comitê Estadual de Aleitamento Materno e Alimentação Saudável do Paraná. Apresentação do projeto no II Encontro Nacional com Áreas Técnicas de Saúde da Criança, do Adolescente e de Aleitamento Materno. Participação em eventos esportivos de corridas de rua como a 100ª Corrida Internacional de São Silvestre em São Paulo-Brasil (em 2025), eventos de caminhada, levando a bandeira com a mensagem “Doe Leite Materno”.
Resultados: Alguns participantes dos cursos e das corridas de rua conversaram com a personagem após os eventos, buscando informações sobre locais e horário de funcionamento dos Bancos de Leite Humano. Aumentou o número de seguidores na rede social. Dez pessoas se candidataram a serem voluntários/as nas ações.
Considerações finais: O convite à doação de leite humano precisa ser constante, assim pode-se manter o estoque em quantidade suficiente para alimentar os bebês prematuros internados na UTI Neonatal. É preciso manter a mobilização social na divulgação dos Bancos de Leite Humano, dentro e fora das maternidades.
#4 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL NA PRIMEIRA INFÂNCIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PROJETO PILOTO COMENDO E APRENDENDO NA INFÂNCIA
ELISANGELA DE JESUS CONCEIÇÃO; BRUNA DO ESPIRITO SANTO NEVES; CHARILMA DA SILVA FREITAS; TATIANA RIBEIRO VELLOSO
UFBA/ VSBA; UFBA /VSBA; VSBA; UFRB/VSBA
Resumo
A primeira infância constitui uma etapa estratégica para a formação de hábitos alimentares, demandando ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) voltadas à qualificação da alimentação complementar e à mitigação da exposição precoce a alimentos ultraprocessados. Este relato de experiência descreve a concepção e implementação do projeto piloto “Comendo e Aprendendo na Infância”, cujo objetivo foi promover a EAN de forma lúdica, participativa e culturalmente contextualizada. O estudo foi conduzido mediante autorização institucional e consentimento dos responsáveis, assegurando o anonimato dos participantes, caracterizando-se como relato de experiência educativa conforme a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. O projeto foi desenvolvido em um território de vulnerabilidade nutricional e socioeconômica no Subúrbio Ferroviário de Salvador, Bahia, com o intuito de mitigar riscos associados à seletividade alimentar e ao consumo excessivo de ultraprocessados na primeira infância. A execução ocorreu na Creche Comunitária Mais Infância, entre setembro de 2024 e dezembro de 2025, envolvendo crianças de 1 a 5 anos, seus familiares e a equipe pedagógica. As estratégias metodológicas incluíram dez encontros com o público infantil e dois com responsáveis, utilizando abordagens sensoriais e participativas, como avaliação antropométrica integrada a atividades lúdicas, oficinas de culinária educativa, implantação de horta vertical, práticas de compostagem e o uso do “Cantinho da Leitura e Sensorial” para valorização da cultura alimentar afro-brasileira. Os resultados indicaram melhora no perfil nutricional coletivo: nas turmas de crianças menores (G1), o excesso de peso reduziu de 90% para 60%, enquanto nos grupos de 4 a 5 anos (G4) a proporção de crianças com peso adequado aumentou de 42,86% para 57,14%. Observou-se ainda redução da rejeição alimentar e avanços comportamentais em crianças com neurodivergência e seletividade alimentar severa, a partir de abordagens não coercitivas. Conclui-se que a EAN, quando articulada entre escola e família e contextualizada culturalmente, configura-se como estratégia eficaz para a promoção da segurança alimentar e do Direito Humano à Alimentação Adequada, e que o acompanhamento antropométrico sistemático constitui ferramenta essencial de cuidado e monitoramento do desenvolvimento integral na infância.
Financiamento: Voluntárias Sociais da Bahia.
#155 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
EFEITO DO EXCESSO DE PESO PRÉ-GESTACIONAL SOBRE A AMAMENTAÇÃO NA PRIMEIRA HORA DE VIDA DO RECÉM-NASCIDO: DADOS DA PESQUISA NASCER NO BRASIL II
MARCELLA CAROLINA FIGUEIREDO CALVANO; DANIELE MARANO; ANA CAROLINA CARIOCA; AMANDA DA SILVA FRANCO; MARIZA MIRANDA THEME FILHA; SUZANE DE ALMEIDA MELO CALDAS
IFF/FIOCRUZ; UERJ; ENSP/IFF
Resumo
Introdução: A amamentação na primeira hora de vida é uma estratégia fundamental para a saúde materno-infantil, associada à redução da mortalidade neonatal, ao fortalecimento do vínculo mãe-bebê e à maior duração do aleitamento materno exclusivo. Apesar de amplamente recomendada como indicador de qualidade da assistência ao parto, suas taxas permanecem abaixo das metas estabelecidas. Evidências sugerem que o excesso de peso pré-gestacional pode comprometer o início da amamentação; entretanto, são escassos os estudos que avaliaram essa associação especificamente na primeira hora de vida do recém-nascido e a partir de modelos causais.
Objetivo: Avaliar o efeito do excesso de peso pré-gestacional sobre a amamentação na primeira hora de vida do recém-nascido.
Métodos: Estudo transversal com dados da pesquisa Nascer no Brasil II (2021–2023), com 6.733 puérperas residentes na Região Sudeste. O estado nutricional pré-gestacional foi avaliado pelo índice de massa corporal (IMC), calculado a partir do peso registrado até a 13ª semana de gestação ou autorreferido. O desfecho foi a amamentação na primeira hora de vida, obtida por entrevista hospitalar. Foram excluídas mulheres com condições que dificultam ou impossibilitam a amamentação na primeira hora de vida. As variáveis de confusão foram definidas por meio de gráfico acíclico direcionado (DAG), e a associação estimada por regressão logística, considerando o desenho amostral complexo, com cálculo de razões de chance (OR) e IC95%.
Resultados: A prevalência de excesso de peso pré-gestacional foi de 54% e a de amamentação na primeira hora de vida, 70%. Na análise ajustada por idade, escolaridade, raça/cor, situação conjugal, paridade e renda, o excesso de peso pré-gestacional reduziu em 22% a chance de amamentação na primeira hora de vida (OR ajustada = 0,78; IC95%: 0,66–0,93).
Conclusão: O excesso de peso pré-gestacional exerceu efeito negativo sobre o início oportuno da amamentação na primeira hora de vida. Os resultados reforçam a necessidade de integrar o monitoramento do estado nutricional ao cuidado pré-natal e fortalecer práticas assistenciais que promovam a amamentação na primeira hora de vida, especialmente entre mulheres com desvio nutricional.
#196 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ENTRE A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E A CRECHE: COMO OS SERVIÇOS PÚBLICOS SE ASSOCIAM À AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA
JULIANA ARAUJO TEIXEIRA (TEIXEIRA, JULIANA A.); SONIA ISOYAMA VENANCIO (VENANCIO, SONIA I.); MARIA BEATRIZ MARTINS LINHARES; ROGÉRIO LERNER (LERNER, ROGÉRIO); NAERCIO AQUINO MENEZES-FILHO (MENEZES-FILHO, NAERCIO A.); DEBORA FALLEIROS DE MELLO (MELLO, DÉBORA F.); CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA APLICADA À PRIMEIRA INFÂNCIA (CPAPI)
Universidade de São Paulo, Faculdade de Saúde Pública, São Paulo/SP, Brasil; Ministério da Saúde, Brasília/Distrito Federal, Brasil; Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP, Brasil; Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia, São Paulo/SP, Brasil; Insper e Universidade de São Paulo, Departamento de Economia, São Paulo/SP, Brasil; Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP, Brasil; Insper, São Paulo, SP, Brasil
Resumo
Introdução: A organização da Atenção Primária à Saúde (APS) e de políticas intersetoriais pode exercer papel decisivo na manutenção da amamentação exclusiva (AME).
Objetivo: Analisar a associação entre características dos serviços públicos de saúde e de apoio social e a prevalência de AME.
Metodologia: Estudo transversal aninhado a ensaio randomizado por clusters realizado em 35 Unidades Básicas de Saúde (UBS) de um município paulista de médio porte (2023–2024). Foram entrevistados 1.454 cuidadores de crianças de 0-6 meses. Considerou-se AME quando houve consumo exclusivo de leite materno no dia anterior. Investigaram-se variáveis relacionadas ao modelo de atenção da UBS (Estratégia Saúde da Família-ESF/Tradicional com Agente Comunitário de Saúde-ACS/Tradicional/Misto), gestão (pública/mista), região (urbana/mista), pré-natal (<6/≥6 consultas), contato pele a pele, amamentação na primeira hora, atendimento na primeira semana, licença-maternidade (não ou não trabalhava/4 meses/6 meses), orientação profissional e matrícula em creche. As análises foram ajustadas por idade da criança, idade e escolaridade maternas e nível socioeconômico, utilizando regressão de Poisson com variância robusta.
Resultados: A maioria das crianças tinha < 2 meses (63,7%) e mães entre 20–34 anos (60,4% com ensino médio completo). A prevalência de AME foi 50,3%, variando de 22,2% a 85,7% entre as UBS. No modelo ajustado (n=1.256), fatores associados à menor prevalência de AME incluíram acompanhamento em UBS Tradicional com ACS (IRR=0,71; IC95% 0,61–0,83) e Tradicional (IRR=0,87; IC95% 0,76–0,99), em comparação à ESF; matrícula em creche (IRR=0,69; IC95% 0,48–0,99); menor nível socioeconômico (baixo: IRR=0,80; IC95% 0,69–0,92 / médio: IRR=0,85; IC95% 0,75–0,97); e o aumento da idade da criança, com declínio de 13% na prevalência de AME a cada mês de vida (IC95%: 0,84–0,90). Por outro lado, a amamentação na primeira hora de vida associou-se a maior prevalência de AME (IRR=1,14; IC95% 1,00–1,29).
Conclusões: A ESF e a amamentação na primeira hora de vida destacam-se como estratégias centrais para a promoção da AME. Em contraste, a matrícula em creche e as desigualdades socioeconômicas evidenciam desafios intersetoriais. Os achados reforçam a necessidade de maior integração entre políticas de saúde e educação infantil, diante do declínio da AME com o avanço da idade.
Financiamento: O CPAPI é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP – 2019/12553-0) e pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. A FAPESP (2022/06789-4) concedeu bolsa de pós-doutorado à JAT
#197 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ESTRATÉGIAS DE DIVULGAÇÃO DO VIDEOCAST "DELEITANDO: A CIÊNCIA DA AMAMENTAÇÃO” PARA A PROMOÇÃO DA EDUCAÇÃO EM SAÚDE
ANA PAULA FREIRE NASCIMENTO LYRA; BEATRIZ MOTA OLIVEIRA; BEATRIZ GRAZIELE THOMAZ ALVES DA COSTA; SÂMELA CAETANO TAVARES BRAGA; SARAH NOGUEIRA ALMEIDA; IAGO REZENDE SILVA; JHÚLIA CARVALHO ALVES DE MELO; ROSANE VALÉRIA VIANA FONSECA RITO
INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad - MS; Faculdade de Nutrição Emília de Jesus Ferreira - UFF; Instituto de Nutrição Josué de Castro - UFRJ; Instituto de Artes e Comunicação Social - UFF; Universidade Federal Fluminense - UFF
Resumo
Objeto: Estratégias de divulgação do videocast “Deleitando: a Ciência da Amamentação”.
Contexto: O crescimento do consumo de conteúdos audiovisuais em plataformas digitais têm ampliado o papel das mídias na disseminação de informações em saúde. O videocast “Deleitando” surgiu como ação de divulgação científica baseada em evidências e troca interdisciplinar sobre amamentação e alimentação infantil. O projeto utilizou estratégias de divulgação para aumentar o alcance, engajamento e retenção da audiência.
Descrição da execução: o projeto se desenvolveu em 2025, sendo a equipe responsável composta por profissionais e graduandos da área da Saúde e da Comunicação Social-UFF. Os episódios contaram com a participação de profissionais da saúde com atuação reconhecida, que foram convidados a compartilhar conhecimentos e experiências. A divulgação do conteúdo foi realizada através de episódios audiovisuais completos no YouTube e no Spotify, além de recortes estratégicos no Instagram. A linguagem técnica foi adaptada para uma comunicação acessível, utilizando trechos selecionados das gravações para despertar o interesse do público, informar sobre os temas abordados e estimular o acesso ao episódio completo. Utilizou-se o storytelling como estratégia narrativa para apresentação das trajetórias dos convidados e padronização visual dos conteúdos, criando uma identidade visual única para as postagens vinculadas ao videocast.
Resultados: essa iniciativa pioneira obteve crescimento progressivo do alcance e do engajamento nas plataformas digitais. No YouTube, com a publicação de 11 episódios, o “Deleitando” alcançou 202 inscritos e 2.051 visualizações, indicando o interesse do público pelo formato proposto. No Instagram, observou-se engajamento expressivo, com 51.059 visualizações, 3.019 interações, 1.171 curtidas, 205 comentários, 1.457 compartilhamentos, 90 repostagens e 25 conteúdos salvos, evidenciando o alcance do conteúdo e a participação ativa do público, sugerindo relevância, identificação e circulação orgânica das informações.
Considerações finais: a trajetória do “Deleitando”, aliada às estratégias de divulgação, favorece a difusão de informações seguras. Sendo uma iniciativa de vanguarda, o projeto se diferencia ao articular divulgação científica, produção audiovisual e ações de comunicação digital voltadas à amamentação, tema ainda pouco explorado nesse formato.
#97 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ESTUDO DE CASO: DIABETE GESTACIONAL E MANEJO DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE PINHAIS/PR
SUELY DE MOURA SANTOS DE SOUSA
Enfermeira. Atua na Unidade de Saúde Perdizes, Pinhais, Paraná.
Resumo
Objetivo da experiência: Promover e manter a amamentação exclusiva até os seis meses de vida da criança de uma gestante com diabetes gestacional, através de um plano de cuidado integral e singular durante o pré-natal e puerpério, visando reduzir as complicações materno-infantis e melhorar a saúde e bem-estar da mãe-filho.
Contexto: A Unidade de Saúde Perdizes em conjunto com Unidade de Saúde Tebas, realizaram acompanhamento de um Estudo de caso de uma gestante com Diabetes Mellitus gestacional, durante o pré-natal e pós-parto.
Descrição da execução: Estudo ocorreu entre 2024/2025. USF Perdizes,envolveu uma gestante com DMG e seu RN e profissionais de saúde.
Resultados: Comprometimento da saúde física e emocional da puérpera, risco de desmame precoce, mau controle glicêmico materno,dificuldade na pega do RN.
Plano de ação: Visita domiciliar com mais frequência; acompanhamento regular com a pediatra, enfermeira, odontológico e com a equipe de amamentação; apoio à escuta e acolhimento.
Considerações finais: Importância do apoio da equipe nesse contexto e fortalecimento na atuação multiprofissional para sucesso da amamentação em gestantes com DMG, amamentação eficaz traz benefícios na redução do risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro e melhora do perfil metabólico em mulheres DMG, propiciou reflexões da prática clínica da equipe, saindo desse contexto mais sensibilizados e fortalecidos para enfrentamentos e manejos de casos semelhantes no futuro.
Financiamento: Rede de Apoio ao Aleitamento Materno do Município de Pinhais/PR.
#81 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ESTUDO DE VIABILIDADE PARA AVALIAR A EXTRAÇÃO ROTINEIRA DE COLOSTRO APÓS O PARTO ENTRE PUÉRPERAS DIABÉTICAS
CINTHIA DANIELA PERPETUO; EMILY BUENO BOAVENTURA; PRISCILA MARIA GONÇALVES RUGGERI FAUSTINO; CLÁUDIA BARBOSA DOS SANTOS; LISA H AMIR; ROSIANE MATTAR; KELLY PEREIRA COCA
Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Hospital Municipal de Diadema; Universidade La Trobe, Departamento de Medicina, Austrália; Escola Paulista de Medicina, UNIFESP
Resumo
Introdução: Mulheres com diagnóstico de diabetes apresentam menor probabilidade de iniciar e manter a amamentação exclusiva, bem como maior risco de suplementação com fórmula infantil no período neonatal.
Objetivo: Determinar a viabilidade e a aceitabilidade da extração rotineira de colostro no pós-parto entre puérperas com diabetes e sua influência no aleitamento materno exclusivo.
Metodologia: Ensaio clínico de viabilidade para testar uma intervenção, realizada entre 2021 e 2022, em uma maternidade em São Paulo. Foram incluídas puérperas a partir das três horas após o nascimento até a alta hospitalar, alocadas para o grupo intervenção ou controle. As participantes também foram acompanhadas após sete e 30 dias do parto. A intervenção consistiu em fornecer às participantes educação sobre a extração de colostro no pós-parto como prática rotineira e oferecer o leite extraído aos seus recém-nascidos, imediatamente após as mamadas. Foram investigados o tipo de aleitamento materno na alta hospitalar e as experiências das puérperas com a intervenção. Os dados foram coletados no prontuário e entrevista semi-estruturada. Também foram realizadas entrevistas qualitativas para avaliar as percepções das participantes do grupo intervenção. A viabilidade foi avaliada pela taxa de aleitamento materno e a aceitabilidade das participantes pela análise qualitativa. Os dados quantitativos foram analisados pelo teste Exato de Fisher e os qualitativos por análise de conteúdo fundamentado na teoria de Bardin.
Resultados: Analisou-se 30 mulheres com diabetes,17 no grupo intervenção e 13 no grupo controle. A maioria das puérperas do grupo intervenção (92%) amamentou exclusivamente durante a internação hospitalar em comparação com aquelas no grupo controle (47%), resultado estatisticamente significativo(p=0,017). As puérperas no grupo intervenção relataram maior confiança e segurança para amamentar como experiência positiva. Dentre as barreiras, relataram dificuldades com a técnica de extração, preocupações com o volume de leite e fadiga do trabalho de parto.
Conclusões: A extração de colostro no pós-parto mostrou-se viável e aceitável. Os resultados indicam que essa prática pode ser ser útil na proteção do aleitamento materno exclusivo entre mulheres com diabetes. Ensaios clínicos mais robustos são necessários para comprovar os achados em amostra maior.
#167 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
EVOLUÇÃO TEMPORAL DA AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA E CONTINUADA EM CRIANÇAS MENORES DE 2 ANOS ACOMPANHADAS NA APS, SEGUNDO REGISTROS DO SISVAN (2015-2024)
CAMILA GONÇALVES OLIVEIRA CHAGAS; LUCIA HELENA ALMEIDA GRATÃO; RENATHA CELIANA DA SILVA BRITO LORENZO; MARIA CRISTINA LIMA FONTENELE PRESTA; GISELE BRAGA DE ALMEIDA PIRES; LISSANDRA AMORIM SANTOS DEGNER; CARLA RENATA DOS SANTOS MARQUES; KELLY POLIANY DE SOUZA ALVES
Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição, Departamento de Promoção da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Ministério da Saúde (CGAN/DEPROS/SAPS/MS)
Resumo
Introdução: A amamentação é uma estratégia central para a saúde infantil, favorecendo o crescimento adequado e a prevenção de agravos. A amamentação exclusiva até os seis meses, e sua continuidade até dois anos ou mais são diretrizes das políticas públicas de saúde. Na Atenção Primária à Saúde (APS), o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) permite monitorar essas práticas e subsidiar as ações de promoção, proteção e apoio à amamentação no SUS.
Objetivo: Descrever a evolução temporal da amamentação exclusiva em menores de seis meses e da amamentação continuada em crianças até dois anos acompanhadas na APS, no período de 2015 a 2024, a partir de dados do SISVAN.
Metodologia: Trata-se de estudo ecológico de série temporal, cujos dados foram obtidos por meio da ficha de marcadores de consumo alimentar do SISVAN, aplicada por profissionais da APS aos responsáveis por crianças menores de 2 anos. Considerou-se que a criança recebeu leite humano quando houve resposta “sim” à pergunta “a criança ontem tomou leite de peito?”. Para crianças de até 5 meses e 29 dias, adotou-se adicionalmente o critério de aleitamento materno exclusivo, definido pela resposta “sim” para leite materno e “não” para todos os demais itens da pergunta “ontem a criança consumiu”. Por usar dados públicos e agregados, o estudo dispensa avaliação ética.
Resultados: Ao longo do período analisado, para o indicador de amamentação exclusiva em menores de 6 meses, foram incluídos 30.441 e 273.300 registros válidos, dos quais 16.823 (55%) e 155.205 (57%) indicaram consumo exclusivo de leite humano no dia anterior, respectivamente. Para a amamentação continuada entre crianças de 6 a 23 meses, foram considerados 45.853 registros em 2015 e 493.107 em 2024, com 22.938 (50%) e 309.962 (63%) registros de consumo de leite humano, respectivamente.
Conclusão: Os achados apontam estabilidade da amamentação em menores de 6 meses, com discreto aumento na frequência de crianças em prática exclusiva, e avanço mais expressivo da amamentação continuada entre 6 e 23 meses ao longo do período. A ampliação do número de registros no SISVAN, associada à manutenção e ao crescimento dessas práticas, reforça o papel do monitoramento na APS para qualificar o cuidado, subsidiar o planejamento das ações de promoção, proteção e apoio à amamentação e fortalecer a Vigilância Alimentar e Nutricional.
#153 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
EXCESSO DE PESO PRÉ-GESTACIONAL E ALEITAMENTO MATERNO NA PRIMEIRA HORA DE VIDA: PROPOSTA DE MODELO TEÓRICO DE CAUSALIDADE
MARCELLA CAROLINA FIGUEIREDO CALVANO; SUZANE DE ALMEIDA MELO CALDAS.; AMANDA DA SILVA FRANCO.; MARIZA MIRANDA THEME FILHA.; DANIELE MARANO.
IFF/FIOCRUZ; UERJ; ENSO/IFF; IFF?FIOCRUZ
Resumo
Introdução: Embora numerosos estudos avaliem a associação entre excesso de peso pré-gestacional e amamentação, persistem lacunas quanto à amamentação na primeira hora de vida. Considerando a complexidade de fatores potencialmente confundidores envolvidos nessa relação, recomenda-se a utilização de ferramentas gráficas para identificação de vieses, como os gráficos acíclicos direcionados (DAG).
Objetivo: Avaliar a associação entre o excesso de peso pré-gestacional e a amamentação na primeira hora de vida do recém-nascido.
Metodologia: Foi conduzida revisão da literatura científica para identificar variáveis associadas à exposição (excesso de peso pré-gestacional) e ao desfecho (amamentação na primeira hora de vida). A seleção do conjunto mínimo de variáveis de ajuste seguiu o algoritmo gráfico, fundamentado em seis critérios para identificar potenciais confundidores e evitar vieses de ajuste. A partir da síntese teórica, construiu-se um DAG.
Resultados: O modelo desenvolvido evidenciou variáveis sociodemográficas (idade, raça/cor, escolaridade, renda, situação conjugal), antecedentes obstétricos (paridade) e genética como potenciais confundidores. A aplicação do algoritmo gráfico permitiu a definição de um conjunto mínimo de variáveis suficiente para assegurar validade interna na análise da associação entre excesso de peso pré-gestacional e amamentação na primeira hora de vida do recém-nascido. Esse conjunto evita tanto o ajuste insuficiente, que poderia resultar em confundimento residual, quanto o ajuste excessivo, que comprometeria a precisão das estimativas.
Conclusão: O uso de DAG e de um algoritmo gráfico sistemático mostrou-se eficaz para identificar um conjunto de ajuste essencial e válido. Os achados contribuem para análises epidemiológicas mais consistentes, fortalecendo a inferência causal sobre a associação entre o excesso de peso pré-gestacional e a prática do aleitamento materno na primeira hora de vida.
#199 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
FACILITADORES, PRESSUPOSTOS E PONTOS CRÍTICOS DE MONITORAMENTO DA AUTOSSUFICIÊNCIA DOS BANCOS DE LEITE HUMANO
FERNANDA PARANHOS QUINTA; SONIA ISOYAMA VENANCIO
Universidade de São Paulo; Ministério da Saúde
Resumo
Introdução: Os Bancos de Leite Humano (BLH) contribuem para a redução da morbimortalidade neonatal e para a melhoria dos indicadores de aleitamento humano, buscando garantir o direito à saúde de recém-nascidos internados em unidades neonatais. A Rede Brasileira de BLH ainda não supre a demanda contínua de suas unidades neonatais, êxito que na literatura começou a ser chamado de autossuficiência.
Objetivos: Analisar fatores relacionados à autossuficiência dos BLH por meio de um diagrama teórico e da identificação de facilitadores, pressupostos e pontos críticos de monitoramento.
Metodologia: Os fatores implicados foram analisados com base em fundamentos da ciência da implementação. Análise documental e análise fenomenológica de entrevistas semiestruturadas realizadas com coordenadores de Centros de Referência da Rede Paulista, trabalhadores de BLH e Postos de Coleta de Leite Humano (PCLH), submetidas a um método de análise rápida, forneceram os subsídios para o desenvolvimento de um diagrama baseado na teoria Caminho de Impacto do Programa (CIP) e uma síntese narrativa.
Resultados: A análise documental orientou a elaboração da primeira versão do diagrama CIP dos BLH com foco na autossuficiência, revisado após a análise das entrevistas. Foram incluídos novos componentes, como Acesso ao BLH e acolhimento, Comunicação com potenciais doadoras, Articulação na Rede de Atenção à Saúde e Articulação intersetorial. Dentre os pressupostos identificados, estão: contar com a Gestão da instituição de vínculo sensibilizada e a Gestão do BLH/PCLH engajada, com atuação próxima à equipe. Profissionais em regime de exclusividade, número adequado de freezers, monitoramento e apoio individual às lactantes das unidades neonatais e uso de checklist de orientações à doadora foram alguns dos facilitadores encontrados. Dois dos pontos críticos de monitoramento identificados foram Coleta/Visita domiciliar e Comunicação com doadoras externas.
Conclusões: As entrevistas possibilitaram a identificação de componentes pouco explorados nos documentos normativos. O diagrama CIP dos BLH com foco na autossuficiência e a síntese narrativa evidenciam diversos fatores relacionados ao alcance da autossuficiência pelos BLH.
#151 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
FORTALECIMENTO DAS CRECHES COMUNITÁRIAS NA PROMOÇÃO DA SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL NA PRIMEIRA INFÂNCIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ESTADO DA BAHIA
ELISANGELA DE JESUS CONCEICAO; BRUNA DO ESPÍRITO SANTO NEVES; TIAGO PEREIRA DA COSTA; GISELLE RAMOS COUTINHO; TATIANA RIBEIRO VELLOSO
UFRB/UFBA; UFRB/UFBA/VSBA; COORDENADOR GERAL DO PROGRAMA BAHIA SEM FOME; COORDENADORA TÉCNICA DO PROGRAMA BAHIA SEM FOME.; UFRB e Presidente das Voluntárias Sociais da Bahia -VSBA
Resumo
Introdução: A primeira infância, é uma etapa determinante para o desenvolvimento integral, exigindo intervenções que garantam ambientes educativos seguros e promotores de saúde.
Objeto do estudo: Consiste na implementação do Projeto Bahia Pela Infância e Segurança Alimentar e Nutricional, iniciativa estratégica voltada ao fortalecimento de creches comunitárias no estado da Bahia.
Contexto: A experiência situa-se em territórios marcados por vulnerabilidades socioeconômicas, onde as creches atuam não apenas como espaços pedagógicos, mas como equipamentos de alimentação e nutrição de pequeno porte, fundamentais para o enfrentamento da insegurança alimentar e nutricional.
Descrição da execução: A execução do projeto ocorreu de forma sistemática entre 2023 e 2025, com planejamento de continuidade para 2026, abrangendo diversas regiões do estado integradas à Rede de Equipamentos Integrados para o Combate à Fome. Os sujeitos envolvidos incluíram gestores públicos, equipes técnicas das Voluntárias Sociais da Bahia (VSBA), educadores, nutricionistas e gestores das instituições, beneficiando diretamente o público infantil. As técnicas adotadas consistiram na entrega de kits estruturantes — compostos por mobiliários, equipamentos e bens de consumo — e na introdução de um instrumento pedagógico e formativo específico. O material foi elaborado para qualificar a Educação Alimentar e Nutricional (EAN), com o alinhamento das práticas cotidianas às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), do Guia Alimentar para a População Brasileira e da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN).
Resultados: Destaca-se o fortalecimento institucional das creches, com a incorporação da alimentação como componente indissociável do processo educativo e do cuidado integral. Prevê-se a qualificação da alimentação complementar e a ampliação do acesso das crianças a refeições saudáveis, contribuindo para a formação de hábitos alimentares benéficos desde a primeira infância.
Considerações finais: A intersetorialidade entre governo e sociedade civil revelou-se como um eixo estruturante para a eficácia de políticas públicas voltadas à infância. Reafirmando que o investimento em infraestrutura e na formação pedagógica das creches representa uma estratégia essencial para a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada e para a construção de trajetórias de vida mais dignas e equitativas no estado.
Financiamento: Governo do Estado da Bahia e Voluntárias Sociais da Bahia (VSBA) Universidade Federal do Recôncavo da Bahia -UFRB
#240 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
FOTOBIOMODULAÇÃO COM LASER DE BAIXA INTENSIDADE NO MANEJO DE LESÃO MAMILAR: EXPERIÊNCIA EXITOSA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA DE RIBEIRÃO PRETO
VANESSA BRANCATO CAMARINHA GOULART; CAROLINA SCOQUI GUIMARÃES; LILIAN DONIZETE PIMENTA NOGUEIRA; LAISE BORELI PRIZON; MIRELA MÓDOLO MARTINS DO VAL; MILDRED VAZ GIL; JORDANA CARVALHAES DE MORAES; CÍNTIA ERBERT
SMS-Ribeirão Preto/SP; IBFAN Brasil
Resumo
Objeto da experiência: Descrever a implementação da fotobiomodulação com laser de baixa intensidade (LBI) no manejo de lesão mamilar em mulheres atendidas em Unidade Básica de Saúde localizada em território de alta vulnerabilidade social e elevada taxa de natalidade, visando qualificar o cuidado ao aleitamento materno (AM).
Contexto: O AM é reconhecido por benefícios à saúde materno infantil, porém sua baixa prevalência ainda é um desafio de saúde pública, sendo as lesões mamilares causa frequente de desmame precoce. O LBI surge como recurso promissor para alívio da dor, aceleração da cicatrização e prevenção de complicações, favorecendo a continuidade do AM. Sua efetividade, entretanto, depende do manejo clínico e da correção da técnica de amamentação. A unidade conta com profissionais capacitados pelo curso de Manejo Clínico do AM do Programa Municipal de Aleitamento Materno, condição essencial para o êxito da intervenção.
Descrição da execução: Foi adquirido equipamento de LBI, elaborado protocolo clínico e fluxograma, capacitada a equipe e estruturados instrumentos de avaliação contendo análise da dor, técnica de amamentação e descrição das lesões. O cuidado integrou orientações sobre pega, posicionamento e manejo clínico, associadas à aplicação de laser vermelho, predominantemente com dosimetria de 2 J/cm², em um ou dois pontos por mamilo. Realizaram-se 40 atendimentos, acompanhados até o sexto retorno.
Resultados: No primeiro atendimento, eram comuns escoriações e fissuras. Observou-se melhora progressiva da integridade mamilar, com redução das lesões e aumento de mamilos íntegros ao longo dos retornos. A técnica de amamentação evoluiu de 88,9% adequada no atendimento inicial para 100% nos retornos. As mulheres relataram alívio da dor desde as primeiras aplicações, favorecendo a continuidade do AM. A padronização do protocolo, o uso sistemático da luz vermelha e a associação entre manejo clínico e laserterapia demonstraram segurança, efetividade e aplicabilidade na Atenção Primária.
Considerações finais: A fotobiomodulação contribuiu para cicatrização acelerada, alívio da dor e fortalecimento do AM no território. Conclui-se que o LBI, aliado ao manejo clínico, constitui tecnologia acessível, segura e de baixo custo. A experiência está sendo expandida para outras unidades de saúde, fortalecendo ações de promoção, proteção e apoio ao AM.
Financiamento: Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto
#65 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
FRAGILIDADES NA IMPLEMENTAÇÃO DA AÇÃO MULHER TRABALHADORA QUE AMAMENTA: DAS NORMATIVAS À EFETIVIDADE
GIULIA SANCHEZ LEONARDO; MARIANA TARRICONE GARCIA; ROBERTA MARIA MIRANDA RIBEIRO; MARCELA MATOS DE CAMARGO; MARIA IZABEL SANCHES COSTA
Instituto de Saúde - Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (IS-SES/SP), São Paulo, SP, Brasil; Faculdade de Saúde Pública - Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil
Resumo
Introdução: O retorno ao trabalho das mulheres que amamentam é um dos determinantes para o desmame precoce e a descontinuidade da amamentação. A ação Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA), que integra a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), busca mitigar este impacto, principalmente com a implantação das Salas de Apoio à Amamentação (SAA) nos ambientes de trabalho.
Objetivo: Relacionar as fragilidades das normativas estruturantes da ação estratégica de apoio à Mulher Trabalhadora que Amamenta com o seu processo de implementação.
Metodologia: Foram utilizados métodos mistos de análise: análise documental da normativa estruturante da ação; entrevistas semiestruturadas com atores-chave das três esferas de governo, das cinco macrorregiões brasileiras envolvidas com a implementação da MTA e com tutores MTA; análise de dados secundários fornecidos pela área técnica de saúde da criança do Ministério da Saúde (CGCRIAJ). Foi utilizado o framework Modelo Integrado para análise de Implementação de Políticas de Saúde (MIPS) para analisar o documento e as entrevistas. O software MAXQDA foi utilizado para sistematização dos dados.
Resultados: A triangulação dos métodos de análise indicou que, embora a Lei nº 14.683/2023 estabeleça que a ação MTA deve ser monitorada, a normativa não detalha o fluxo de acompanhamento e a responsabilização pelo monitoramento das SAAs, favorecendo para que ele não se efetive na prática. Somam-se a isso a baixa disponibilidade de tempo das tutoras MTA devido ao acúmulo de funções e à ausência de remuneração por essa atividade. Os dados secundários corroboram com esse achado, pois, uma vez certificadas, as SAAs não são reavaliadas. Ademais, as entrevistadas apontam que as oficinas de formação de tutores MTA não têm sido ofertadas periodicamente aos estados, embora a demanda exista.
Conclusões: As lacunas no arcabouço normativo fragilizam o processo de implementação da ação estratégica MTA, mantendo um descompasso entre o monitoramento previsto e sua realização na prática. Para ampliar a efetividade da ação, são necessárias normativas mais claras e detalhadas, com definição de fluxo de acompanhamento, oferta regular de formação e condições institucionais para a tutoria, além de investimentos e indução por parte da gestão.
Financiamento: Financiamento do Departamento de Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde, do Ministério da Saúde (Decit/SECTICS/MS) e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq
#280 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
GANHO DE PESO DURANTE A AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA E USO DE CHUPETA
MARIA BIRMAN CAVALCANTI; MARCELO CASTANHEIRA FERREIRA; DIANA BARBOSA CUNHA
IMS UERJ; UNIRIO
Resumo
Apresentação: É possível que, entre bebês amamentados exclusivamente, o uso de chupeta possa levar a restrição da livre demanda e a alterações no padrão de ordenha. Esse quadro poderia causar menor ingestão de leite e menor ganho de peso durante o período de amamentação exclusiva. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, parecer 4.274.330.
Objetivos: Verificar a associação entre uso de chupeta e ganho de peso em bebês menores de seis meses amamentados exclusivamente.
Metodologia: Estudo com abordagem longitudinal retrospectiva. Mulheres altamente motivadas a amamentar foram recrutadas em grupo de apoio à amamentação e preencheram questionários com perguntas sobre: peso do bebê ao nascer e nos seis meses subsequentes, aferidos por profissionais de saúde, registrados na caderneta da criança; uso de chupeta, data da introdução e retirada; informações sobre saúde da gestante e dados sociodemográficos. Foram desenvolvidos dois modelos lineares generalizados, incluindo o z-score de peso para idade como desfecho e (1) uso de chupeta (sim ou não) e (2) tempo de uso (em semanas) como exposição, ajustados para IMC pré-gestacional, intercorrências na gestação e sexo do bebê.
Resultados: Foram analisadas as trajetórias de ganho de peso de 390 bebês amamentados exclusivamente, saudáveis, com peso ao nascer ≥2500g e ≤4500g, dos quais 27,2% usaram chupeta por algum período de tempo (min=2 máx=26 semanas). As nutrizes que ofereceram chupeta apresentaram maior IMC pré-gestacional (26,1 vs. 24,9, p=0,04) e maior prevalência de cesárea (64,1% vs. 51,4%, p=0,03). Observou-se redução no z-score de peso para idade entre os bebês que usaram chupeta quando comparados aos que não usaram (β= -0.07; p-valor= 0,0006). Ademais, o uso de chupeta por mais semanas apresentou associação inversa com o z-score de peso para idade (β= -0.005; p-valor< 0,0001).
Conclusão: O uso de chupeta foi associado a menor ganho de peso entre bebês amamentados exclusivamente. Tempo de uso de chupeta em semanas também se associou a menor ganho de peso, indicando uma possível relação dose-resposta. Ao demonstrar que o uso de chupeta pode ter impacto no ganho de peso entre bebês amamentados exclusivamente nos primeiros seis meses de vida, contribuímos para esclarecer as possíveis consequências do uso deste apetrecho.
#91 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
GOLDEN HOUR NA PERSPECTIVA DE PUÉRPERAS COM OBESIDADE
VIRGÍNIA JUNQUEIRA OLIVEIRA; POLIANE MOREIRA COSTA; ROBELIA VICENTE DE ARAÚJO; MARCIA CHRISTINA CAETANO ROMANO
UFSJ
Resumo
Introdução: A “hora dourada” refere-se ao primeiro contato pele a pele entre mãe e bebê logo após o nascimento, sendo considerada essencial para o vínculo afetivo, estabilidade neonatal e o início da amamentação. Contudo, essa prática é pouco efetivada nas maternidades. Acrescido a este fato, estudos indicam que mulheres obesas podem apresentar um atraso maior na lactogênese, sendo primordial garantir para este público a Golden hour.
Objetivo: Compreender os sentidos atribuídos ao contato entre mãe e bebê na primeira hora de vida e os desafios enfrentados para vivenciá-lo a partir da experiência de puérperas com obesidade.
Metodologia: Trata-se de um recorte de dissertação de mestrado, com abordagem qualitativa, fundamentada na Teoria Fundamentada nos Dados (TFD) e no Interacionismo Simbólico. Foram realizadas entrevistas com 32 puérperas com diagnóstico de obesidade, entre o 30º e o 60º dia pós- parto. Os dados foram analisados por meio da codificação aberta.
Resultados: Observou-se que apenas 6,6 % vivenciaram o contato pele a pele e 16,6 % amamentaram na primeira hora de vida. Os relatos revelam que o parto e nascimento são um momento carregado de emoção e significado. O choro do bebê, o toque, e o sentimento de “eu consegui” aparecem como recompensas simbólicas, amenizando experiências de dor ou desrespeito no processo de parto.A maioria das entrevistadas desconheciam o termo técnico “hora dourada”, mas compreendiam sua importância de forma empírica, reconhecendo seus benefícios. Embora muitas puérperas tenham sido separadas precocemente do seu bebê, não experienciando a amamentação na primeira hora. As narrativas sinalizam as dificuldades em verbalizar seus desejos e fazer escolhas, sentindo-se frágeis e vulneráveis e tendo seus direitos negligenciados.
Considerações finais: Mulheres com obesidade tendem a receber mais intervenções obstétricas e a apresentar atraso da apojadura podendo se beneficiar no cuidado pré-natal com práticas baseadas em evidências científicas e, principalmente, na assistência no período pós-parto imediato, através do contato pele a pele precoce e aleitamento materno ainda na primeira hora de vida do recém-nascido como estratégias importantes para minimizar os riscos para a díade mãe/bebê.
#143 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
GOVERNANÇA DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO: EXPERIÊNCIA MUNICIPAL
ALINE SHEILLA CABRAL SILVA NASCIMENTO; THAÍS MONARA BEZERRA RAMOS; ÉRIKA RODRIGUES MACIEL
smsmacaparana@gmail.com
Resumo
Objeto da experiência: Descrever a estratégia de governança da Atenção Primária à Saúde (APS) na consolidação da Política Municipal de Promoção do Aleitamento Materno, estruturada em Educação Permanente, Participação Social, monitoramento de indicadores, normatização local e incentivo por desempenho. A experiência foi desenvolvida no município de Macaparana, em cenário de fragilidade nos registros do SISVAN e descontinuidade das ações de apoio à amamentação. Evidências internacionais indicam que a ampliação do AM reduz mortalidade infantil, hospitalizações evitáveis e doenças crônicas, além de apresentar elevada custo-efetividade.
Descrição da execução: Em 2018, a prevalência de AME em menores de seis meses era de 25%, com redução para 0% em 2019 e 2020, sugerindo descontinuidade assistencial ou subnotificação. A partir de 2021, estruturou-se modelo de governança orientado pelo monitoramento sistemático da prevalência de AME e da cobertura de acompanhamento nutricional no SISVAN. Implementaram-se capacitações permanentes das equipes, reorganização do pré-natal e da puericultura com aconselhamento baseado em evidências, implantação das Bodas da Amamentação e mobilização social anual por meio dos “Mamaços”, realizados em quatro edições consecutivas. Como inovação normativa, instituiu-se 01 indicador na Lei Municipal do Incentivo por Qualidade da APS, vinculando o percentual de AME e a regularidade dos registros ao componente de produção variável rateado entre profissionais. Implantaram-se ranking municipal e o selo Equipe Amiga da Amamentação. Em dezembro de 2025, instituiu-se o Observatório Municipal do Aleitamento Materno para consolidar o monitoramento e a transparência.
Resultados: Observou-se crescimento progressivo da prevalência de AME: 37% (2021), 44% (2022), 47% (2023), 55% (2024) e 54% (2025), superando a meta de 50% da OMS. Houve qualificação dos registros e institucionalização do aleitamento como eixo estratégico da APS.
Considerações finais: A experiência evidencia que a governança da APS, baseada em monitoramento e incentivo por desempenho, produz mudanças assistenciais sustentáveis. A incorporação do AME como indicador estratégico fortaleceu a responsabilização das equipes, qualificou o cuidado materno-infantil e consolidou política custo-efetiva, contribuindo para a redução de agravos e o avanço rumo à cobertura universal em saúde.
#297 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
GRUPO DE APOIO À AMAMENTAÇÃO ONLINE: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA PARCERIA ENTRE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA E UM BANCO DE LEITE HUMANO NO SUL DO PAÍS
BETINA SOLDATELI; BRUNA DIANA GUIMARÃES; ALCIANE ANTÃO; CELINA VALDEREZ FEIJÓ KOHLER; MARIA LUISA SEIBEL GOMES
UFRGS; Ministério da Saúde; Universidade do Vale do Rio dos Sinos
Resumo
O objeto da experiência foi a criação de um grupo de apoio a amamentação online, fruto da parceria entre um projeto de extensão universitário com um Banco de Leite Humano (BLH) no sul do país. O contexto no qual ocorreu deu-se a partir da administração da página do BLH no Instagram, pelos acadêmicos de Nutrição do projeto, que elaboram posts científicos sob supervisão da equipe assistencial e da professora. O perfil institucional do BLH na rede social foi onde houve a divulgação da iniciativa e as seguidoras foram convidadas a participar. Foram oferecidos dois tipos de participação: 1- um grupo de WhatsApp, e 2- encontros mensais online abertos para apoio a amamentação, ambos coordenados pela professora e uma enfermeira do Ministério da Saúde.
Descrição da execução: os encontros online, com frequência mensal e duração de uma hora, iniciaram em maio de 2025; a plataforma utilizada foi o Google Meet. Para a divulgação, um convite era adicionado na rede social com alguns dias de antecedência. Além disso, o mesmo aviso e o link da chamada eram disponibilizados no grupo de WhatsApp. O público alvo foram gestantes, mulheres que estivessem amamentando, e usuários da rede que estivessem interessados no tema. O grupo foi desenvolvido de forma aberta, em que cada participante tinha a oportunidade de se apresentar e relatar suas experiências com a amamentação e esclarecer dúvidas relacionadas ao tema. As mediadoras do grupo faziam intervenção quando necessário.
Resultados: foram oferecidos sete encontros (mensais, de maio a novembro de 2025) com média de 5 participantes em cada encontro (mínimo 2; máximo 11), em sua maioria mulheres que estavam amamentando. O grupo de WhatsApp contou com 65 membros.
Considerações finais: a experiência foi avaliada como exitosa, e será re-oferecida em 2026. A oportunidade de esclarecimento de dúvidas relacionadas a amamentação de forma online representa um canal de fácil acesso e pode ser replicado em diferentes contextos. Contudo, destaca-se a necessidade de coordenação por profissionais com experiencia no tema, pois em muitos encontros surgiram demandas complexas, que exigiram conhecimento teórico e pratico para a orientação adequada. Além disso, para os acadêmicos que acompanham a atividade, essa é uma oportunidade de aprendizado sobre trabalho em grupo e apoio a amamentação.
#124 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
GRUPO TEMÁTICO COMIDA DE CRIANÇA: ARTICULAÇÃO E INCIDÊNCIA POLÍTICA PELA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E SAUDÁVEL NA INFÂNCIA
SILVIA CRISTINA FARIAS; IOLANDA KARLA SANTANA DOS SANTOS; MARIANA COSTA CLAUDINO; THALITA LIMA MELO; CLEIA COSTA BARBOSA; BELIZE REAL ZAMBRANO; SÂMIRA BUBLITZ; INÊS RUGANI RIBEIRO DE CASTRO
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj); Fundação Universidade Federal do ABC (UFABC) e Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP); Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN); Unopar; Prefeitura Municipal de Capão da Canoa, Rio Grande do Sul
Resumo
Objeto da experiência: Experiência do Grupo Temático Comida de Criança (GT) da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável (AAAS).
Contexto: A experiência se desenvolve no âmbito da sociedade civil organizada. A AAAS é uma coalizão de entidades e pessoas que atua com o objetivo de desenvolver e fortalecer ações coletivas que contribuam para a realização do Direito Humano à Alimentação Adequada. Suas ações buscam o avanço de políticas públicas para a garantia da Segurança Alimentar e Nutricional e da Soberania Alimentar no Brasil.
Descrição da execução: Este foi o primeiro GT da AAAS, criado em dezembro de 2018. Desde então, as integrantes atuam ativamente na agenda da alimentação infantil. É composto por nutricionistas, advogadas, professoras, mães, entre outras, apaixonadas e militantes pelo direito à alimentação saudável e adequada desde a primeira hora de vida. Nosso objetivo é mobilizar a sociedade e incidir nas políticas públicas sobre comida de criança, tema 2 da AAAS. Ao longo desses anos, as principais ações desenvolvidas incluíram: elaboração de vídeos de sensibilização e de materiais de Educação Alimentar e Nutricional, oferta de atividades de formação para profissionais de saúde, elaboração de propostas de promoção, proteção e apoio à amamentação, à alimentação adequada e saudável e à Segurança Alimentar e Nutricional nos primeiros anos de vida, dirigidas a candidatos às eleições municipais, estaduais e federais.
Resultados: A atuação do GT tem contribuído para o fortalecimento da agenda da alimentação infantil na AAAS, ampliando o diálogo intersetorial e qualificando a incidência política em espaços decisórios estratégicos. Destacam-se a elaboração de notas técnicas e manifestos, a participação em debates sobre marketing digital e ambientes alimentares e o aumento da visibilidade do tema “comida de criança” no debate público.
Considerações finais: A experiência evidencia o potencial de GT como dispositivo estratégico para articular saberes, mobilizar atores e incidir politicamente na defesa da alimentação adequada e saudável na infância. Como lições aprendidas, ressalta-se a importância da intersetorialidade, da comunicação qualificada e da sustentação de espaços coletivos contínuos para o enfrentamento de desafios estruturais do sistema alimentar.
#60 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
HÁ ASSOCIAÇÃO ENTRE A QUALIDADE DA DIETA DURANTE A GESTAÇÃO E O ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO?
LAHIS CRISTINA MORAIS DE MOURA; LÍLIAN GONÇALVES TEIXEIRA
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Universidade Federal de Lavras (UFLA)
Resumo
A nutrição materna durante a gestação é reconhecida como um fator relevante para a saúde materno infantil, podendo influenciar desfechos durante a gestação e o pós-parto. Para a avaliação global da alimentação nesse período, índices de qualidade da dieta têm sido utilizados. Embora a relação entre a qualidade da dieta materna durante a gestação e a prática do aleitamento materno exclusivo (AME) ainda seja pouco explorada, investigações nesse campo são relevantes. Assim, o presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre a qualidade da dieta durante a gestação e o aleitamento materno exclusivo. Trata-se de um estudo transversal, de caráter prospectivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Lavras (parecer nº 3.362.629), realizado nos serviços públicos e privados de saúde do município de Lavras (MG). As participantes foram recrutadas durante a gestação e acompanhadas até 3–4 meses pós-parto. Coletaram-se dados sociodemográficos, de saúde e informações sobre consumo alimentar. A qualidade da dieta foi avaliada pelo Índice de Qualidade da Dieta Adaptado para Gestantes Brasileiras (IQDAG), e o aleitamento materno exclusivo (AME) foi avaliado entre 3 e 4 meses após o parto. A comparação entre os escores do IQDAG e a ocorrência de AME foi realizada pelo teste de Mann-Whitney (SPSS 22). Foram avaliadas 110 mães, com mediana de idade de 28 anos (mín:18; máx: 42). A maioria possuía companheiro (61,8%), autodeclarava-se não branca (64,5%), apresentava 12 anos ou mais de escolaridade (70,8%) e renda familiar entre 1 e 2 salários-mínimos (50,9%). Em relação ao AME, 54,5% das mães relataram a prática. Quanto à qualidade da dieta, o escore final do IQDAG apresentou mediana de 63,52 pontos (mín:8,31; máx:87,92). Na comparação dos escores do IQDAG entre os grupos com e sem AME, observou-se que o grupo que praticou aleitamento materno exclusivo apresentou pontos médios mais elevados do escore do índice (53,3 pontos) em relação ao grupo que não praticou AME (49,3 pontos). No entanto, essa diferença não foi estatisticamente significativa (p=0,497). Não foi observada associação entre a qualidade da dieta gestacional e a prática do aleitamento materno exclusivo. Estudos futuros são necessários para aprofundar essa relação e subsidiar políticas públicas em saúde materno infantil.
#34 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
ILUSTRAÇÃO DO CONTO “A MAGIA DO LEITE MATERNO E A REVOLTA DOS BICOS E LATAS” POR ALUNOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL DE PIRACICABA/SP
MARIANA DE CAMPOS CHAVES LIEPKAN; ANA PAULA VIOTO FERRAZ; DENISE HELENA FORNAZARI; CAROLINE DÁRIO CAPITANI
Universidade Estadual de Campinas; Prefeitura Municipal de Piracicaba
Resumo
No município de Piracicaba, SP, há uma parceria entre as Secretarias Municipais de Saúde (SMS) e Educação (SME), denominada “Programa Piracicaba com Saúde” (PCS). O projeto visa a instrumentalização de professores da educação infantil da rede municipal em ações de educação alimentar e nutricional (EAN). Desde 2024, a temática do aleitamento humano foi incluída nos conteúdos ministrados. A ilustração do conto “A magia do leite materno e a revolta dos bicos e latas” foi uma atividade extra e voluntária realizada pelo PCS em 2024. A história foi criada por Ana Paula Vioto Ferraz e Denise Helena Fornazari da SMS, e seu conteúdo abordou a importância do aleitamento humano e o impacto do uso de bicos artificiais e dos produtos ditos substitutos do leite humano no desenvolvimento infantil. A ação tinha como objetivo que professores contassem a história do conto aos escolares para que estes fizessem as ilustrações, produzindo 1 livro por turma. Cada turma recebeu 2 exemplares do livro, com o texto redigido e espaços para a ilustrações (16 páginas entre capa e história). Os participantes escolheram a forma e os materiais usados para as ilustrações. Ao final obteve-se 12 livros ilustrados por escolares entre 3 e 6 anos de idade, de 8 turmas da rede municipal (sendo 7 unidades escolares participantes) e 4 turmas de 1 escola da rede privada. Os livros finalizados foram expostos durante a “8ª Semana Municipal de Aleitamento Materno de Piracicaba, SP” em agosto de 2024, em um momento para a contação da história e depoimento dos professores sobre sua percepção dos resultados da atividade. Em seguida, outubro de 2024, como encerramento do PCS, ocorreu o evento “Premiação do Programa Piracicaba com Saúde”, para homenagem, entrega de medalhas e certificados aos professores e escolares participantes. Dentre os relatos verbais das professoras no evento, destacaram-se: observação de mudança na forma de brincar com bonecas e maior interesse no livro produzido pela turma quando comparado a outras histórias comumente usadas na rotina escolar. A proposta foi a primeira atividade sobre aleitamento desenvolvida diretamente com crianças da primeira infância no ambiente escolar. Observou-se resultados interessantes o que motivou a ideia de estruturar a expansão da proposta como atividade do currículo escolar como potencial ação de EAN e apoio ao aleitamento humano.
Financiamento: Prefeitura Municipal de Piracicaba
#148 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
INOVAÇÃO NO CUIDADO NEONATAL: FOTOTERAPIA DOMICILIAR E MANEJO DA AMAMENTAÇÃO EM PREMATUROS – RELATO DE EXPERIÊNCIA
SORAIA SILVA DE SOUZA; MARLI TEREZINHA STEIN BACKES
Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC-Florianópolis-SC
Resumo
Objeto da experiência: Atuação da enfermeira obstetra e neonatologia na utilização de fototerapia domiciliar associada ao manejo clínico da amamentação em recém-nascidos prematuros.
Contexto: A experiência ocorreu na assistência hospitalar e domiciliar a puérperas e prematuros com dificuldades no estabelecimento do aleitamento materno e intercorrências como icterícia e internação em unidade neonatal. A incorporação de tecnologia assistida no domicílio qualificou o cuidado, reduziu riscos e fortaleceu o vínculo mãe-bebê.
Descrição da execução: Relato de duas experiências realizadas em 2025, em maternidade privada com alojamento conjunto, unidade neonatal e acompanhamento domiciliar, envolvendo duas puérperas e seus prematuros tardios. No primeiro caso, puérpera com trombofilia evoluiu para parto prematuro com 36 semanas, por cesariana de emergência. O recém-nascido nasceu com 2.450 kg, permaneceu cinco dias em unidade neonatal, apresentou baixa aceitação das mamadas e perda ponderal até 2.200 kg. As intervenções incluíram acompanhamento diário, ajustes de pega e posicionamento, estímulo precoce à lactação por ordenha manual e mecânica e monitoramento das mamadas, recebendo alta com 2.370 kg. No segundo caso, puérpera de 45 anos, com pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e mamoplastia redutora prévia, recebeu alta com recém-nascida de 37 semanas, ictérica, com bilirrubina total de 19,71 mg/dl e sucção ineficaz. O atendimento domiciliar ocorreu no terceiro dia de vida, identificando-se ingurgitamento mamário e baixa ingestão. Realizou-se manejo clínico das mamas, ajustes da amamentação, laserterapia e fototerapia domiciliar conforme protocolos de segurança, com monitoramento diário de sinais vitais, hidratação e aceitação das mamadas, mantendo oferta exclusiva de leite materno.
Resultados: No primeiro caso houve progressão da produção láctea e manutenção do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês. No segundo, após 48 horas de fototerapia domiciliar, observou-se redução da bilirrubina para 8,55 mg/dl, melhora clínica e manutenção do peso, sem reinternação.
Considerações finais: A integração entre tecnologia em saúde e prática especializada contribuiu para resolver intercorrências neonatais e preservar o aleitamento materno, evidenciando a relevância da atuação da enfermeira na incorporação segura de tecnologias no cuidado neonatal.
#285 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
INSTITUCIONALIZAÇÃO DO BANCO DE LEITE HUMANO COMO ESTRATÉGIA DE SUSTENTABILIDADE NA POLÍTICA PÚBLICA DE ALEITAMENTO MATERNO
LUCILA MARY HASHIMOTO; JOSE BERNARDO DENIG; CAMILLE DONABELLA MARTINS
Hospital Novo Atibaia - Rede Dor; Camara Municipal de Atibaia
Resumo
Objeto: Garantir a permanência do Banco de Leite Humano de Atibaia com sustentabilidade institucional
Contexto: A implementação de um Banco de Leite Humano (BLH) exige infraestrutura física específica, equipe capacitada e recursos permanentes para seu funcionamento, seguindo normas regulamentares estabelecidas pelo Ministério da Saúde. O processo de criação do BLH de Atibaia teve início por iniciativa individual de uma pediatra, que realizou investimento próprio na reforma de um imóvel para adequação do espaço conforme normas nacionais para implantação de bancos de leite humano. Com apoio do Rotary Club Atibaia Pedra Grande e de clubes parceiros, foram obtidos recursos para aquisição dos equipamentos necessários à sala de pasteurização. A articulação com a Primeira Dama do município, também pediatra, viabilizou a parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, consolidando a formalização do serviço.
Estratégia de execução: Reconhecida a utilidade pública do serviço, iniciou-se o processo para elaboração de um Ante Projeto de Lei municipal que garantisse ao BLH a sustentabilidade jurídica e financeira. O texto da proposta foi redigido pelo vereador Dr. José Bernardo Denig, em parceria com a pediatra idealizadora do BLH, e enviado ao executivo de Atibaia, que após avaliação e complementações realizadas pelo promotor da Secretaria de Assuntos Jurídicos da Prefeitura de Atibaia, encaminhou o projeto à Câmara Municipal.
Resultado: Na Câmara Municipal de Atibaia, passou pela avaliação das Comissões de Finanças e de Constituição e Justiça, que aprovaram parecer conjunto em 30/10/25. A votação ocorreu em 18/11/25, sendo aprovado de forma unânime, como Projeto de Lei n. 5104 de 26/11/2025
Considerações finais: A aprovação da lei representa passo fundamental para assegurar a permanência e sustentabilidade do Banco de Leite Humano de Atibaia. Ao institucionalizar o serviço como parte da política pública, a medida se torna estratégica na consolidação que assegura continuidade a um equipamento público essencial, podendo servir como modelo replicável para outros municípios.
#62 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
INTERRUPÇÃO PRECOCE DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO EM UMA UNIDADE DE ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
VIVIANE LAUDELINO VIEIRA; EMILY ANTUNES DOMINGUES; SONIA VOLPI GUIMARÃES BROLIO
Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza (FSP-USP); Faculdade de Saúde Pública da USP
Resumo
Introdução: Apesar da recomendação do aleitamento materno exclusivo (AME) até os seis meses de vida, 54,2% das crianças interrompem essa prática precocemente.
Objetivo: Identificar os motivos que levaram à interrupção precoce do AME em uma unidade de atenção primária à saúde (APS) do município de São Paulo.
Metodologia: Estudo qualitativo, exploratório, com componentes descritivos e analíticos, realizado de maio a junho de 2024 no Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza (FSP-USP). Inicialmente, foi realizado o mapeamento das crianças com até 12 meses a partir do banco de dados do serviço. Por busca ativa, identificaram-se aquelas que haviam iniciado o AME, mas o interromperam antes dos seis meses. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas gravadas em áudio, compostas por questionário sociodemográfico e roteiro semiestruturado. A análise dos dados seguiu a técnica de Análise de Conteúdo.
Resultados: Identificaram-se 28 crianças. Destas, 11 não tinham interrompido o AME no primeiro semestre de vida. Das 17 restantes, nove não frequentavam mais o serviço ou as mães não responderam aos contatos. Foram, então, entrevistadas oito mães, sendo a maioria com, pelo menos, o ensino médio completo e casada ou em união estável. A idade dos bebês variou de 4 a 12 meses e metade era do sexo feminino. Existem razões explicitadas pelas mulheres como motivos para a interrupção do AME, mas, também emergiram outros potenciais motivos que estavam implícitos nos depoimentos. As principais razões identificadas foram: (1) o retorno ao trabalho e a falta de estrutura e apoio no local, (2) o uso de práticas não recomendadas, como bicos artificiais, (3) a dificuldade inicial com as técnicas da amamentação, (4) mitos e crenças da mãe sobre a amamentação e o leite materno, (5) a preocupação da mãe quanto à saúde e desenvolvimento do bebê, (6) a falta de acolhimento e escuta qualificada dos profissionais de saúde e (7) condições de saúde materna.
Conclusão: Os resultados apontam motivos de interrupção do AME potencialmente evitáveis. A APS apresenta-se como espaço estratégico para intervenções desde o pré-natal, embora o ambiente de trabalho permaneça como importante desafio para a manutenção do AME.
#165 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
INTRODUÇÃO DA ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR SAUDÁVEL EM CRIANÇAS ENTRE 6 E 8 MESES: ANÁLISE A PARTIR DOS DADOS DO SISVAN (2015-2024)
CAMILA GONÇALVES OLIVEIRA CHAGAS; RENATHA CELIANA DA SILVA BRITO LORENZO; LUCIA HELENA ALMEIDA GRATÃO; MARIA CRISTINA LIMA FONTENELE PRESTA; GISELE BRAGA DE ALMEIDA PIRES; LISSANDRA AMORIM SANTOS DEGNER; CARLA RENATA DOS SANTOS MARQUES; KELLY POLIANY DE SOUZA ALVES
Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição, Departamento de Promoção da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Ministério da Saúde (CGAN/DEPROS/SAPS/MS)
Resumo
Introdução: A introdução da alimentação complementar saudável (IACS) oportunamente é determinante para o crescimento, o desenvolvimento e a consolidação de padrões alimentares saudáveis. A oferta adequada, variada e segura de alimentos, com continuidade da amamentação até 2 anos ou mais, reduz o risco das múltiplas formas de má nutrição, infecções, desfechos crônicos, entre outros. No Brasil, o acompanhamento dessa prática integra as ações de Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN) da Atenção Primária à Saúde (APS).
Objetivo: Descrever a tendência nacional da IACS em crianças de 6 a 8 meses, no período de 2015 a 2024, a partir de dados do Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).
Métodos: Estudo ecológico de série temporal com análise descritiva. Os dados foram coletados a partir da aplicação da ficha de marcadores de consumo alimentar por profissionais da APS junto aos responsáveis de crianças entre 6 e 8 meses, considerando o número das que receberam alimentos na frequência recomendada para a idade no dia anterior à avaliação. Em 2015 e 2024, foram incluídos 9.903 e 113.439 registros de crianças, respectivamente, com informações válidas de consumo alimentar. Por utilizar dados agregados e públicos, o estudo dispensa apreciação por comitê de ética em pesquisa.
Resultados: Observa-se trajetória ascendente das frequências de IAC de 6 a 8 meses ao longo da década, passando de 28% em 2015 para 33% em 2024, um aumento relativo de 17,9%, que pode estar relacionado à maior presença das ações de alimentação e nutrição no cuidado à primeira infância, com a inserção dos marcadores de consumo alimentar no PEC E-SUS, permitindo registros durante consultas de puericultura. Além disso, o Ministério da Saúde tem investido em atualizações da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB) visando melhorias neste indicador.
Conclusão: O monitoramento da IACS oportunamente ainda é um desafio no Brasil. O crescimento do acompanhamento na APS do consumo alimentar evidencia o registro sistemático dos marcadores de consumo alimentar na APS. Essa prática qualifica a capacidade dos serviços de identificar necessidades, organizar intervenções e subsidiar o planejamento local em alimentação e nutrição.
#180 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
MÁ NUTRIÇÃO EM CRIANÇAS MENORES DE 2 ANOS ACOMPANHADAS NA APS: DADOS DO SISVAN 2021-2024
MARIA CRISTINA LIMA FONTENELE PRESTA; RENATHA CELIANA DA SILVA BRITO LORENZO; CARLA RENATA DOS SANTOS MARQUES; GISELE BRAGA DE ALMEIDA PIRES; LISSANDRA AMORIM SANTOS DEGNER; LUCIA HELENA ALMEIDA GRATÃO; CAMILA GONÇALVES OLIVEIRA CHAGAS; KELLY POLIANY DE SOUZA ALVES
Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição, Departamento de Promoção da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Ministério da Saúde (CGAN/DEPROS/SAPS/MS)
Resumo
Introdução: A má nutrição na infância representa importante desafio para a saúde pública, com impactos no crescimento, no desenvolvimento e na saúde ao longo da vida. O acompanhamento do estado nutricional de crianças menores de dois anos é atribuição central da Atenção Primária à Saúde (APS). Nesse contexto, a Vigilância Alimentar e Nutricional, por meio do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), possibilita identificar situações de risco e orientar ações de cuidado e promoção da saúde no SUS.
Objetivo: Descrever a evolução da frequência de má nutrição em crianças menores de dois anos acompanhadas na APS, no período de 2021 a 2024, a partir de dados do SISVAN.
Metodologia: Estudo ecológico de série temporal, com análise descritiva de dados secundários. Foram incluídos os registros com avaliação antropométrica válida de peso e estatura na APS, utilizados para classificação do estado nutricional segundo o indicador de índice de massa corporal para idade (IMC/I), conforme curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde. Para fins analíticos, adotou-se o desfecho má nutrição, definido como a soma das seguintes categorias: magreza acentuada, magreza, sobrepeso e obesidade. Por utilizar dados agregados e públicos, o estudo dispensa apreciação por comitê de ética.
Resultados: No período analisado, observou-se aumento no número absoluto de registros de crianças com má nutrição acompanhadas na APS, passando de 409.456 em 2021 para 637.850 em 2024. Em relação à frequência, verificou-se discreta redução ao longo da série histórica, de 20,2% em 2021 para 19,3% em 2024, com queda gradual entre os anos analisados. Esses achados indicam maior alcance do acompanhamento nutricional na APS, com relativa estabilidade da frequência de má nutrição entre as crianças.
Conclusão: Nos achados a má nutrição permaneceu frequente entre crianças menores de dois anos avaliadas na APS, com redução proporcional ao longo do período avaliado. A ampliação dos registros reflete o fortalecimento das ações de monitoramento nutricional nos territórios e reforça a importância do SISVAN como instrumento de visibilidade das diferentes expressões da má nutrição na infância. O uso sistemático dessas informações pelas equipes da APS contribui para orientar o cuidado, subsidiar intervenções oportunas e qualificar as ações de promoção, prevenção e atenção integral à saúde das crianças.
#277 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
MANEJO DE DIFICULDADES SEVERAS NA AMAMENTAÇÃO EM CONSULTÓRIO PEDIÁTRICO ESPECIALIZADO EM MANEJO DO ALEITAMENTO MATERNO
SÔNIA MARIA SALVIANO MATOS DE ALENCAR
IBFAN
Resumo
Introdução: A amamentação exclusiva até os seis meses e complementada até dois anos ou mais é recomendada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde. A cada ano essa recomendação é fortalecida e apesar disso bebês amamentados podem apresentar perda ou ganho ponderal insuficiente, especialmente nos primeiros 6 meses, o que exige avaliação especializada para evitar introdução desnecessária de fórmulas e o desmame precoce.
Objetivos: Descrever a metodologia assistencial e os resultados clínicos do trabalho da Dra. Sônia Salviano, pediatra com mais de 40 anos de experiência, em consultório especializado no atendimento de mães e bebês com dificuldades importantes de amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida.
Metodologia: Relato de experiência com análise retrospectiva de prontuários de bebês atendidos em consultório privado, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2025. Critérios de inclusão: idade ≤6 e perda de peso ou ganho ponderal inferior ao esperado filhos de mães decididas a amamentar. A abordagem sistematizada incluiu: (1) anamnese ampliada (história gestacional, perinatal e padrão de mamadas); (2) avaliação antropométrica seriada; (3) observação direta e detalhada da mamada; (4) avaliação funcional oral; (5) intervenção imediata com correção de pega e posicionamento, manejo da dor materna, estratégias de aumento da produção láctea e plano individualizado; (6) seguimento semanal até recuperação do ganho adequado. Foram analisados: tempo para recuperação ponderal, necessidade de complementação e manutenção do aleitamento exclusivo. Metodologia de assistência e os resultados clínicos do trabalho da Dra. Sônia Salviano, pediatra com mais de 40 anos de experiência, em consultório especializado no atendimento de mães e bebês com dificuldades importantes de amamentação.
Resultados: A maioria dos casos relacionou-se à transferência ineficaz de leite por alterações de pega e sucção, mesmo em mães altamente motivadas. O acompanhamento próximo, com suporte técnico e emocional, mostrou-se determinante para reversão do baixo ganho ponderal, com manutenção do aleitamento exclusivo na maior parte dos lactentes e redução da indicação de fórmulas.
#42 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
MANUTENÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO APÓS A LICENÇA MATERNIDADE: SUPERANDO DESAFIOS NO AMBIENTE CORPORATIVO
VERÔNICA CRISTINA DE OLIVEIRA DOS SANTOS; ALINE DE SOUSA BRANDÃO DOS SANTOS; FERNANDA DO ROSÁRIO PEREIRA; TALITA AGUIAR SHORT DE LIMA; VANESA BATISTA LIMA
CEDAE - GOVRJ
Resumo
Atualmente o debate sobre equidade de gênero deixou de ser apenas uma pauta normativa e passou a integrar as estratégias de gestão de pessoas e transformação social de empresas. Nesse contexto, o Programa Cedae Por Elas, da Companhia de Águas e Esgoto do Estado do Rio de Janeiro (CEDAE), emerge como uma política estruturante voltada à reorganização do trabalho, à redistribuição do cuidado e ao enfrentamento do desafio de conciliar maternidade e trabalho.
O programa atua no enfrentamento à violência e ao sofrimento psicossocial associado a sobrecarga de cuidado atribuída às mulheres. Seu objetivo central é promover a equidade de gênero, por meio de ações de prevenção da violência, promoção da saúde e do bem-estar, apoio à maternidade e ao aleitamento, além do estímulo à progressão de carreira e ao empoderamento feminino.
No contexto brasileiro, em que o retorno ao trabalho figura entre os principais fatores de interrupção precoce do aleitamento materno, o programa desenvolveu uma linha de cuidado específica voltada ao suporte à maternidade. Essa atuação ocorre de forma contínua antes, durante e após a licença, com a oferta de espaços adequados para extração e armazenamento do leite e orientações sobre a importância do aleitamento para a saúde materno-infantil.
Lançado em 2023, o programa conta com quatro Centros de Atendimento à Mulher com sala de amamentação, todas certificadas pelo Ministério da Saúde, conforme critérios da Anvisa/MS. No pós-parto imediato, as nutrizes recebem acompanhamento por meio de visitas hospitalares e domiciliares, visando garantir o início adequado do aleitamento. Após o retorno ao trabalho, o acompanhamento ocorre nas salas de amamentação, onde é realizada a extração e o armazenamento do leite, destinado aos filhos ou à doação.
Ao longo de 30 meses, o Cedae Por Elas promoveu atividades coletivas com gestantes e nutrizes trabalhadoras da CEDAE e residentes em territórios vulneráveis próximos às áreas operacionais da companhia. Foram realizados 1.598 atendimentos individuais, com alcance de mais de 90 gestantes/nutrizes, além de 86 visitas domiciliares e hospitalares, com orientações sobre cuidados pré-natais, técnicas de amamentação, cuidados com o bebê e incentivo à doação de leite. Até a submissão desse trabalho, foram extraídos nas salas 212L e destes foram doados 99L de leite humano a maternidades públicas do Rio de Janeiro.
#253 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
MONITORAMENTO DA NBCAL: AVANÇO PREOCUPANTE DO MARKETING DIGITAL DE PRODUTOS QUE INTERFEREM NA AMAMENTAÇÃO
CAMILA DA SILVA PEREIRA; MARINA FERREIRA REA; CINTIA ERBERT
IBFAN BRASIL
Resumo
Objeto da experiência: A IBFAN Brasil realiza anualmente o monitoramento da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de primeira infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL). Este relato sintetiza a experiência entre 2022 e 2025, com foco na identificação e análise das estratégias de marketing digital de produtos cobertos pela Lei 11265/2006. O objetivo é compreender a evolução dessas práticas promocionais que interferem no aleitamento materno.
Contexto da experiência
Observa-se intensa migração das ações de marketing para o ambiente digital, ampliando a presença das indústrias de alimentos infantis e produtos de puericultura em redes sociais, comércio online e conteúdos patrocinados, práticas promocionais que devem preocupar autoridades de saúde.
Descrição da execução: O monitoramento da NBCAL tem sido realizado anualmente, envolvendo equipes da IBFAN Brasil e parceiros locais. Em 2025, 14 estados participaram da coleta propositiva de violações, incluindo observação estruturada, registro documental, classificação das infrações segundo a NBCAL e análise longitudinal das tendências ao longo de 6 anos.
Resultados: Em 2025, foram confirmadas 156 violações da NBCAL. Os dados revelaram mudança expressiva no padrão das infrações: aquelas em lojas físicas caíram de 63,2% em 2022 para 28,2% em 2025, enquanto as infrações em redes sociais aumentaram de 5% para 30,1%, igualando pela primeira vez o percentual observado em sites de vendas. A análise de 2020 a 2025 evidencia crescente sofisticação das estratégias digitais, como uso de influenciadores, promoção cruzada, segmentação algorítmica e conteúdos educativos patrocinados que funcionam como promoção disfarçada. Esses achados dialogam com a Resolução WHA78.18 da OMS aprovada em 2025, que convoca os países a regulamentar o marketing digital de produtos que interferem na amamentação.
Considerações finais: O ambiente digital se tornou o principal espaço de promoção comercial no Brasil, exigindo respostas regulatórias urgentes. Destacamos a necessidade de atualizar a NBCAL para contemplar práticas digitais e a fiscalização por parte da ANVISA e das Vigilâncias Sanitárias. A proteção do aleitamento materno depende de mecanismos capazes de acompanhar a velocidade e a complexidade das estratégias de marketing, reafirmando o papel estratégico da sociedade civil no monitoramento contínuo.
#237 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
MONITORAMENTO DAS PRÁTICAS DA INICIATIVA HOSPITAL AMIGO DA CRIANÇA NO IFF/FIOCRUZ: RELATO DE EXPERIÊNCIA
XAVIER, ROZANIA BICEGO; SAVOLDI, NINA AURORA MELLO; PEREIRA, ROSANE SIQUEIRA VASCONCELLOS; ALMEIDA, MARIANGELA BARTHA DE MATTOS; COSTA, ROSELI DE SOUZA SANTOS DA; ARAÚJO, MARCELLE CAMPOS; MOREIRA, AUGUSTA MARIA DE ASSUMPÇÃO; MATHIAS, LUCIANA FILLIES BUENO
Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da criança e do adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz); Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da criança e do adolescente (IFF/Fiocruz); Área Técnica de Saúde da Criança da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (SES/RJ)
Resumo
O presente trabalho descreve a experiência de monitoramento das práticas relacionadas à Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), referência nacional em assistência, ensino e pesquisa na área da saúde materno-infantil. O relato tem como objetivo apresentar a importância do acompanhamento sistemático das práticas institucionais voltadas à promoção, proteção e apoio ao aleitamento humano. A experiência evidenciou que o monitoramento contínuo das rotinas assistenciais, aliado à capacitação das equipes multiprofissionais, contribui para o fortalecimento das ações de incentivo à amamentação e para a melhoria da qualidade do cuidado oferecido às mulheres e aos recém-nascidos. Durante o processo, foram realizadas avaliações periódicas das práticas hospitalares, observação das rotinas de atendimento, além da análise do cumprimento dos Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno. Os resultados observados indicam que o monitoramento institucional favorece a identificação de fragilidades, possibilitando intervenções educativas e organizacionais que qualificam a assistência. Conclui-se que a experiência do IFF/Fiocruz demonstra que o acompanhamento sistemático das práticas relacionadas à IHAC, através do monitoramento proposto pelo Ministério da Saúde, constitui uma ferramenta essencial para garantir a efetividade das políticas de promoção, proteção e apoio do aleitamento humano e para fortalecer a atenção integral à saúde da mulher e da criança.
#12 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
MONITORAMENTO DO USO DE FÓRMULAS A PARTIR DA ANÁLISE DE FORMULÁRIO DE JUSTIFICATIVA E OUTRAS VARIÁVEIS DO BINÔMIO ATENDIDO EM UMA MATERNIDADE DO SUL DO BRASIL
ISABEL CRISTINA ALVES MALISKA; MÁRCIA GUIMARÃES ALCANTARA; BRUNA CLAUDIA ROSA; LETICIA COSTA RIBEIRO
HU-UFSC; UFSC
Resumo
Trata-se de um relato de experiência que versa sobre a elaboração de um documento com justificativa para o uso de fórmulas durante a internação na Unidade de Alojamento conjunto, bem como seu monitoramento através do estabelecimento de variáveis relativas ao binômio, a fim de concluir se as justificativas apresentadas estão de acordo com as razões clínicas aceitáveis, conforme documento da Organização Mundial da Saúde (2009). O contexto da experiência foi uma maternidade de um hospital escola do sul do Brasil, que tem o título de Hospital Amigo da Criança desde 1997. Na maternidade citada, a equipe interdisciplinar do alojamento conjunto elaborou um formulário de justificativa para uso de fórmula que passou a ser anexado ao prontuário, pelo médico prescritor. Como forma de analisar seu preenchimento e os motivos apresentados, foi realizado um período de monitoramento dos prontuários do binômio internado no Alojamento Conjunto em 2024 e 2025. O período de análise foram de 52 dias consecutivos em 2024 e 57 dias consecutivos em 2025, sendo avaliados 118 e 210 binômios, respectivamente. Além do documento de justificativa, foram coletados no prontuário variáveis da puérpera, como idade, paridade, tipo de parto, presença de morbidades, intercorrências no parto e pós-parto, bem como a amamentação. Em relação ao recém-nascido foram coletados dados como idade gestacional, peso ao nascer, apgar, características da mamada, e no caso de introdução de fórmula, presença do documento de justificativa, horas de vida no momento da intervenção, percentual de perda de peso, sinais clínicos apresentados. A partir da análise dos dados coletados, foi possível traçar um perfil das puérperas e dos recém-nascidos, identificando intervenções adequadas e precoces. Na análise de 2025, foi possível perceber maior adesão ao uso do documento de justificativas, diminuição da prescrição de fórmula antes das 36 horas de vida e aumento da taxa de aleitamento materno exclusivo. O uso do documento de justificativa associado à análise das variáveis possibilitou identificar os pontos de maior fragilidade e insegurança da equipe interdisciplinar no que diz respeito a prescrição de fórmula, permitindo o constante alinhamento das condutas e reavaliação das ações adotadas pela periodicidade de análise, visando a melhoria constante dos indicadores de aleitamento materno.
#211 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
NUTRIR COM RAÍZES: AMAMENTAÇÃO, INTRODUÇÃO ALIMENTAR SAUDÁVEL E CUIDADO INTEGRAL EM UMA COMUNIDADE INDÍGENA NO MUNICÍPIO DE ANGRA DOS REIS
1. REGINA CÉLI BRITO DE OLIVEIRA, OLIVEIRA, R.C.B., SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE ANGRA DOS REIS 2. CARLA FREITAS MAIO, MAIO, C.M., SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE ANGRA DOS REIS 3. MARIA DA CONCEIÇÃO MONTEIRO SALOMÃO, SALOMÃO, M.C.M., SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO 4. MARIA ROBERTA MATIAS DE MEDEIROS, MEDEIROS, M.R.M., SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE ANGRA DOS REIS 5. ADRIELLE MAYARA LEITE DOS SANTOS, SANTOS, A.M.L., SECRETARIA DE SAÚDE INDÍGENA 6. KELLY PEREIRA PINHEIRO FERREIRA, FERREIRA, K.P.P., SECRETARIA MUNICIPAL DE ANGRA DOS REIS 7. REJANE MARIA FRANÇA DE MORAIS, MORAIS, R.M.F., SECRETARIA DE SAÚDE INDÍGENA 8. MARIA DE BETANIA GARCIA CHAVES, CHAVES, M.B.G., SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO
Prefeitura Municipal de Angra dos Reis
Resumo
Objeto: Valorizar os saberes do povo Guarani em relação à amamentação, identificar as dificuldades da introdução alimentar, respeitando as questões culturais, e orientar sobre a importância do consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, informando sobre os prejuízos dos hábitos alimentares adquiridos com a aculturação (consumo de refrigerantes, doces, balas e outros ultraprocessados) para a comunidade.
Contexto: As dificuldades encontradas pelas mulheres indígenas durante o aleitamento são semelhantes às de outras raças e necessitam de orientação desde o pré-natal. Para os Guaranis não existe idade para interromper o aleitamento e a introdução alimentar é postergada por questões culturais, assim como a oferta de alguns alimentos. A implantação da estratégia IUBAAM em Angra dos Reis iniciou em 2023 e resultou na capacitação dos profissionais da APS, no retorno de rodas de conversa e grupos de gestantes e na sensibilização das equipes nas ações de apoio, promoção e proteção ao aleitamento materno. Os desafios na implantação de unidades IUBAAM foram a rotatividade de RH, questões geográficas, diversidade de etnias, culturas, tradições e modos de vida. A partir da avaliação desse processo reconheceu-se a necessidade de uma ação específica na Aldeia Sapukai.
Descrição e local: Em 2024, 13 colaboradores da ESF Sapukai foram capacitados e iniciaram-se as rodas de conversa mensais com gestantes, lactantes, parteiras e toda a comunidade Guarani. A troca de saberes fortaleceu a compreensão sobre os hábitos alimentares do povo Guarani e criou um ambiente favorável para informação sobre os danos do consumo de alimentos ultraprocessados para as crianças e para todos, e reforçou-se a necessidade da introdução alimentar a partir de 6 meses com alimentos disponíveis na comunidade.
Resultados: Avaliação da ESF Sapukai pela equipe de Aleitamento da SES/RJ 1 ano após o início das atividades para obtenção do título de unidade IUBAAM e certificação em 2025, conquista que foi celebrada pela comunidade com grande entusiasmo.
Considerações finais: A certificação da ESF Sapukai foi um reconhecimento aos povos originários por seus saberes sobre o aleitamento humano e uma oportunidade de orientação sobre a introdução alimentar saudável e em tempo oportuno, que pode continuar sendo desenvolvida com oficinas culinárias para valorizar o consumo de alimentos in natura.
#258 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
O FIO CONDUTOR DA PRIMEIRA TEMPORADA DO VIDEOCAST “DELEITANDO: A CIÊNCIA DA AMAMENTAÇÃO”
MÁRCIA ROCHA DA SILVA ALVES; ROSANE VALÉRIA VIANA FONSECA RITO; ANA PAULA FREIRE NASCIMENTO LYRA; BEATRIZ MOTA OLIVEIRA; BEATRIZ GRAZIELE THOMAZ ALVES DA COSTA; IAGO REZENDE SILVA; JORGINETE DE JESUS DAMIÃO; PATRÍCIA LIMA PEREIRA PERES
Universidade Federal Fluminense; Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Resumo
Objeto: Videocast Deleitando: a Ciência da Amamentação-Temporada I.
Contexto: O Deleitando deriva do Grupo Mulheres Apoiando Mulheres na Amamentação (Grupo MAMA). pela necessidade de ampliação da divulgação científica nas plataformas digitais sobre amamentação e alimentação infantil.
Descrição da execução: a Temporada I do Deleitando foi realizada em 2025, a partir da parceria com o projeto “Telas: Núcleo de Produção e Estudo do Audiovisual”. A equipe de execução foi formada por profissionais e graduandos da Saúde e da Comunicação Social-UFF. O fio condutor da Temporada I foi estabelecido pela intenção de registrar a trajetória bem-sucedida do Brasil como referência mundial na amamentação e alimentação complementar saudável.
Resultados: Foram publicados 10 episódios no YouTube e Spotify, a saber: “Da crise à oportunidade”, conta a história do Grupo MAMA e a inspiração para criação do Deleitando; “Semana Mundial da Amamentação: Por quê?” Elsa Giugliani resgata essa ação coordenada; “A Engrenagem da Amamentação no Brasil”, Renara Guedes, do Ministério da Saúde, apresenta a gestão e a articulação política das ações dessas temáticas; “O Rio de Janeiro em Cena”, Conceição Salomão e Gisele Barbosa relembram a história de mais de 30 anos do Grupo Técnico Interinstitucional de Aleitamento Materno; “Banco de Leite Humano: do Brasil para o Mundo”, Danielle Silva, coordenadora da rBLH fala sobre os princípios e estratégias de criação da Rede Global BLH; “A Ciência do Leite Humano”, Franz Novak, apresenta de forma fascinante os atributos de qualidade do LH; “IBFAN: um Exemplo de Luta”, Marina Rea encanta apresentando os bastidores da proteção da amamentação; “NBCAL: Você Também é Responsável!”, Maria Inês Couto de Oliveira, outro ícone brasileiro, resgata detalhes da Lei 11265, de 2006; “Inteligência Artificial: Prós e Contras para Quem Amamenta”, é uma reflexão instigante trazida pelo pesquisador Cristiano Boccolini, e “Dez Anos da PNAISC: Direito à Vida, à Saúde e à Prioridade Absoluta da Criança” tem a participação mais que especial de Sonia Venâncio, Coordenadora-Geral de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens.
Considerações finais: o “Deleitando” é uma iniciativa de vanguarda que articula divulgação científica, produção audiovisual e ações de comunicação digital para a promoção da amamentação e da alimentação complementar saudável.
#163 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
O PAPEL DA FISIOTERAPIA E DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL NA APLICAÇÃO DO MÉTODO CANGURU EM RECÉM-NASCIDOS CRÍTICOS: IMPACTO NA AMAMENTAÇÃO E PARÂMETROS CLÍNICOS
CÍCERI THOMAS AURELIANO DE MEDEIROS; LUCINÉIA OLIVEIRA DE SOUZA SILVA
Hospital São Lucas
Resumo
Introdução: O Método Canguru é uma estratégia de cuidado humanizado baseada no contato pele a pele entre o recém-nascido e seus pais, amplamente utilizada em unidades neonatais, especialmente em prematuros e bebês de baixo peso. Essa abordagem tem sido associada à melhora da estabilidade fisiológica, redução de morbidades neonatais e aumento das taxas de aleitamento materno. Em recém-nascidos críticos, sua aplicação exige acompanhamento sistemático da equipe multiprofissional, destacando-se a fisioterapia neonatal na manutenção da estabilidade respiratória, no posicionamento terapêutico e no suporte ao processo de alimentação.
Objetivos: Analisar, por meio de revisão integrativa da literatura, o papel da fisioterapia e da equipe multiprofissional na aplicação do Método Canguru em recém-nascidos críticos, bem como seus impactos sobre a amamentação e parâmetros clínicos.
Metodologia: Trata-se de revisão integrativa realizada nas bases SciELO, LILACS e PubMed. Utilizaram-se descritores relacionados ao Método Canguru, aleitamento materno, fisioterapia neonatal e recém-nascido prematuro, combinados por operadores booleanos. Incluíram-se estudos publicados nos últimos dez anos, disponíveis na íntegra, em português, inglês ou espanhol, que abordassem desfechos clínicos, respiratórios ou relacionados à amamentação em recém-nascidos hospitalizados. A análise dos dados foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, com síntese dos principais achados.
Resultados: Os estudos analisados evidenciaram que o Método Canguru está associado à melhora da estabilidade cardiorrespiratória, ao controle térmico, à redução de episódios de apneia e ao aumento das taxas de aleitamento materno exclusivo. Observou-se que a atuação da equipe multiprofissional favorece a adesão ao método, a segurança assistencial e a continuidade do cuidado. A fisioterapia destacou-se na otimização da mecânica respiratória, no posicionamento terapêutico e no preparo funcional para a sucção, contribuindo para a evolução clínica e para a possível redução do tempo de internação.
Conclusões: O Método Canguru apresenta impacto positivo na amamentação e em parâmetros clínicos de recém-nascidos críticos, sendo a atuação integrada da equipe multiprofissional fundamental para sua efetividade. A fisioterapia configura-se como componente relevante na estabilização fisiológica e na evolução clínica desses pacientes.
Financiamento: Fundação Luverdense de Saúde e Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde
#10 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
OFICINA “DO LEITE AO PRATINHO”: EXPERIÊNCIA INTRASETORIAL EM INTRODUÇÃO ALIMENTAR COM MÃES DE BEBÊS
CAROLINY ZAMPIRIS DE LIMA ARAÚJO; CHRISTIANE ZANOL DE ARAÚJO; ELYSE RAVANI DE OLIVEIRA
Prefeitura Municipal de Muqui
Resumo
A introdução alimentar é um momento marcante no desenvolvimento do bebê e costuma gerar muitas dúvidas nas famílias, especialmente em relação à quando iniciar, aos alimentos ofertados e às quantidades. Diante disso, foi criada a 1ª Oficina de Introdução Alimentar “Do Leite ao Pratinho”, com o objetivo de promover orientação e troca de experiências sobre a introdução alimentar, a partir de uma abordagem intrasetorial entre Fonoaudiologia e Nutrição, com ênfase na importância do aleitamento materno.
A oficina foi realizada no dia 16/10/25, na Secretaria Municipal de Saúde de Muqui, com a participação de sete mães acompanhadas de seus bebês. A inscrição foi através de formulário online, para mães de bebês com idade entre quatro e seis meses. O ambiente foi organizado de forma acolhedora, com ornamentação temática, café compartilhado e espaço específico para os bebês, possibilitando maior tranquilidade e aproveitamento das mães durante as atividades.
A condução da oficina envolveu exposições dialogadas e estratégias participativas entre a Nutrição, Fonoaudiologia e mães. A Fonoaudióloga abordou os sinais de prontidão para a introdução alimentar, aspectos do desenvolvimento global do bebê e a importância do aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida, com continuidade até pelo menos dois anos ou mais. As Nutricionistas apresentaram a classificação dos alimentos, informações nutricionais e os 12 passos, com base no Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, interagindo com as atividades práticas. As mães registraram, em um quadro, suas expectativas em relação ao momento. Após, as mesmas foram divididas em dois grupos para elaboração de cardápios, com situações fictícias: crianças de nove meses que não mamam peito e crianças de um ano que mamam peito. Também realizaram, de forma autônoma, a montagem do pratinho utilizando alimentos cozidos disponibilizados, refletindo sobre escolhas alimentares e quantidades adequadas para o início da introdução alimentar.
Observou-se envolvimento ativo e troca significativa de experiências, além de feedbacks registrados em avaliação pós-oficina por formulário eletrônico, onde 100% das mães classificaram como excelentes todas as atividades contempladas. A experiência reforça a importância de ações intrasetoriais com a parceria da gestão municipal, para a promoção do aleitamento materno e da alimentação complementar saudável, fortalecendo o protagonismo das famílias no cuidado infantil.
#234 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
PARÓDIA MUSICAL COMO ESTRATÉGIA DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
ALECSANDRA FERNANDES DA SILVA; CARLOS EDUARDO DOS SANTOS NASCIMENTO; ELLEN SABINO DE OLIVEIRA; RENATA MIDOGUTI JOIA
Enfermeira na Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande - MS; Residente em Saúde Mental na Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande - MS; Nutricionista na Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande - MS
Resumo
A promoção do aleitamento materno constitui estratégia prioritária de saúde pública para a redução da morbimortalidade infantil e fortalecimento do vínculo materno-infantil. Nesse contexto, ações educativas desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde (APS) são fundamentais para apoiar gestantes e puérperas durante o ciclo gravídico-puerperal. Este relato de experiência descreve a utilização de paródia musical como estratégia educativa para o fortalecimento do aleitamento materno em grupos de gestantes no município de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
A experiência ocorreu em encontros de grupos de gestantes em Unidades de Saúde da Família da rede municipal de APS. A atividade foi realizada inicialmente em 2023, durante reunião de grupo em uma unidade de saúde, e replicada em 2025 em outra unidade do município, envolvendo gestantes acompanhadas pelas equipes de saúde e profissionais responsáveis pelas atividades educativas.
A estratégia consistiu na apresentação de uma paródia musical abordando aspectos essenciais do manejo da amamentação. Durante a atividade, a letra da música foi distribuída às participantes, estimulando leitura compartilhada, participação ativa e interação entre usuárias e profissionais. A composição retrata situações vivenciadas por puérperas, como dificuldades na amamentação e a busca por apoio profissional, expressas nos versos: “Me desculpa vir aqui desse jeito, o meu filho machucou o meu peito tenho dificuldade em dar de mamar...”, simbolizando o pedido de ajuda ao profissional de saúde. Em contraponto, o refrão apresenta orientações sobre técnica adequada de amamentação: “Dona Maria aprenda a amamentar a sua filha, tem que ser barriga com barriga, observe se a bochecha está cheia após a pega da aréola inteira”.
Observou-se elevada adesão das gestantes nas duas experiências. O uso do recurso lúdico favoreceu o diálogo sobre dúvidas e desafios relacionados à amamentação, ampliou o engajamento das participantes e estimulou a troca de experiências, contribuindo para a construção coletiva do conhecimento e para o fortalecimento do vínculo entre usuárias e profissionais.
Conclui-se que o uso de paródias em grupos de gestantes constitui estratégia educativa simples, de baixo custo e potencialmente efetiva para a promoção do aleitamento materno na APS, favorecendo o empoderamento das gestantes e qualificando as ações de educação em saúde.
#27 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
PERCURSO METODOLÓGICO DA AVALIAÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DO EIXO 2 DA PNAISC: UTILIZAÇÃO DO MODELO INTEGRADO PARA ANÁLISE DE IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS DE SAÚDE (MIPS)
MARIANA TARRICONE GARCIA; MARIA IZABEL SANCHES COSTA; ROBERTA MARIA MIRANDA RIBEIRO; GIULIA SANCHEZ LEONARDO; MARCELA MATOS DE CAMARGO
Instituto de Saúde - Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (IS-SES/SP); Faculdade de Saúde Pública - Universidade de São Paulo (USP)
Resumo
Introdução: A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) visa à promoção e proteção da saúde infantil, tendo no Eixo Estratégico 2 a implementação de ações voltadas ao aleitamento materno e à alimentação complementar saudável. Avaliar a implementação dessas ações é essencial para documentar processos e informar a gestão pública, assegurando a sustentabilidade e a eficácia das intervenções governamentais no SUS.
Objetivo: Descrever a metodologia da avaliação da implementação do Eixo 2 da PNAISC, com base no framework Modelo Integrado para análise de Implementação de Políticas de Saúde (MIPS).
Metodologia: A partir do MIPS, que inclui as dimensões contextos da formulação, implementação, monitoramento, avaliação, desfechos e determinantes, definiram-se métodos e instrumentos para captar barreiras e facilitadores que interferem na implementação de cada ação estratégica: análise documental, análise de dados secundários e entrevistas semiestruturadas. Incluíram-se metodologias participativas, como a constituição de um comitê consultivo com especialistas e a realização de diálogos deliberativos com stakeholders, que contou com representantes da sociedade civil, gestão, trabalhadores da saúde e pesquisadores, cujas contribuições puderam ser incorporadas para aprimorar a pesquisa e seus produtos.
Resultados: A pesquisa utilizou a triangulação de métodos para uma análise fundamentada no MIPS, abrangendo as ações: IHAC, BLH, EAAB, MTA, NBCAL e Mobilização Social. A análise documental incluiu 63 registros (37 normativas e 26 documentos técnicos) e os dados secundários foram extraídos dos sistemas CNES, SISAB e SISVAN. Para a dimensão qualitativa, realizaram-se 43 entrevistas com informantes-chave dos três níveis federativos das 5 macrorregiões, trabalhadores, pesquisadores e sociedade civil organizada. Será elaborado um plano de tradução do conhecimento para subsidiar gestores em todos os níveis do SUS.
Conclusões: A triangulação de métodos estruturada pelo MIPS, integrando análise documental, dados secundários, entrevistas em múltiplos níveis federativos e macrorregiões, bem como estratégias participativas (comitê consultivo e diálogos deliberativos), mostrou-se robusta e suficiente para avaliar a implementação do Eixo 2 da PNAISC e subsidiar recomendações estratégicas para o aperfeiçoamento contínuo da política pública e a qualificação da tomada de decisão.
Financiamento: Financiamento do Departamento de Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde, do Ministério da Saúde (Decit/SECTICS/MS) e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq
#262 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
POLÍTICAS PÚBLICAS DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO NO MUNICÍPIO DE MARÍLIA/SP
EDINALVA NEVES NASCIMENTO; SANDRA MENDONÇA OLIVEIRA DOMINGUES; SÔNIA MARIA LIMA PERES
Banco de Leite Humano da Secretaria Municipal de Saúde de Marília
Resumo
Introdução: O aleitamento materno é reconhecido como a forma mais adequada de alimentação infantil, proporcionando benefícios à saúde da criança, da mulher e da sociedade. Sua promoção depende de Políticas Públicas e instrumentos legais que assegurem proteção e apoio a amamentação.
Objetivo: Este estudo descritivo sistematiza as principais iniciativas normativas e institucionais implementadas em Marília/SP.
Método: Foram analisadas as legislações do Município de Marília sobre aleitamento materno.
Resultados: Entre as legislações vigentes destacam-se o direito de todo bebê ao aleitamento materno, conforme preconiza a Organização Mundial da Saúde, como um ato livre entre mãe e filho, sem qualquer tipo de constrangimento (Lei 7.820/2015). Além disso, a instituição do Agosto Dourado (Lei 8.116/2017) e do Novembro Roxo (Lei 210/2021) como parte do calendário municipal, assim como direitos aos servidores públicos como licença maternidade de seis meses(Lei 11/1991) e licença paternidade de 20 dias (Lei 970/2023) e dois intervalos de trinta minutos durante a jornada de trabalho para amamentação do bebê (Lei 37/2008), inicialmente até quatro meses e depois até dois anos ou mais. No apoio estrutural, destacam-se a obrigatoriedade de Salas de Apoio à Amamentação em escolas e creches municipais (Lei 8849/2022), a implementação dos Dez Passos da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) em estabelecimentos obstétricos (Lei 5382/2022) e a criação de um Comitê de Estímulo ao Aleitamento Materno (Portaria 17617/2002). Ainda neste âmbito, destaca-se a formalização de Termos de Cooperação Técnica entre o Banco de Leite Humano da Secretaria Municipal de Saúde com a Secretaria Municipal da Educação, além da Maternidade e Gota de Leite e com 10 Postos de Coleta de Leite Humano (PCLH) dos municípios da região de Marília. Esta Cooperação tem o objetivo de garantir o aleitamento materno na primeira hora de vida, prevenir o desmame precoce, apoiar a manutenção da lactação após a alta hospitalar no retorno ao trabalho e estimular a doação e captação regional de leite humano excedente.
Considerações finais: o conjunto de legislações e de parcerias institucionais evidencia o compromisso do município com a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, fortalecendo a rede de atenção materno-infantil e contribuindo para a melhoria dos indicadores de saúde.
#3 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
POR QUE TRABALHAR JUNTO É MAIS EFICIENTE?
ELIZABETH SORRENTINO
FSP- USP
Resumo
POR QUE TRABALHAR JUNTO É MAIS EFICIENTE?
Nosso objetivo foi desenvolver cartões de aconselhamento em alimentação responsiva (AR) visando práticas alimentares que favoreçam a nutrição e desenvolvimento adequados de crianças indígenas de 0 a 3 anos. As comunidades indígenas constituídas pelas etnias Jeripancó, Karuazu e Katokin localizadas no alto Sertão de Alagoas (200 km de Maceió), foram designadas para o projeto piloto, pela Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) em conjunto com o Distrito Sanitário Especial Indígena Alagoas/Sergipe e a Coordenação-Geral de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens, por estarem entre as mais vulneráveis.
O procedimento (Hromi-Fiedler et al.,2020), adaptado para o Brasil (Sorrentino; Venancio, 2024), prevê numa 1ª. fase, 2 a 3 sessões de escuta com os responsáveis pelas ações de assistência à saúde das comunidades, para coletar informações e adaptar mensagens, culturalmente adequadas e integradas as prioridades locais.
No primeiro encontro em 15 de outubro/25, na Unidade Básica de Saúde do Povo de Ouricuri – Polo Base, ouvimos e fomos ouvidos durante 180 minutos pelas lideranças das três etnias, representadas por seus caciques, o representante da Saúde indígena local e Detentor dos Saberes Tradicionais, parteiras e Agentes Indígenas da Saúde (AIS). Concedida a anuência por consenso, para continuidade do nosso trabalho, realizamos duas escutas nas dependências da Escola local, José Carapina, em duas sessões de 2 horas cada uma. Estavam presentes, além dos profissionais de saúde (AIS, técnicos de enfermagem, enfermeiros e um médico), também professores da pré-escola, psicólogos e representantes do serviço de assistência social, num total de 48 pessoas. Todos os depoimentos foram registrados por escrito, organizados por etnia e profissão.
Resultados: Estas diferentes forças de trabalho, juntas em um mesmo espaço, ao manifestarem seus conhecimentos e experiências puderam coordenar e compartilhar melhor suas necessidades.
Lições aprendidas: A experiência ampliou nossa visão de como atender aos objetivos da intervenção não duplicando ou sobrepondo esforços e servir melhor a comunidade.
Financiamento: Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF
#179 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
PRÁTICAS ALIMENTARES ENTRE CRIANÇAS MENORES DE 2 ANOS ATENDIDAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
LISSANDRA AMORIM SANTOS DEGNER; MARIA CRISTINA LIMA FONTENELE PRESTA; RENATHA CELIANA DA SILVA BRITO LORENZO; CARLA RENATA DOS SANTOS MARQUES; GISELE BRAGA DE ALMEIDA PIRES; LUCIA HELENA ALMEIDA GRATÃO; CAMILA GONÇALVES OLIVEIRA CHAGAS; KELLY POLIANY DE SOUZA ALVES
Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição, Departamento de Promoção da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Ministério da Saúde (CGAN/DEPROS/SAPS/MS)
Resumo
O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos recomenda a amamentação exclusiva até o sexto mês de vida, e amamentação continuada por 2 anos ou mais, com o consumo de alimentos complementares diversos e saudáveis. Embora o Brasil tenha apresentado avanços nessas práticas, ainda é necessário progredir para o cumprimento das metas previstas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para o período de 2020–2030.
Objetivo: Descrever as práticas alimentares que estão em consonância com as recomendações nacionais para crianças menores de dois anos, a partir de dados do Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).
Metodologia: Estudo descritivo, baseado em dados secundários de domínio público provenientes do SISVAN. As informações foram coletadas da ficha de marcadores de consumo alimentar, que é aplicada por profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) junto aos responsáveis pelas crianças, e considera o consumo no dia anterior. Dados sobre a frequência de amamentação exclusiva (AME) em crianças menores de 6 meses, e de amamentação continuada (AMC) e diversidade alimentar mínima (DAM) em crianças entre 6 e 23 meses foram utilizados. Os registros se referem às crianças menores de 2 anos acompanhadas na APS no Brasil e regiões, no ano de 2024.
Conclusão: Os resultados evidenciam que, embora mais da metade das crianças menores de dois anos acompanhadas na APS apresente práticas alimentares consideradas adequadas, existem desigualdades regionais no Brasil. A maior frequência de AME e AMC observadas na região Norte contrasta com os menores níveis de DAM, indicando desafios na transição para a alimentação complementar adequada. O monitoramento contínuo por meio do SISVAN se mostra fundamental para subsidiar políticas públicas e orientar intervenções que contribuam para a melhoria das práticas alimentares na primeira infância.
Resultados: Cerca de 57% das crianças menores de 6 meses acompanhadas na APS estavam em AME, a AMC foi observada em 63% e a DAM em 70% das crianças de 6 a 23 meses. A região Norte apresentou maior frequência de AME (65%) e AMC (74%), porém menor frequência DAM (67%), assim como a região Centro-Oeste (67%). Em contrapartida, as frequências de AME e AMC foram menores nas regiões Sul (AME: 56%; AMC: 52%) e Sudeste (AME: 56%; AMC: 56%), enquanto a DAM foi maior nas regiões Nordeste (70%) e Sudeste (72%).
#85 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
PREDITORES DA INTERRUPÇÃO PRECOCE DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO
LUANA ELISA WEBER (WEBER, L. E.); ADRIANA DIVINA DE SOUZA CAMPOS (CAMPOS, A.D.S); GABRIELA TORRES SILVA (SILVA, G. T.); AMANDA CAROLINE CUNHA FIGUEIREDO (FIGUEIREDO, A. C. C.); DANIELA DE BARROS MUCCI (MUCCI, D. B); DANIELA PAULA POLESSA (POLESSA, D. P.); BRUNA CELESTINO SCHNEIDER( SCHNEIDER, B. C.); GILBERTO KAC (KAC, G.)
Instituto de Nutrição Josué de Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil; Departamento de Nutrição Básica e Experimental, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, Brasil
Resumo
Introdução: O aleitamento materno exclusivo (AME) é uma estratégia fundamental para a saúde materno-infantil, porém a sua manutenção sofre influência de múltiplos determinantes biológicos e sociais.
Objetivo: Investigar os preditores da interrupção precoce do AME (IPAME).
Metodologia: Foram analisados dados de 333 pares de mães-filhos participantes da coorte Brasileira The Mother, Infant, and Lactation Quality (MILQ) Study. Foram incluídas nas análises como variáveis preditoras: escolaridade materna (ensino fundamental, médio ou superior), situação conjugal (solteira/vivendo com companheiro), tercis de renda familiar total (R$) (1º: 200-1497/2º: 1500-2400/3º: 2500-40000), idade materna em anos, sexo da criança, tipo de parto (vaginal/cesáreo), amamentação na primeira hora de vida (≤1h/>1h), tercis de peso ao nascer (g) (1º: 2530-3115/2º: 3120–3435/3º: 3440-4190), paridade (primípara/multípara) e ocupação (empregada/desempregada). Considerou-se IPAME (sim/não) a introdução de outro alimento que não o leite materno entre 0 e 3,5 meses pós-parto. A análise incluiu modelo de regressão logística múltipla tendo o IPAME como desfecho. Foram estimadas as razões de chances (OR) e intervalos de confiança de 95% (IC95%).
Resultados: Um total de 120 (36,1%) mulheres interromperam o AME antes de 3,5 meses pós-parto. Mulheres que cursaram o ensino fundamental apresentaram um aumento de 215% (OR=3,15; IC95%:1,79–5,62) nas chances de IPAME, em comparação àquelas que cursaram o ensino superior. Mulheres primíparas e empregadas tiveram, respectivamente, 84% (OR=1,84; IC95%:1,37–2,49) e 57% (OR=1,57; IC95%:1,17–2,10) mais chances de IPAME, em comparação às multíparas e desempregadas. Mulheres solteiras apresentaram 45% (OR=1,45; IC95%:1,03–2,04) mais chances de IPAME em relação às casadas. Além disso, o uso de fórmula infantil durante a internação aumentou em 75% (OR=1,75; IC95%:1,26–2,44) as chances de IPAME em relação àquelas que não a receberam. Peso ao nascer, tipo de parto, sexo da criança e a amamentação na primeira hora de vida não mostraram associação.
Conclusão: Menor escolaridade materna, primiparidade, estar empregada, ser mãe solteira e ofertar fórmula durante a internação aumentaram as chances de IPAME.
Financiamento: Fundação Gates (OPP1148405/INV-002300, OPP1061055)
#39 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
PROTEÇÃO DA AMAMENTAÇÃO POR PROFISSIONAIS DE SAÚDE: DO "PROTEGER CONTRA" AO "DESPROTEGER" EM DIFERENTES ESTILOS/COLETIVOS DE PENSAMENTO
VALÉRIA CRISTINA RIBEIRO VIEIRA; IVAN FRANÇA JUNIOR
Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG); Universidade de São Paulo (USP)
Resumo
Políticas de amamentação têm se baseado na tríade Proteção, Promoção e Apoio (PPA). Considerando-a como direito humano da dupla mulher-criança, profissionais das políticas públicas (que corporificam o Estado) devem atuar respeitando-a, efetivando-a e protegendo-a contra violações. Dentre os fatores que afetam a amamentação-desmame, o papel de profissionais de saúde tem sido estudado. Objetivamos compreender concepções e práticas profissionais quanto à proteção da amamentação, considerando a escassa literatura sobre o tema e certas ambiguidades quanto aos seus significados. Entrevistamos 11 profissionais (gestão da política municipal, coordenação de programas afins, assistência direta à dupla) e conduzimos análise temático-categorial, valendo-nos de Ludwik Fleck para caracterizar estilos e coletivos de pensamento (EP e CP). Identificamos 5 EP e os classificamos em 3 grupos: protetores (lactivista e do direito), não protetores (higienista e do apoio) e desprotetor/violador-DpV (leite/aleitamento materno substituíveis). Baseamo-nos na semântica denotada na tríade PPA que - a despeito da polissemia vigente - permite deduzirmos que a acepção capaz de distinguir o proteger é a da bitransitividade desse verbo, isto é, o sentido de “proteger contra” forças contrárias. Protetores reconhecem/contrapõem-se a tais forças (sobretudo os interesses da “indústria do desmame” que coopta profissionais e - junto à estrutura social patriarcal - conforma a “cultura do desmame”). Consideram que proteger é “lutar contra”, combatendo ameaças (lactivista)/violações (direito). Não protetores omitem esse sentido preposicionado do proteger, concebendo-o como decorrência ou de forma sobreposta às outras duas noções e mostrando-se indiferentes à interferência da indústria. Embora anterior às políticas protetivas vigentes, o EP DpV persiste entre profissionais. Concebendo a indústria como parceira, deslegitima o sentido mundialmente trabalhado enquanto o proteger stricto sensu. Usos do proteger sem distinção coerente à tríade PPA vigoraram e remetem a perfis compósitos, com presença maior ou menor de fragmentos dos EP não protetores e do DpV. Segundo Fleck, de fato, indivíduos integram mais de um CP. Processos de iniciação (também apontada por ele) em CP protetores mostraram-se essenciais para que profissionais contribuam efetivamente na proteção da amamentação de crianças e nutrizes.
Financiamento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
#255 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
PROTOCOLOS DE ADMINISTRAÇÃO DA COLOSTROTERAPIA EM PREMATUROS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
GABRIELLE SAUINI; MARIANNA GONZALEZ; MONICA MARTINS; SIMONE SALDIBIA; DENISE SUGUITANI; ALINE CARLA HENNEMANN
ONG Prematuridade.com
Resumo
Introdução: A colostroterapia tem sido utilizada como estratégia imunológica em recém-nascidos prematuros, especialmente aqueles impossibilitados de iniciar a alimentação enteral precoce. Entretanto, ainda há divergências na literatura quanto aos protocolos e o tempo de administração dessa intervenção.
Objetivo: Analisar as evidências científicas sobre os parâmetros estabelecidos para a administração da colostroterapia em recém-nascidos prematuros.
Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases de dados PubMed, Scopus, SciELO e LILACS. Utilizou-se a estratégia PICO para definição da pergunta do estudo: em recém-nascidos prematuros, diferentes protocolos de administração da colostroterapia influenciam os desfechos clínicos neonatais? Foram utilizados os seguintes descritores em inglês, português e espanhol: “colostro”, “prematuridade”, “imunoterapia” e “duração”, combinados pelos indicadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos publicados entre 2021 e 2025.
Resultados: 4 estudos cumpriram os critérios para análise. Observou-se que a colostroterapia foi administrada com doses variando entre 0,1 e 0,5 mL em cada lateral da cavidade oral, com intervalos de 3 a 12 horas, por um período de 4 a 15 dias. Dessa variação, a maioria dos autores considerou como protocolo ideal a administração a cada 4h por um período de 8 a 10 dias. Nenhum estudo utilizou o início da dieta enteral ou da estimulação em seio materno como referência para extensão da colostroterapia. Também não se observou a adequação dos protocolos a particularidades clínicas dos lactentes, por exemplo a idade gestacional corrigida e o peso ao nascer. Apesar das diferenças dos protocolos descritos, todos os estudos relataram benefícios como a redução da sepse tardia, melhora da imunidade, redução da incidência de enterocolite necrosante, diminuição do tempo de internação e da mortalidade.
Conclusão: Os protocolos de administração da colostroterapia são heterogêneos e aplicados igualmente entre os prematuros de cada instituição, desconsiderando variações clínicas, como a idade gestacional e o peso. Tais fatores podem influenciar a aceitabilidade oral do estímulo, bem como a garantia de uma intervenção prazerosa e segura ao lactente. Apesar dos achados, a colostroterapia se mostra uma intervenção positiva para prematuros mesmo com diferentes critérios de aplicação.
#122 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
QUALIFICAÇÃO DO MONITORAMENTO NUTRICIONAL NA INFÂNCIA: CONTRIBUIÇÕES DA ESTRATÉGIA AMAMENTA E ALIMENTA BRASIL NA APS
LUCIA HELENA ALMEIDA GRATÃO; CAMILA GONÇALVES OLIVEIRA CHAGAS; RENATHA CELIANA DA SILVA BRITO LORENZO; MARIA CRISTINA LIMA FONTENELE PRESTA; LISSANDRA AMORIM SANTOS DEGNER; GISELE BRAGA DE ALMEIDA PIRES; CARLA RENATA DOS SANTOS MARQUES; KELLY POLIANY DE SOUZA ALVES
Ministério da Saúde - CGAN/DEPROS/SAPS
Resumo
Introdução: A Educação Permanente em Saúde (EPS) voltada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) é estratégica para a qualificação do cuidado integral no SUS. No âmbito do cuidado à criança, a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB) é a principal estratégia do Ministério da Saúde para a promoção da amamentação e da alimentação complementar saudável na APS. Dentre os objetivos da EAAB, almeja-se o fortalecimento das ações da Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN) por meio da oferta e qualificação de profissionais de saúde da APS.
Objetivo: Descrever a contribuição da EAAB para o fortalecimento do monitoramento nutricional na infância no âmbito da APS, considerando o processo de formação dos profissionais e a ampliação dos registros antropométricos e de consumo alimentar no SISVAN.
Métodos: Relato de experiência descritivo, fundamentado na EPS e na VAN como eixos estruturantes do cuidado. Utilizaram-se duas fontes: a) dados da universidade parceira responsável pelo curso, incluindo número de profissionais formados, perfil e abrangência territorial; b) dados secundários do SISVAN sobre cobertura de acompanhamento de peso, altura e marcadores de consumo alimentar na APS. Por utilizar dados públicos e agregados, o estudo dispensa apreciação por comitê de ética.
Resultados: Desde 2013, a EAAB formou 9.136 tutores em todo o país, nas modalidades presencial e à distância. Nesse período, houve crescimento da cobertura do consumo alimentar e do estado nutricional de crianças menores de 2 anos avaliadas na APS. Os registros de peso e altura passaram de 1.085.804 (19,1% da população nessa faixa etária) em 2013 para 3.301.295 (59,1%) em 2024. Os marcadores de consumo alimentar, disponíveis desde 2015, aumentaram de 76.084 (1,3%) para 764.441 (3,4%) em 2024. Apesar de ainda inferiores à antropometria, esses dados indicam tendência de incorporação gradual dessa prática à rotina das equipes.
Conclusão: Os achados sugerem que a qualificação profissional promovida pela EAAB está associada ao fortalecimento do registro e do uso das informações do SISVAN, ampliando o alcance e a organização do monitoramento nutricional infantil na APS. Embora não permita inferir causalidade, a experiência evidencia o potencial da educação permanente para fortalecer a VAN e os cuidado das crianças no SUS.
#208 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
REALIZAÇÃO DO EVENTO III SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE PROTEÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO – III SIPAM: RELATO DE EXPERIÊNCIA
MARLI TEREZINHA STEIN BACKES; EVANGELIA KOTZIAS ATHERINO DOS SANTOS; LENISE DUTRA DA SILVA; ANNA RAMOS MILANEZ; LUCIMAR DE SOUZA SAMPAIO; MARIA DO LIVRAMENTO COELHO PRATA; MARINO LEOPOLDO MANUEL SUNGO; HERCULANO SALVADOR JOÃO
Universidade Federal de Santa Catarina/IBFAN BRASIL; Universidade Federal de Santa Catarina; Universidade do Estado do Amazonas; Universidade José Eduardo dos Santos
Resumo
Objeto da experiência: realização do Evento: III Simpósio Internacional de Proteção do Aleitamento Materno – III SIPAM.
Contexto: o evento foi promovido e realizado em alusão à Semana Mundial da Amamentação ao Agosto Dourado de 2025 pelo Laboratório de Pesquisa, Tecnologia e Inovação em Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém-nascido – GRUPESMUR, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Universidade José Eduardo dos Santos (UJES), Instituto Politécnico do Huambo/Angola. Esta é a terceira edição deste evento que desta vez aconteceu junto com parceiros de Huambo/Angola, sob o Tema: Priorizar o aleitamento materno: criando e promovendo sistemas de apoio sustentáveis para mães, crianças e famílias”.
Descrição da execução: o evento foi realizado nos dias 6, 7 e 8 de agosto de 2025, de modo online, com transmissão pela plataforma YouTube®, no horário das 9 às 11h do Brasil e das 13 às 15h de Angola. Contou com 250 participantes do Brasil e da Angola, entre os quais: profissionais de enfermagem e saúde, docentes universitários, discentes de graduação e pós-graduação de diversas áreas, incluindo a turma do Curso de Mestrado em Enfermagem Obstétrica e Neonatal da UJES, de Huambo/Angola, que está sendo desenvolvido junto com o Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC. O evento contou com a seguinte programação: 06/08/25: Sessão de Abertura, Conferência de Abertura e Palestra. 07/08/25: Palestra e Mesa-redonda. 08/08/25: Apresentação dos Trabalhos, Momento Cultural, Premiação dos melhores trabalhos inscritos e apresentados e Encerramento.
Resultados: houve o envio de 29 trabalhos no formato de resumo expandido os quais foram apresentados no evento de forma oral e publicados nos anais deste evento. Três trabalhos foram premiados: Percepções de mulheres haitianas sobre acesso à saúde em um município do sul do Brasil (Primeiro lugar); Grupo de gestantes na atenção primária à saúde: educação em saúde e suporte ao aleitamento materno (segundo lugar); GRUPESMUR: produção do conhecimento na pós-graduação stricto sensu de 2005 a 2025 (terceiro lugar).
Considerações finais: a experiência proporcionou um espaço de discussão sobre a proteção do aleitamento materno e a divulgação científica relacionada à temática do aleitamento materno e amamentação.
#76 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
REDE AMIGOS DO PEITO: UMA INICIATIVA PARA FORTALECER AS AÇÕES PROMOTORAS DA AMAMENTAÇÃO NAS UNIDADES DE EDUCAÇÃO INFANTIL DA REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE SÃO PAULO
KÁTIA IARED SEBASTIÃO ROMANELLI (ROMANELLI KIS); GIOVANNA LUISI SERRA (SERRA GL); LARISSA SANTOS DAS NEVES (NEVES LS); MÔNICA CORDEIRO NOGUEIRA DA CRUZ (CRUZ MCN); VALÉRIA ROMA DE FREITAS (FREITAS VR); VIVIANE FERRI ROSS PERUCHA (PERUCHA VFR); AGLEIDE DE JESUS VICENTE (VICENTE AJ); MATILDE APARECIDA DA SILVA FRANCO CAMPANHA (CAMPANHA MASF)
Coordenadoria de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME/CODAE); Divisão de Educação Infantil da Coordenadoria Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME/COPED/DIEI)
Resumo
Para ampliar e fortalecer as ações de proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno nos ambientes educacionais da cidade de São Paulo, o Grupo de Trabalho de Aleitamento Materno da Coordenadoria de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação firmou parceria com a Coordenadoria Pedagógica/Divisão de Educação Infantil. Em conjunto idealizaram a Rede Amigos do Peito, com o objetivo de apoiar profissionais atuantes nas Unidades Educacionais (UEs) de 0 a 3 anos para serem agentes promotoras da amamentação e reconhecê-las como “Embaixadoras Amigas do Peito”. No processo de concepção, houve escuta com representantes dos territórios para mapear práticas e necessidades formativas para a temática da amamentação. Então, elaborou-se uma trilha de aprendizagem de 6h, composta por formação online (3h) e um encontro presencial obrigatório (3h). A etapa online incluiu 5 módulos com vídeos curtos e atividades de sistematização. Em 2025 foram validadas 1171 inscrições, das quais 698 participantes (60%) concluíram a trilha de aprendizagem e foram reconhecidas como Embaixadoras, sendo 142 profissionais que acompanham as UEs e 554 educadores em 443 UEs (17% das unidades). Nas 8 turmas dos encontros presenciais, além do conteúdo teórico e do compartilhamento de experiências, foram desenvolvidas atividades com metodologia ativa para subsidiar a construção de um “Documento Norteador” e dos “Cadernos das Embaixadoras”, um para cada cargo (professora, agente escolar, nutricionista, formadora pedagógica, entre outros). Também foram realizados plantões online para sanar dúvidas sobre o plano de ação proposto à unidade educacional de atuação de cada embaixadora, como estratégia para organizar ações promotoras da amamentação de acordo com a realidade da unidade. Para fortalecer a comunicação e o apoio entre as Embaixadoras, criou-se um grupo em aplicativo de mensagens e um mural digital colaborativo. Ao final de 2025, 57% das unidades com embaixadoras aderiram a um formulário de avaliação. Das respondentes, 96% relataram motivação e engajamento das embaixadoras e 88% consideraram que sua presença fortaleceu as ações de apoio, promoção e proteção ao aleitamento materno nas unidades. Esses resultados iniciais sugerem que a Rede Amigos do Peito está promovendo o processo de acolhimento adequado das famílias e a valorização da amamentação nas UEs de São Paulo.
#191 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
REDES QUE AMAMENTAM: POTENCIALIDADES DAS AÇÕES DE UNIDADES DE SAÚDE E DE EDUCAÇÃO NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO
KÁTIA IARED SEBASTIÃO ROMANELLI; BRUNNA GOMES VIANA; MÔNICA CORDEIRO NOGUEIRA DA CRUZ; STEFANIE MATTOSO PEREIRA BUENO; VITOR DE MATTOS NASCIMENTO; ALINE ALVES DO AMARAL; EDJANE MÉRCIA RIBEIRO BITTENCOURT DE ARAÚJO; ELAINE BAZILIO CUSTODIO
Coordenadoria de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME/CODAE); Coordenadoria Regional de Saúde Leste da Secretaria Municipal de Saúde (SMS/CRS Leste)
Resumo
No município de São Paulo, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da Coordenadoria Regional de Saúde Leste (CRS Leste) realizam diversas estratégias de promoção à amamentação, como Grupo de Apoio à Gestante (GAGES) e Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno Exclusivo (GAAME). A Coordenadoria de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação (SME/CODAE) realiza ações promotoras do aleitamento materno (AM) às Unidades Educacionais (UEs) de 0 a 3 anos. A Campanha CEI Amigo do Peito é uma ação educativa na qual as UEs que relatam realizar ações promotoras da amamentação são contempladas com um selo. Este estudo objetivou verificar se há relação das estratégias promotoras do AM realizadas pela CRS Leste (GAGES e GAAME) e SME (selo CEI Amigo do Peito) com o aleitamento materno nas UEs. Foram mapeadas 799 UEs e 119 UBSs na CRS Leste e, por georreferenciamento, foi identificada a UBS de referência de cada UE. Das UEs mapeadas, 411 (51%) têm o selo CEI Amigo do Peito. Quanto às UBSs, 112 (94%) têm os GAGES e 116 (97%) os GAAMEs. Das UEs presentes no território da CRS Leste, 624 (78%) aderiram ao monitoramento anual de amamentação da SME/CODAE em 2025. Dessas, 183 (29%) relataram receber leite materno congelado (LMC), 401 (64%) referiram a presença de ao menos uma mãe para amamentar na UE, representando 440 UEs (71%) com aleitamento materno (LMC e/ou presença de mãe), e 139 UEs (22%) reportaram parcerias com as UBSs para promoção do AM. Por meio de regressão logística, observou-se aumento das chances de ter aleitamento materno na UE em 3,9 vezes (p<0,001) quando a UE tem o selo CEI Amigo do Peito 2025 e 1,6 vezes (p=0,075) quando há parceria da UBS com a UE (IC=95%). Observou-se maior proporção de AM quando selo e UBS atuante estavam simultaneamente presentes (81%), seguido de UE com selo (69%), UBS atuante (29%) e a ausência de ambas as estratégias (19%), demonstrando aumento expressivo na proporção de UEs com AM quando há ações coexistentes. Diante dos dados, ter o selo CEI Amigo do Peito na UE isoladamente favorece o AM no ambiente educacional. No entanto, o cenário mais favorável para o AM ocorre quando a UE tem o selo CEI Amigo do Peito e a UBS de referência grupos de apoio ativos (GAGES/GAAME), reforçando a importância da atuação intersecretarial na promoção do aleitamento materno.
#215 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
REPOSICIONAMENTO DA IDENTIDADE VISUAL DO GRUPO MULHERES APOIANDO MULHERES NA AMAMENTAÇÃO (GRUPO MAMA) APÓS CINCO ANOS NAS REDES SOCIAIS ONLINE
BEATRIZ MOTA OLIVEIRA; ANA PAULA FREIRE NASCIMENTO LYRA; BEATRIZ GRAZIELE THOMAZ ALVES DA COSTA; SÂMELA CAETANO TAVARES BRAGA; YELADIANNE BARBOSA; LETHICIA AZEVEDO FERREIRA; SARAH NOGUEIRA ALMEIDA; ROSANE VALÉRIA VIANA FONSECA RITO
Universidade Federal Fluminense; Universidade Federal do Rio de Janeiro; Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Resumo
Objeto: Reposicionamento da identidade visual do Grupo MAMA.
Contexto: O Grupo MAMA surgiu como resposta às dificuldades de acesso das lactantes à rede de saúde no contexto pandêmico. O perfil @mulheresapoiandoamamentacao no Instagram alcançou 12,3 mil seguidores e 628 publicações. Nesse período, o projeto passou por amadurecimento progressivo, iniciando uma nova fase para qualificar ainda mais a comunicação com lactantes e profissionais da saúde, acompanhando as transformações nas dinâmicas de comunicação digital e no comportamento das usuárias.
Descrição da execução: A reorganização, iniciada em 2025, resultou na estruturação de 5 equipes de trabalho, permitindo um novo fluxo de funcionamento, com a revisão do planejamento estratégico e a gestão das mídias sociais, a partir do monitoramento e sistematização das métricas. A paleta e a tipografia da fonte da logomarca foram modificadas. Mantém-se a comunicação interpessoal sem a utilização de mensagem automática nos atendimentos.
Resultados: O Instagram é o canal de maior alcance ao público, registrando 32,3 mil visualizações e 694 interações (janeiro/2026). Os conteúdos com nova identidade visual preservou como princípios: o cuidado centrado na mulher, o conhecimento baseado em evidências, a linguagem acessível, o acolhimento, a dialogicidade e a participação. A fonte atualizada da logomarca trouxe suavidade e delicadeza junto com a troca da expressão “Mulheres Apoiando Mulheres na Amamentação” para “Grupo MAMA”, tornando-a mais sutil e simples. Identificou-se a necessidade de ressaltar a logomarca por meio da fixação nas postagens, e de facilitar a fluência cognitiva, visando transmitir as informações confiáveis de maneira atraente para as usuárias, pelo posicionamento dos textos e imagens.
Considerações finais: As propostas de mudanças foram construídas coletivamente e cuidaram para que o Grupo MAMA permanecesse com seu propósito de acolher, orientar e apoiar a amamentação, respeitando a NBCAL e as normas éticas da comunicação e saúde. A estrutura de trabalho mostrou-se mais fluida, contínua e fácil de ser transmitida para as novas voluntárias. A experiência contribui para a formação das voluntárias ao fomentar a troca de conhecimentos no campo da comunicação e saúde, fortalecendo práticas interdisciplinares e qualificando a atuação na saúde materno e infantil.
#260 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
RODA INTERATIVA SOBRE A NBCAL: FORTALECENDO A PARCERIA ENTRE BANCO DE LEITE HUMANO E VIGILÂNCIA SANITÁRIA MUNICIPAL
SANDRA MENDONÇA OLIVEIRA DOMINGUES; TALITA DOMINGUES PEREIRA MOLINA; SÔNIA MARIA LIMA PERES; EDINALVA NEVES NASCIMENTO
Banco de Leite Humano da Secretaria Municipal de Saúde de Marília; Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Marília
Resumo
Introdução: A Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL) estabelece diretrizes para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, regulamentando a comercialização de alimentos infantis e prevenindo práticas que possam comprometer a alimentação natural. Nesse contexto, a articulação entre o Banco de Leite Humano e a Vigilância Sanitária configura-se como uma estratégia viável e necessária para o fortalecimento das ações nos serviços de saúde.
Objetivo: Promover a integração entre as equipes, discutir a aplicação da NBCAL nos serviços de saúde, sensibilizar os profissionais quanto à norma e compartilhar experiências, desafios e estratégias de aprimoramento.
Metodologia: A atividade foi realizada em 06 de janeiro de 2026, das 9h às 12h, com a participação de 21 profissionais. Desenvolveu-se uma roda interativa, iniciada com vídeos sobre aleitamento materno e NBCAL, seguida de metodologias ativas e problematizadoras, com discussões organizadas nos eixos “Que Bom”, “Que Pena” e “Que Tal”.
Resultados: No eixo “Que Bom”, destacaram-se a disseminação de informações corretas, a integração das equipes e experiências consolidadas. No eixo “Que Pena”, foram apontados desafios como a falta de divulgação na mídia, desinformação, resistência e ausência de adesão de alguns setores, além da influência da indústria, evidenciando o conflito entre lucro e vida. Também foram citadas a necessidade de maior conscientização, fortalecimento da fiscalização e campanhas educativas mais efetivas. No eixo “Que Tal”, os participantes sugeriram capacitação contínua, intensificação de campanhas educativas, enfrentamento de mitos culturais, fortalecimento da fiscalização, apropriação da NBCAL, parcerias estratégicas, desenvolvimento de programas municipais e construção coletiva de estratégias para qualificação da informação e da assistência.
Considerações finais: A roda interativa ampliou a compreensão sobre a NBCAL, fortaleceu a parceria entre Banco de Leite Humano, Ambulatório de Aleitamento Materno e Vigilância Sanitária e mostrou-se eficaz para a qualificação profissional, consolidação das diretrizes da NBCAL e fortalecimento das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, reforçando a importância da continuidade das ações educativas e intersetoriais.
#104 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
SALAS DE APOIO À MULHER TRABALHADORA QUE AMAMENTA: CELEBRANDO AVANÇOS E DESAFIOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
MARIA DA CONCEIÇÃO MONTEIRO SALOMÃO, SALOMÃO M.C.M.; ROSANE VALÉRIA VIANA FONSECA RITO, RITO R.V.V.F.; ROSANE SIQUEIRA VASCONCELLOS PEREIRA, PEREIRA R.S.V.; RENATA RIBEIRO DA CUNHA PINTO, PINTO R.R.C.; SALETE CRISTINA ANDRADE TÔRRES – TÔRRES, S.C.A.; REGINA CELI BRITO DE OLIVEIRA – OLIVEIRA, R.C.B.; VIVIANE SILVA PACHECO - PACHECO, V.S.; ALESSANDRA DA SILVA COSTA GUEDES – GUEDES, A.C.G.
Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro; Universidade Federal Fluminense; Secretaria Municipal de Saúde de Angra dos Reis
Resumo
Objetivo e contexto: A amamentação é um direito humano e deve ser assegurado a todas as mães lactantes e seus bebês, mesmo após o retorno ao trabalho, e esta ação faz parte da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança em seu Eixo 2, sendo muito importante para a saúde de ambos. Trabalhos mostram que mesmo com a Licença Maternidade as mulheres trabalhadoras formais têm dificuldade de manter a amamentação e que há uma queda brusca no aleitamento materno exclusivo após os quatro meses de vida do bebê quando do retorno ao trabalho. As mulheres que amamentam e que se afastam de seus filhos em virtude do trabalho precisam esvaziar as mamas durante a sua jornada, para alívio do desconforto das mamas muito cheias e para manter a produção do leite. Na maioria das vezes, não há nas empresas e instituições um lugar apropriado para isso. Além disso, o apoio às trabalhadoras informais era uma grande lacuna.
Descrição e local: No estado do Rio de Janeiro, Área Técnica de Aleitamento Materno da SES-RJ atualmente, como um grande desafio, vem investindo na implantação e na certificação das salas de apoio nas empresas e também nas unidades da atenção primária e segue as normativas instituídas pelo Ministério da Saúde.
Técnicas adotadas: Em 2010, a ANVISA e Ministério da Saúde lançaram uma Nota Técnica de implantação de salas de apoio à amamentação (SAA) nas empresas e posteriormente foi elaborado um Guia de Implantação com tutores capacitados para apoiar esta ação. Em 2025, a CGCRIAJ/MS, Coordenação Geral de Atenção às Crianças Adolescentes e Jovens, instituiu uma Nota Técnica Integrada, abrangendo a implantação de SAA também na Atenção Primária, buscando ampliar seu alcance também para as trabalhadoras informais.
Resultados: No Brasil, atualmente, temos cerca de 400 salas de apoio certificadas pelo MS, das quais 93 estão no estado do Rio de Janeiro e, destas, 16, estão na Atenção Primária (ESF, CLÍNICAS DA FAMÍLIA, CENTROS DE SAÚDE, UBS), além das empresas e instituições como Palácio da Guanabara, Secretarias do Estado, Ministério Público, Defensoria Pública, FGV, Petrobrás, CEDAE, Seatrium, UFF, UERJ e outras.
Considerações finais: As SAA possibilitam às mulheres trabalhadoras que amamentam a garantia do direito à amamentação contribuindo para o aumento da prevalência do aleitamento materno exclusivo por 6 meses e prolongado por 2 anos ou mais (OMS).
#266 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
SORRISOS QUE COMEÇAM NO VENTRE: PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E APOIO À AMAMENTAÇÃO EM ALTA FLORESTA/MT
MAGDA ELIANE PIERIN; LINDA UIARA GARCIA DOS SANTOS; ARIANA FLAVIA LOPES; MARIA LUIZA DE OLIVEIRA BASSO
Secretaria de Saúde de Alta Floresta/MT
Resumo
Introdução: A amamentação é fundamental para o desenvolvimento integral da criança, contribuindo para a saúde geral, emocional e bucal. A sucção ao seio materno estimula o desenvolvimento do sistema estomatognático, favorecendo o crescimento adequado dos ossos da face, respiração nasal, deglutição, mastigação e fala. Nesse contexto, as equipes de Saúde Bucal de Alta Floresta/MT fortalecem ações no pré-natal e no acompanhamento infantil, com foco na promoção da saúde bucal, apoio ao aleitamento materno e detecção precoce da anquiloglossia por meio do teste da linguinha.
Objetivo: Promover a saúde bucal de gestantes e crianças nas unidades de saúde do município por meio de ações integradas de prevenção, proteção, incentivo à amamentação e atendimento odontológico integral.
Metodologia: A experiência é desenvolvida nas Unidades de Saúde da Família, com acompanhamento desde a gestação até a primeira infância. Durante o pré-natal, as gestantes recebem avaliação odontológica e orientações preventivas, além de participarem de atividades educativas sobre amamentação, desenvolvimento orofacial, prevenção de cárie e riscos de hábitos orais deletérios. Após o nascimento, são realizadas avaliações da saúde bucal da mãe e do bebê nas consultas de puericultura, incluindo o teste da linguinha, frenotomia quando indicada e orientações sobre higiene oral. As equipes também promovem rodas de conversa, oficinas educativas e capacitações permanentes voltadas ao cuidado materno-infantil.
Resultados: Houve ampliação do acesso e da adesão ao cuidado odontológico materno-infantil. A proporção de gestantes com atendimento odontológico passou de 42% em 2021 para 87% em 2024 (SISAB), mantendo 85% em 2025. O acompanhamento odontológico na puericultura aumentou de 961 atendimentos em 2022 para 2.717 em 2025. Observou-se também fortalecimento do vínculo entre famílias e equipes, maior integração multiprofissional e ampliação das ações educativas.
Conclusão: A iniciativa fortaleceu o cuidado integral materno-infantil, ampliou o acesso ao atendimento odontológico e contribuiu para a promoção da amamentação e prevenção de agravos bucais na infância. A integração da saúde bucal ao pré-natal e à puericultura qualifica o cuidado e favorece o diagnóstico precoce de alterações, demonstrando potencial de replicação, e contribuindo para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde.
#239 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
SUBCONJUNTO DE DIAGNÓSTICOS PARA ALEITAMENTO: LACUNAS ENTRE A PRÁTICA ASSISTENCIAL E A TAXONOMIA NANDA
KAREN ESTEVAM RANGEL; ANA CLARA ANTUNES PEREIRA RESENDE; JULIA EMANUELLI ZANCANARO; SILVANA REGINA ROSSI KISSULA SOUZA
Universidade Federal do Paraná
Resumo
Introdução: O processo de enfermagem constitui-se por etapas sistematizadas desde a coleta de dados, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação de enfermagem. Nesse sentido, taxonomias como o Sistema NNN - NANDA-Internacional, Nursing Outcomes Classification (NOC) e Nursing Interventions Classification (NIC), são utilizadas para operacionalizar e direcionar o cuidado.
Objetivo: Relatar a experiência de construção e conteúdo das definições operacionais de diagnósticos e intervenções de enfermagem contidas em um subconjunto da NANDA-Internacional para o cuidado no processo de amamentação.
Metodologia: Relato da experiência descritivo acerca do processo de construção de um subconjunto de diagnósticos de enfermagem baseados na taxonomia NANDA-Internacional. Para elaboração do subconjunto realizou-se a construção de definições operacionais, diagnósticos e intervenções de enfermagem para auxílio no processo de aleitamento com base na taxonomia, e o cruzamento das diretrizes hospitalares de um serviço.
Resultados: Os diagnósticos e cuidados prescritos na assistência versus a taxonomia, observou-se correspondência entre diagnósticos como, amamentação eficaz, ineficaz e interrompida, risco e comportamento desorganizado do lactente, risco de glicemia instável e nutrição desequilibrada: ingestão menor que as necessidades corporais. Entretanto, revelam-se lacunas relacionadas à prevenção de dificuldades no aleitamento, promoção da amamentação e identificação de condições de quem amamenta, em que, na comparação com os diagnósticos aplicáveis descritos na taxonomia identificou-se doze diagnósticos aplicáveis ao binômio. Portanto, estimou-se cobertura diagnóstica do serviço de 58,3%, indicando que parte dos diagnósticos aplicáveis ao aleitamento não se encontra contemplada.
Conclusão: A análise comparativa evidenciou que diagnósticos utilizados no serviço concentram-se principalmente no manejo de condições já estabelecidas no recém-nascido e no processo de alimentação, enquanto a taxonomia amplia a abordagem diagnóstica ao incluir diagnósticos voltados à prevenção, promoção do aleitamento e identificação de condições maternas que interferem na lactação. A incorporação desses diagnósticos pode contribuir para fortalecer a sistematização da assistência ao aleitamento, favorecendo a identificação precoce de dificuldades e ampliando a integralidade do cuidado.
Financiamento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001, contemplado através de bolsa de doutorado e bolsa de mestrado
#162 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
SUPERAÇÃO DOS DESAFIOS DA AMAMENTAÇÃO COM SUPORTE DO BANCO DE LEITE HUMANO
ANA CARINA EFFTING; JANAINA DE LIMA MOTA WOICICHOSKI; ADRIANE WELTER; GIORGIO ALDIGUERI TRENTIN
Hospital São Lucas; Hospital São Lucas, Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde; Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde, Escola Municipal de Saúde
Resumo
Objeto da experiência: Relatar a experiência do Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital São Lucas no apoio à superação dos desafios da amamentação e sua repercussão na doação de leite humano.
Contexto: O BLH integra a rede materno-infantil de Lucas do Rio Verde–MT, atuando na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Diante das dificuldades frequentes no período gestacional e puerperal, como dor, insegurança e dificuldades na pega, o serviço oferece escuta qualificada, orientação técnica e suporte contínuo às mulheres atendidas.
Descrição da execução: A experiência foi desenvolvida entre maio e julho de 2025, a partir das ações assistenciais do BLH. Aplicou-se questionário on-line a 50 puérperas atendidas pelo serviço, obtendo-se 23 respostas. Foram investigados momento de acesso, motivos da procura, percepção quanto à escuta qualificada, impactos do atendimento na amamentação e influência do serviço na decisão pela doação de leite humano. Os dados foram analisados de forma descritiva, complementados por relatos qualitativos das participantes.
Resultados: Entre as 23 participantes, 65,2% conheceram o serviço por redes sociais e 87% realizaram parto no hospital. O acesso ocorreu principalmente após alta hospitalar (47,8%) ou durante internação neonatal (39,1%). As principais motivações foram insegurança na amamentação (60,9%) e dor mamilar (34,8%). O apoio do BLH foi considerado decisivo, sendo que 34,8% relataram que não teriam conseguido amamentar sem o suporte recebido. Quanto à doação, 91,3% receberam orientação, destacando-se como facilitadores a coleta domiciliar (82,4%) e a comunicação via WhatsApp (58,8%).
Considerações finais: A experiência evidencia que o BLH constitui espaço estratégico de cuidado integral, fortalecendo a autonomia materna, qualificando o manejo da lactação e ampliando a doação de leite humano como consequência de um cuidado humanizado. O serviço demonstra impacto assistencial e potencial de replicabilidade em contextos semelhantes.
Financiamento: Fundação Luverdense de Saúde e Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde
#227 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Comunicação Coordenada
SUSTENTABILIDADE DA INICIATIVA UNIDADE BÁSICA AMIGA DA AMAMENTAÇÃO (IUBAAM) NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: AVANÇOS E DESAFIOS
MARIA INÊS COUTO DE OLIVEIRA, OLIVEIRA MIC; MARIA DA CONCEIÇÃO MONTEIRO SALOMÃO, SALOMÃO MCM; ROSANE VALÉRIA VIANA FONSECA RITO, RITO RVVF; ROSANE SIQUEIRA VASCONCELLOS PEREIRA, PEREIRA RSV; RENATA RIBEIRO DA CUNHA PINTO, PINTO RRC; ANDREA MOURÃO EMILIANO DE SOUSA, SOUSA AME; RENATA KAUFFMAN, KAUFFMAN R; RAQUEL DE ANDRADE PERDIGÃO SALTIEL, SALTIEL RAP
IBFAN; Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro; Universidade Federal Fluminense; Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro
Resumo
Objeto: Iniciativa Unidade Básica Amiga da Amamentação.
Contexto: A IUBAAM foi criada pelo Grupo Técnico Interinstitucional de Aleitamento Materno (GTIAM), coordenado pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), a partir da necessidade de envolver a atenção primária em saúde na promoção, proteção e apoio à amamentação. Esta Iniciativa teve suas bases teóricas construídas a partir de uma revisão sistemática que embasou os “Dez Passos para o Sucesso da Amamentação” e contou com o apoio do Ministério da Saúde na elaboração de material de capacitação e de avaliação.
Execução: A IUBAAM foi lançada em 1999 no Estado do Rio de Janeiro (ERJ) e regulamentada pela Resolução SES 2673/2005. Foi adotada uma estratégia descentralizada, sendo criados pólos regionais, cada pólo contando com uma equipe de multiplicadores e de avaliadores da IUBAAM. Posteriormente, estes pólos foram substituídos pelas coordenações intergestoras regionais (CIR). Até 2020, haviam sido credenciadas 108 UBAAM, em seis das nove regiões do ERJ. No período pandêmico, o isolamento social dificultou a realização de cursos de capacitação (Passo 2) e grupos de gestantes e mães (Passo 10), essenciais para a sustentabilidade da IUBAAM, substituídos por cursos online, com a parte prática presencial, e por grupos de apoio virtuais. Entretanto, o contato com as regionais foi prejudicado. Para retomá-lo, o GTIAM promoveu, em março de 2023, um encontro com as unidades credenciadas, reunindo 105 participantes, que realizaram uma autoavaliação do grau de cumprimento dos Dez Passos em cada unidade, e foram estimulados a retomar os cursos de capacitação, pois as reavaliações também seriam retomadas.
Resultados: A partir de então foram realizados 11 cursos de multiplicadores pelo GTIAM (capacitando 295 profissionais) e 43 cursos pelas regionais (capacitando 1042 profissionais). Foi realizada uma reunião com os avaliadores, e a SES-RJ promoveu um curso que formou 20 novos avaliadores, totalizando 91 avaliadores nas diversas regiões do ERJ. No processo de certificação, foram realizadas 9 avaliações globais e reavaliações, totalizando 113 unidades certificadas.
Considerações finais: Após a pandemia, o investimento na capilarização e fortalecimento da IUBAAM tem se mostrado efetivo, contribuindo para a sustentabilidade desta política fundamental para a atenção primária no ERJ.
#127 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS LEVES NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: EXPERIÊNCIA EXTENSIONISTA INOVADORA NO AGOSTO DOURADO PARA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO
PRISCILLA SHIRLEY SINIAK DOS ANJOS MODES; ALICE MILANI NESPOLLO; DANIELE MAGALHÃES DE MEDEIROS
Universidade Federal de Mato Grosso
Resumo
O aleitamento materno constitui estratégia prioritária para a promoção da saúde materno-infantil, com impacto na redução da morbimortalidade infantil e no fortalecimento do vínculo mãe-bebê. Na Atenção Primária à Saúde (APS), ações educativas fundamentadas em metodologias participativas são essenciais para ampliar o conhecimento, fortalecer a autonomia e qualificar a tomada de decisão informada das mulheres. Nesse contexto, destacam-se as tecnologias leves em saúde, centradas nas relações, no acolhimento, na escuta qualificada e na produção compartilhada do cuidado. Diferentemente das tecnologias duras e leve-duras, as tecnologias leves priorizam a dimensão relacional e subjetiva do cuidado, potencializando o protagonismo feminino e a construção coletiva do conhecimento.
Este estudo teve como objetivo relatar a experiência da utilização de tecnologias educacionais leves em ações de educação em saúde sobre aleitamento materno, desenvolvidas durante a campanha do Agosto Dourado de 2024, no município de Sinop – Mato Grosso.
Trata-se de relato de experiência realizado em agosto de 2024, em quatro Unidades de Saúde da Família, conduzido por integrantes do projeto de extensão Ninho do Cuidado – Sinop. Participaram cerca de cem mulheres, entre gestantes, puérperas e suas parcerias. As ações foram estruturadas com base em metodologias ativas, de caráter lúdico e dialógico.
Foram desenvolvidas três estratégias: “Mama Quente”, com modelo anatômico para simulação do manejo da amamentação e problematização no formato mito ou verdade; “Caixa Surpresa da Amamentação”, com objetos relacionados ao aleitamento para estimular reflexão crítica; e “Gota de Leite”, recurso simbólico com afirmações destinadas à desconstrução de mitos e fortalecimento do conhecimento baseado em evidências.
Observou-se elevada adesão, participação ativa e interação significativa. Identificou-se ampliação do conhecimento sobre práticas adequadas de amamentação, maior reconhecimento de fatores que podem interferir negativamente no processo e fortalecimento da segurança para o manejo do aleitamento. As estratégias favoreceram o diálogo e a problematização de crenças culturalmente enraizadas.
Conclui-se que o uso de tecnologias educacionais leves na APS configura estratégia inovadora e eficaz para qualificar ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.
#241 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
WBTI BRASIL: TENDÊNCIAS NAS POLÍTICAS E PRÁTICAS DE AMAMENTAÇÃO NO BRASIL A PARTIR DE INDICADORES COMPARÁVEIS INTERNACIONALMENTE
CÍNTIA ERBERT; MARIA INÊS COUTO DE OLIVEIRA; CLEIA COSTA BARBOSA; ENILCE FONSECA SALLY; EVANGELIA KOTZIAS ATHERINO DOS SANTOS; MARCIA CRISTINA GUERREIRO DOS REIS; MARIA NEREIDA PANICHI; MARINA FERREIRA REA
IBFAN Brasil; UFF, IBFAN Brasil; UFSC, IBFAN Brasil; SMS-Bauru/SP, IBFAN Brasil
Resumo
Introdução: A WBTi (World Breastfeeding Trends Initiative) é uma pesquisa global sobre alimentação de lactentes e crianças de primeira infância. Lançada em 2004 pela IBFAN Índia (BPNI) e coordenada pela Rede IBFAN, visa comparar o progresso dos países na implementação da Estratégia Global para Alimentação de Bebês e Crianças Pequenas. Envolve governo, academia e sociedade civil, e reúne dados de mais de 100 países, coletados em diferentes períodos. No Brasil, houve pesquisas em 2008, 2014 e 2025.
Objetivos: Documentar tendências nas políticas de proteção, promoção e apoio à amamentação e nas práticas de alimentação infantil no Brasil, identificar lacunas e apontar ações para melhoria.
Metodologia: Realizou-se uma coleta de dados qualitativos e quantitativos, a partir de fontes governamentais e acadêmicas. Questões-chave sobre programas, políticas e práticas alimentares de lactentes e crianças pequenas foram utilizadas para obtenção dos dados relativos a 10 indicadores de políticas e 5 indicadores de práticas. Foi empregado um sistema de classificação, atribuindo cores a cada indicador, sendo identificadas lacunas, pontos fortes e fracos.
Resultados: Seis dos dez indicadores de políticas obtiveram uma pontuação boa: Política Nacional de Aleitamento Materno (9), Implementação do Código (9), Proteção à Maternidade (9), Apoio Informado, Educação e Comunicação (8), Sistemas de Monitoramento e Avaliação (8) e Sistemas de Cuidados de Saúde e Nutrição (7,5), Quatro indicadores obtiveram pontuação regular: Iniciativa Hospital Amigo da Criança (6,5), Alimentação Infantil e HIV (6), Alimentação Infantil em Emergências (5,5) e Serviços de Aconselhamento (5,0). Quanto aos indicadores de práticas, dois obtiveram uma pontuação boa: Início da Amamentação na Primeira Hora de Vida e Alimentação Complementar; um obteve pontuação regular: Amamentação Exclusiva nos Primeiros Seis Meses; e dois uma pontuação ruim: Duração Mediana da Amamentação e Uso de Mamadeira.
Conclusões: Em relação à pesquisa de 2014, avançamos de 70/100 para 73,5/100 com relação às políticas, destacando-se o indicador relativo à alimentação infantil em emergências. Nas práticas, houve avanço no indicador de alimentação complementar. A aplicação do WBTi favorece o engajamento intersetorial, a identificação de lacunas para o fortalecimento de políticas e práticas de amamentação e alimentação infantil adequadas.
Financiamento: IBFAN Brasil
#224 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Comunicação Coordenada
WORLD BREASTFEEDING TRENDS INITIATIVE - WBTi: AVANÇOS NAS POLÍTICAS E TENDÊNCIAS NAS PRÁTICAS DE AMAMENTAÇÃO NO BRASIL DE 2008 A 2025
MARIA INÊS COUTO DE OLIVEIRA; CINTIA ERBERT; CRISTIANO SIQUEIRA BOCCOLINI; RODRIGO PINHEIRO DE TOLEDO VIANNA; FABIANA SWAIN MULLER; SONIA MARIA SALVIANO MATOS DE ALENCAR; CLÉIA COSTA BARBOSA; MARINA FERREIRA REA
IBFAN; FIOCRUZ; UFPB
Resumo
Introdução: A World Breastfeeding Trends Initiative é uma pesquisa coordenada pela IBFAN Índia, lançada em 2004, para monitorar a implementação da Estratégia Global para a Alimentação de Lactentes e Crianças de Primeira Infância (OMS, 2003).
Objetivos: Avaliar os avanços nas políticas e práticas de aleitamento materno ao longo das três pesquisas WBTi realizadas no Brasil.
Métodos: Foram analisados os dados da pesquisa de 2025 e comparados os dados das pesquisas realizadas nos anos de 2008, 2014 e 2025 quanto aos 10 indicadores de políticas preconizados pelo WBTi (graus de 0 a 10). Para analisar as tendências nas práticas, foram comparadas as pesquisas de 2008 (usado dados do PNDS, 2006) e de 2025 (dados do ENANI, 2019).
Resultados: Os indicadores de políticas evoluíram, respectivamente: (1)“Política Nacional de Aleitamento Materno, Governança e Financiamento” - grau 9,0 nas três pesquisas; (2)“Iniciativa Hospital Amigo da Criança” - graus 2,5; 8,0 e 6,5; (3)“Implementação do Código” - graus 10; 9,0 e 9,0; (4)“Proteção à Maternidade” - graus 7,5; 8,5 e 9,0; (5) “Sistemas de Cuidado de Saúde e Nutrição” - graus: 5,0; 6,5 e 7,5; (6) “Serviços de Aconselhamento para Gestantes e Lactantes” - graus: 1,0; 7,0 e 5,0; (7) “Apoio Informado, Educação e Comunicação” - graus: 8,0; 9,0 e 8,0; (8)“Alimentação Infantil e HIV” - graus 5,0; 6,0 e 6,0; (9)“Alimentação Infantil durante Emergências” - graus 0; 0 e 5,5 e (10)“Sistemas de Monitoramento e Avaliação” - graus 5,0; 7,0 e 8,0. Os indicadores de práticas obtiveram: (11)“Início da Amamentação na Primeira Hora de Vida” as proporções: 42,9% e 62,4%; (12)“Amamentação Exclusiva < 6 meses”: 38,6% e 45,8%; (13)“Duração Mediana da Amamentação”: 14 meses e 15,9 meses; (14)“Uso de Mamadeira < 1 ano”: 47,1% e 44,2%; (15) “Alimentação Complementar 6-8m”: 99,0% e 86,3%.
Conclusões: O Brasil vem mantendo uma política nacional forte de promoção, proteção e apoio à amamentação. A maior parte dos indicadores de políticas apresentaram tendência de estabilidade, mas outros tiveram avanços, como “Alimentação Infantil durante Emergências”. Indicadores de práticas, como “Amamentação na Primeira Hora de Vida”, “Amamentação Exclusiva” e “Duração Mediana da Amamentação” também apresentaram avanços, mas outros não. Recomenda-se a realização de pesquisas WBTi com maior frequência no Brasil, a fim de monitorar a implementação das políticas e das práticas de aleitamento materno.
2. Pôsteres eletrônicos
#86 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
A EXTRAÇÃO PRECOCE DE COLOSTRO PÓS-PARTO INFLUENCIA NA OCORRÊNCIA DA LACTOGÊNESE II EM PUÉRPERAS COM OBESIDADE?
CLAUDIA BARBOSA SANTOS; CINTHIA DANIELA PERPÉTUO; PRISCILA MARIA GONÇALVES RUGGERI FAUSTINO; FERNANDA GASPAR DO AMARAL; ROSIANE MATTAR; DANIELA TESTONI; KELLY COCA
Departamento de Enfermagem em Saúde da Mulher, Escola Paulista de Enfermagem, UNIFESP; Departamento de Fisiologia, Escola Paulista de Medicina, UNIFESP; Departamento de Obstetrícia, Escola Paulista de Medicina, UNIFESP; Departamento de Pediatria, Escola Paulista de Medicina, UNIFESP
Resumo
Introdução: A obesidade materna está associada ao risco de atraso na lactogênese II. Mulheres com obesidade apresentam duas vezes maior risco de desmame precoce. Fatores metabólicos podem contribuir para a resposta reduzida à prolactina ocasionando o atraso, além de fatores emocionais como a sensação de baixa confiança na capacidade de amamentar.
Objetivo: Investigar a ocorrência da lactogênese II e o tipo de aleitamento na alta hospitalar em puérperas obesas submetidas à extração precoce do colostro pós-parto.
Metodologia: Estudo piloto do tipo ensaio clínico randômico realizado com as puérperas em obesidade no período de 2025 a 2026, em uma maternidade localizada no município de São Paulo. As participantes foram randomizadas para o grupo intervenção ou controle. Considerou-se obesidade a classificação de IMC da Organização Mundial de Saúde de ≥30kg/m², de acordo com o peso pré-gestacional das participantes. A lactogênese foi considerada estabelecida quando todos os sinais clínicos estavam presentes, incluindo mamas cheias, mamas quentes e sensação de peso nas mamas. A intervenção consistiu em educação e extração manual de colostro a partir de três horas após o parto, por 5 minutos em cada mama, imediatamente após a mamada, e oferta ao recém-nascido. A lactogênese II foi avaliada por meio da percepção materna e do exame físico das mamas na alta hospitalar. O estudo utilizou o teste exato de Fisher considerando os valores de p, risco relativo (RR) e intervalo de confiança de 95%.
Resultados: Um total de 39 puérperas foram analisadas, 18 no grupo intervenção e 21 no grupo controle. Ao analisar a ocorrência da lactogênese II, a maioria das puérperas obesas do grupo intervenção apresentaram apojadura, embora estatisticamente não foi significativo (p= 0,205). Já a comparação entre a ocorrência da lactogênese II com o tipo de aleitamento na alta, observou-se que 50% das mulheres do grupo intervenção tiveram os sinais e sintomas da lactogênese II durante a internação e encontravam-se em aleitamento materno exclusivo na alta hospitalar (p=0,047).
Conclusão: A lactogênese II não sofreu influência da extração manual de colostro precoce no pós-parto. Apesar disso, a intervenção tem potencial benefício para proteger o aleitamento materno exclusivo entre mulheres com obesidade. Estudos mais robustos poderão comprovar os resultados em uma população representativa.
#93 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
A IMPORTÂNCIA DA CONSULTORIA DE ALEITAMENTO MATERNO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
KAREN ANDRESSA DORNELES DA ROSA; DIEGO SILVEIRA SIQUEIRA
NÃO HÁ; DAPS/SES/RS
Resumo
Introdução: A consultoria em aleitamento materno constitui uma estratégia essencial para promover, proteger e apoiar a amamentação, contribuindo para superar dificuldades técnicas, emocionais e socioculturais que podem levar ao desmame precoce. Muitas puérperas enfrentam dor, insegurança, pega inadequada e falta de informação qualificada, o que reforça a necessidade de acompanhamento especializado.
Objetivo: Relatar a experiência de atuação em consultoria de aleitamento materno no atendimento individual a puérperas em uma unidade de atenção primária à saúde.
Método: Relato de experiência desenvolvido a partir de consultas realizadas com puérperas que buscaram apoio devido a dificuldades na amamentação. As intervenções incluíram acolhimento, escuta ativa, avaliação da mamada, correção da pega e posicionamento, além de orientações sobre manejo clínico da amamentação, extração manual, livre demanda e identificação dos sinais de fome e saciedade do recém-nascido. Foram realizadas visitas de seguimento para avaliar a evolução e reforçar as orientações.
Resultados: A intervenção possibilitou melhora imediata da técnica de amamentação, redução da dor e aumento da autoconfiança materna. A orientação individualizada contribuiu para desconstruir mitos, fortalecer o conhecimento sobre a fisiologia da lactação e promover segurança no processo de amamentar. Ao longo do acompanhamento, observou-se maior adesão ao aleitamento materno exclusivo, diminuição da ansiedade e fortalecimento do vínculo mãe-bebê. O suporte contínuo mostrou-se decisivo para prevenir o desmame precoce.
Conclusão: A consultoria de aleitamento materno demonstrou-se uma prática eficaz, humanizada e centrada nas necessidades da mulher. Além de resolver dificuldades imediatas, promove autonomia, continuidade do cuidado e melhores desfechos em saúde materno-infantil. Ampliar o acesso a esse serviço na atenção primária representa um investimento importante na promoção da saúde das famílias.
#216 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
A IMPORTÂNCIA DOS PROGRAMAS DE INCENTIVO AO ALEITAMENTO MATERNO
MIRTENE FEITOZA RIBEIRO; RAFAELA FARIA; ISRAEL ANANIAS DE LEMOS
Instituto da Mulher Dona Lindu
Resumo
Mostrar a importância dos programas de incentivo ao aleitamento materno, exclusivo nos 6 primeiros meses de vida do bebê, para a redução de problemas que podem levar à morte.
Métodos: Trata-se de um estudo bibliográfico, descritivo com abordagem qualitativa considerando artigos publicados nos períodos de 2010 a 2014, em sites como Scielo, Periódicos Capes, livros retirados do acervo da biblioteca da Universidade Paulista.
Resultados: Uma forma de chegar as informações nessas localidades seria a implantação do projeto carteiro amigo da criança, onde os mesmos dariam oportunidade às gestantes e às mães de crianças menores de um ano, para o recebimento de informações sobre as vantagens e a importância da amamentação, bem como o apoio e a orientação necessários para o aprendizado sobre a pega e a posição corretas e método de ordenha, entre outros.
Conclusão: Recomenda-se a implantação do projeto Carteiro Amigo da Criança à rede de apoio profissional, para contribuir permanentemente com a determinação materna em amamentar exclusivamente seu filho e reduzir o índice de mortalidade infantil nos seis primeiros meses de vida.
#296 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
A LUDICIDADE COMO FERRAMENTA DE CUIDADO: AÇÃO DO DIA DAS CRIANÇAS NO BANCO DE LEITE HUMANO DO HGF
THARSIA FEIJÓ DANTAS ARRAIS; ANA MÁRCIA BUSTAMANTE DE MORAIS; MAYSA OLIVEIRA ROLIM SANFORD FROTA; EVELINE COSTA DA SILVA; MARIA EUNICE LEAL CAVALCANTE; JÉSSYKA FONTENELES FREITAS; FABIANA GERMANO BEZERRA; SHEILA VERÔNICA FARIAS GONÇALVES
HOSPITAL GERAL DE FORTALEZA; HOSPITAL GERL DE FORTALEZA
Resumo
Objeto da experiência: No Dia das Crianças, realizou-se uma intervenção lúdica respondendo às demandas identificadas nas famílias atendidas pela puericultura do Banco de Leite Humano (BLH), do Hospital Geral de Fortaleza (HGF).
Contexto: No BLH, as rodas de conversa diárias na sala de espera são espaços de educação em saúde para promoção, proteção e apoio à amamentação. Identificando uma lacuna no conhecimento das famílias sobre estímulo sensorial, a equipe celebrou o Dia das Crianças com uma ação lúdica unindo orientações de puericultura à prática pedagógica e musical.
Descrição da execução Em outubro de 2025, realizou-se uma intervenção lúdico-musical na sala de espera do BLH do HGF, precedendo atendimentos de puericultura. O público-alvo foram lactentes (< 1 ano) e acompanhantes. A atividade, coordenada por um casal de pedagogos/músicos e equipe multiprofissional (pediatra, enfermeiras, residentes e acadêmicos), utilizou instrumentos de percussão artesanais, brinquedos educativos e cantigas populares sobre tapetes de EVA. A música atuou como mediadora para reduzir a ansiedade materna e estimular os bebês. Simultaneamente, a equipe orientou as mães sobre a importância do brincar no desenvolvimento neuropsicomotor e no fortalecimento do vínculo afetivo.
Resultados: A introdução da música humanizou o setor e facilitou a avaliação clínica do desenvolvimento neuropsicomotor e da interação social. A presença da pediatra, residentes e acadêmicos permitiu monitorar marcos de desenvolvimento e o fortalecimento do vínculo familiar. O lúdico atuou como ferramenta terapêutica, otimizando o exame físico e a adesão terapêutica, além de capacitar as mães para a continuidade das atividades em casa.
Considerações finais A intervenção demonstrou que a ludicidade e a música são ferramentas eficazes na humanização da puericultura e na facilitação da avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor. O grande diferencial da experiência foi o protagonismo dos pais na condução da atividade, cuja expertise pedagógica e musical transformou a sala de espera em um ambiente de aprendizado horizontal. Essa participação ativa da família não apenas fortaleceu o vínculo afetivo, mas validou o Banco de Leite Humano como um espaço de promoção integral da saúde, onde o saber técnico se integra à vivência comunitária e ao afeto.
#5 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
A PRIMEIRA INFÂNCIA COMO ESTRATÉGIA INTERSETORIAL: ARTICULAÇÃO EM OURO PRETO/MG NA PROMOÇÃO DA AMAMENTAÇÃO
CLEIA COSTA BARBOSA; MIE HANGAI COSTA; MARISTELA DE OLIVEIRA; ALINE PENA TESTASICCA SILVA; NIVEA VIANA; ISABELLA DA ROCHA SANTOS; DESIREÉ RUAS
IBFAN, MOPI, Aliança, CEAM, REPI-MG; MOPI; MOPI, Crer Ser; MOPI, IBFAN; PMPI- OP; REPI
Resumo
Introdução: A promoção do desenvolvimento integral na primeira infância constitui eixo estratégico das políticas públicas, especialmente quando articulada aos ODS, ao Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e à proteção do aleitamento materno. O município de Ouro Preto/MG vem consolidando, ao longo de décadas, uma trajetória de ações intersetoriais voltadas à promoção, proteção e apoio à amamentação, com forte participação da sociedade civil organizada. Nesse contexto, o Plano Municipal pela Primeira Infância de Ouro Preto (PMPI 2026–2035) emerge como instrumento estruturante de planejamento, governança e monitoramento das políticas para crianças de 0 a 6 anos.
Objetivo: Apresentar a experiência intersetorial, a articulação entre poder público e sociedade civil, sendo o aleitamento materno, eixo central do desenvolvimento integral na primeira infância, a partir da construção desde 2023.
Metodologia: Trata-se de um relato de experiência baseado em processos participativos, análise documental e sistematização das ações desenvolvidas no território. A construção do PMPI foi fortalecida por webinário e audiências públicas, assegurando transparência, controle social e escuta qualificada da comunidade e das crianças como princípio transversal. O PMPI também se alinha às diretrizes da iniciativa estadual Minas pela Primeira Infância (MaPI), garantindo coerência entre políticas municipais e estaduais.
Resultados e ações desenvolvidas: No campo da promoção, proteção e apoio à amamentação, o PMPI consolida-se como instrumento estratégico ao integrar ações das políticas de saúde, educação, assistência social, segurança alimentar e nutricional e da sociedade civil organizada. A governança intersetorial envolve a PMOP, o Movimento Ouro Preto pela Infância (MOPI) e entidades como IBFAN, Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, Comitê Estadual de Aleitamento Materno de MG, Sociedade Mineira de Amamentação, Acervo Aprender Brincando, como também a iniciativa Creche Amiga da Amamentação, Crer Ser, e a Rede Primeira Infância de Minas Gerais. Entre as ações já realizadas no território destacam-se a conquista do IV Prêmio Bibi Vogel (MS, 2013) e o Projeto AmarMentAção.
Considerações finais: A experiência histórica de Ouro Preto, em parceria com a IBFAN desde 1993 e com o MOPI desde 2017, evidencia o potencial do PMPI como ferramenta estruturante para integrar, qualificar e sustentar ações de estímulo aleitamento materno e à alimentação adequada no território.
#269 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
AÇÃO DE EXTENSÃO - RODAS DE CONVERSA COM MÃES DAS COMUNIDADES DE CAMPO GRANDE, MS
BEATRIZ DOS SANTOS DAHLEN CORREA; LETÍCIA BARROS DELMONDES; MARIA CLARA ALVES TLAES VILELA; MARINA DOS SANTOS MARQUES; DEISE BRESAN; OSVALDINETE LOPE DE OLIVEIRA SILVA; KARINE DE CÁSSIA FREITAS GIELOW
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Resumo
Objeto da experiência: A experiência teve como objeto a realização de rodas de conversa sobre aleitamento materno com mães da comunidade de Campo Grande, MS, desenvolvidas como atividade extensionista pela Liga Acadêmica Multiprofissional de Aleitamento Materno (LAMAM), com foco na promoção, proteção e apoio à amamentação.
Contexto no qual ocorreu
As ações foram realizadas no contexto da Atenção Primária à Saúde, em Unidades de Saúde da Família do município de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, considerando as persistentes barreiras ao aleitamento materno, como desinformação, mitos, dificuldades técnicas e fragilidade das redes de apoio às mães e gestantes.
Descrição da execução: As atividades ocorreram entre os anos de 2023 e 2025, em diferentes Unidades de Saúde da Família do município. Participaram mães, gestantes, acompanhantes, profissionais das equipes de Saúde da Família (enfermeiros, médicos e agentes comunitários de saúde) e estudantes e docentes integrantes da LAMAM.
As rodas de conversa foram conduzidas por meio de metodologias participativas, iniciando-se com apresentação do grupo e aplicação da dinâmica “Mito ou Verdade?”, seguida de diálogo aberto. As técnicas adotadas priorizaram escuta ativa, troca de experiências e abordagem de temas como benefícios do aleitamento materno, técnicas de amamentação, dificuldades frequentes (fissuras, ingurgitamento, confusão de bicos), Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, além da importância da doação de leite humano.
Resultados: Foram realizadas 12 rodas de conversa, com a participação de aproximadamente 60 mães e 20 profissionais de saúde. Observou-se elevada adesão e satisfação dos participantes, bem como interesse em novas atividades. As ações favoreceram o esclarecimento de dúvidas, o combate a mitos e o fortalecimento do vínculo entre mães e profissionais de saúde.
Considerações finais: A experiência das rodas de conversa constitui estratégia efetiva de educação em saúde, contribuindo para o empoderamento das mães, o fortalecimento das práticas de aleitamento materno e a construção de redes de apoio. A iniciativa reafirma a relevância das ações extensionistas no fortalecimento da atenção materno-infantil e na promoção de práticas baseadas em evidências científicas.
#294 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ACIDEZ E PERFIL ENERGÉTICO DO LEITE HUMANO PASTEURIZADO: EVIDÊNCIAS DE UMA DÉCADA EM UM BANCO DE LEITE HUMANO
RENATA VENTURIM; MÔNICA APARECIDA PESSOTO
Caism-Unicamp
Resumo
Introdução: a avaliação da acidez Dornic e do conteúdo energético do leite humano pasteurizado é fundamental para garantir sua segurança microbiológica e adequação nutricional, especialmente para recém-nascidos prematuros.
Objetivos: avaliar o perfil de acidez Dornic e o conteúdo energético, estimado pelo método do crematócrito, do leite humano pasteurizado em um BLH ao longo de dez anos.
Métodos: estudo retrospectivo com análise de 47.919 frascos de leite humano pasteurizado, correspondentes a 7.851 litros, processados entre 2014 e 2023 no BLH do CAISM-Unicamp. Foram avaliados os valores de acidez Dornic e a classificação calórica pelo método do crematócrito. Os dados foram analisados por estatística descritiva.
Resultados: a acidez média foi de 2,1°D (±1,04), com 96,1% das amostras entre 0 e 4°D. Apenas 0,04% das amostras apresentaram acidez ≥8°D, sendo descartadas. Quanto ao perfil energético, a média do crematório foi de 672,6 kcal/L (±113.2), sendo 54,7% do leite classificado como normocalórico, 39,7% como hipercalórico e 5,6% como hipocalórico, mantendo-se distribuição estável ao longo do período analisado.
Conclusões: o leite humano pasteurizado apresentou elevada conformidade quanto à acidez e adequada distribuição energética, refletindo a efetividade dos processos de controle de qualidade do BLH e assegurando a oferta de leite seguro e nutricionalmente adequado aos recém-nascidos.
#52 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
AÇÕES DE PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EM CONTEXTO CULTURAL E BENEFICENTE: EXPERIÊNCIA DO ESPAÇO AMAMENTAR EM PIRACICABA- SP
ANA PAULA VIOTO FERRAZ; DENISE HELENA FORNAZARI; LAURA LINO MENDES DA CRUZ; ANDRESA NUÑEZ GARCIA MENDES; KIZZI SILVA GERMANO NASCIMENTO DE MORAES; JANAÍNA CRISTINA FONSECA NEGRÃO; NATHÁLIA A. COSTA PIMENTA; MARIA CAROLINA S. DE ALBUQUERQUE; VALÉRIA CRISTINA DE OLIVEIRA FERREIRA
Comitê Municipal de Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável/Piracicaba-SP
Resumo
A promoção é um dos pilares para a ampliação das taxas de aleitamento, bem como para o alcance das metas globais de amamentação. Em Piracicaba, ocorre há 40 anos a tradicional Festa das Nações, no Parque do Engenho Central, um evento beneficente que traz diversão, socialização e arrecadação de recursos para entidades filantrópicas que compõem a Festa com barracas culinárias de diversos países. Dada a relevância desse evento para o município e região, em 2025 o Comitê Municipal de Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável (CMAMACS) percebeu a Festa como uma oportunidade para divulgação do aleitamento materno (AM) e da alimentação complementar saudável (ACS) no município, conseguindo articular com a organização do evento um espaço para tal. “Espaço Amamentar” foi o nome escolhido para a ação que o CMAMACS desenvolveu em parceria com os organizadores da Festa e com o Banco de Leite Humano do município. O local foi organizado em dois ambientes integrados: um para oferecer orientações com cartilhas sobre doação de leite humano (LH), AM e ACS, sendo também ponto para captar potenciais doadoras de LH; o outro espaço consistiu numa sala de amamentação bem estruturada com poltrona e mesa de apoio para quem desejasse amamentar. Um cartaz informativo no espaço destacava: “Você pode amamentar em qualquer lugar! Mas, se preferir um cantinho mais reservado, este espaço é todo seu”. Durante os 5 dias da Festa (14 a 18 de maio), o comitê atuou em escala de dois profissionais por período para atender a demanda do Espaço Amamentar. Para ampliar o alcance da divulgação, frases curtas e objetivas sobre o valor e a importância do aleitamento apareciam em telões espalhados pelo Parque, como “Amamentar reduz desigualdades e constrói um futuro saudável” e “A amamentação pode evitar até 823 mil mortes de crianças no mundo”. Acredita-se que a conquista desse espaço inédito em um evento do porte da Festa das Nações de Piracicaba, que teve público estimado em mais de 80 mil pessoas, foi um marco importante para divulgar o AM e a ACS no município. A fim de agregar valor e dar mais visibilidade, o CMAMACS, após a experiência inicial, almeja ampliar as atividades do Espaço Amamentar com brincadeiras relacionadas ao tema, para que outras pessoas possam interagir no espaço, se envolver com a causa e que o local seja ponto de coleta de frascos para doação de LH.
#14 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
AGOSTO DOURADO 2025: INCENTIVO AO ALEITAMENTO MATERNO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
CAROLINY ZAMPIRIS DE LIMA ARAÚJO; CHRISTIANE ZANOL DE ARAÚJO
Prefeitura Municipal de Muqui
Resumo
Muqui é um município de pequeno porte situado no interior do Espírito Santo, com abrangência de 100% da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Possui sete Unidades Básicas de Saúde (UBS), todas integradas a sete Estratégias de Saúde da Família, além de uma UBS de referência para atendimento de especialidades e uma UBS de referência em atendimento à mulher.
O projeto iniciou em agosto de 2022, acontecendo nos demais anos em todo mês de agosto e em 2025 o Agosto Dourado do município de Muqui caracterizou-se como uma ação intersetorial fortalecendo à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. A iniciativa contou com profissionais das áreas da saúde, educação e assistência social, integrantes da comissão intersetorial da Estratégia Nacional de Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil (PROTEJA), com o objetivo de buscar gestantes para acompanhamento do pré-natal, incentivar o aleitamento materno e promover a introdução alimentar adequada e saudável em tempo oportuno.
Ao longo do mês de agosto, foram realizadas rodas de conversa nas sete UBS do município, no CIAM (Casa de Apoio à Mulher), no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), em uma creche municipal e um evento de fechamento na Secretaria de Saúde, totalizando 11 encontros com a seguinte dinâmica: atendimento de pré-natal às gestantes, orientações educativas e rodas de conversa sobre o aleitamento materno.
Os encontros tiveram ornamentação temática, acolhimento, café da manhã e um mural itinerante com o tema “Por que a amamentação é importante para mim?” que promoveu interação, troca de experiências e esclarecimento de dúvidas às participantes.
O encerramento do Agosto Dourado ocorreu na Secretaria Municipal de Saúde, com a realização de palestras de caráter intradisciplinar, conduzidas por profissionais da Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia e Fisioterapia, seguidas da entrega dos kits de incentivo à amamentação para gestantes e puérperas que cumpriram a meta mínima de seis consultas de pré-natal na UBS de referência. Ao longo do mês, participaram das ações 125 pessoas, sendo 43 gestantes e puérperas, além de profissionais da saúde e redes de apoio. No último dia, 9 gestantes e puérperas realizaram a retirada do kit.
O Agosto Dourado em Muqui evidenciou que o trabalho interdisciplinar fortalece vínculos e gera impactos reais na vida das gestantes e puérperas do município.
#87 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
AGOSTO DOURADO — MÊS DA AMAMENTAÇÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DAS RESIDÊNCIAS COM FOCO EM ATENÇÃO À SAÚDE MATERNO-INFANTIL DO GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO
PAULA DE LIMA MARKUS; CHRISTY HANNAH SANINI BELIN; DINARA DORNFELD
Escola GHC - Grupo Hospitalar Conceição; Grupo Hospitalar Conceição
Resumo
A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) é um movimento global focado na proteção, promoção e apoio à amamentação. Desde a sua formação, os programas de Residência em Atenção à Saúde da Mulher e da Criança e Enfermagem Obstétrica do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) são comprometidos com o aleitamento materno (AM), na perspectiva da defesa da segurança alimentar. Anualmente engajam-se em ações de conscientização e fortalecimento da amamentação, em celebração ao Agosto Dourado — Mês da Amamentação. Em 2025, residentes e preceptores dos referidos Programas desenvolveram uma programação contemplando atividades em Grupo de Amamentação (GA) e Pintura do Ventre Materno (PVM). O GA segue a metodologia de jogo de “Mitos e Verdades”, em que os participantes em roda de conversa retiram perguntas norteadoras de uma caixinha. Este objetiva a reflexão, valorização e conscientização em AM, através da escuta ativa e diálogo entre gestantes, puérperas, familiares e profissionais de saúde. Ao todo foram planejados 5 grupos distribuídos em 2 unidades de saúde (US) do GHC e na internação de gestação de alto risco dos hospitais Nossa Senhora da Conceição (HNSC) e Fêmina (HF). A oficina PVM carrega grande significado, pois proporciona interação entre residentes e gestantes, além de ser um momento de bem-estar, relaxamento e fortalecimento do vínculo mãe-bebê. Esta atividade lúdica da pintura do “bebê” no ventre contribui para a redução da ansiedade, promove autoestima e cria memórias afetivas. Sendo um pedido frequente das participantes, a Residência elaborou um projeto para aquisição de câmera de fotos instantâneas para entrega do registro impresso a cada participante. Ao todo foram planejadas 6 oficinas, 3 em US do GHC, 2 no HNSC e 1 no HF. Esta última foi exibida pela TV Educativa de Porto Alegre (TVE), com a matéria “Agosto Dourado: Amamentar é garantir vida saudável” (disponível no YouTube). A Residência também registrou presença no Seminário do Grupo de Incentivo à Amamentação do HNSC e Hospital da Criança Conceição, no Curso Prático de Manejo Clínico de AM do Banco de Leite Humano do HF, e no Seminário Estadual da SMAM (RS). Conclui-se que a Residência é política e potente, sendo ponto de integração dos diferentes níveis de assistência à saúde, atuante em prol do cuidado Humanizado da saúde materno-infantil, consonante com os princípios do Sistema Único de Saúde.
#16 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
ALEITAMENTO HUMANO E A PERSPECTIVA DA INTERSECCIONALIDADE QUEER: CONTRIBUIÇÕES PARA A PRÁTICA INCLUSIVA
NATÁLIA SEVILHA STOFEL; ANNIE MELLEM BOLISSIAN; BRENDA EMANUELLY DE CAMPOS FERREIRA; FLÁVIO ADRIANO BORGES; BRUNO TORELLI DE CAMARGO; NATÁLIA REJANE SALIM; IRAÍ MARIA DE CAMPOS TEIXEIRA
UFSCar
Resumo
Introdução: O aleitamento humano é atravessado por construções sociais, culturais e políticas que influenciam diretamente as práticas de cuidado em saúde. Historicamente, esse campo tem sido marcado por uma linguagem cisheteronormativa que reforça modelos binários de gênero e parentalidade, produzindo invisibilizações e exclusões, especialmente de pessoas trans, não binárias e outras identidades dissidentes. A linguagem, enquanto tecnologia social, atua tanto na produção de sentidos quanto na organização das práticas institucionais de cuidado.
Objetivos: refletir sobre a importância da linguagem neutra no campo do aleitamento humano, a partir da perspectiva da interseccionalidade queer.
Métodos: Trata-se de um ensaio teórico-reflexivo fundamentado em produções acadêmicas sobre aleitamento humano, gênero, sexualidade e interseccionalidade queer. A análise crítica da literatura permitiu problematizar os efeitos da linguagem utilizada nas práticas clínicas, nos materiais educativos e nas políticas públicas de saúde, considerando seus impactos sobre o acesso, o vínculo e a integralidade do cuidado.
Resultados: Identificou-se que a predominância de uma linguagem heterocis normativa no campo do aleitamento contribui para a marginalização simbólica e institucional de pessoas LGBTQIA+, reforçando barreiras no cuidado em saúde. Evidenciou-se que o uso de linguagem neutra e inclusiva favorece o reconhecimento da diversidade de experiências de quem amamenta, amplia o acolhimento nos serviços de saúde e fortalece práticas alinhadas aos princípios da equidade e da integralidade. Coloca-se algumas sugestões de adaptação da clínica em aleitamento para melhor acolher as diversidades.
Conclusões: A incorporação de linguagem inclusiva no contexto do aleitamento humano constitui uma estratégia potente para a transformação das práticas de cuidado em saúde, ao desafiar normas excludentes e promover justiça social. Destaca-se a necessidade de formação permanente de profissionais de saúde e do fortalecimento de políticas públicas comprometidas com o reconhecimento da diversidade e com a garantia de direitos no cuidado em saúde.
Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), 2021/11623-5
#228 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ALEITAMENTO MATERNO E CARREIRA PROFISSIONAL DE MULHERES MILITARES NO MATO GROSSO DO SUL: ESTUDO MISTO PARA IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
MARLISE HELENA RIBEIRO BERNARDES DE BARROS; MARCO ANTONIO COSTA DA SILVA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
Resumo
Introdução: As militares enfrentam problemas de diversas naturezas, principalmente relacionados à ascensão profissional, em razão dos desafios associados ao aleitamento materno e à maternidade. A valorização da maternidade como etapa legítima da vida e da carreira, e não como empecilho, é essencial para a construção de ambientes mais equitativos e saudáveis. Proporcionar condições para o aleitamento materno, conforme orienta a Organização Mundial da Saúde, é primordial para a mulher e para sua carreira.
Portanto, é necessário compreender a trajetória profissional dessas mulheres e as dificuldades que enfrentam, a fim de promover maior equidade na carreira. O desfavorecimento na progressão profissional, em virtude de sua condição natural de amamentar e ser mãe, não pode ser considerado aceitável.
Objetivos: Assim, o estudo busca responder à seguinte questão de pesquisa: como a legislação atual impacta as possibilidades de ascensão na carreira militar das mulheres no Mato Grosso do Sul? O objetivo geral da pesquisa é analisar as atuais condições de ascensão das mulheres na carreira militar no Estado. Dessa forma, pretende-se compreender a legislação e seus impactos na carreira da mulher militar, além de analisar os desafios relacionados ao aleitamento e à maternidade que essas mulheres enfrentam na ascensão profissional.
Metodologia: Trata-se de uma pesquisa que utilizou métodos mistos, de natureza quantitativa e qualitativa. A população da pesquisa foi constituída por mulheres bombeiras e policiais militares do Estado. Os dados foram coletados por meio da aplicação de um survey composto por questões fechadas e uma questão aberta. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva (pesquisa quantitativa) e análise de conteúdo (pesquisa qualitativa).
Resultados: O conflito “maternidade versus carreira” nas corporações militares foi identificado como um empecilho ao avanço nas promoções e à busca por ascensão profissional. Muitas mulheres deixam de amamentar ou reduzem o tempo de amamentação para se adequar às exigências da profissão.
Conclusões: A percepção das militares bombeiras e policiais, capturada nas respostas ao questionário e na questão aberta, permite concluir que, para avançar na igualdade de gênero dentro das corporações do Estado e fortalecer o empoderamento de mulheres e meninas, são necessárias políticas públicas e um reordenamento jurídico.
#270 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ALEITAMENTO MATERNO E EMPREENDEDORISMO FEMININO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA LAMAM NO EVENTO DELAS DAY EM CAMPO GRANDE, MS
KETELYN VITÓRIA DE FREITAS QUADROS; BIANCA CASSIMIRO LEITE; GIULIA SILVA MONCINHATTO; DEISE BRESAN; OSVALDINETE LOPES DE OLIVEIRA SILVA
UFMS
Resumo
Introdução: O presente trabalho relata a experiência da Liga Acadêmica Multiprofissional de Aleitamento Materno (LAMAM) no evento Delas Day, realizado em 26 de março de 2025, em Campo Grande - MS, voltado ao fortalecimento do protagonismo feminino. A participação da liga teve como objetivo promover a conscientização sobre a importância do aleitamento materno em um espaço de empreendedorismo feminino, reconhecendo a mulher em sua integralidade.
Contexto no qual ocorreu
A ação ocorreu por meio de um estande educativo conduzido por acadêmicas da LAMAM previamente capacitadas em aleitamento materno. As atividades incluíram distribuição de folders informativos baseados em evidências científicas, realização da dinâmica interativa “Verdade ou Mito” e abordagem acolhedora das participantes, incentivando o diálogo e a troca de experiências.
Descrição da execução: A atividade foi realizada durante o Delas Day, com participação de acadêmicas da LAMAM e do público presente no evento, composto majoritariamente por mães, gestantes e mulheres da área da saúde, como doulas e agentes comunitárias. No estande educativo foram desenvolvidas estratégias de educação em saúde, incluindo entrega de materiais informativos e realização da dinâmica “Verdade ou Mito”, voltada à desmistificação de crenças relacionadas à amamentação. A abordagem adotada foi ativa e dialógica, favorecendo esclarecimento de dúvidas e troca de experiências.
Resultados: Observou-se bom engajamento das participantes. Durante as interações foram relatadas dificuldades relacionadas à amamentação, como dor, pega incorreta, retorno ao trabalho e falta de apoio. A dinâmica evidenciou a presença de mitos sobre o aleitamento materno e estimulou a participação do público. Os folders contribuíram para ampliar o acesso às informações.
Considerações finais: A experiência contribuiu para a formação das ligantes, fortalecendo habilidades comunicacionais e atuação em educação em saúde. A inserção da temática em um evento de empreendedorismo ampliou o debate sobre autonomia e direitos das mulheres. Conclui-se que ações extensionistas em espaços externos à universidade são estratégias relevantes para promoção do aleitamento materno e fortalecimento da rede de apoio.
#89 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
ALEITAMENTO MATERNO E FERRO SUPLEMENTAR EM BEBÊS NASCIDOS PEQUENOS PARA IDADE GESTACIONAL EM UMA MATERNIDADE PÚBLICA DO SUL DO BRASIL: ASPECTOS METODOLÓGICOS
PAULA DE LIMA MARKUS; AGNES LUDWIG NEUTZLING; CHRISTY HANNAH SANINI BELIN; DINARA DORNFELD; JULIANA JESSY BONINI; MÁRCIA CORDEIRO DA CUNHA
Escola GHC - Grupo Hospitalar Conceição; Grupo Hospitalar Conceição
Resumo
Introdução: O Brasil avançou significativamente na saúde infantil e na criação de políticas públicas de saúde materno-infantil, pactuando com os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) da ONU de redução de mortalidade neonatal e a erradicação dos distúrbios de má nutrição infantil. O aleitamento materno (AM) e a suplementação de ferro são eixos estratégicos preconizados pelo Ministério da Saúde para o pleno desenvolvimento humano. Os recém-nascidos pequenos para a idade gestacional (PIG) apresentam riscos aumentados de mortalidade, sendo um desafio de saúde pública.
Objetivo: Descrever o tipo de AM predominante e prescrição suplementar de ferro entre bebês PIG em uma maternidade de alta complexidade no sul do Brasil.
Metodologia: Estudo de coorte com bebês PIG (< P10) nascidos em uma maternidade pública em Porto Alegre/RS. A coleta de dados está em andamento e contempla dados do nascimento (1° etapa) e da puericultura no 4° e 6° meses de vida (2° etapa). Variáveis de interesse: sexo; peso, comprimento e índice de massa corporal (IMC); tipo de aleitamento materno; presença de prescrição de sulfato ferroso aos 4 e 6 meses de vida, necessidade de internação neonatal.
Resultados: Os dados da 1° etapa são provenientes da aplicação de questionário estruturado com gestantes adultas no centro obstétrico por 9 entrevistadores treinados. Da tabulação dos dados, após a 1° e 2° digitação dos questionários, depreendeu-se que dos 1376 participantes selecionados na 1° etapa, 100 são PIG, sendo 60 (%) do sexo feminino. Na 2° etapa foi utilizado um instrumento de pesquisa cadastrado em formulário online onde os 5 coletadores capacitados inseriram os dados coletados do sistema de prontuário eletrônico do cidadão (PEC), mantendo controle em planilha de verificação. Nesta etapa foi identificado 1 óbito neonatal e internação de 31 (%) em Unidade Neonatal de média e alta complexidade. Os motivos predominantes para internação foram prematuridade, bradicardia, desconforto respiratório precoce, asfixia perinatal, taquipneia, hipoglicemia, baixo peso, extremo baixo peso, perda de peso, exposição à sífilis, HIV e substância psicoativa.
Conclusão: Considerando a complexidade do cuidado de bebês PIG, estudos que busquem a identificação de fatores associados ao AM e prevenção de deficiência de ferro tornam-se relevantes e necessários, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde.
#110 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ALEITAMENTO MATERNO E INÍCIO DA INTRODUÇÃO ALIMENTAR EM CRIANÇAS NO QUINTO MÊS DE VIDA DAS ALDEIAS JAGUAPIRU E BORORÓ, MATO GROSSO DO SUL
JAÍNE FERNANDES DE AQUINO; LARA CÂNDIDA MARTINS VERA; SUELEN ROTELA DOS REIS; ROBERTA ARCE ISNARDI; INDIANARA RAMIRES MACHADO; SONIA GUIOMAR MACHADO; RENATA PALÓPOLI PÍCOLI
Fundação Oswaldo Cruz - Mato Grosso do Sul (Fiocruz-MS)
Resumo
Introdução: As práticas de aleitamento materno e de introdução alimentar são socialmente construídas e influenciadas por saberes locais, dinâmicas familiares e condições de vida. Em contextos indígenas, compreender essas práticas é essencial para orientar ações de promoção da alimentação infantil culturalmente sensíveis.
Objetivos: Descrever as práticas de aleitamento materno e o início da introdução alimentar em crianças no quinto mês de vida das aldeias Jaguapiru e Bororó, Mato Grosso do Sul (MS), caracterizando os tipos de aleitamento materno e os alimentos já ofertados.
Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, vinculado a uma pesquisa mais ampla desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz - MS (Fiocruz-MS). Foram incluídas crianças no quinto mês de vida residentes nas aldeias Jaguapiru e Bororó no MS, avaliadas entre agosto e dezembro de 2025. A coleta de dados ocorreu por visitas domiciliares, com aplicação de questionário às mães. As informações sobre aleitamento materno e introdução alimentar foram obtidas por relato materno, e os dados analisados no software IBM SPSS, apresentados em frequências absolutas e relativas. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 85219724.6.0000.8027).
Resultados: Participaram 133 crianças no quinto mês de vida das aldeias Jaguapiru (n=70) e Bororó (n=63), sendo 53,4% Kaiowá, 19,5% Guarani e 27,1% Terena. A prevalência de aleitamento materno exclusivo foi de 26,3%, 35,3% estavam em aleitamento materno complementado e 26,3% em aleitamento materno misto, enquanto 12,0% não mamavam ou nunca haviam mamado no peito. No quinto mês de vida, 73,7% das crianças já haviam recebido alimento ou leite não materno, sendo mais frequentes feijão (67,2%), sopa (61,2%), cereais e massas (53,1%), leite não materno (52,0%), frutas, legumes e verduras (51,0%), carnes (29,6%) e mingau (27,6%).
Conclusões: Os achados reforçam a necessidade de ações de promoção do aleitamento materno e da alimentação complementar culturalmente sensíveis à realidade indígena, que fortaleçam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e orientem a introdução oportuna da alimentação complementar.
Financiamento: O presente trabalho foi financiado pelo Programa Inova Fiocruz.
#209 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO NO ESTADO DA BAHIA: PANORAMA A PARTIR DOS DADOS DO SISVAN
MATTOS, VCR, JESUS, LSB E MONTAL MCC
Secretaria de Saúde do Estado da Bahia
Resumo
Introdução: O aleitamento materno exclusivo (AME) é fundamental para a redução da mortalidade infantil por causas evitáveis, além de promover benefícios à saúde materna e fortalecer o vínculo mãe-filho. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) constitui importante ferramenta para monitoramento do consumo alimentar nos ciclos de vida. No Brasil, observa-se avanço nas taxas de AME, e a Bahia tem contribuído positivamente para esse cenário.
Objetivo: Avaliar a evolução das taxas de AME em crianças menores de seis meses no estado da Bahia, no período de 2021 a 2024, com base em dados do SISVAN.
Metodologia: Estudo descritivo com dados secundários do SISVAN referentes ao monitoramento do consumo alimentar de crianças de 0 a 6 meses na Bahia, extraídos em janeiro de 2026. Foram analisados relatórios consolidados do Marcador de Consumo Alimentar para o indicador AME, abrangendo ambos os sexos e todas as categorias sociodemográficas, com posterior análise descritiva.
Resultados: Verificou-se uma tendência de crescimento nas taxas de aleitamento materno exclusivo (AME) no estado da Bahia ao longo do período avaliado. Observou-se aumento de 53% em 2021 para 58% em 2024, resultando em média de 55,5%, superior às médias nacional (54,75%) e da Região Nordeste (49,25%). Destaca-se que o menor percentual foi registrado em 2021, possivelmente associado aos impactos da pandemia da Covid-19 sobre o acesso aos serviços de saúde e o acompanhamento na Atenção Primária à Saúde (APS).
Conclusão: Observa-se avanço progressivo do AME na Bahia, com desempenho acima das médias nacional e regional. Essa tendência ascendente evidencia o fortalecimento das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno no âmbito da APS. Nesse sentido, o monitoramento contínuo por meio do SISVAN mostra-se fundamental para subsidiar o planejamento, a avaliação e o aprimoramento das políticas públicas de alimentação e nutrição, contribuindo para o alcance das metas nacionais e globais de aleitamento materno exclusivo até 2030.
#37 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E SAÚDE BUCAL COMO ESTRATÉGIA DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO CUIDADO INFANTIL: A CONSTRUÇÃO DE MATERIAL EDUCATIVO PARA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
LIVIA CARDOSO GOME ROSA; PATRICIA HERAS VIÑAS; ALINE RODRIGUES DE AGUIAR; AMANDA DA SILVA FRANCO; SILVIA CRISTINA FARIAS; RENATA ALVES FONSECA DE BARROS; LARISSA HAYDÉE COSTA ALVADIA
Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro; Universidade Estadual do Rio de Janeiro
Resumo
Objeto da experiência: Folder educativo voltado à promoção da saúde bucal de lactentes articulada à alimentação adequada e saudável.
Contexto: A experiência ocorreu no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), considerando a importância da integração entre promoção da saúde, alimentação infantil e saúde bucal no desenvolvimento infantil, bem como a articulação entre serviços de saúde e instituições formadoras para qualificação das práticas educativas.
Descrição da execução: O folder foi desenvolvido no âmbito do Eixo de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável da Coordenação de Educação em Saúde da Superintendência de Promoção da Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, em parceria com uma estagiária de Saúde Coletiva da graduação em Odontologia da Universidade Federal Fluminense. A execução ocorreu durante o período de estágio curricular, entre outubro de 2024 a janeiro de 2025. As etapas incluíram: orientação técnica sobre alimentação adequada e saudável na infância; discussão conceitual sobre a relação entre alimentação e saúde bucal; definição do público-alvo; seleção e organização dos conteúdos; e adequação da linguagem para utilização por cirurgiões-dentistas, técnicos e auxiliares de saúde bucal em consultas individuais, atividades em grupo e ações no território. A etapa final consistiu na revisão técnica do material pela equipe de saúde bucal da Superintendência de Atenção Primária.
Resultados: O folder educativo intitulado “Alimentação e Saúde Bucal”, com linguagem acessível, abordagem lúdica e conteúdos baseados em evidências científicas foi organizado em seções temáticas que articulam alimentação, desenvolvimento oromotor e prevenção da cárie dentária, incluindo orientações sobre higiene bucal, introdução alimentar adequada e saudável, desencorajamento do uso de mamadeiras e chupetas e período aproximado de erupção dos dentes decíduos. A experiência também contribuiu para a formação da graduanda, ao possibilitar a aproximação entre teoria e prática no contexto do Sistema Único de Saúde.
Considerações finais: A construção compartilhada de materiais educativos no âmbito da APS fortalece as ações de educação em saúde, a interdisciplinaridade e a integração ensino-serviço, qualificando o cuidado integral e contribuindo para uma formação crítica e contextualizada dos profissionais de saúde.
#203 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
AMAMENTAÇÃO E ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR SAUDÁVEL: CENÁRIO EPIDEMIOLÓGICO DE CRIANÇAS DE 6 a 23 MESES NA BAHIA
MATTOS, VCR, JESUS, LSB E MONTAL, MCC
Secretaria de Saúde do Estado da Bahia
Resumo
Introdução: A alimentação nos primeiros anos é determinante para o crescimento e desenvolvimento infantil. Práticas inadequadas aumentam riscos de mortalidade, agravos à saúde e impactos ambientais. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) monitora indicadores na Atenção Primária à Saúde por meio dos Marcadores de Consumo Alimentar, baseados no Guia Alimentar para a População Brasileira, permitindo acompanhamento contínuo das práticas alimentares.
Objetivo: Descrever o cenário da amamentação e dos marcadores de alimentação saudável e não saudável em crianças de 6 a 23 meses na Bahia.
Metodologia: Estudo descritivo com dados de 2024 extraídos do SISVAN em janeiro de 2026. Analisaram-se relatórios de marcadores de consumo alimentar de crianças de 6 a 23 meses, de ambos os sexos, todas as categorias de raça/cor e escolaridade, com tabulação e análise descritiva.
Resultados: Foram avaliadas 49.499 crianças. O instrumento inclui 20 questões (sim/não) sobre consumo no dia anterior sobre aleitamento materno continuado; introdução alimentar; diversidade alimentar mínima; frequência mínima e consistência adequada; consumo de alimentos ricos em ferro e vitamina A; além de marcadores de consumo não saudável. Observou-se: aleitamento materno continuado (69,89%); diversidade mínima (67,81%); frequência mínima e consistência adequada (88,22%); consumo de alimentos ricos em ferro (21,93%) e vitamina A (74,64%). Entre os marcadores não saudáveis: ultraprocessados (30,05%); hambúrgueres/embutidos (6,65%); salgadinhos/macarrão instantâneo (14,89%); doces/biscoitos recheados (16,13%); bebidas adoçadas (17,13%).
Conclusão: Os marcadores do SISVAN refletem de forma prática a qualidade global da alimentação infantil na rede pública. Persistem desafios, sobretudo o baixo consumo de alimentos ricos em ferro e a presença de ultraprocessados, indicando necessidade de ações intersetoriais, inclusivas e sustentáveis para promoção da alimentação adequada e saudável.
#275 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
AMAMENTAÇÃO EM PÚBLICO: A MULHER E SEUS DESAFIOS NOS TEMPOS ATUAIS
LILIAN KUHNERT CAMPOS; NÉBIA MARIA ALMEIDA DE FIGUEIREDO
UNIRIO
Resumo
O desconforto de amamentar em público é uma percepção recorrente em muitas mulheres, influenciado por aspectos culturais de cada país. O desconforto das mulheres com a amamentação em público dificulta o aleitamento em livre demanda e contribui para o desmame precoce. Apesar do assunto não ser novo, não sabemos qual a magnitude deste problema no Brasil.
Objetivo: O objetivo deste estudo é identificar e analisar as percepções das mulheres e da sociedade em geral a respeito da amamentação em público e discutir o possível impacto deste fator no aleitamento materno.
Metodologia: Foi realizado um estudo qualitativo através da análise de conteúdo de postagens e comentários publicados nas redes sociais Instagram e Twitter sobre o assunto.
Resultados: Os dados dos 117 comentários publicados foram organizados e decodificados em 2 categorias. Observamos uma ampla aprovação da amamentação em público, por 93,2% das pessoas que se manifestaram pelas redes sociais. A percepção predominante das pessoas é que a amamentação em público é um ato natural que envolve muitos sentimentos positivos e deve ser encarado como uma decisão exclusiva da mulher. Os fatores que mais impactam esta prática são o desconforto das mulheres por perceberem reprovação, malícia ou constrangimento das pessoas ao redor, tendo suas origens na objetificação do corpo feminino e sexualização do ato de amamentar.
Conclusão: Concluímos que existe em nosso meio uma ampla aprovação da amamentação em público, mas a percepção de inadequação ainda ronda as mulheres. Este, entretanto, não parece ser um fator limitante para o sucesso da amamentação como acontece em outros países. Estudos adicionais se fazem necessários para aprofundar a questão e elaborar novas estratégias para promover a amamentação, garantindo a autonomia e o bem-estar da mulher.
#90 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
AMAMENTAR É CUIDAR: A IMPORTÂNCIA DA ENFERMAGEM NOS PRIMEIROS DIAS DE VIDA
KAREN ANDRESSA DORNELES DA ROSA; DIEGO SILVEIRA SIQUEIRA
Não há; DAPS/SES/RS
Resumo
Introdução: A amamentação desempenha papel essencial na nutrição, imunidade, vínculo e desenvolvimento do recém-nascido. Os primeiros dias de vida são decisivos para o estabelecimento do aleitamento materno, especialmente diante das intensas mudanças hormonais, emocionais e fisiológicas vivenciadas pela mãe. Nesse contexto, a enfermagem assume papel fundamental na promoção, proteção e apoio ao aleitamento, oferecendo manejo adequado e acolhimento humanizado às famílias.
Objetivo: Apresentar aspectos fisiológicos e práticos do aleitamento nos primeiros dias pós-parto, destacando o papel da enfermagem no manejo, apoio emocional e prevenção de dificuldades comuns durante o início da amamentação.
Método: Trata-se de um estudo teórico-descritivo, elaborado a partir da análise integral do conteúdo apresentado em uma palestra destinada a estudantes de enfermagem sobre amamentação nos primeiros dias de vida. O material foi examinado em seus aspectos conceituais, fisiológicos e práticos, incluindo informações referentes à lactogênese, apojadura, características do recém-nascido e práticas de manejo clínico da amamentação.
Resultados: Observa-se que a atuação da enfermagem impacta diretamente o sucesso da amamentação. A avaliação da pega, correção de posicionamento, escuta ativa e acolhimento emocional reduzem fissuras, dor e inseguranças maternas. A equipe também protege a amamentação de interferências inadequadas, como introdução precoce de fórmulas e uso de bicos artificiais sem indicação. A palestra enfatiza que o cuidado humanizado é decisivo para fortalecer a confiança materna e favorecer o vínculo.
Conclusão: O estabelecimento do aleitamento nos primeiros dias depende de orientação qualificada, manejo adequado e suporte emocional. A enfermagem exerce papel estratégico como guardiã da amamentação ao identificar precocemente dificuldades, orientar práticas seguras e oferecer acolhimento sensível e baseado em evidências. Fortalecer esse cuidado contribui para o sucesso do aleitamento e a saúde integral da díade.
#35 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
AMBULATÓRIO DE AMAMENTAÇÃO - REFERENCIAL DE CUIDADO NA ATENÇÃO ESPECIALIZADA NO MUNICÍPIO DE JARDIM, MS, UM RELATO DE EXPERIÊNCIA EXITOSA NO SUS
HELOISA VASCONCELOS BRAGA BENITES; ADRIELLY FERNANDES TORRES MACHADO; CLAUDIA INACIA TOMAZ BARBOSA PALHANO; ALINE LIRA CLIVELARO MONTEIRO
Prefeitura Municipal de Jardim
Resumo
O município de Jardim Mato Grosso do Sul com população estimada em aproximadamente 34.509 habitantes, está localizada na região do baixo pantanal, sendo estrategicamente posicionada entre os municípios da região sudoeste de Mato Grosso do Sul, com elevado grau numérico de população rural, assentados e população fronteiriça que muitas vezes carecem de informações relacionadas à prevenção de doenças e agravos da saúde, neste contexto a rotina de atendimento materno-infantil no modelo PASA acolhemos puérperas e nutrizes com dificuldades no processo inicial de aleitamento materno, da constante observância das queixas relacionadas a segurança alimentar de recém nascidos e puérperas estratificados como alto risco percebeu-se a necessidade de estabelecer fluxo de atendimento pontual, orientação familiar e referenciamento também para os profissionais da APS no manejo da amamentação, sendo realizados atendimentos individuais conforme a queixa das nutrizes, dentro da unidade de Atenção Especializada, nos setores de fonoaudiologia, nutrição, psicologia e pediatria assegurando o apoio técnico especializado e transdisciplinar durante este período primordial para o desenvolvimento global do recém- nascido e encorajamento das mães, assim como rodas de conversas junto a agentes comunitários de saúde para informar esta população sobre condutas mais assertivas no manejo da amamentação, incentivando o apoio familiar embasado afastando mitos e medos envolto ao ato de amamentar . O impacto deste serviço não só tornou-se referência dentro do município de Jardim, criando possibilidades e ampliando saberes compartilhados entre a Atenção Especializada e as equipes de Estratégia de Saúde da Família mas na proteção e conscientização comunitária da permanência do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses ou mais, preconizando a saúde integral da criança classificada como alto risco além de sua breve recuperação diminuindo consideravelmente seu potencial para a mortalidade infantil causados por desnutrição, diarreia e quadros infecciosos.
Financiamento: FMS
#261 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
ANÁLISE DO VOLUME DE COLETA DE LEITE HUMANO EM MARÍLIA E REGIÃO E DISTRIBUIÇÃO AOS HOSPITAIS DE REFERÊNCIA
SANDRA MENDONÇA OLIVEIRA DOMINGUES; SÔNIA MARIA LIMA PERES; EDINALVA NEVES NASCIMENTO
Banco de Leite Humano da Secretaria Municipal de Saúde de Marília
Resumo
Introdução: A doação de leite humano é essencial para o desenvolvimento de recém-nascidos, especialmente prematuros ou de baixo peso.
Objetivo: Verificar o volume de leite humano coletado e distribuído em hospitais no período de um ano.
Metodologia: Este estudo analisou os dados mensais de coleta e distribuição de leite humano em Marília e região ao longo de 2025, com base em registros próprios da equipe do Banco de Leite Humano (BLH).
Resultados: Em Marília, a coleta cresceu continuamente: janeiro 55,9 litros, fevereiro 60,5 litros, março 67,5 litros, abril 78 litros, maio 86,17 litros e junho 125,5 litros, maior aumento registrado. Nos meses seguintes, pequenas oscilações: julho 121,35 litros, agosto 111,3 litros, setembro 121,9 litros, outubro 121,67 litros, novembro 117,15 litros e dezembro 127,4 litros, o maior volume do ano. A coleta mais que dobrou do início ao final do ano. Na região, os volumes oscilaram: janeiro 48,8 litros, fevereiro 39,55 litros, março 33,75 litros. A partir de abril houve recuperação gradual (41,85 litros), com leves elevações em maio (42,45 litros) e junho (52,65 litros). Os meses de julho e agosto registraram 50,7 litros e 62,7 litros, seguidos de redução em setembro (53,1 litros). O pico ocorreu em outubro (88,88 litros), diminuindo em novembro (64,45 litros) e dezembro (66,55 litros). A distribuição aos hospitais também variou: janeiro 60,3 litros, fevereiro 59,4 litros, março 63,95 litros. De abril a maio houve crescimento significativo, atingindo 110,4 litros, seguido de redução em junho (78,9 litros), julho (71,25 litros) e agosto (62,7 litros). O mês de setembro registrou aumento (79,8 litros), outubro e novembro permaneceram estáveis (72,15 e 73,2 litros) e dezembro cresceu para 88,1 litros.
Considerações finais: O crescimento consistente em Marília, aliado à recuperação gradual na região, evidencia a efetividade das estratégias de incentivo, capacitação e divulgação da equipe do BLH, bem como das equipes multiprofissionais, especialmente da Atenção Primária a Saúde. As Campanhas no Dia Mundial de Proteção do Leite Humano e durante todo o Agosto Dourado contribuíram para o aumento das doações. Este trabalho reforça a importância da promoção do aleitamento materno e da gestão eficiente dos BLH, garantindo oferta contínua de leite humano aos recém-nascidos de Marília e região.
#29 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO EM UTI PEDIÁTRICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE INTERVENÇÕES NUTRICIONAIS EM HOSPITAL PÚBLICO
LÍVIA MITHYE MENDES MYVA
HCB | Hospital da Criança de Brasília José Alencar
Resumo
O processo de admissão de um lactente numa Unidade de Terapia Intensiva pode trazer repercussões importantes em seu desenvolvimento global, especialmente na sua ingestão alimentar. Tais impactos também são refletidos nas lactantes, que recorrentemente apresentam diminuição na produção do leite materno. Fatores como o próprio ambiente hospitalar, exaustão, separação física entre mãe e bebê podem provocar consequências negativas sobre o aleitamento. Tendo em vista as motivações que levam pacientes à UTI, muitos estão impossibilitados de continuar se nutrindo exclusivamente pelo seio materno. Por este motivo, observa-se com frequência a redução da produção de leite materno das mulheres que ainda amamentam, uma vez que sua manutenção depende da ação hormonal e do estímulo contínuo das glândulas mamárias. A interrupção da sucção ao seio ou a diminuição da frequência de ordenha contribuem para a queda da produção láctea. A experiência vivenciada no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), especificamente no período de março a junho de 2025 - sazonalidade da bronquiolite viral aguda (BVA), evidenciou que essa redução, embora frequente, pode ser revertida de forma eficaz quando a nutriz recebe acolhimento adequado, escuta ativa e orientações individualizadas. Por meio da intervenção nutricional e os cuidados que a equipe multidisciplinar pode fornecer à mãe, é possível atuar na promoção e manutenção da oferta do leite materno durante o período de internação. A ordenha e oferta do leite materno dentro da UTI além de influenciar positivamente na resposta clínica, estimula o empoderamento, a vinculação entre o binômio mãe-bebê, reduz custos para a instituição, bem como contribui com a humanização do processo de hospitalização. Estratégias como a orientação quanto à ordenha, o manejo adequado do leite materno e o incentivo à participação da mãe nos cuidados com o lactente contribuíram para melhores desfechos clínicos e nutricionais. Ressalta-se, ainda, o papel fundamental da atuação integrada dos demais profissionais da equipe multiprofissional, visando a troca de conhecimentos e a valorização da participação ativa da nutriz no processo de cuidado.
#195 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO NA VISITA DOMICILIAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA
ANA CAROLINA LOPES MARQUES; DAIANI CHERUBIM
Unipampa
Resumo
Introdução: O aleitamento materno é imprescindível para a saúde materno neonatal, trazendo benefícios para a nutriz, lactente e sociedade como um todo. Embora se saiba dos benefícios dessa prática, o sucesso e a continuidade da amamentação apresentam desafios desde o nascimento. Para tanto, necessitamos de profissionais qualificados e com conhecimento para apoiar a amamentação desde o nascimento e garantir a sua continuidade. Esse processo de aprendizagem deve ser iniciado na formação profissional e mantido ao longo da atuação nos diferentes contextos.
Objetivo: Relato de experiência de uma vivência acadêmica relacionada à orientação, apoio e manejo do aleitamento materno junto a uma puérpera e seu recém-nascido (RN), por meio de visita domiciliar na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
Resultados: Por meio de contato telefônico, a puérpera solicitou auxílio em relação à amamentação. Diante da situação, foi realizado contato com a professora responsável pela prática e nos dirigimos até sua residência para prestar orientação. Ao chegarmos, constatou-se ingurgitamento mamário, dor e dificuldades na amamentação do RN. Observou-se desconhecimento quanto à técnica e à pega correta, além de influência de orientações divergentes de familiares, o que gerava insegurança. Acreditando que o leite materno não era suficiente, a puérpera já havia introduzido fórmula infantil por mamadeira.
Foram realizadas orientações quanto à importância do aleitamento materno, correção da pega, posicionamento adequado e manejo do ingurgitamento, com esvaziamento das mamas para facilitar a sucção. O RN apresentava confusão de bicos, pegando e soltando o seio com frequência e chorando durante as tentativas. As intervenções ocorreram ao longo da tarde. No dia seguinte, em novo contato, a puérpera relatou melhora progressiva, informando que o RN estava mamando melhor e que a amamentação evoluía de forma satisfatória.
Conclusão: A experiência evidenciou a importância da orientação qualificada e do apoio no período pós-parto. A falta de informação mostrou-se fator prejudicial, favorecendo a insegurança e a introdução precoce da fórmula infantil. Reforça-se o papel do profissional de enfermagem na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, contribuindo para sua manutenção e para o fortalecimento da confiança materna.
#229 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
AQUISIÇÃO DE MATERIAIS EDUCATIVOS PARA “ESTRATÉGIA AMAMENTA E ALIMENTA BRASIL” NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO MUNICÍPIO DE CAMPO GRANDE – MS
RENATA MIDOGUTI JOIA; ELLEN SABINO DE OLIVEIRA; ESTER MARCELE FERREIRA DE MELO
Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande-MS (SESAU)
Resumo
Este relato é sobre o processo de aquisição de materiais educativos para a qualificação e reestruturação da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB) na Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Campo Grande-MS. A EAAB foi instituída pelo Ministério da Saúde, em 2012, como principal estratégia de promoção, proteção e apoio à amamentação, passando por reorganização iniciada em 2024. Em 2020, iniciou o planejamento de Estudo Técnico Preliminar para aquisição dos materiais educativos para a realização de Oficinas de Educação Permanente destinadas a qualificação das equipes da APS como: kit réplica de alimentos e kit amamentação, visando fortalecer o trabalho dos tutores nas atividades preconizadas. Em 2025, foi realizada uma atualização dos tutores da EAAB, através de um levantamento de diagnóstico situacional para a reestruturação das ações. O diagnóstico situacional de aleitamento materno exclusivo (AME) em crianças menores de 6 meses nas APS no município apresentou oscilações no período de 2019 a 2023, variando de 63,22% (2019) a 61,55% (2023) de crianças acompanhadas, demonstrando uma discreta tendência de queda ou estagnação, o que evidenciou uma dificuldade na manutenção de crescimento sustentado do indicador. A partir de 2024, observou-se uma mudança no cenário, com aumento de 64,54%, alcançando 66,55% em 2025, o maior percentual da série histórica apresentada. Esse crescimento sugere impacto positivo das ações de reestruturação da EAAB e da intensificação da educação permanente. Entretanto, apesar do avanço recente, o comportamento anterior de instabilidade reforça o diagnóstico que persistem fragilidades no processo de trabalho da APS, especialmente relacionadas à qualificação contínua das equipes, padronização das orientações sobre aleitamento materno e enfrentamento da alta rotatividade profissional, o investimento em recursos de fortalecimento na prática de educação em saúde é um incremento necessário nas estratégias da gestão. Ainda assim, a experiência evidenciou que a combinação de aquisição de materiais educativos para auxiliar nas oficinas, educação permanente, articulação intersetorial e qualificação dos registros constitui estratégia determinante para avanços sustentáveis na promoção do AME no município.
#187 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ARTICULAÇÃO INTERINSTITUCIONAL E GESTÃO: A EXPERIÊNCIA DE REATIVAÇÃO DO COMITÊ ESTADUAL DE ALEITAMENTO MATERNO DO TOCANTINS (CEAM-TO)
ELIZETH MENDES LIMA; LIANA BARCELAR EVANGELISTA GUIMARÃES; WALTER SOARES BORGES NETO; WALKIRIA PINHEIRO; ÂNGELA COSTA SOARES; TEREZINHA FRANCO DE SENA
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE; ESCOLA TOCANTINENSE DO SUS DR. GISMAR GOMES; COORDENAÇÃO ESTADUAL DE BANCOS DE LEITE
Resumo
Objeto: Reativação do Comitê Estadual de Aleitamento Materno do Tocantins (CEAM-TO), instância interinstitucional (Portaria SESAU/GabSec nº 1501/2013) voltada à promoção, proteção e apoio à amamentação.
Contexto: Após período de inatividade, a retomada foi impulsionada em junho de 2025 por articulação entre a Coordenação-Geral de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens do Ministério da Saúde, Referência Técnica do IFF e a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins, visando reduzir a morbimortalidade infantil.
Descrição da execução: A reativação ocorreu em agosto de 2025, em Palmas-TO, sob coordenação da SES-TO (Saúde da Criança e Alimentação e Nutrição). O processo envolveu instituições de ensino, conselhos profissionais, gestores e sociedade civil. Foi instituído calendário anual de reuniões periódicas, com definição de prioridades e articulação intersetorial. Entre as estratégias adotadas destacam-se: apresentação de pautas na Comissão Intergestores Bipartite, divulgação do Curso de Manejo do Aleitamento Materno (AVASUS), fortalecimento da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, promoção da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL) e incentivo às ações de promoção da amamentação na Atenção Primária à Saúde.
Resultados: A retomada reorganizou a governança estadual com a atualização da Portaria e inclusão de novos órgãos e controle social. Destacam-se: a inserção da pauta de aleitamento nas agendas do COSEMS e Comissões Intergestores Regionais; discussão de taxas de aleitamento correlacionadas à morbimortalidade para guiar decisões; e avanços na Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), com três maternidades (Augustinópolis, Gurupi e Tia Dedé) formalizando interesse na habilitação. Definiu-se o apoio à certificação do Hospital Tia Dedé para 2026. Houve ainda a pactuação de vagas para curso de manejo clínico (20h) e parceria com a Vigilância Sanitária para fiscalização sistemática de postos de coleta e comitês hospitalares, via sistema INFOVISA.
Considerações finais: A reativação do CEAM-TO mostrou-se fundamental para a sustentabilidade e capilarização das políticas materno-infantis no Estado. A experiência demonstra que instâncias colegiadas qualificam a gestão e garantem a continuidade das ações de apoio e proteção à amamentação.
#30 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ASSISTÊNCIA AMBULATORIAL INTERDISCIPLINAR A BEBÊS COM DISFAGIA NEONATAL E ATRASO MOTOR GLOBAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
LUCIANA MORAIS SANTOS SANCHES
Universidade de São Paulo
Resumo
Este relato de experiência descreve a assistência ambulatorial interdisciplinar a bebês com disfagia neonatal associada ao atraso motor global, com foco nas práticas de amamentação e alimentação complementar. A experiência ocorreu em um espaço terapêutico voltado aos cuidados materno-infantis, situado na cidade de Salvador, estado da Bahia, em contexto ambulatorial de atenção materno-infantil, no período de 2023 a 2025, envolvendo bebês de zero a doze meses e seus cuidadores, acompanhados por uma equipe composta por fonoaudióloga e psicomotricista, graduada em Educação Física.
O objeto da experiência foi a intervenção clínica integrada voltada à segurança alimentar, à promoção do aleitamento materno e ao desenvolvimento global do bebê. A execução incluiu avaliação clínica funcional da deglutição, observação da amamentação, análise do desenvolvimento motor global, orientação postural, manejo sensório-motor oral e corporal, além de escuta qualificada e orientação aos cuidadores. As intervenções foram realizadas por meio de atendimentos semanais, na frequência de uma ou duas vezes por semana, com planos terapêuticos individualizados, respeitando a maturidade neuromotora, o ritmo do bebê e o contexto sociocultural da família.
Os resultados observados incluíram melhora da coordenação sucção–deglutição–respiração, redução de sinais clínicos de disfagia, avanços no controle postural e na organização motora global, além do fortalecimento da confiança materna no processo de amamentação e introdução alimentar. Destacou-se a importância da atuação interdisciplinar para a compreensão do bebê de forma integral, superando abordagens fragmentadas centradas apenas na função oral.
Como considerações finais, a experiência evidenciou que práticas assistenciais interdisciplinares, sensíveis ao desenvolvimento motor e às dinâmicas familiares, contribuem significativamente para a promoção do aleitamento materno seguro e da alimentação complementar adequada. Ressalta-se a relevância da articulação entre fonoaudiologia e psicomotricidade na atenção ambulatorial, ampliando a qualidade do cuidado e favorecendo o desenvolvimento global do bebê.
#230 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ASSISTÊNCIA E PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EM DÍADES COM MAMILOS INVERTIDOS E ANQUILOGLOSSIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
ISIS PURIFICAÇÃO; LUCIANA SANCHES
USP
Resumo
O aleitamento materno é uma das estratégias mais importantes para a promoção da saúde materno-infantil, favorecendo o desenvolvimento nutricional, imunológico e orofacial do lactente, além de fortalecer o vínculo entre mãe e bebê. Entretanto, algumas condições podem dificultar o estabelecimento e a manutenção da amamentação, como a presença de mamilos invertidos na mãe e anquiloglossia no lactente. Nesse contexto, a atuação multiprofissional torna-se fundamental para apoiar, orientar e intervir diante dessas dificuldades. O presente estudo tem como objetivo relatar a experiência de assistência e promoção do aleitamento materno realizada por profissional com formação em Fonoaudiologia e outra com formação em Psicomotricidade no cuidado materno-infantil, voltada a díades com essas condições.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido em atendimentos direcionados ao acompanhamento de díades mãe-bebê nos primeiros meses de vida, especialmente em casos de mães com mamilos invertidos e lactentes com anquiloglossia. As ações envolveram orientações sobre manejo adequado da amamentação, avaliação das estruturas e funções orofaciais do recém-nascido, análise da pega e do padrão de sucção, além de intervenções voltadas ao favorecimento da coordenação sucção-deglutição-respiração. Também foram realizadas orientações quanto ao posicionamento materno e do bebê e estratégias facilitadoras para a pega eficaz. A abordagem psicomotora foi incorporada ao cuidado com relação as interações corporais, da organização tônico-postural do lactente e da qualidade do vínculo estabelecido durante a amamentação.
A experiência evidenciou que a integração entre os conhecimentos da Fonoaudiologia e da Psicomotricidade contribui para uma abordagem ampliada do aleitamento materno, permitindo identificar precocemente dificuldades funcionais associadas à anquiloglossia e às particularidades anatômicas maternas, orientar ajustes no posicionamento e na pega e fortalecer a relação mãe-bebê. As intervenções favoreceram maior segurança materna no processo de amamentação e contribuíram para a continuidade do aleitamento materno.
Conclui-se que a atuação conjunta da Fonoaudiologia e da Psicomotricidade pode contribuir para a assistência e promoção do aleitamento materno em díades com mamilos invertidos e anquiloglossia, ampliando o cuidado integral e favorecendo o desenvolvimento infantil.
#166 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ASSOCIAÇÃO ENTRE A PERCEPÇÃO MATERNA DE APOIO À AMAMENTAÇÃO E O ALEITAMENTO MATERNO AOS DOIS MESES PÓS-PARTO NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: DADOS DO NASCER NO BRASIL II
JOICE FERREIRA CUNHA; ANA PAULA ESTEVES PEREIRA; SILVANA GRANADO NOGUEIRA DA GAMA
Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/FIOCRUZ)
Resumo
Introdução: O apoio à amamentação constitui um determinante fundamental para a manutenção do aleitamento materno (AM) e a redução do desmame precoce. Esse apoio pode ser ofertado ao longo do ciclo gravídico-puerperal por profissionais de saúde, familiares, amigos e pela comunidade, por meio de informações, encorajamento e escuta ativa.
Objetivo: Analisar a associação entre a percepção materna de apoio à amamentação e o AM aos dois meses pós-parto.
Metodologia: Estudo observacional com dados do Nascer no Brasil II, coorte de base hospitalar, amostra expandida no estado do Rio de Janeiro, conduzida entre 2021 e 2023. Foram utilizados dados coletados durante a internação para o parto e entrevista no primeiro seguimento aos dois meses pós-parto, por contato telefônico. Incluíram-se mulheres com bebês entre 45 e 75 dias de vida. Excluíram-se abortos, óbitos fetal ou neonatal, gestações gemelares, idade gestacional <34 semanas, infecção materna pelo HIV, peso ao nascer <1.800 g e morte materna. O desfecho foi o AM, definido como ingestão de leite materno, independentemente do consumo de outros alimentos ou líquidos, avaliado por recordatório de 24 horas e analisado de forma dicotômica. A exposição foi a percepção materna de apoio à amamentação, obtida pela pergunta: “Você se sente apoiada para amamentar o seu bebê?”. Estimaram-se prevalências com intervalos de confiança de 95%, e a associação foi avaliada pelo teste do qui-quadrado ajustado para amostras complexas (SPSS v27.0).
Resultados: Foram analisadas aproximadamente 1.441 puérperas no primeiro seguimento. A percepção materna de apoio ao AM foi relatada por 84,6% das mulheres, sendo referido como principal fonte de apoio o pai/companheiro (65,1%), seguido da mãe da puérpera (21,5%) e de outros familiares (10,1%). As mulheres que relataram se sentir apoiadas em sua maioria eram multíparas (58,3%), parto na rede pública (83,8%) e cesariana (55%). A prevalência de AM aos dois meses foi maior entre aquelas que se sentiam apoiadas para amamentar (95,9%; IC95%: 94,2–97,1) em comparação às que não se sentiam apoiadas (76,5%; IC95%: 68,3–83,1), com associação estatisticamente significativa (p<0,001).
Conclusões: A percepção materna de apoio à amamentação associou-se à maior prevalência de AM aos dois meses pós-parto, reforçando a importância do apoio familiar e social nas estratégias de promoção do AM.
Financiamento: Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do RJ, FAPERJ, Brasil. Ministério da Saúde.
#140 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ATUAÇÃO DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL NO MANEJO DA MASTITE PUERPERAL E NA MANUTENÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
LAYLA SANTANA CORRÊA DA SILVA; MAYARA CAROLINA CAÑEDO; JAQUELINE PACHECO PADUAN TANAKA
UEMS; Maternidade Candido Mariano
Resumo
Trata-se de um relato de experiência sobre o acompanhamento assistencial de uma puérpera com mastite puerperal, atendida em serviço de saúde, que evoluiu com complicações local e lesão mamária extensa, impactando diretamente a manutenção do aleitamento materno exclusivo. A mastite puerperal é uma intercorrência frequente no período da lactação e pode comprometer a continuidade do aleitamento quando associada à dor, infecção, abscesso mamário e dificuldades na pega, exigindo intervenção assistencial oportuna e multiprofissional. Cujo, objetivo foi descrever as condutas adotadas pela equipe multiprofissional, com destaque para o trabalho em equipe multiprofissional, e a evolução clínica do caso, evidenciando a importância do manejo adequado para a recuperação tecidual e o suporte à continuidade do aleitamento materno exclusivo. Ocorreu em ambiente hospitalar, durante o período de estágio, envolvendo atuação assistencial da equipe multiprofissional no cuidado direto à paciente. A puérpera, submetida a parto cesáreo sem intercorrências imediatas, evoluiu cerca de 45 dias pós-parto com quadro de mastite puerperal, apresentando dor, sinais inflamatórios e lesão ulcerada profunda em mama, associada à presença de tecido necrótico e exsudato. Diante do agravamento do quadro, foi necessária internação hospitalar por aproximadamente 12 dias, para antibioticoterapia intravenosa e acompanhamento pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Durante a internação, a paciente foi submetida a punções aspirativas guiadas por ultrassonografia, evoluindo posteriormente para abscesso mamário, sendo então realizado desbridamento cirúrgico com inserção de dreno de Penrose, retirado no momento da alta hospitalar.Os cuidados locais incluíram limpeza da lesão com solução fisiológica 0,9%, aplicação de PHMB, uso de hidrogel associado a alginato de cálcio e sódio e, posteriormente, curativo de hidrofibra com prata. Paralelamente, a paciente recebeu suporte multiprofissional, com orientações do Banco de Leite Humano e acompanhamento fonoaudiológico para correção da pega, estímulo à drenagem mamária, realização de massagem nas mamas e ordenha, com o objetivo de reduzir a estase láctea e favorecer a continuidade do aleitamento.A atuação integrada da equipe multiprofissional foi determinante para minimizar os impactos da mastite puerperal e alcançar desfecho positivo na amamentação.
#201 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
Atuação do Nutricionista na Orientação à Manutenção e Estímulo à Lactação nos Bancos de Leite Humano Públicos do Distrito Federal fiscalizados pelo CRN-1
TÁRSILA TAMIRES QUEROBIM SOUZA; LARISSA DE SOUZA LEITE GODOY; NATÁLIA BARBOSA BENETTI QUINTÃO; ANA LUIZA TROVO MARQUES; MARIA EDUARDA MELO MORAES; MARCELA DE OLIVEIRA MENDONÇA GONÇALVES; DRYELLE OLIVEIRA DIAS LEÃO
CRN-1
Resumo
Introdução: Os Bancos de Leite Humano (BLH) integram ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno no ambiente hospitalar. Situações como o afastamento temporário das nutrizes de seus filhos devido à intercorrências como internações de recém-nascidos de alto risco, e/ou dificuldades no manejo do aleitamento materno comprometem a continuidade do aleitamento materno e favorecem o desmame precoce. O incentivo e orientação quanto à manutenção e estímulo à lactação é indispensável para a proteção da saúde materno-infantil, visto que a produção de leite materno depende do estímulo adequado, seja pela sucção no ato de amamentar ou pela ordenha manual/mecânica. Esse estudo objetiva verificar o cumprimento da realização de orientações para a manutenção e estímulo à lactação pelos nutricionistas atuantes nos BLH públicos fiscalizados pelo Conselho Regional de Nutrição da 1ª Região (CRN-1) no Distrito Federal em 2025.
Metodologia: Trata-se de um estudo transversal e descritivo, com dados do Roteiro de Visita Técnica (RVT) de Nutrição Clínica – Assistência Nutricional e Dietoterápica em BLH (baseado na Resolução CFN nº 600/2018) e aplicado com nutricionistas. Neste estudo, foi verificado o atendimento à atribuição obrigatória “Orientar as mães afastadas dos filhos, bem como aquelas que apresentam dificuldade na amamentação, quanto à importância da manutenção e estímulo à lactação”. Foram incluídos os BLH públicos fiscalizados pelo CRN-1 de janeiro a dezembro de 2025, no DF. Os dados foram analisados no Microsoft Excel.
Resultados: Em 2025, foram aplicados 06 RVTs com os nutricionistas atuantes nos BLH de hospitais públicos localizados no DF. Todos os nutricionistas entrevistados (100%, n=06) informaram realizar orientações quanto à importância da manutenção e estímulo à lactação direcionadas às lactantes afastadas temporariamente de seus filhos e para aquelas que apresentavam dificuldades no aleitamento materno.
Conclusão: O aleitamento materno é prática cultural, social e economicamente sustentável que reduz a morbimortalidade infantil e o risco de desfechos nutricionais, além de proteger a saúde materna e favorecer o vínculo mãe-filho. Orientações quanto a importância da manutenção e estímulo à lactação realizadas nos BLH são fundamentais para a proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno, tendo o nutricionista um papel essencial à sua realização.
Financiamento: CRN-1
#198 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NO CONTROLE DE QUALIDADE EM BANCOS DE LEITE HUMANO PÚBLICOS DO DISTRITO FEDERAL FISCALIZADOS PELO CRN-1
LARISSA DE SOUZA LEITE GODOY¹; TÁRSILA TAMIRES QUEROBIM SOUZA; NATÁLIA BARBOSA BENETTI QUINTÃO; ANA LUIZA TROVO MARQUES; MARIA EDUARDA MELO MORAES; MARCELA DE OLIVEIRA MENDONÇA GONÇALVES; DRYELLE OLIVEIRA DIAS LEÃO
CRN1
Resumo
Introdução: Os Bancos de Leite Humano (BLH) são serviços de saúde vinculados aos hospitais que executam a coleta, processamento, controle de qualidade e distribuição de leite humano aos neonatos. O nutricionista, profissional legalmente habilitado para atuação nos BLH, deve garantir a qualidade higiênico-sanitária do leite humano desde a coleta até a distribuição, conforme diretrizes profissionais e normativas sanitárias vigentes. A fiscalização e orientação do cumprimento destas atribuições é fundamental para melhoria contínua da qualidade dos serviços e proteção da sociedade. Esse estudo objetiva verificar a atuação do nutricionista quanto ao controle de qualidade do leite humano nos BLH públicos fiscalizados pelo Conselho Regional de Nutrição da 1ª Região (CRN-1) no Distrito Federal em 2025.
Metodologia: Trata-se de um estudo transversal e descritivo, utilizando dados dos Roteiros de Visita Técnica (RVTs) aplicados pela fiscalização do CRN-1 com nutricionistas dos BLH do DF. Foram incluídos os BLH públicos fiscalizados de janeiro a dezembro de 2025. O RVT utilizado (Nutrição Clínica – Assistência Nutricional e Dietoterápica em BLH) baseia-se na Resolução CFN nº 600/2018. Foram analisadas as atribuições obrigatórias do nutricionista relacionadas ao controle de qualidade: (1) elaboração e implantação do Manual de Boas Práticas; (2) coordenação das etapas de coleta, processamento, pasteurização, controle microbiológico e distribuição do leite humano. Respostas “Padrão Mínimo”, “Meta Padrão” e “Sim” foram consideradas satisfatórias. Os dados foram analisados no Microsoft Excel.
Resultados: Em 2025, foram aplicados 06 RVTs a nutricionistas responsáveis técnicos de BLH de hospitais públicos do DF. Quanto ao controle de qualidade, 100% (n=06) elaboraram e implantaram o Manual de Boas Práticas. Na coordenação das etapas de controle de qualidade do leite humano: 83,3% (n=05) coordenavam a coleta; 100% (n=06) o processamento; 100% (n=06) a pasteurização; 100% (n=06) o controle microbiológico; 83,3% (n=05) a distribuição; e 100% (n=06) outras etapas de manipulação do leite humano.
Conclusão: A atuação dos nutricionistas nos BLH fiscalizados pelo CRN-1 mostrou-se satisfatória quanto às atribuições de controle de qualidade, evidenciando sua importância na segurança alimentar e na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.
Financiamento: Este trabalho foi apoiado e financiado pelo Conselho Regional de Nutrição da 1ª Região
#48 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
AULAS PRÁTICAS DE ALEITAMENTO MATERNO COMO ESTRATÉGIA DE QUALIFICAÇÃO DO ENSINO NO CURSO TÉCNICO DE ENFERMAGEM
KATIA RONISE ROSPIDE; DIEGO SILVEIRA SIQUEIRA
DAPPS/SES/RS
Resumo
Este relato de experiência descreve a implementação e os resultados de aulas práticas de aleitamento materno realizadas com estudantes do curso técnico de enfermagem em uma instituição de ensino profissionalizante. As atividades foram desenvolvidas no componente curricular do Materno Infantil, com o objetivo de aproximar os alunos das competências essenciais para o cuidado à nutriz e ao recém-nascido, favorecendo a aprendizagem significativa e a prática baseada em evidências. As aulas foram estruturadas em três momentos: (1) abordagem teórica dialogada sobre anatomia mamária, fisiologia da lactação e manejo clínico; (2) demonstração prática com uso de mamas didáticas, bonecos simuladores e simulações realísticas de pega, postura e identificação de intercorrências; e (3) atividades supervisionadas em pequenos grupos, nas quais os estudantes reproduziram técnicas de apoio à amamentação, orientações à puérpera e identificação de sinais de aleitamento eficaz. As metodologias ativas — como estação de habilidades, debriefing e estudo de caso — foram utilizadas para favorecer o protagonismo discente. Os resultados evidenciados incluíram maior segurança dos estudantes para atuar na assistência ao binômio mãe–bebê, melhora na habilidade de comunicação durante orientações, compreensão ampliada sobre o papel do técnico de enfermagem no incentivo ao aleitamento e reconhecimento precoce de dificuldades comuns, como pega inadequada, ingurgitamento e fissuras mamilares. A prática também permitiu refletir sobre a importância da humanização, do acolhimento e do suporte emocional às puérperas. Conclui-se que as aulas práticas de aleitamento materno constituem estratégia pedagógica eficaz para qualificar a formação técnica em enfermagem, contribuindo para a consolidação de competências essenciais para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. A vivência prática reforça o compromisso ético e profissional com a saúde materno-infantil e fortalece a atuação dos futuros técnicos de enfermagem nos diferentes níveis de atenção.
#96 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
AUTOEFICÁCIA EM AMAMENTAÇÃO: UM OLHAR SOBRE AS INTERSECCIONALIDADES
MARIA GABRIELA DA SILVA COSTA; LARA FURLAN BATISTA; BEATRIZ CAROLINE DE ARRUDA ANDRADE; BEATRIZ GUIMARÃES SILVA; NATÁLIA SEVILHA STOFEL
Universidade Federal de São Carlos
Resumo
Introdução: No Brasil, mulheres negras amamentam por mais tempo, um paradoxo frente às desigualdades de raça, gênero e classe que dificultam a prática.
Objetivos: avaliar a autoeficácia da amamentação sob a perspectiva da interseccionalidade.
Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, quantitativo e exploratório-descritivo. A coleta de dados ocorreu online entre maio de 2024 e maio de 2025, utilizando um formulário com a Escala de Autoeficácia em Amamentação validada e questões sobre variáveis obstétricas e interseccionais, cujos dados foram submetidos à análise estatística descritiva.
Resultados: Foram obtidas 74 respostas. A média de idade foi de 33 anos. A autodeclaração racial mostrou 63,5% de brancas, 25,7% de pardas, 6,8% de pretas e 4,1% de amarelas. Quanto ao estado civil, 59,4% eram casadas, e 58,3% tinham emprego formal. Em relação à variável raça/cor, 79,17% das mulheres negras apresentaram a presença de figuras femininas como componentes da rede de apoio, enquanto as mulheres autodeclaradas brancas e amarelas apresentaram 57,45% e 33,3% da presença de mulheres como participantes da sua rede. Além disso, 66,67% das mulheres amarelas e 42,55% das mulheres brancas participantes da pesquisa apresentaram a parceria como rede de apoio, em mulheres negras o número foi menor (20,83%).No que diz respeito à análise da Escala de Autoeficácia em Amamentação, a pontuação das participantes variou de 99 a 159 pontos no escore, demonstrando que as mulheres avaliaram que a amamentação possui ao menos 50% de eficácia. Das participantes autodeclaradas brancas, 48,9% avaliaram sua amamentação com autoeficácia média, 27,7% como alta e 23,4% com baixa. Já em relação às mulheres negras, 41,7% avaliaram sua amamentação com autoeficácia média, 33,3% como alta e 25% com baixa
Conclusões: A autoeficácia média foi prevalente. A rede de apoio mostrou perfil majoritariamente feminino, especialmente entre mulheres negras, enquanto brancas e amarelas relataram mais a parceria. Os resultados reforçam que fatores puramente econômicos são insuficientes para explicar o fenômeno.
Financiamento: Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo, processos números 2023/11562-1 e 2025/20887-7
#250 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
AVALIAÇÃO DA IMPLANTAÇÃO E DESAFIOS DA IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA AMAMENTA E ALIMENTA BRASIL EM CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL
ANA CAROLINA RANGEL MARTINS ORUÊ; OSVALDINETE LOPES DE OLIVEIRA SILVA
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Resumo
A Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB) é uma política pública brasileira que visa promover, proteger e apoiar o aleitamento materno e a alimentação complementar saudável, com enfoque na capacitação dos profissionais da atenção básica à saúde. Implementar e manter a EAAB é um grande desafio sendo o Brasil um país de dimensões continentais, tendo poucos municípios desde sua implementação efetuado publicações com o resultado do monitoramento e da avaliação da estratégia. O presente estudo visa avaliar a implantação e a implementação da EAAB na Atenção Primária à Saúde em Campo Grande, Mato Grosso do Sul (MS), os aspectos facilitadores e desafios da implementação, visando subsidiar o fortalecimento da promoção da amamentação e da alimentação complementar saudável melhorando os indicadores no município. Trata-se de uma pesquisa em caráter analítico, quantitativo, baseada em dados primários e secundários retrospectivos (2013- 2024), com análise documental de relatórios nos sistemas públicos de informação e dados coletados através de questionários estruturados aplicados aos tutores formados no estado, aos profissionais de saúde e aos gestores.
#6 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
AVALIAÇÃO DE ALIMENTAÇÃO RESPONSIVA DURANTE A INTRODUÇÃO ALIMENTAR E FATORES MATERNOS ASSOCIADOS
GIOVANA OLIVEIRA MENDONÇA; LAUDICEIA FERREIRA FROIS; JOÃO PAULO LIMA DE OLIVEIRA; LÍLIAN GONÇALVES TEIXEIRA
UFLA; UFOP; UFLA/IBFAN
Resumo
A alimentação responsiva tem se mostrado uma estratégia eficaz para promoção da saúde infantil, esta promove interação recíproca e respeitosa entre cuidador e bebê, sendo influenciada por fatores sociais, econômicos, emocionais e de saúde, como o apego, segundo Bowlby, central para padrões de segurança e afeto. Deste modo, o objetivo do estudo foi avaliar a alimentação responsiva materna durante a introdução alimentar e investigar fatores associados. Trata-se de uma pesquisa transversal, derivada do projeto “Apego e Alimentação Responsiva na 1ª infância: Avaliação da Relação com Amamentação e Introdução Alimentar (AAMAR)”, aprovado pelo comitê de ética da Universidade Federal de Lavras, sob o parecer nº 7.133.701. Foram incluídas mães de crianças de 0-12 meses, com idade ≥ 18 anos, e excluídas mães que não residem em Lavras ou que não responderam todos os instrumentos da pesquisa. Os dados foram coletados via Google Forms ®, contendo caracterização da amostra, Instrumento de Avaliação do Vínculo Afetivo Mãe-Bebê no Pós-Parto (PBQ) e o Infant Feeding Style Questionnaire Brasil (IFSQ-Br). A alimentação responsiva foi categorizada em Tercis, sendo o 3º referente à maior responsividade. Foi realizada regressão logísticas multinomial no software Stata® versão 13.0, ajustada para idade materna, estado civil, cor da pele, número de filhos, ter ofertado leite do peito no dia anterior à pesquisa, gravidez planejada, IMC materno, escolaridade e tempo que trabalha fora de casa. A amostra foi composta por 83 mães, sendo a maioria com idade entre 25 a 34 anos (n= 45; 54,9%), não brancas (n=42; 50,6%), com ensino superior ou mais (n=46; 55,4%), casadas/União Estável (n= 53; 33,9%), planejaram a gravidez, 62,7% (n=52) trabalhavam menos de 4 horas fora de casa por dia, 67,1% (n=49) ofereceram leite do peito ao filho no dia anterior à pesquisa, 62,7% (n=52) tiveram como via de parto a cesárea, e 50,6% (n=42) possuíam um único filho. Foi observado que mães com apego não saudável possuíam 4,10 vezes mais chances de estarem no 1º tercil de Alimentação responsiva (menos responsiva) em comparação às do 3º tercil (RR= 4,10; IC95%: 1,11 – 15,12; p= 0,034). Os resultados destacam a importância de considerar diversos aspectos, como o apego materno, na promoção da alimentação responsiva durante a introdução alimentar.
Financiamento: CAPES/CNPq
#292 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
BAIXO APOIO SOCIAL NO PÓS-PARTO: PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS EM MATERNIDADE DE HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
ANA MARIA ARANHA GOMES; KÁTIA GALEÃO BRANDT; FERNANDO FRANCISCO OLIVEIRA ALVES; KAMILLA BARBOSA CORREIA; MARIANA DA SILVA SÁ; 6. MATHEUS EDUARDO GOMES DE OLIVEIRA; RAIZA DA SILVA JUVENAL; ELISABETE PEREIRA SILVA
UFPE
Resumo
Introdução: O apoio social exerce papel relevante no enfrentamento das demandas do puerpério e pode influenciar a prática do aleitamento materno. Entretanto, a percepção materna de suporte no pós-parto imediato ainda é pouco investigada em maternidades públicas de ensino.
Objetivos: Estimar a prevalência de baixo apoio social e analisar fatores associados em puérperas atendidas em hospital universitário.
Métodos: Estudo transversal realizado no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, entre março e agosto de 2025. Foram entrevistadas 306 puérperas durante o internamento neonatal. O apoio social foi avaliado pelo Medical Outcomes Study Social Support Survey (MOS-SSS), categorizado em alto e baixo apoio. Aplicaram-se teste do qui-quadrado de Pearson e estimaram-se Odds Ratios (OR) não ajustados, com intervalos de confiança de 95%, adotando-se p<0,05.
Resultados: Observou-se baixa percepção de apoio social em 53,6% das puérperas. No momento da entrevista, 79,4% encontravam-se em aleitamento materno exclusivo, embora 22,9% dos recém-nascidos tenham recebido fórmula e 54,6% das mães relatassem problemas mamários. Multiparidade (OR=1,79; IC95%:1,10–2,92), escolaridade ≤9 anos (OR=1,75; IC95%:1,05–2,90), ausência de atividade laboral (OR=1,45; IC95%:1,03–2,03) e início tardio do pré-natal (OR=1,76; IC95%:1,02–3,03) aumentaram a chance de baixo apoio social. Maior escolaridade, primiparidade e início precoce do pré-natal associaram-se a maior apoio social. Não houve associação estatisticamente significativa entre apoio social e aleitamento materno exclusivo no momento da entrevista.
Conclusões: Mais da metade das puérperas apresentou baixa percepção de apoio social, especialmente aquelas em maior vulnerabilidade social e reprodutiva. Os achados reforçam a necessidade de estratégias institucionais voltadas à identificação precoce e ao fortalecimento das redes de apoio no puerpério imediato.
Financiamento: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UFPE).
#117 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
CAPACITAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO PARA A PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO E DA ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR SAUDÁVEL EM PIRACICABA-SP
DENISE HELENA FORNAZARI; ANA PAULA VIOTO FERRAZ; MÁRCIA JULIANA CARDOSO; MARIANA DE CAMPOS CHAVES LIEPKAN; MARÍLIA ALESSI; ANDRESA NUÑEZ GARCIA MENDES; KARINE NISHIJIMA NASSIF BRAZ
Programa Municipal de Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba; Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba; Secretaria Municipal de Educação de Piracicaba
Resumo
O "Piracicaba com Saúde: é hora de comer melhor" (PCS) é um programa desenvolvido desde 2014 no município de Piracicaba pelas Secretarias de Educação (Divisão de Alimentação e Nutrição - DAN) e Saúde (Coordenadoria de Programas de Alimentação e Nutrição - CPAN), com o objetivo de capacitar profissionais da área da Saúde e Educação para a promoção da Alimentação Saudável e Prevenção da Obesidade Infantil no município por meio da intersetorialidade. Com os profissionais da educação, o formato adotado em 2024 e 2025 para as capacitações foi a disponibilização de vídeos educativos, visando ampliar o acesso de professores e diretores. O tema do Aleitamento Materno (AM) e da Alimentação Complementar Saudável (ACS) sempre esteve presente nas ações do PCS e, nos dois últimos anos, ganhou destaque com a instituição do Programa Municipal de Aleitamento, que passou a produzir vídeos com conteúdos específicos para a qualificação dos profissionais. Em 2024, os vídeos produzidos foram “Leite humano, nosso primeiro alimento” que abordou os benefícios do leite humano para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança, além da importância do apoio dos profissionais da creche no recebimento e oferta do leite humano ordenhado para as crianças do berçário; e “Conhecendo a Lei de proteção da alimentação infantil” que apresentou de forma lúdica o contexto e a criação da NBCAL, através de um conto “A magia do leite materno e a revolta dos bicos e latas”. Como ação, foi proposto que os profissionais da educação trabalhassem a ilustração do conto com os alunos. Em 2025, os vídeos elaborados abordaram o tema da SMAM - Priorizar o aleitamento: criar sistemas de apoio sustentáveis; e “Amamentação - Mitos e Verdades” tratando de crenças comuns e de informações baseadas em evidências científicas, contribuindo para que os profissionais da educação pudessem orientar e apoiar as famílias na primeira infância. Como ação, foi realizada uma campanha para mobilizar a comunidade na divulgação do Banco de Leite Humano do município e na arrecadação de frascos de vidro. Acredita-se que abordar esses temas desde cedo, não só promove a conscientização sobre a importância do AM, como também ajuda a criar uma cultura de apoio para a amamentação na comunidade escolar e para futuras gerações, o que por consequência contribui para a prevenção da obesidade infantil.
#22 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
CARTILHA PARA SENTINELAS DA AMAMENTAÇÃO: QUALIFICAÇÃO DA REDE DE APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO NO MUNICÍPIO DE PINHAIS/PR
JEROSIANE NUNES MARCHAUKOSKI, MARCHAUKOSKI, J.N.; EVELYN DO ROCIO GIEHL MENEGHELLI, MENEGHELLI, E.R.G.; MARIA LUIZA DOS SANTOS GUIMARÃES, GUIMARÃES, M.L.S.; MARIA BEATRIZ BUCKER, BUCKER, M.B.; ESTEFANI JACOB, JACOB, E.; RUBIA DANIELA THIEME, THIEME, R.D.
Prefeitura Municipal de Pinhais; Universidade Federal do Paraná
Resumo
A Atenção Básica (AB) tem papel fundamental na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, através de ações educativas e do fortalecimento das redes de apoio. Porém, dificuldades como pega inadequada, fissuras, ingurgitamento, insegurança materna e influências socioculturais são desafios para manutenção do aleitamento materno. Logo, a qualificação dos profissionais de saúde no cuidado materno-infantil torna-se essencial. O relato de experiência explana como, no município de Pinhais/PR, foi desenvolvida pela equipe de nutrição a Cartilha para Sentinelas da Amamentação, destinada aos profissionais de saúde integrantes da Rede de Apoio ao Aleitamento Materno da AB. A cartilha foi baseada no Caderno de Atenção Básica nº 23, 2015 (CAB 23), para subsidiar práticas de cuidado qualificadas e alinhadas às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). O material educativo institucional, foi elaborado no período de setembro a dezembro de 2025, a partir da pesquisa das diretrizes do aleitamento materno no CAB 23, documentos do Ministério da Saúde e da vivência das equipes no acompanhamento de gestantes, puérperas e lactentes, através de um questionário com apontamentos dos temas pertinentes na orientação a amamentação pelas sentinelas, denominação dos profissionais de saúde que compõem a Rede de Apoio ao Aleitamento Materno de Pinhais. O material tem como objetivo padronizar orientações, fortalecer o apoio às nutrizes e qualificar ações de promoção e proteção do aleitamento materno. A Cartilha para Sentinelas da Amamentação aborda conceitos sobre aleitamento materno, técnicas de amamentação, manejo clínico das principais dificuldades, desafios enfrentados pelas nutrizes e estratégias de acolhimento e escuta qualificada. A cartilha com linguagem acessível, abordagem prática e conteúdo alinhado às diretrizes nacionais, visa contribuir nos serviços de saúde, na padronização das orientações às nutrizes e consolidação do papel dos profissionais como apoiadores do aleitamento materno, ampliando a corresponsabilização no cuidado materno-infantil. A cartilha busca fortalecer a atuação em rede, com a sistematização das informações, facilitando o reconhecimento precoce das dificuldades na amamentação e possibilitando intervenções oportunas, contribuindo com a Rede de Apoio ao Aleitamento Materno de Pinhais na prática baseada em evidências e o cuidado integral, humanizado e alinhado às diretrizes do SUS.
#290 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
CARTOGRAFIA SOCIAL E SABER ANCESTRAL: TECNOLOGIAS PARTICIPATIVAS CONTRA DESERTOS ALIMENTARES EM QUILOMBOS
CELINA VALDEZ FEIJÓ KOHLER; CLÉIA COSTA BARBOSA; ELAINE CARVALHO MINIGHIN; JÚLIO ONÉSIO FERREIRA MELO; BRUNO MARTINS DALA PAULA; MARINEZ MARÇAL MARTINS; SUMAIA ARAÚJO PIRES; RENATA ADRIANA LABANCA
IBFAN BRASIL; MOPI; UFMG
Resumo
O presente trabalho relata a experiência de aplicação de metodologias participativas para o fortalecimento da soberania alimentar e garantia de direitos em comunidades tradicionais, vinculada ao projeto aprovado pelo CNPq/UFMG. O objeto da experiência é o uso da Cartografia Social e de círculos de diálogo como tecnologias sociais fundamentais para identificar e denunciar "desertos alimentares" — territórios onde o acesso físico e econômico a alimentos in natura e saudáveis é geograficamente limitado ou inexistente, empurrando famílias para a dependência de produtos ultraprocessados. O contexto compreende os territórios quilombolas de Matias e Magueira (Belo Horizonte), onde a insegurança alimentar, agravada pelo racismo estrutural, impacta diretamente o suporte nutricional de lactantes e a introdução alimentar na primeira infância. A descrição da execução (2026-2027) detalha o processo de mapeamento colaborativo, onde a própria comunidade, exercendo sua cidadania, identifica pontos de escassez e, simultaneamente, resgata o saber ancestral etnobotânico para a criação de "oásis alimentares" através do cultivo planejado de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC). As técnicas adotadas irão de basear na Educação Popular de Paulo Freire e na Pesquisa-Ação Participativa, promovendo uma intersetorialidade ativa entre a extensão universitária, o NESCON (Núcleo de Educação em Saúde Coletiva) e movimentos sociais como o Movimento Ouro Preto pela Infância (MOPI). Como resultados, destaca-se a mobilização comunitária para a autogestão do território e a valorização de espécies nativas de alto valor biológico das PANC como estratégia de resistência cultural, nutricional e política. As considerações finais reforçam que a cartografia social, ao dar visibilidade às carências e potencialidades dos quilombos, atua como um instrumento de democracia e inclusão radical. O projeto demonstra que o reconhecimento da biodiversidade local e do protagonismo quilombola é fundamental para que a amamentação e a alimentação complementar sejam protegidas por um ambiente alimentar soberano, diverso e resiliente contra a uniformização alimentar imposta pelo mercado.
Financiamento: o presente trabalho é financiado por recursos públicos oriundos da Chamada CNPq/FNDCT/SGPR/MDS nº 17/2025 e conta com o apoio institucional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
#298 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
COMÉRCIO DIGITAL DE FÓRMULAS INFANTIS: UM ESTUDO DE CASO SOBRE INFRAÇÕES À NBCAL EM GRUPO DE MENSAGENS INSTANTÂNEAS
MARINA MARTINS; ISABELA MOREIRA DAMASCENO; NEWTON JOSÉ DE OLIVEIRA DANTAS; CLÉIA COSTA BARBOSA; KÁTIA APARECIDA DA FONSÊCA; RENATA ADRIANA LABANCA
UFMG; IBFAN
Resumo
Objeto da experiência: Monitoramento e intervenção educativa sobre a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes (NBCAL) em um ambiente digital de comercialização de substitutos do leite materno. O foco central é a análise das práticas de promoção comercial e a sensibilização de consumidores e vendedores em ambiente virtual.
Contexto: A comercialização de fórmulas infantis em redes sociais apresenta desafios crescentes para a vigilância sanitária. O anonimato e a rapidez do meio digital facilitam a promoção inadequada, muitas vezes ignorando as restrições da NBCAL. O cenário deste estudo é o grupo de WhatsApp intitulado "Fórmulas infantil / VENDAS BH E REGIÕES", que conta com aproximadamente 360 membros e intensa atividade comercial em Belo Horizonte e região metropolitana.
Descrição da execução: Realizada por estudante de Nutrição da UFMG, a experiência utilizou a técnica de netnografia (observação participante). A execução dividiu-se em três etapas: 1) Diagnóstico inicial via questionário estruturado para avaliar o conhecimento dos membros sobre a NBCAL; 2) Observação e coleta de capturas de tela (prints) para categorizar infrações, como oferta de brindes, descontos progressivos e alegações de saúde inadequadas; 3) Intervenção educativa mediante postagens programadas ("pílulas de conhecimento") sobre os riscos da compra sem prescrição profissional e a importância do aleitamento materno.
Resultados: A observação permite identificar o descumprimento sistemático da norma, caracterizado pela ausência de orientações sobre o aleitamento e o estímulo ao uso indiscriminado de fórmulas. A intervenção educativa gera reações heterogêneas, permitindo avaliar a eficácia da abordagem direta em grupos de vendas para a mudança de percepção sobre a segurança e a legalidade das práticas comerciais ali exercidas.
Considerações finais: A experiência demonstra a viabilidade da vigilância participativa em meios digitais. As lições aprendidas subsidiam novas estratégias de fiscalização contra o marketing abusivo, reafirmando o papel do nutricionista na proteção do direito humano à amamentação e na garantia da ética no comércio virtual de alimentos para fins especiais.
Financiamento: CNPq/FNDCT/SGPR/MDS nº 17/2025
#51 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
COMITÊ ESTADUAL DE ALEITAMENTO MATERNO DE MINAS GERAIS (CEAM) EM AÇÃO
CLEIA COSTA BARBOSA; MARIA HERCILIA CASTRO BARBOSA; CLEONICE LIBOREIRO MOTTA FERRARI; ELIANE APARECIDA FONSECA FERRARI; SANDRA MARIA QUINTÃO; VANIA APARECIDA LIMA RIBEIRO; NATÁLIA OLIVEIRA DIAS; KATIA APARECIDA DA FONSECA
IBFAN, MOPI, Aliança, CEAM, REPI-MG, SOMAM; CEAM-MG; CEAM-MG, SOMAM; CEAM-MG, Acervo Aprender Brincando; CEAM-MG, SES; CEAM-MG, MOV, IBFAN
Resumo
Objetivo da experiência: Promover a amamentação como prática de saúde pública e cuidado integral na primeira infância através de ações e educação permanente.
Contexto: O Comitê Estadual de Aleitamento Materno de Minas Gerais (CEAM-MG) foi instituído em 10 de outubro de 1996, tendo como ponto de pauta o planejamento do Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAM) organizado pela IBFAN em 1999. Realiza reuniões mensais e se consolidou como espaço estratégico de governança e articulação intersetorial para promoção, proteção e apoio à amamentação no estado.
Descrição da execução: O CEAM-MG desenvolve ações contínuas de educação permanente, mobilização social e fortalecimento de redes técnicas, com ênfase em: - Hospitais e Maternidades Amigo da Criança (IHAC) - Manejo clínico e aconselhamento em amamentação - Banco de Leite Humano - Sala de Apoio à Mulher Trabalhadora - Estratégias de proteção da amamentação no comércio Utiliza metodologias pedagógicas participativas e ações formativas em creches, escolas e equipamentos sociais. Articula ações e como oficinas, rodas de conversa, seminários, encontros, capacitações com parceiros em conflitos de interesses, principalmente nos meses de maio (MAIO BRANCO), agosto (AGOSTO DOURADO e MÊS da PRIMEIRA INFÂNCIA), outubro (OUTUBRO ROSA e Mês da Criança)
Resultado: Fortalecimento da amamentação como prática de saúde pública e cuidado integral na primeira infância, contribuindo para a qualificação das práticas de cuidado materno-infantil e efetivação do direito humano à alimentação adequada desde o início da vida.
#214 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
CONHECIMENTOS, HABILIDADES E ATITUDES DO PROFISSIONAL DE SAÚDE SOBRE O ALEITAMENTO HUMANO INCLUSIVO EM PESSOAS LACTANTES COM DEFICIÊNCIA
MARIA ODETE QUEIROZ LIMA TAVARES; RAFAELE CRISTINE BARCELOS DOS SANTOS LUZ RIBEIRO; DANIELLE APARECIDA DA SILVA
Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira
Resumo
Introdução: Conforme a OMS, o leite humano (LH) é o alimento ideal para os bebês. Apesar do crescente aumento no número de estudos a respeito do AM, o olhar sobre a atenção ao público com deficiência ainda é deixado para segundo lugar na ordem das coisas. As atuais estratégias e políticas públicas instituídas com o objetivo de promover, proteger e apoiar a amamentação, nos levam a questionar se estas políticas são executadas de forma a reduzir as desigualdades na saúde, garantir o direito à saúde como um direito de cidadania, promover a qualidade e reduzir os riscos à saúde de forma universal e inclusiva.
Objetivo: Analisar o conhecimento, habilidades e atitudes dos profissionais de saúde que estão envolvidos na atenção à pessoa no ciclo-gravídico puerperal, sobre o aleitamento humano para pessoas lactantes com deficiência, em um Instituto com selo de Hospital Amigo da Criança.
Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo. O cenário da pesquisa escolhido foram as unidades de Pré-Natal, Alojamento Conjunto e Banco de Leite Humano, por ser onde inicia-se às ações de promoção do aleitamento materno e a necessidade de apoio no puerpério e pós alta hospitalar. Para atingir os objetivos propostos pelo estudo, utilizou-se a técnica da entrevista semiestruturada. A coleta de dados aconteceu no período de outubro a dezembro de 2024. Após a coleta de dados, a análise dos dados foi por meio de gráficos e tabelas, apresentando frequências absolutas (n), relativas (%), e médias aritméticas.
Resultados: Foram feitas 29 entrevistas, distribuídas da seguinte forma: 10 no Banco de Leite Humano, 10 no Alojamento Conjunto e 9 no Pré-Natal. A tabulação dos dados consistiu em uma planilha eletrônica através do software Microsoft Office Excel (Microsoft® 2015).75,86% dos entrevistados demonstraram ter conhecimento acerca do aleitamento inclusivo a pessoas lactantes com deficiência. Quanto à habilidade dos profissionais, observou-se, no cenário geral, 55,17% dos entrevistados demonstraram habilidades sobre formação e um 84,61% demonstram interesse na formação na temática. As atitudes em todos os grupos estudados foram classificadas como parcialmente adequadas.
Conclusões: Com base nos dados analisados é oportuno salientar que há muito que investir na ampliação do conhecimento da promoção, proteção e apoio do aleitamento materno para pessoas com deficiência.
#72 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
CONSTRUÇÃO DE FERRAMENTA DIGITAL COMO ESTRATÉGIA DE APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO E PREVENÇÃO DE AGRAVOS AO CRESCIMENTO INFANTIL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
SILVA, NATHÁLIA MARSAL NIN DA; MANTOVANO, MARIANA MOURA LIMA; SILVA, MARIA CLARA FIGUEIREDO DA; RAFAELALVES@EDU.UNIRIO.BR; ROSA, LIVIA CARDOSO GOMES; ALVADIA, LARISSA HAYDÉE COSTA; DE SOUZA, ANDREA MOURÃO EMILIANO; RIBAS, SIMONE AUGUSTA
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Secretaria Municipal de Saúde-RJ
Resumo
Objeto da experiência: Construção de uma ferramenta digital para o monitoramento de indicadores do aleitamento materno (AM) e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil (DI) na Atenção Primária à Saúde (APS), no município do Rio de Janeiro.
Contexto: É um relato de experiência sobre das atividades do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde – Informação e Saúde Digital (PET-Saúde), coordenado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ) para o desenvolvimento da ferramenta.
Descrição da execução: As atividades são desenvolvidas na SMS-RJ desde agosto de 2025 até o momento. Foram realizadas quatro etapas: (1) formação, ambientação e capacitação do grupo tutorial; (2) levantamento e organização dos dados disponíveis no datalake municipal, provenientes do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) e outras bases; (3) elaboração de um dicionário de dados e aplicação de modelos de aprendizado de máquina; e (4) sistematização de indicadores relacionados ao AM e ao crescimento e DI. Os indicadores foram estruturados a partir do referencial de ciência da implementação RE-AIM (ReAIM Outcomes Assessment Questionnaire).
Resultados: A equipe PET-Saúde é composta por 4 preceptores e 1 orientador de serviço da SMS-RJ, 2 docentes e 9 discentes de graduação da UNIRIO (áreas da saúde e exatas). As ações formativas abrangem conteúdos sobre o Sistema Único de Saúde, organização da APS, uso de bases de dados em saúde e indicadores epidemiológicos, leitura de literatura especializada, participação em eventos acadêmicos e acompanhamento das linhas de cuidado da gestão APS. A etapa técnica resultou na integração de dados do Datalake na construção do protótipo de painel digital com apresentação dos indicadores em mapas, gráficos e tabelas.
Considerações finais: O processo de construção da ferramenta permitiu identificar fragilidades relacionadas aos registros e transmissão dos dados. A articulação ensino–serviço–gestão, no âmbito do PET-Saúde, mostrou-se importante para o desenvolvimento de soluções tecnológicas contextualizadas às necessidades locais. Espera-se que a ferramenta contribua para o aprimoramento da atenção integral e da vigilância em saúde, subsidiando intervenções oportunas de apoio ao AM e prevenção de agravos ao crescimento infantil.
Financiamento: Financiamento e apoio: Ministério da Saúde- PET Saúde Digital 2025-2026
#281 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
CONTATO PELE A PELE COMO ESTRATÉGIA DE APOIO AO ESTABELECIMENTO DA AMAMENTAÇÃO NO PERÍODO NEONATAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM ALOJAMENTO CONJUNTO
NATALIA OLIVEIRA DE SOUZA CONCEIÇÃO CLARENTINO; WELICA BORGES DE ECA ASSIS; DANIELLA DALMAGRO; ROSANGELA LOPES DA SILVA; CAROLINE RIBEIRO DA SILVA
SES-DF/ BLH HRT
Resumo
Objeto da experiência: Relatar a utilização do contato pele a pele como estratégia de apoio ao estabelecimento e à manutenção da amamentação no período neonatal.
Contexto: A experiência foi desenvolvida em um Hospital Regional de Brasília (DF), no setor de alojamento conjunto, durante a assistência prestada por um Banco de Leite Humano às puérperas e recém-nascidos nos primeiros dias pós-parto.
Descrição da execução: A experiência ocorreu entre janeiro e dezembro de 2025, envolvendo puérperas e recém-nascidos a termo que apresentavam dificuldades iniciais na amamentação, como dor, insegurança, dificuldades na pega e desorganização do recém-nascido durante as mamadas. Durante os atendimentos individuais, foi incentivada a prática do contato pele a pele de forma precoce, frequente e prolongada, respeitando os sinais de prontidão do recém-nascido. As orientações incluíram posicionamento adequado do binômio mãe-bebê, observação dos sinais comportamentais do recém-nascido e apoio técnico à pega e condução da mamada. A prática foi incorporada à rotina diária de cuidados, sendo reforçada ao longo da internação.
Resultados: Observou-se melhora progressiva na condução das mamadas, maior organização do recém-nascido ao seio, redução de choro e agitação e aumento da confiança materna. As mães demonstraram maior segurança na identificação dos sinais de fome e saciedade, além de fortalecimento do vínculo com o bebê. A prática favoreceu ambiente mais tranquilo durante as mamadas e maior responsividade materna.
Considerações finais: O contato pele a pele mostrou-se estratégia simples, de baixo custo e facilmente incorporada à rotina assistencial. Contribuiu para o apoio à amamentação, para o fortalecimento do vínculo e para a segurança materna no cuidado ao recém-nascido. A experiência reforça a importância de incentivar e sistematizar essa prática nos serviços de atenção materno-infantil, como ferramenta efetiva de promoção do aleitamento materno.
#164 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
CONTATO PELE A PELE E AMAMENTAÇÃO NA PRIMEIRA HORA DE VIDA SEGUNDO IDADE GESTACIONAL: DADOS DO NASCER NO BRASIL II
JOICE FERREIRA CUNHA; ANA PAULA ESTEVES PEREIRA; SILVANA GRANADO NOGUEIRA DA GAMA
Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/FIOCRUZ)
Resumo
Introdução: Considerando os benefícios do aleitamento materno (AM), recomenda-se que, desde o nascimento, o recém-nascido (RN) seja colocado em contato pele a pele (CPP) com a mãe, prática que favorece o início oportuno da amamentação. Entretanto, essa prática ainda enfrenta barreiras na assistência ao parto, especialmente entre RN prematuros, mesmo na ausência de intercorrências clínicas.
Objetivo: Descrever a prevalência do CPP e da amamentação na primeira hora de vida (APH) segundo idade gestacional (IG), considerando características assistenciais ao parto.
Metodologia: Inquérito de base hospitalar e abrangência nacional, utilizando dados do Nascer no Brasil II: Pesquisa Nacional sobre Aborto, Parto e Nascimento, conduzido entre 2021 e 2025. Foi utilizada amostra probabilística em dois estágios (estabelecimentos de saúde e puérperas). Para esta análise, foram utilizados os dados coletados durante a internação para o parto. Excluíram-se casos de aborto, óbito fetal ou neonatal, gestação gemelar, IG <34 semanas, peso ao nascer <2.000 g, Apgar <7 no quinto minuto, RN encaminhados à UTI neonatal e infecção materna pelo HIV, visando restringir a análise àqueles RN com potencial clínico para os desfechos. A IG foi estimada por ultrassonografia e categorizada em prematuro tardio (34-37 semanas) e a termo (≥37 semanas). O CPP foi definido como o contato direto do RN com a mãe logo após o nascimento. A APH foi considerada quando o início do AM ocorreu até uma hora após o parto. Estimaram-se prevalências com intervalos de confiança de 95%, considerando o desenho amostral do estudo (SPSS v27).
Resultados: Foram incluídas 17.802 puérperas, sendo 5,6% de RN prematuros. A maioria dos partos prematuros ocorreu em hospitais públicos (82,7%), e aproximadamente um terço ocorreu em hospitais acreditados na Iniciativa Hospital Amigo da Criança. Observou-se elevada proporção de cesarianas sem trabalho de parto tanto entre prematuros (42,3%) quanto entre RN a termo (46,3%). A prevalência de CPP foi semelhante entre prematuros (50,5%) e RN a termo (51,1%). Em contraste, a APH foi menos frequente entre prematuros (78,1%) em comparação aos recém-nascidos a termo (85,6%).
Conclusão: Apesar das prevalências semelhantes de CPP, a APH foi menos frequente entre RN prematuros, indicando barreiras assistenciais persistentes para a implementação dessa prática.
Financiamento: Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do RJ, FAPERJ, Brasil. Ministério da Saúde.
#77 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
CONTEÚDO PROTEICO APÓS O PROCESSO DE LIOFILIZAÇÃO PARCIAL DO LEITE HUMANO: ESTUDO EXPERIMENTAL
ANA CAROLINA LAVIO ROCHA; KELLY PEREIRA COCA
Universidade Federal de São Paulo
Resumo
Introdução: O aleitamento materno exclusivo é recomendado até os seis meses de vida e seus benefícios são particularmente relevantes para recém-nascidos prematuros, que se beneficiam amplamente da proteção imunológica proporcionada pelo leite humano. Entretanto, esses lactentes apresentam maior necessidade de aporte proteico devido às elevadas demandas nutricionais associadas ao crescimento e ao desenvolvimento, o que pode representar um desafio para a manutenção do aleitamento materno exclusivo e favorecer a introdução de fórmulas infantis e fortificantes artificiais. Nesse contexto, o uso de leite humano doado personalizado surge como uma estratégia para proteger o aleitamento materno nessa população.
Objetivo: Analisar o conteúdo protéico do leite humano doado antes e após a liofilização parcial.
Metodologia: Estudo experimental realizado no Banco de Leite Humano da Universidade Federal de São Paulo, no período de maio de 2025 a janeiro de 2026, com LH de doadoras. Foram analisadas 10 amostras de 40 mL de LH maduro, sendo 20 mL antes e 20 mL após liofilização de uma hora (liofilizador SLH-50). O teor proteico (proteína bruta e proteína verdadeira) foi determinado por meio de um analisador de leite humano. As análises foram descritivas e os resultados apresentados como médias e desvios padrão. A normalidade das diferenças entre os momentos foi avaliada pelo teste de Shapiro–Wilk. Para variáveis com distribuição normal utilizou-se o teste t pareado, enquanto para aquelas sem normalidade aplicou-se o teste de Wilcoxon. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo, sob o parecer nº 8.003.897.
Resultados: A proteína bruta apresentou média de 1,44 ± 0,17 g/100 mL antes e de 1,72 ± 0,27 g/100 mL após a liofilização por uma hora (p=0,001 - t pareado). De forma semelhante, a proteína verdadeira também apresentou aumento na média de 1,17 ± 0,13 g/100 mL antes e de 1,38 ± 0,22 g/100 mL após (p=0,002 - teste de Wilcoxon).
Conclusão: A liofilização parcial do LH demonstrou ser uma estratégia eficaz para aumentar o conteúdo protéico do leite humano doado. Esse achado pode ser uma estratégia promissora para os Bancos de Leite Humano promoverem e protegerem o aleitamento materno exclusivo de recém-nascidos prematuros que necessitam de um aporte nutricional maior para seu crescimento e desenvolvimento.
Financiamento: Bolsista nível doutorado - Capes
#257 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
CRIAÇÃO DE UM GRUPO DE TRABALHO EM AMAMENTAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DA IUBAAM COMO ESTRATÉGIAS DE FORTALECIMENTO DO ALEITAMENTO MATERNO EM UM MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
PEREIRA, EVELYN DOS SANTOS; LEIRA, BIANCA CARVALHO DE ABREU; CAVALCANTI, MICHELE CURCINO; SARTO, ANA PAULA PECORELLA; SILVA, VANESSA ROSA E; BEAUVAIS, POLYANA LOUZADA PALMIERI VON; LEAL, JULIANA CORRÊA
Prefeitura Municipal de Itaguaí/ Secretaria Municipal de Saúde
Resumo
Introdução: O monitoramento de indicadores de aleitamento materno constitui ferramenta fundamental para o planejamento de ações de promoção, proteção e apoio à amamentação no âmbito da Atenção Primária à Saúde. Entretanto, observa-se fragilidade no registro e acompanhamento desses dados, limitando a construção de estratégias baseadas em evidências.
Objetivo: Descrever a criação de um Grupo de Trabalho (GT) em Amamentação e a elaboração de um plano de implantação da Iniciativa Unidade Básica Amiga da Amamentação (IUBAAM) como estratégias para o fortalecimento das ações de aleitamento materno em um município do Rio de Janeiro.
Metodologia: A experiência iniciou em 2025, a partir da análise de baixos registros de crianças em aleitamento materno no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) comparando com o número de nascidos vivos pelo Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) e em instrumentos próprios do município, evidenciando lacunas no monitoramento desse indicador. Diante desse cenário, foi instituído um Grupo de Trabalho em Amamentação, composto por servidoras da rede municipal de saúde, com o objetivo de propor estratégias de qualificação das ações no território. Em paralelo, foi elaborado um plano de ação para implantação da IUBAAM, com aprovação da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. As ações incluem sensibilização das equipes, qualificação profissional e reorganização de práticas assistenciais voltadas à promoção e apoio ao aleitamento materno.
Resultados: Como resultados parciais, observa-se maior articulação entre profissionais e gestores na discussão do tema, além do fortalecimento de estratégias institucionais voltadas à promoção do aleitamento materno. A experiência evidencia que a organização de espaços coletivos de discussão e a implementação de iniciativas estruturadas podem contribuir para qualificar o cuidado e ampliar o monitoramento das práticas de amamentação no território.
Conclusão: Conclui-se que a criação de um GT em Amamentação associada à implantação da IUBAAM constitui estratégia promissora para fortalecer políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno no âmbito municipal.
#202 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
CRIAÇÃO DO AMBULATÓRIO DE AMAMENTAÇÃO PARA PROMOÇÃO E PROTEÇÃO AO ALEITAMENTO EM UM MUNICÍPIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – RELATO DE EXPERIÊNCIA
CAVALCANTI, MICHELE CURCINO; LEIRA, BIANCA C. DE ABREU
Prefeitura municipal de Itaguaí- Secretaria Municipal de Saúde/área programática: PAISMCA
Resumo
Introdução: Mundialmente, 80% dos recém-nascidos recebem leite materno em algum momento da vida. No Brasil, o aleitamento exclusivo até 6 meses de idade apresenta taxa de 45,7% (UFRJ, 2021). No município cenário desse estudo, não há registros sobre a população que amamenta e/ou lactentes, o que inquietou as autoras e as motivou para criação do serviço. O projeto "Espaço Mame" foi pensado como alternativa para proteger, apoiar e estimular o aleitamento materno devido as demandas de intercorrências decorrentes da amamentação sem manejo adequado ou introdução precoce de fórmulas lácteas, de puérperas e recém-nascidos admitidos na emergência da maternidade.
Objetivo: Descrever sobre a elaboração do projeto de lei, para criação de um ambulatório de amamentação .
Metodologia: Relato da experiência sobre elaboração do projeto, transformado em lei municipal.
Resultados: Após 2 anos de tramitação na Câmara, em celebração ao agosto dourado, em 23 de agosto de 2023 foi sancionada a Lei nº 4.098/2023, que autoriza a instituição do Espaço Mame- Ambulatório de Aleitamento, com a finalidade de oferecer consulta de Enfermagem pré-natal em amamentação e duas pós-natal com 10 dias e 28 dias de vida do lactente . Para díade com intercorrência relacionada à amamentação, o seguimento se desdobrará em mais consultas para manejo clínico e laserterapia.
Conclusão: Este estudo pressupõe, que o serviço ofertado tem o potencial de aumentar as taxas de amamentação exclusiva durante os 6 meses de vida do lactente, possibilitar planejamento e efetivação do plano de cuidados para o binômio , além de enriquecimento no aprendizado da rede de apoio e social.
Considerações finais: A amamentação corrobora para um novo cenário de atuação das enfermeiras, que se direcionam para reduzir as lacunas que envolvem o aleitamento. Em paralelo, o ambulatório favorece o acesso, equidade e integralidade em saúde, permitindo um olhar para além do parto revelando-se como uma assistência diferenciada na atenção pré e pós-natal, fornecendo acolhimento individualizado de necessidades singulares, tão peculiares ao processo lactacional . Logo, os serviços oferecidos pelo Espaço Mame, conduzem ao levantamento e monitoramento dos dados sobre amamentação , visando compor estratégias para melhoria dos indicadores de saúde e estabelecer metas a serem alcançadas em curto, médio e longo prazo.
#157 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
CURSO INICIATIVA HOSPITAL AMIGO DA CRIANÇA: AVALIAÇÃO DE UMA ADAPTAÇÃO COM MATERIAIS DIGITAIS DE APOIO
ROSANE VALÉRIA VIANA FONSECA RITO; GABRIELA DA SILVEIRA LOPES; JULYANA OLIVEIRA ALBINO; DANIELE MENDONÇA FERREIRA
Universidade Federal Fluminense
Resumo
Introdução: O aleitamento materno é fundamental para a saúde infantil e materna, conforme recomendações da Organização Mundial da Saúde. Seu sucesso depende de profissionais capacitados, exigindo formação acadêmica adequada e educação continuada. O curso da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), adaptado com materiais digitais do Grupo Mulheres Apoiando Mulheres na Amamentação (Grupo MAMA), surge como estratégia inovadora para a formação profissional, que poderão contar com tais recursos digitais.
Objetivo: Avaliar a aplicação do Curso IHAC adaptado com materiais do Grupo MAMA na formação profissional de estudantes e profissionais da saúde.
Metodologia: Estudo empírico com abordagem quali-quantitativa, realizado em 2024. O módulo teórico ocorreu na Faculdade de Nutrição da Universidade Federal Fluminense e o prático no Hospital Universitário Antônio Pedro. Utilizou-se formulários digitais para avaliar conhecimento, qualidade do curso e materiais. As respostas abertas foram analisadas por análise de conteúdo, categorizando em pontos positivos e negativos. Respostas objetivas foram analisadas pelo Teste de McNemar para identificar a diferença entre as respostas antes e depois do curso.
Resultados: Participaram 26 profissionais (9 de Nutrição, 16 de Enfermagem, 1 de Odontologia): 65,4% graduandos, 23,1% pós-graduandos e 11,5% profissionais. A avaliação gerou 70 códigos sobre o curso (52 positivos, 27 negativos) e 34 sobre materiais MAMA (33 positivos, 1 negativo). Identificou-se o papel do curso para formação (18 códigos) e educação continuada (9 códigos). A formação foi efetiva para temas específicos, como causas da baixa produção de leite (p=0,04), mas não eliminou equívocos em outros, como sinais de pega adequada.
Conclusão: O curso promoveu melhora no conhecimento teórico e boa receptividade aos recursos digitais. A concentração em dois dias e meio foi criticada, sugerindo-se melhor distribuição da carga horária. Embora apenas uma questão tenha significância estatística, houve avanço geral no conhecimento, validando a proposta do curso e sua eficácia na formação profissional.
#50 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
DA ESCUTA AO CUIDADO: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE EDUCAÇÃO EM ALEITAMENTO MATERNO COM GESTANTES NA GRADUAÇÃO EM NUTRIÇÃO
DIEGO SILVEIRA SIQUEIRA; ÉRIKA ARAUJO BLANKE; GABRIELA KOGLIN
DAPPS/SES/RS; Universidade LaSalle, Canoas/RS
Resumo
A inserção de atividades práticas no processo de formação em Nutrição é uma estratégia essencial para o desenvolvimento de competências voltadas ao cuidado materno-infantil de forma humanizada. Assim, o presente trabalho tem como objetivo relatar uma vivência acadêmica voltada à ações educativas sobre amamentação, construída a partir da escuta de gestantes e das dúvidas e necessidades instrutivas levantadas durante o diálogo. A atividade foi desenvolvida no contexto da disciplina de Nutrição Materno-Infantil de uma universidade privada no Estado do Rio Grande do Sul, entre outubro e novembro de 2024. Sob orientação docente, cada grupo ficou responsável por contatar uma gestante e entrevistá-la acerca de conhecimentos prévios sobre amamentação, crenças e dúvidas sobre a prática de amamentar, incluindo temas como produção de leite, dor durante a amamentação, tempo recomendado de aleitamento e introdução precoce de outros alimentos, entre outros assuntos. Com base nas demandas identificadas, os grupos elaboraram materiais orientadores, como infográficos e guias práticos, utilizando recursos visuais, linguagem acessível e informações baseadas em evidências científicas. Os materiais produzidos foram entregues às respectivas gestantes e também encaminhados a um centro regional de abrigamento de mulheres, garantindo o acesso ao conhecimento qualificado para populações em situação de vulnerabilidade social, ampliando o alcance da atividade e favorecendo a disseminação de conteúdos educativos no contexto do cuidado pré-natal. Como resultados, observou-se que as dúvidas levantadas refletem fragilidades persistentes, como a insegurança quanto à saciedade do bebê e o medo da dor na pega, que muitas vezes reforçam o mito do "leite fraco". Identificou-se que tais percepções são frequentemente alimentadas por vivências familiares e pela necessidade de orientações mais específicas nas consultas de rotina. A vivência favoreceu o desenvolvimento de competências em educação em saúde e a compreensão do papel do nutricionista, aproximando conteúdos teóricos de situações reais de atuação. Dessa forma, a experiência contribuiu para uma formação mais humanizada e acolhedora, reforçando que o cuidado técnico deve estar unido ao suporte emocional para passar segurança e confiança para a mulher que amamenta.
#182 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
DESEMPENHO NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO: ANÁLISE COMPARATIVA DA UNIDADE NEONATAL DO HRT E DO CENÁRIO NACIONAL - ESTRATÉGIA QUALINEO
CAROLINE RIBEIRO DA SILVA; EVELYN DE CARVALHO CAPRINI; NATÁLIA OLIVEIRA DE SOUZA CONCEIÇÃO CLARENTINO
Hospital Regional de Taguatinga - DF
Resumo
Introdução: O aleitamento materno exclusivo (AME) na alta hospitalar é um indicador sensível da qualidade do cuidado neonatal e da efetividade das práticas assistenciais, especialmente entre recém-nascidos pré-termo e de risco. A Estratégia QualiNEO monitora indicadores assistenciais e de desfecho com o objetivo de qualificar a atenção neonatal e promover melhoria contínua dos serviços.
Objetivos: Analisar a prevalência de aleitamento materno na alta hospitalar na unidade neonatal do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e compará-la aos dados consolidados das unidades participantes da Estratégia QualiNEO no Brasil entre 2021 e 2025.
Metodologia: Estudo descritivo, retrospectivo, baseado em dados secundários extraídos da plataforma QualiNEO. Foram incluídos recém-nascidos internados na unidade neonatal do HRT dos anos de 2021 a 2025. Avaliaram-se variáveis relacionadas à idade gestacional e à dieta prescrita na alta hospitalar, comparando-se os resultados da unidade com os dados agregados nacionais. A análise considerou, ainda, a influência de práticas assistenciais interdisciplinares voltadas ao suporte da alimentação oral e à promoção do aleitamento materno.
Resultados: A análise da série histórica evidenciou que o HRT manteve, ao longo dos cinco anos avaliados, percentuais de alta hospitalar com aleitamento materno exclusivo consistentemente superiores às médias nacionais da plataforma. Entre prematuros moderados e tardios e recém-nascidos ≥37 semanas internados na unidade neonatal, observaram-se taxas elevadas e sustentadas de aleitamento materno na alta, além de menor proporção de alta com fórmula exclusiva quando comparado ao conjunto das unidades brasileiras. Os achados sugerem que a consolidação de práticas assistenciais interdisciplinares, incluindo suporte estruturado à transição alimentar, organização da sucção e manejo seguro da alimentação oral, contribuiu para melhores desfechos relacionados ao aleitamento materno na alta hospitalar.
Conclusões: A unidade neonatal do HRT apresenta desempenho sustentado e superior ao cenário nacional na promoção do aleitamento materno na alta hospitalar. Os resultados evidenciam a consolidação de práticas assistenciais interdisciplinares e humanizadas, com suporte qualificado à alimentação oral do recém-nascido, demonstrando o potencial de contribuição das políticas públicas na promoção do aleitamento.
#189 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
DESMAME DE CRIANÇAS DE DOIS ANOS OU MAIS EM CONTEXTO MIGRATÓRIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM ATENDIMENTO ONLINE COM ESCUTA PSICANALÍTICA
TARSILA NUNES DE CARVALHO LEÃO GUERRIERI
A Mama
Resumo
Este trabalho relata a experiência de atendimentos clínicos online voltados ao desmame de crianças de dois anos ou mais, realizados entre dezembro de 2024 e 2025 com mulheres brasileiras residentes no exterior, em contexto de ausência de rede de apoio presencial. As demandas iniciais referiam-se à interrupção da amamentação após múltiplas tentativas técnicas malsucedidas, associadas a exaustão física, sobrecarga psíquica e insegurança quanto aos possíveis impactos emocionais para a criança.
Os atendimentos ocorreram semanalmente, em modalidade síncrona, articulando orientações técnicas sobre desmame gradual e escuta psicanalítica. Observou-se que a dificuldade de efetivar o desmame frequentemente estava atravessada por ambivalência materna, sentimentos de culpa, temor de causar sofrimento e conflitos relacionados ao processo de separação. A condição migratória intensificava vivências de solidão, responsabilização exclusiva pelo cuidado e fragilidade na sustentação das decisões maternas.
A condução incluiu acolhimento da ambivalência, reorganização da rotina familiar, fortalecimento da agência materna e promoção de reposicionamento subjetivo frente ao exercício da maternidade. A escuta possibilitou a elaboração de experiências infantis da própria mãe que incidiam sobre a relação com o filho. O desmame ocorreu de forma progressiva, com redução significativa da ansiedade e preservação do vínculo afetivo.
A experiência evidencia que o desmame de crianças maiores configura-se como processo relacional e psíquico, para além de sua dimensão nutricional. A modalidade online mostrou-se dispositivo potente de cuidado, ampliando acesso ao suporte especializado e favorecendo decisões mais conscientes, com menor risco de rupturas abruptas. Destaca-se a necessidade de maior visibilidade científica às práticas assistenciais no desmame na primeira infância, especialmente em contextos de vulnerabilidade relacional associados à migração.
#109 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
DESVENDANDO MITOS REGIONAIS: PRODUÇÃO DE CARTILHA POPULAR E VÍDEOS EDUCATIVOS COMO ESTRATÉGIAS PARA A PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO NO AMAPÁ
DARCINEYDE ALVES DIAS; MATHEUS LOPES DOS SANTOS
Secretaria Estadual de Saúde do Amapá; Universidade Federal do Amapá
Resumo
Objetivos da experiência: relatar a experiência da construção de uma cartilha popular e vídeos educativos sobre aleitamento materno exclusivo voltados para a educação em saúde de populações tradicionais e vulneráveis.
Contexto: No Amapá, Estado da região amazônica, os mitos acerca do aleitamento materno e a dificuldade de acesso à informação por determinados grupos tradicionais e vulneráveis comprometem a confiança das lactantes e famílias na amamentação, resultando em comportamentos que culminam na interrupção precoce do aleitamento materno exclusivo.
Descrição da execução: A produção da cartilha envolveu a identificação de mitos presentes na fala das famílias amapaenses e a redação de textos em linguagem simples com alguns dialetos regionais, a qual ocorreu de junho a julho de 2025. Para ampliar a acessibilidade e inclusão, também foram produzidos dois vídeos: um totalmente em Libras (sem som, mas com legendas em português) e outro na língua Apalai, atendendo à demanda das equipes de saúde indígena que identificaram a preferência por vídeos para disseminação de informações. Os materiais foram distribuídos no início da programação do Agosto Dourado, mês dedicado ao fortalecimento do aleitamento materno, no formato digital para os profissionais de unidades de saúde e maternidades de todos os municípios do Estado para serem trabalhados com a população.
Resultados: A cartilha tornou-se ferramenta central para equipes de Unidades Básicas de Saúde e Coordenações de Saúde Indígena, sendo utilizada em grupos de gestantes e lactantes, visitas domiciliares e ações do Agosto Dourado. A inclusão das versões em Libras e Waiãpi permitiu que a mensagem alcançasse comunidades tradicionais excluídas, fortalecendo a rede de apoio à amamentação em todo o território estadual.
Considerações finais: A utilização de termos e mitos regionais aproximou as abordagens dos profissionais para a realidade das famílias, a adesão a recursos visuais e linguagem adaptada demonstrou ser uma estratégia potente de comunicação em saúde. A experiência reforça que, para proteger a amamentação em contextos de diversidade, é preciso adaptar os materiais às realidades locais e às necessidades de inclusão.
Financiamento: Secretaria Estadual de Saúde
#256 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
DIETA NA ALTA DE UNIDADES NEONATAIS SEGUNDO PESO AO NASCER: ANÁLISE DE REGISTROS 2022–2025
LERIDA BARTHEMAN PINHEIRO SERRANO; ALINE CARLA HENNEMANN; SONIA ISOYAMA VENANCIO; GABRIELA SINTRA RIOS; ERILANE CORREIA AQUINO CORREIA; MARIA GOMES; CYNTHIA MAGLUTA; PRISCILA OLIN SILVA; RENARA GUEDES ARAUJO
Ministério da Saúde; Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Resumo
Introdução: A alimentação na alta da unidade neonatal é um indicador relevante da qualidade da atenção ao recém-nascido e das práticas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. O leite materno contribui para a redução da morbimortalidade neonatal e para melhores desfechos de crescimento e desenvolvimento, sendo especialmente importante para recém-nascidos de baixo peso.
Objetivo: Analisar a distribuição do tipo de dieta na alta hospitalar de recém-nascidos internados em unidades neonatais segundo o peso ao nascer, no período de 2022 a 2025.
Metodologia: Estudo descritivo baseado em registros assistenciais de unidades neonatais com boa completitude de dados no período de 2022 a 2025. Foram analisados 101.537 registros de recém-nascidos, classificados conforme peso ao nascer (<1500 g; 1500–2499 g; ≥2500 g) e tipo de dieta na alta: leite materno exclusivo, leite materno complementado com fórmula, fórmula infantil ou sem informação. Realizou-se análise descritiva das frequências absolutas e relativas.
Resultados: Do total de registros analisados, 56% dos recém-nascidos receberam alta em aleitamento materno exclusivo, 36% em aleitamento materno complementado com fórmula, 7% em uso exclusivo de fórmula e 1% sem informação. Entre recém-nascidos com peso <1500 g, observou-se maior proporção de alimentação mista (45%), seguida de leite materno exclusivo (39%) e fórmula (16%). No grupo de 1500 a 2499 g predominou o aleitamento materno exclusivo (57%), seguido de alimentação mista (36%) e fórmula (6%). Entre aqueles com peso ≥2500 g, o aleitamento materno exclusivo também foi predominante (60%), seguido de alimentação mista (33%) e fórmula (6%). Observou-se gradiente na prevalência de aleitamento materno exclusivo conforme o peso ao nascer, com maior frequência entre recém-nascidos com maior peso.
Conclusões: Os resultados evidenciam elevada proporção de aleitamento materno na alta das unidades neonatais, embora recém-nascidos de muito baixo peso apresentem maior necessidade de complementação alimentar. Os achados reforçam a importância de estratégias institucionais de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, especialmente para recém-nascidos mais vulneráveis, visando ampliar a prevalência de leite materno exclusivo na alta hospitalar.
#106 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
DIFICULDADE NA AMAMENTAÇÃO E ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR PARA ALÉM DAS INTERVENÇÕES TÉCNICAS: UM RELATO DE CASO
THAINÁ DE PAULA GUIMARÃES DUVAL; MARIA TERESA C. SANCHES; BIBIANA GOBO SILVA
Clínica Tanière, São Paulo, SP, Brasil; Universidade Federal de São Paulo (USP); Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), São Paulo, SP, Brasil; Casa Curumim, São Paulo, SP, Brasil
Resumo
Objeto da experiência: Relatar a experiência de atuação de uma equipe interdisciplinar no manejo das dificuldades da amamentação, considerando a interação de múltiplas etiologias e seus impactos sobre a amamentação e a dinâmica familiar.
Contexto: A experiência ocorreu na esfera privada, com acompanhamento em consultório e em domicílio, envolvendo uma recém-nascida (RN) e sua família.
Descrição da execução: A RN nasceu de parto normal, com 39 semanas e 5 dias, peso de 2.960 g, em apneia ao nascimento (APGAR 1’=4; 5’=9), permanecendo 24 horas em UTI neonatal, sendo alimentada por copinho e fórmula no primeiro dia de vida. Iniciou amamentação no segundo dia e recebeu alta 3 dias depois, em aleitamento materno exclusivo. Apresentou apojadura intensa associada à dor desde o início, com fissura mamilar. Apesar de adequado desenvolvimento inicial, favorecido por boa produção láctea e experiência materna prévia, houve piora progressiva da dor. A RN recebeu diagnóstico de anquiloglossia, sendo realizada frenotomia a laser no terceiro dia de vida por odontopediatra, associada à laserterapia no seio materno. Após o procedimento, a RN apresentou incoordenação dos reflexos orais e recusa ao peito, sendo necessário complemento por copinho. Aos 9 dias de vida, iniciou-se acompanhamento fonoaudiológico, sob diagnóstico de disfunção orofacial severa, caracterizada por padrão mordedor, hipertonia de musculatura perioral, língua posteriorizada, dificuldade na realização do vácuo intraoral e desorganização global, com choro intenso, recusa ao peito e mamadas inefetivas. Paralelamente, aos 16 dias de vida, iniciou-se acompanhamento em osteopatia, com foco em disfunções de mobilidade em base de crânio, cervical alta e pelve, postura em “C”, limitação de rotação cervical e tensões miofasciais associadas a torcicolo postural. A puérpera, exausta pela dor e privação de sono, relatou desejo de interromper a amamentação várias vezes. A rede de apoio restrita e a sobrecarga do pai, responsável pelas tarefas domésticas e cuidados com a RN e outra filha, contribuíram para conflitos conjugais.
Resultados: O acompanhamento interdisciplinar possibilitou o alcance do aleitamento materno exclusivo após um mês, bem como redução do sofrimento familiar.
Considerações finais: A atuação interdisciplinar, integrada e centrada na família, mostrou-se fundamental para sustentar a amamentação.
#19 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
DORA E BIA: A PERSONAGEM IDEALIZADA PARA DIVULGAR O BANCO DE LEITE HUMANO
ELIANE REGINA GRACIANO
Projeto Dora e Bia: Doe Leite Materno
Resumo
Objeto: A Personagem Dora e sua filha Bia foram criadas para ser uma ação constante em defesa da doação de leite humano. Foi idealizada por mim, Eliane Regina Graciano, sou Auxiliar de Enfermagem e trabalho no Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR/EBSERH), em Curitiba-Paraná-Brasil.
Contexto: Com o apoio de amigas/os que se propuseram a ser voluntárias/os, nasceu o Projeto Dora e Bia: Doe Leite Materno ano de 2024. Realizamos ações no CHC-UFPR/EBSERH, em outros espaços de saúde e eventos esportivos.
Contexto: Com o propósito de conquistar novas doadoras e conscientizar a população geral sobre a necessidade da doação, é possível manter ou aumentar o estoque de leite humano pasteurizado nos bancos de leite humano.
Descrição da execução: A participação da personagem nos encontros de gestantes, formação de profissionais da saúde e em eventos esportivos, como corridas de rua e caminhadas, é uma maneira lúdica e marcante de comunicar sobre a importância da amamentação, aleitamento materno, doação de leite humano, além de informar sobre a realidade das famílias e dos bebês internados na UTI Neonatal. A personagem sempre leva o banner do projeto, a bandeira com a escrita “Doe Leite Materno”, que ainda hoje é a forma mais popular de chamar atenção da população, além de distribuir o folder com o telefone, endereço e nome dos bancos de leite humano da cidade de Curitiba e da Região Metropolitana. Outra forma de manter memorável a participação da Dora e sua filha Bia é a presença da música como aspecto recreativo, pois a personagem toca violão e outros instrumentos de percussão sempre acompanhada pela equipe de voluntárias/os, cantam as paródias “Baião da Doação” e a “Vamos Doar” referentes a amamentação e doação de leite humano.
Resultados: Em todos os eventos de corrida de rua, como foi a 100ª São Silvestre na cidade de São Paulo-Brasil (2025), vários atletas e pessoas que prestigiaram o evento conversaram com a personagem para contar as experiências como doadoras de leite humano ou buscaram informações sobre locais e horário de funcionamento dos Bancos de Leite Humano. Houve o aumento no número de voluntárias/os e seguidores nas redes sociais.
Considerações finais: A criação desta personagem se demonstrou importante no processo de divulgação de doação de leite humano dentro e fora das maternidades, pois é fundamental manter os estoques diário na quantidade adequada para suprir a demanda diária dos bancos de leite humano.
#123 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
EDUCAÇÃO, A FERRAMENTA NA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS DA MULHER TRABALHADORA QUE AMAMENTA
ESDRA NECKEL BRAMBILA
@esdraneckel
Resumo
Introdução: O ordenamento jurídico brasileiro apresenta um dos mais amplos e avançados sistemas normativos de proteção à maternidade, à amamentação e ao direito da criança ao aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida, com continuidade até dois anos ou mais, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde. A Constituição Federal, a Consolidação das Leis do Trabalho e o Estatuto da Criança e do Adolescente asseguram direitos destinados a viabilizar a conciliação entre trabalho, maternidade e amamentação. Todavia, persistem elevados índices de desmame precoce associados ao retorno da mulher ao trabalho, evidenciando um descompasso entre a norma jurídica e sua efetivação prática.
Metodologia: Estudo descritivo, exploratório e quantitativo, realizado com 33 gestantes atendidas em serviço público de pré-natal de alto risco no município de Porto Velho–RO, entre agosto e novembro de 2025. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado, composto por 17 questões fechadas, abordando variáveis socioeconômicas e o conhecimento acerca dos direitos da mulher trabalhadora que amamenta. Os dados foram analisados de forma descritiva.
Resultados: Verificou-se que, embora o direito à licença-maternidade apresente elevado reconhecimento, os demais direitos diretamente relacionados à manutenção do aleitamento materno após o retorno ao trabalho são amplamente desconhecidos. Destacam-se baixos níveis de conhecimento sobre estabilidade gestacional, intervalos intrajornada para amamentação, prorrogação da licença-maternidade e direitos da mãe estudante, da servidora pública, da mãe adotante e da mulher privada de liberdade. Observou-se, ainda, desconhecimento integral da cartilha oficial do Ministério da Saúde voltada à mulher trabalhadora que amamenta.
Discussão e conclusão
O déficit informacional identificado configura fator relevante associado ao desmame precoce e compromete a eficácia social das normas de proteção à amamentação. Evidencia-se que a positivação legal, isoladamente, é insuficiente para assegurar a efetivação dos direitos, sendo imprescindível a adoção de estratégias educativas acessíveis. Como desdobramento técnico-científico da pesquisa, foi desenvolvido o gibi educativo “AMAmentar DIREITO”, como tecnologia social de educação e direitos, com a finalidade de traduzir o conteúdo jurídico-normativo em linguagem acessível.
#299 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
EDUCAÇÃO EM SAÚDE E VIGILÂNCIA DA NBCAL: RELATO DE INTERVENÇÃO EM AMBIENTE VIRTUAL DE COMERCIALIZAÇÃO DE ALIMENTOS PARA LACTENTES
MARINA MARTINS; ISABELA MOREIRA DAMASCENO; NEWTON JOSÉ DE OLIVEIRA DANTAS; CLÉIA COSTA BARBOSA; KÁTIA APARECIDA DA FONSÊCA; RENATA ADRIANA LABANCA
UFMG; IBFAN
Resumo
Objeto da experiência: Desenvolvimento e aplicação de estratégias de educação em saúde em ambiente digital, focadas na disseminação de conhecimento sobre a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes (NBCAL) em grupos de mensagens instantâneas.
Contexto: O cenário de vendas informais em redes sociais reflete uma lacuna de conhecimento técnico tanto de revendedores quanto de consumidores, o que compromete a segurança alimentar de lactentes. A experiência utiliza o WhatsApp como ecossistema de aprendizagem, explorando a rapidez e a capilaridade das mídias sociais para a formação de consciência crítica sobre o marketing de substitutos do leite materno.
Descrição da execução: Trata-se de um estudo de caso intervencionista com abordagem qualiquantitativa, conduzido no âmbito da graduação em Nutrição da UFMG. A metodologia pedagógica dividiu-se em: 1) Diagnóstico de perfil e saberes prévios via questionário estruturado (Google Forms); 2) Elaboração e veiculação de tecnologias educacionais leves, denominadas "pílulas de conhecimento", com linguagem acessível sobre aleitamento materno e restrições legais; 3) Mediação e análise das interações dos membros por meio da netnografia e Análise de Conteúdo de Bardin. O percurso formativo respeitou preceitos éticos com aprovação em CEP e aplicação de TCLE.
Resultados: A intervenção revela o potencial das ferramentas digitais para transpor o ensino teórico da universidade para a prática cotidiana da comunidade. Pretende-se observar mudanças na percepção de risco dos membros e um aumento qualitativo no nível de informação sobre a legislação. A experiência permiti identificar as reações dos usuários diante da educação em saúde no ambiente de livre mercado virtual.
Considerações finais: A atuação acadêmica em espaços digitais demonstra ser uma inovação necessária na formação do nutricionista. As lições aprendidas evidenciam o papel da extensão universitária na proteção da saúde pública, utilizando tecnologias de comunicação para fortalecer o apoio ao aleitamento materno e o cumprimento das políticas de proteção nutricional.
Financiamento: Recursos públicos oriundos da Chamada CNPq/FNDCT/SGPR/MDS nº 17/2025.
#108 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
EDUCAÇÃO EM SAÚDE INCLUSIVA NO PRÉ-NATAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA COM RECURSOS TÁTEIS EM UM BANCO DE LEITE HUMANO
ANA MÁRCIA BUSTAMANTE DE MORAIS; JÉSSYKA FONTENELES FREITAS; EVELINE COSTA DA SILVA; MAYSA OLIVEIRA ROLIM SANFORD FROTA; MARIA EUNICE LEAL CAVALCANTE; LÚCIA VIRGÍNIA REIS ARAGÃO DE CARVALHO; THÁRSIA FEIJÓ DANTAS ARRAIS; SHEILA VERÔNICA DE OLIVEIRA
Hospital Geral de Fortaleza
Resumo
Objeto da experiência: Atuação de uma enfermeira do BLH do Hospital Geral de Fortaleza na condução de atividades educativas inclusivas, destacando o uso de recursos táteis na orientação sobre massagem e pega correta para uma gestante com deficiência visual.
Contexto: As ações de educação em saúde no pré-natal são estratégicas para promover o Aleitamento Materno (AM), sendo os Bancos de Leite Humano (BLH) cenários atuantes nesta prática. Para garantir a equidade do cuidado, tais ações devem ser inclusivas, adaptando-se às especificidades de gestantes com deficiências, visando fortalecer sua autonomia e confiança no manejo da lactação.
Descrição da execução: Trata-se de um relato de experiência vivenciado em grupos de pré-natal vinculados ao BLH. Utilizaram-se metodologias ativas e, especificamente para a gestante com deficiência visual, priorizou-se a abordagem sensorial. A técnica consistiu no toque guiado em modelos anatômicos para identificação de mamilo, aréola e pontos de massagem, além da exploração tátil de bonecos para simulação de posicionamento e pega, associada à descrição verbal detalhada e reforço positivo.
Resultados: A adaptação do método através do toque facilitou a comunicação e o acesso às orientações. A gestante identificou a anatomia mamária e treinou a técnica de pega e posição com mais segurança e autonomia, superando barreiras da comunicação. A experiência evidenciou que o cuidado humanizado e a tecnologia leve superam limitações, inspirando a equipe a reestruturar as rotinas do BLH para garantir acessibilidade universal nas atividades educativas.
Considerações finais: A vivência demonstrou que a inclusão no pré-natal não exige tecnologias complexas, mas sensibilidade para adaptar o cuidado. O sucesso da abordagem tátil reforça que a eliminação de barreiras promove o protagonismo da mulher com deficiência visual. Conclui-se ser fundamental capacitar as equipes multiprofissionais para práticas inclusivas, assegurando que o apoio ao AM seja um direito acessível a todas as mulheres.
#248 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE OS “1000 DIAS DE OURO” COM GESTANTES E PUÉRPERAS INDÍGENAS NA ALDEIA COROA VERMELHA
NATÁLIA ANDRADE DOS SANTOS, N.A.S; IANE CARINE FREITAS DA SILVA, I.C.F.S,; VALDEREZ MACHADO DE ARAGÃO, V.M.A,
DSEI BAHIA; SESAI MS
Resumo
Objeto: Relatar uma atividade de educação em saúde voltada para gestantes e puérperas indígenas, abordando a importância dos “1000 dias de ouro” para o fortalecimento da vigilância alimentar e nutricional de crianças indígenas.
Contexto: A abordagem dos 1000 dias de vida contribui para o fortalecimento da vigilância alimentar e nutricional, especialmente em populações indígenas, ao promover o monitoramento do estado nutricional infantil, a identificação precoce de riscos nutricionais e a orientação às famílias sobre práticas alimentares saudáveis.
Descrição da execução: A atividade foi realizada no dia 03/09/2025, na Aldeia Coroa Vermelha, em Porto Seguro/BA com o desenvolvimento de palestra e uma dinâmica participativa sobre os “1000 dias de ouro”. As participantes foram convidadas a relacionar nutrientes com as respectivas etapas da gestação e os 2 primeiros anos de vida da criança, promovendo reflexão sobre a importância da alimentação adequada em cada momento. A dinâmica foi conduzida por nutricionista do DSEI-Ba do Polo base de Porto Seguro e Agente Indígena de Saúde.
Resultados: Observou-se boa participação das 20 gestantes e puérperas, com demonstração de interesse e engajamento durante a atividade. Surgiram dúvidas principalmente relacionadas ao conceito dos “1000 dias de ouro” e à alimentação adequada nesse período. Também foram evidenciados aspectos de interculturalidade, com relatos de crenças e práticas tradicionais relacionadas à gestação, alimentação e cuidados com os recém-nascidos.
Considerações finais: A atividade obteve impacto positivo entre as participantes e profissionais da equipe, favorecendo o diálogo sobre práticas alimentares no período da gestação e primeira infância. A partir dessa experiência, a temática dos 1000 dias de ouro passou a ser incorporada em outras ações de educação em saúde em diferentes aldeias do território ampliando as discussões sobre alimentação materno-infantil.
Financiamento: Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde; Distrito Sanitário Especial Indígena na Bahia (DSEI BA)
#226 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL NO AMBULATÓRIO DE ATENDIMENTO MATERNO- INFANTIL DE UMA MATERNIDADE DE REFERÊNCIA EM MATO GROSSO DO SUL – RELATO DE EXPERIÊNCIA
JOYCE ALVES DA CRUZ; ELAYNE TORRES BRAGA FONSECA
@joycealves93; @elaynetorresfono
Resumo
Introdução: A amamentação constitui prática essencial para a promoção da saúde materno-infantil, envolvendo dimensões biológicas, sociais e culturais. A atuação interprofissional e as estratégias educativas dialógicas são fundamentais para fortalecer o apoio às puérperas, especialmente no período pós-parto, favorecendo a construção de redes de cuidado e a consolidação do aleitamento materno.
Objeto da experiência: Realização de ação interprofissional voltada à promoção do aleitamento materno no contexto da campanha Agosto Dourado 2025, com enfoque nas práticas assistenciais, sociais e culturais da amamentação.
Contexto: Ambulatório materno-infantil de uma maternidade localizada em Campo Grande–MS, inserido na linha de cuidado materno-infantil da instituição.
Metodologia: A ação ocorreu em 14 de agosto de 2025, conduzida por equipe interprofissional composta por fonoaudióloga, nutricionista, enfermeira e doula credenciada. Participaram puérperas e seus acompanhantes. Utilizou-se a roda de conversa como estratégia de educação permanente em saúde, priorizando escuta qualificada, acolhimento e construção coletiva do conhecimento. Foram abordados aspectos relacionados ao manejo do aleitamento materno, inseguranças maternas, importância do apoio familiar, dimensões culturais da amamentação e orientações iniciais sobre alimentação complementar. A atividade foi contextualizada pelo tema do Agosto Dourado 2025 “Priorizar a amamentação é cuidar de vidas e do planeta” e contou com ambientação temática em pontos estratégicos do ambulatório para estimular engajamento e mobilização.
Resultados: Observou-se participação ativa das puérperas e acompanhantes, compartilhamento de experiências, esclarecimento de dúvidas e fortalecimento do vínculo entre equipe e usuárias. A prática favoreceu a integração entre os profissionais, ampliando a abordagem interprofissional no cuidado em amamentação.
Considerações finais: A experiência evidenciou que estratégias dialógicas e culturalmente sensíveis fortalecem práticas assistenciais em amamentação, promovem o protagonismo materno e contribuem para a consolidação de redes de apoio, qualificando o cuidado materno-infantil.
#204 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
EDUCAÇÃO PERMANENTE EM ALEITAMENTO MATERNO EM MATERNIDADE DO RIO DE JANEIRO: AVALIAÇÃO DE INTERVENÇÃO EDUCATIVA COM EQUIPES ASSISTENCIAIS - RELATO DE EXPERIÊNCIA
LEIRA, BIANCA CARVALHO DE ABREU; CAVALCANTI, MICHELE CURCINO
Prefeitura Municipal de Itaguaí/ Secretaria Municipal de Saúde
Resumo
Introdução: A maternidade é cenário estratégico para o estabelecimento do aleitamento materno, sendo as primeiras orientações e condutas profissionais determinantes para o início e a manutenção da amamentação. Entretanto, condutas divergentes e lacunas de conhecimento entre equipes podem comprometer esse processo. As demandas observadas no contexto assistencial, motivaram a criação da educação permanente em amamentação.
Objetivo: Descrever sobre uma intervenção educativa voltada às equipes assistenciais de uma maternidade; identificar se tal mediação melhora o conhecimento técnico e a segurança nas práticas de apoio ao aleitamento materno.
Metodologia: Estudo de intervenção do tipo antes e depois, realizado em uma maternidade no município do Rio de Janeiro. Participaram trinta profissionais de enfermagem. Foi ofertada atividade educativa coletiva, em formato de palestra dialogada com duração de quatro horas, para cada plantão, totalizando quatro dias, abordando fisiologia da lactação, manejo da pega e posicionamento para prevenção de traumas mamilares, aconselhamento em amamentação e alinhamento de condutas baseadas em evidências. Aplicaram-se instrumentos de avaliação de conhecimento e autopercepção de segurança (Escala Likert - 5 pontos) antes e após a atividade, além de registro das principais dúvidas e demandas das equipes.
Resultados: Observou-se aumento moderado do escore de conhecimento técnico e maior segurança referida para orientar puérperas quanto à pega adequada, livre demanda e manejo de dificuldades iniciais (pré: 3,0; pós: 3,7). Houve redução de orientações contraditórias entre profissionais, maior padronização das condutas e fortalecimento do aconselhamento centrado na mulher. As equipes relataram melhor articulação do cuidado e maior capacidade de identificar precocemente situações de risco para desmame.
Conclusão: A educação permanente no ambiente hospitalar mostrou-se estratégia factível e efetiva para qualificar práticas assistenciais em aleitamento materno na maternidade. Intervenções educativas estruturadas podem contribuir para a homogeneização das condutas e para o apoio oportuno às puérperas, fortalecendo o início e a continuidade da amamentação.
#175 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
EFICIÊNCIA NO PROCESSAMENTO DE LEITE HUMANO: UMA ANÁLISE DO RENDIMENTO DA PASTEURIZAÇÃO E GESTÃO DO ESTOQUE (2019-2025)
MARLUCE E VOLTATONI
marluce.voltatoni@hrc.org.br
Resumo
Introdução: O Leite Humano Pasteurizado (LHP) funciona como um suplemento terapêutico essencial, reduzindo a incidência de enterocolite necrotizante e infecções hospitalares em prematuros. A priorização da distribuição de LHP deve seguir critérios de gravidade clínica e peso ao nascer, mas a eficácia dessa assistência depende da relação entre a oferta disponível e a demanda da unidade neonatal. A justificativa deste trabalho reside na análise da 'densidade assistencial' do serviço: entender se o aumento do volume coletado está resultando em uma maior cobertura por paciente beneficiado. Mensurar essa média de oferta é crucial para o planejamento clínico e para garantir que o suporte nutricional oferecido seja condizente com as necessidades de recuperação dos recém-nascidos de alto risco.
Objetivo: Analisar o rendimento operacional do processo de pasteurização em um Banco de Leite Humano (BLH), avaliando a relação entre o volume de leite coletado (bruto) e o volume efetivamente processado (pasteurizado).
Metodologia: Estudo quantitativo e retrospectivo baseado nos indicadores de produção de um BLH entre janeiro de 2019 e dezembro de 2025. Foram extraídos dados de Volume Coletado, Volume Pasteurizado e Volume em Estoque. O rendimento foi calculado através da razão entre o volume pasteurizado e o volume coletado anualmente, permitindo identificar a capacidade de processamento do serviço frente à captação de doações.
Resultados: No período analisado, o Banco de Leite apresentou um rendimento global médio de 99,81%, demonstrando um baixíssimo índice de perdas técnicas ou descartes durante a seleção e pasteurização; Em relação aos picos de processamento, constatou-se que nos anos de 2022 e 2023, o rendimento de pasteurização superou o volume coletado no próprio ano (106,2% e 106,7%, respectivamente). Isso indica uma alta capacidade operacional para processar excedentes de estoque acumulados em períodos anteriores, garantindo a rotatividade do produto; Consistência: Mesmo com o aumento significativo da coleta em 2021 (superando 1 milhão de ml), o serviço manteve um rendimento de 99,7%, evidenciando que a estrutura técnica acompanhou o crescimento da demanda sem perda de eficiência.
Conclusão: O Banco de Leite Humano em estudo demonstra uma gestão de processamento altamente eficaz. O rendimento próximo a 100% sugere rigor no controle de qualidade inicial (evitando descartes desnecessários)
#144 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
ELABORAÇÃO DE CENÁRIO SIMULADO SOBRE INGURGITAMENTO MAMÁRIO NO PUERPÉRIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA COM SIMULAÇÃO HÍBRIDA
ANDRADE, LUCIENE MANTOVANI SILVA; JEZUS, SONIA VIVIAN; NORTE, KAMILLA MAESTÁ AGOSTINHO; QUADROS, GYOVANNA ARAUJO; SILVA, GABRIELA ROCHA
UFMT
Resumo
Objeto: O uso da simulação no puerpério surge como estratégia inovadora para aprimorar a assistência ao manejo adequado da apojadura e do ingurgitamento mamário no pós-parto. Nesse sentido, o projeto de extensão Amamente, em parceria com o Núcleo de Pesquisa Avançada em Simulação Clínica, da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus de Sinop, desenvolveu um cenário simulado voltado à consultoria em amamentação no pós-parto para estudantes e profissionais da saúde.
Descrição da execução: Construção de um cenário de simulação clínica, baseado nas diretrizes do Curso de Formação de Consultoras em Aleitamento Materno e nos padrões da International Nursing Association for Clinical Simulation and Learning. O cenário foi ambientado em um domicílio, com uso de paciente simulado (lactante), pessoa simulada (acompanhante) e recém-nascido simulado, utilizando moulage para representação do ingurgitamento. A simulação foi realizada presencialmente com uma aluna participante e transmitida ao vivo via plataforma Microsoft Teams® para os demais estudantes. O debriefing foi conduzido segundo o modelo PEARLS, que organiza a reflexão em cinco etapas: preparação do ambiente, expressão de reações, descrição do cenário, análise crítica e aplicação dos aprendizados. Foram utilizados um checklist com critérios objetivos para avaliação técnica e comunicacional e um roteiro detalhado com falas e comportamentos das personagens, visando realismo e coerência. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 57982822.5.0000.8097).
Resultados: A atividade proporcionou vivências significativas no desenvolvimento de competências para a assistência à lactante, especialmente no manejo clínico do ingurgitamento mamário. O uso da simulação híbrida, com checklist avaliativo e roteiro estruturado, favoreceu o engajamento dos participantes e promoveu reflexões críticas no debriefing. A participação ativa, presencial e remota, demonstrou a viabilidade das estratégias híbridas no ensino em saúde.
Considerações finais: A experiência reforça o potencial da simulação clínica híbrida, apoiada por instrumentos estruturados, como ferramenta eficaz para o ensino de temas complexos, como o manejo da amamentação. A construção colaborativa entre docentes e discentes evidenciou a articulação entre ensino, pesquisa e extensão na formação em saúde.
#119 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ELABORAÇÃO DE PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO PARA SENTINELAS DA AMAMENTAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DO MUNICÍPIO DE PINHAIS/PR
EVELYN DO ROCIO GIEHL MENEGHELLI; JEROSIANE NUNES MARCHAUKOSKI; ANA FLÁVIA MENDONÇA SANTOS; CAROLINA DIAS VIANNA; GABRIELA ROSSETTO; RUBIA DANIELA THIEME
Prefeitura Municipal de Pinhais; Universidade Federal do Paraná
Resumo
Objeto da experiência: Relatar a elaboração e a implementação de um Procedimento Operacional Padronizado (POP) para orientar a atuação das sentinelas da amamentação na Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Pinhais (PR), com foco na qualificação das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.
Contexto da experiência A experiência ocorreu no âmbito da Rede Municipal de Apoio ao Aleitamento Materno (REMAAM), integrada à APS de Pinhais. As sentinelas da amamentação atuam como profissionais de referência no acompanhamento das nutrizes, sendo identificada a necessidade de padronizar e formalizar essa atuação para garantir maior consistência, segurança e alinhamento às diretrizes do Sistema Único de Saúde.
Descrição da execução: Trata-se de um relato de experiência desenvolvido pela equipe de Nutrição da APS de Pinhais, no período de elaboração e implementação do POP, que ocorreu entre os meses de julho à dezembro de 2025, envolvendo sentinelas da amamentação e profissionais da REMAAM. A construção do POP incluiu o mapeamento das práticas realizadas no território, revisão de diretrizes do Ministério da Saúde, definição de fluxos, responsabilidades e registros, validação interna com equipe multiprofissional e realização de treinamento para sua aplicação.
Resultados: O POP sistematizou a atuação das sentinelas em etapas que abrangem acolhimento da nutriz, avaliação do aleitamento materno, identificação de dificuldades, orientações técnicas, registros e encaminhamentos. Sua implementação contribuiu para a organização do processo de trabalho, maior padronização das ações, segurança nas orientações prestadas e fortalecimento da REMAAM.
Considerações finais: A experiência evidenciou que a elaboração do POP baseado na realidade local e em orientações nacionais para aleitamento materno, sendo elaborado de forma participativa, qualifica a atuação das sentinelas da amamentação, fortalece o trabalho em rede e favorece práticas do cuidado integral na APS. O POP é . Atuação das sentinelas da amamentação poderá se qualifica com o POP, com padronização das práticas de fortalecimento da rede de cuidado integral às nutrizes, configurando-se como uma estratégia relevante para a promoção do aleitamento materno na Atenção Primária.
#170 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ENCONTRO ESTADUAL DE TUTORES DA ESTRATÉGIA AMAMENTA ALIMENTA BRASIL: UMA INOVAÇÃO PARA AMPLIAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO DA EAAB EM PERNAMBUCO
VILMA MARIA PEREIRA RAMOS; MARÍLIA MARIA DE LUCENA MACÊDO
Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco
Resumo
Em 2013, o Ministério da Saúde lançou a Estratégia Amamenta Alimenta Brasil (EAAB) com o objetivo de promover o aleitamento materno e a alimentação complementar saudável para crianças menores de 2 anos, considerando a Atenção Primária como estrutura fundamental para a promoção do desenvolvimento das crianças na primeira infância. Em Pernambuco, a formação da EAAB começou em 2013 e, até 2019 foi estruturada no modelo presencial, através de aulas teóricas e práticas, realizada pela Coordenação de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CSANS) em parceria com o Ministério da Saúde (MS).
Objeto e contexto: Desde 2015, visando ampliar e qualificar o processo de trabalho da EAAB, a CSANS constatou a importância de proporcionar um momento onde experiências pudessem ser compartilhadas e novos temas pudessem ser discutidos, surgindo assim o Encontro de Tutores da EAAB.
Descrição: O evento, realizado presencialmente, tem o objetivo de proporcionar interação entre os profissionais e troca de experiências exitosas, valorizando a diversidade regional e o protagonismo dos tutores. Além disso, permite a discussão das dificuldades para execução da EAAB, a atualização da legislação e de temas correlatos apresentados através de palestras com profissionais de referência. A iniciativa também favorece a aproximação entre municípios e o estado.
Resultados: Até 2019 foram realizados seis encontros anuais e de forma presencial, com esse propósito. A partir de 2021, em função da Pandemia de Covid 19, o MS passou a oferecer o curso na modalidade EaD (UNASUS e UFSC). Neste momento, a CSANS identificou a necessidade de realizar uma atividade complementar e de forma presencial para os profissionais. Dessa forma, em 2022 foi realizado o VII Encontro de Tutores, trazendo uma programação com atividades práticas relacionadas à formação de tutores, como a elaboração de “Plano de Ação”, de atividade “Revendo Conhecimentos de Alimentação Infantil” e “Simulação de Oficinas de Trabalho". Essa ação foi reconhecida por profissionais de referência na área de saúde da criança, de segurança alimentar e pelo Ministério da Saúde.
Considerações: Ao longo dos anos o Encontro de Tutores consolidou-se firmando seu propósito de ampliação e intercâmbio de experiências, tornando-se referência para outros estados no fortalecimento de políticas públicas de alimentação infantil no SUS.
#287 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ENGASGO EM LACTENTES: INTEGRAÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO E MATRICIAMENTO DAS BOAS PRÁTICAS ASSISTENCIAIS EM UM HOSPITAL DE REFERÊNCIA
NATALIA TURANO MONTEIRO; ANA CAROLINA EISENCRAFT; THAIS CRISTINA DE HOLANDA PARISI; ROMY SCHMIDT BROCK ZACHARIAS
Einstein Hospital Israelita
Resumo
Objeto da experiência: Relatar a implementação de um processo institucional de matriciamento das boas práticas para prevenção e manejo do engasgo em lactentes, integrando evidências científicas, capacitação profissional e educação em saúde para pacientes e familiares.
Contexto: O engasgo é uma das emergências mais temidas nos primeiros meses de vida. Identificou-se que recém-nascidos e lactentes jovens, que se alimentam predominantemente de líquidos, não estavam adequadamente contemplados nos protocolos tradicionais, historicamente voltados ao engasgo por corpos sólidos. Essa lacuna gerava insegurança entre profissionais e cuidadores, condutas divergentes entre setores e risco à segurança do paciente, além da ausência de material educativo padronizado e linguagem acessível às famílias.
Descrição da execução: Foi realizada revisão da literatura nacional e internacional sobre engasgo em líquidos e sólidos, em parceria com a Sociedade Paulista de Pediatria. O conteúdo embasou a construção de documentação institucional matriciada, trilha assistencial e materiais educativos para pacientes e familiares. Houve capacitação multiprofissional por meio de treinamentos teóricos e práticos com simulação realística, além da disseminação do conteúdo para equipes médicas, de enfermagem, transporte, creche e bombeiros. O mate rial educativo foi disponibilizado em formato físico e digital,incluindo vídeos institucionais exibidos nas unidades assistenciais e no curso de gestantes.
Resultados: Observou-se maior padronização das condutas assistenciais, aumento da segurança dos profissionais, ampliação do conhecimento dos cuidadores e maior alinhamento das orientações prestadas às famílias. O matriciamento institucional favoreceu a integração entre assistência, educação e segurança do paciente, além de fortalecer a autonomia dos cuidadores frente a situações de engasgo.
Considerações finais: A experiência demonstrou que a integração entre evidência científica, educação permanente e comunicação acessível é fundamental para qualificar o cuidado e promover segurança no aleitamento e na alimentação infantil. O modelo mostrou-se sustentável, replicável e com potencial de expansão para outros contextos assistenciais, contribuindo para a proteção da vida desde os primeiros dias.
#43 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ENTRE A PROTEÇÃO AO ALEITAMENTO MATERNO E A NECESSIDADE CLÍNICA: EXPERIÊNCIA DE UM PROGRAMA DE DISPENSAÇÃO DE FÓRMULAS PARA NECESSIDADES ALIMENTARES ESPECIAIS
TÁTILA LIMA DE OLIVEIRA; LARISSA CONSTANTE CUNHA; MICHELLI REGINA SILVA RODERO RONCAGLIO; PEDRO HENRIQUE SANTOS; GABRIELA ALVES DOS SANTOS; PAULA VILELA GONÇALVES BARCELOS; LÍVIA LISLIE FERREIRA SALGADO
Secretaria Municipal de Saúde de Rio Verde, Goiás
Resumo
Programas públicos de dispensação de fórmulas infantis são importantes para garantir o acesso em situações clínicas específicas; contudo, podem contribuir para o desmame precoce. Esse risco é ampliado no contexto das alergias alimentares, em que a adoção de dieta materna isenta de proteínas alergênicas pode dificultar a manutenção do aleitamento materno.
Este relato descreve a experiência do Programa de Atenção Nutricional do município de Rio Verde–GO, criado em 2009, cujo objeto é a dispensação responsável de fórmulas infantis associada a ações de proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno. A experiência ocorre na rede municipal de saúde e envolve médicos, nutricionistas, lactantes e lactentes com necessidades alimentares especiais.
O cadastro no programa é condicionado à prescrição médica e preenchimento de ficha específica. No momento do cadastro, é entregue material educativo sobre confusão de bicos e orientado o uso de utensílios alternativos seguros. Garante-se acesso prioritário à consulta nutricional, com foco no incentivo ao aleitamento materno, avaliação de pega e posicionamento, orientação para relactação e estratégias de estímulo da produção láctea, quando indicadas. Também são realizadas orientações sobre alimentação materna, alimentos hedônicos, substituições isentas da proteína alergênica e suplementação de cálcio, quando necessária.
O acompanhamento com gastropediatra ocorre, em geral, até 30 dias após o cadastro, reforçando o incentivo à amamentação, orientando a evolução da dieta materna conforme sintomas e idade da criança e conduzindo a reintrodução alimentar e o Teste de Provocação Oral (TPO) periodicamente.
Observa-se, ainda que sem quantificação sistematizada, que parte das famílias mantém o aleitamento materno exclusivo ou misto, com suspensão do uso de fórmulas e alta do programa entre 10 e 15 meses, enquanto situações de desmame total tendem a demandar acompanhamento mais prolongado.
Conclui-se que a prevenção precoce da confusão de bicos, o acesso oportuno a nutricionista e gastropediatra e as orientações qualificadas contribuem para a manutenção do aleitamento materno, mesmo diante da necessidade clínica de uso de fórmulas infantis.
Financiamento: Secretaria Municipal de Saúde de Rio Verde, Goiás
#232 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
EPAMACS NA ESTRADA: MATRICIAMENTO E ITINERÂNCIA COMO ESTRATÉGIAS DE FORTALECIMENTO DO CUIDADO NEONATAL EM MATO GROSSO
RODRIGO CÉSAR DE OLIVEIRA CARVALHO; LAURA CRISTINA ALENCASTRO DE MOURA; MARCUS VINÍCIUS DE CARVALHO; ROSIENE ROSA PIRES; KÁTIA DA SILVA ROCHA; MARIA CÉLIA DE MOURA SILVEIRA; SHIRLEY DANIELLA LISBOA PEREIRA
Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso; Hospital Beneficente Santa Helena; Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá - Banco De Leite Humano Dr. José de Faria Vinagre
Resumo
O presente relato descreve a experiência vivenciada no âmbito do projeto institucional “EPAMACS na Estrada”, uma iniciativa desenvolvida pela Equipe de Promoção da Amamentação e Alimentação Complementar Saudável (EPAMACS), da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, juntamente com os Centros Estaduais de Referência (CER) de Bancos de Leite Humano (BLH), no Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá e do Método Canguru, no Hospital Beneficente Santa Helena, no estado de Mato Grosso. A ação intersetorial teve como objetivo realizar o matriciamento das atividades nos Bancos de Leite Humano e Unidades de Cuidado Neonatal de três hospitais que oferecem ou estão prestes a oferecer esses serviços, sendo um estadual e dois filantrópicos, respectivamente: Hospital Regional de Sorriso, Hospital São Lucas e Santa Casa Rondonópolis. A estratégia de itinerância revelou-se fundamental para alinhar os processos de gestão e assistência, in loco, envolvendo gestores e trabalhadores destes hospitais. O cronograma percorreu, com apoio de técnicos dos Escritórios Regionais de Saúde de Sinop e Rondonópolis, os municípios de Sorriso (24 a 26 de março/25), Lucas do Rio Verde (26 a 28 de março/25) e Rondonópolis (03 a 05 de junho/25), utilizando o instrumental dos CER para coletar indicadores e oferecer suporte imediato às dificuldades encontradas nos fluxos do processamento de leite humano e na aplicação das etapas do Método Canguru. Como resultado, foram elaborados relatórios técnicos com apontamentos e sugestões de melhorias, considerando a complexidade dos processos e a singularidade de cada serviço de saúde. A principal entrega foi a integração dos profissionais que atuam diretamente no cuidado neonatal com os gestores locais e técnicos regionais e estaduais, substituindo a sensação de isolamento por um sentimento de pertencimento a um sistema estadual colaborativo. A experiência demonstra que a gestão de políticas públicas de saúde precisa ser itinerante e dialógica. A "estrada" serviu como o elo necessário entre o planejamento e a realidade assistencial locorregional, promovendo saúde com equidade e justiça social.
Concluímos que para a consolidação de uma estratégia efetiva de apoio institucional, promovendo melhorias sustentáveis, é essencial o monitoramento e avaliação de forma permanente para o fortalecimento das equipes e qualificação da assistência neonatal.
Financiamento: Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso
#205 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
EQUIDADE NO CUIDADO: A PESQUISA UNIVERSITÁRIA COMO ESTRATÉGIA PARA QUALIFICAR A EXPERIÊNCIA DO ALEITAMENTO
KAREN ESTEVAM RANGEL; ANA CLARA ANTUNES PEREIRA RESENDE; JULIA EMANUELLI ZANCANARO; SILVANA REGINA ROSSI KISSULA SOUZA
UFPR
Resumo
Objeto da experiência: Relatar a experiência de um grupo de pesquisa em enfermagem na produção de conhecimentos e tecnologias voltadas à promoção, proteção e apoio ao aleitamento.
Contexto: O aleitamento configura-se como uma prática essencial para a promoção da saúde materno-infantil, reconhecida como uma estratégia prioritária nas políticas públicas. Contudo, trata-se de um processo complexo, permeado por desafios que impactam a população.
Descrição da execução: Ao longo de 2025, discentes de graduação, pós-graduação e docentes, se reuniram para desenvolvimento de estudos metodológicos com vistas à produção de materiais educativos para apoio e fortalecimento do aleitamento com vistas a incorporação de novas tecnologias, bem como a estruturação de projeto de extensão.
Resultados: A experiência evidenciou a multiplicidade de fatores que atravessam o aleitamento, se expressando em iniciativas voltadas às usuárias do Sistema Único de Saúde. Essas iniciativas mostram que o apoio qualificado ao aleitamento exige abordagem integral e sensível às especificidades sociais e culturais, demonstrando a capacidade da pesquisa universitária de responder a demandas sociais complexas, contribuindo para o avanço das práticas de cuidado no âmbito do SUS. Como resultado concreto, destaca-se o desenvolvimento de tecnologias educativas e a inauguração do projeto de extensão sobre salas de amamentação e manejo clínico ao aleitamento, que utilizará materiais produzidos pelo próprio grupo, fortalecendo o cuidado em serviços de saúde.
Considerações finais: O fortalecimento do aleitamento requer ações articuladas que integrem cuidado, educação e políticas públicas. Identificou-se que a participação no grupo fortaleceu a compreensão ampliada da amamentação como fenômeno social e determinante de saúde, além de evidenciar a potência da produção científica para o enfrentamento de iniquidades. Reafirma-se a centralidade do aleitamento como prática de saúde pública e direito social, que demanda investimento contínuo em estratégias de promoção, proteção e apoio.
#282 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ESCUTA, APOIO E CONFIANÇA: A EXPERIÊNCIA DO ACONSELHAMENTO EM AMAMENTAÇÃO EM UM BANCO DE LEITE HUMANO
NATALIA OLIVEIRA DE SOUZA CONCEIÇÃO CLARENTINO; WELICA BORGES DE ECA ASSIS; DANIELLA DALMAGRO; ROSANGELA LOPES DA SILVA; CAROLINE RIBEIRO DA SILVA
SES-DF/ BLH HRT
Resumo
Objeto da experiência: Este relato de experiência tem como objeto a aplicação de técnicas de aconselhamento em amamentação no atendimento realizado em um Banco de Leite Humano, destacando sua importância para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, bem como para o acolhimento das nutrizes durante o processo de amamentar. Entre as principais habilidades utilizadas destacam-se: ouvir e aprender com a mãe e a capacidade de desenvolver confiança e oferecer apoio, consideradas fundamentais para fortalecer o vínculo e o empoderamento materno.
Contexto no qual ocorreu: A experiência ocorreu em um Banco de Leite Humano inserido em hospital público, que atua na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Nesse contexto são atendidas puérperas e lactantes com diferentes demandas relacionadas à amamentação, como dificuldades iniciais, dúvidas, manejo da lactação e necessidade de apoio no período pós-parto.
Descrição da execução A experiência foi desenvolvida durante atendimentos a nutrizes no período pós-parto imediato e tardio, envolvendo mães e seus recém-nascidos, inclusive prematuros e bebês internados. Durante os atendimentos individuais no Banco de Leite Humano foram aplicadas técnicas de aconselhamento baseadas na comunicação não verbal útil, perguntas abertas, empatia. Realizou-se observação da mamada, identificação de dificuldades, orientações sobre posicionamento e pega adequada, além de esclarecimentos sobre fisiologia da lactação e manejo de intercorrências mamárias. Também foram utilizadas estratégias como reforço positivo, valorização das experiências maternas e incentivo à confiança da mulher em sua capacidade de amamentar.
Resultados Observou-se maior segurança das mães em relação à amamentação, melhora na técnica de amamentar e fortalecimento da confiança materna. O uso do aconselhamento favoreceu a criação de vínculo entre profissional e nutriz, proporcionando espaço de escuta e acolhimento. Muitas mulheres relataram sentir-se respeitadas, apoiadas e mais seguras para manter a amamentação após o atendimento.
Considerações finais As técnicas de aconselhamento em amamentação mostraram-se fundamentais no cuidado às nutrizes atendidas em Bancos de Leite Humano. As habilidades de ouvir, aprender com a mãe e desenvolver confiança contribuem para fortalecer a autonomia materna e favorecer a continuidade do aleitamento materno.
#274 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
Estado nutricional e consumo alimentar de nutrizes e sua relação com a composição do leite materno
KENIA PIVETTA SABINO; EDSON HENRIQUE CARDOSO OLIVEIRA; RITA DE CÁSSIA DORÁCIO MENDES; CLÁUDIA ANDRÉIA LIMA CARDOSO; EMILIA ALONSO BALTHAZAR
HU - UFGD/MS; UFGD/FCS - MS; UNIGRAN - DOURADOS/MS; UEMS - DOURADOS/MS
Resumo
Introdução: O leite materno, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde, deve ser ofertado desde a primeira hora de vida e mantido de forma exclusiva até os seis meses. Além de essencial para o crescimento e desenvolvimento do lactente, sua doação é fundamental para os bancos de leite humano, que atendem recém-nascidos dependentes desse alimento.
Objetivo: Correlacionar a composição do leite materno com o estado nutricional e o consumo alimentar de nutrizes doadoras externas de leite humano.
Metodologia: Estudo transversal, descritivo, com 20 nutrizes doadoras externas. A coleta de dados ocorreu em 2022 por meio de entrevista, avaliação antropométrica, recordatório alimentar de 24 horas e dois registros alimentares. A composição nutricional do leite materno foi analisada por cromatografia gasosa para quantificação de macro e micronutrientes.
Resultados: Observou-se elevada prevalência de sobrepeso e obesidade entre as nutrizes (75%), bem como ganho de peso gestacional excessivo (65%). O consumo energético da maioria das participantes (75%) apresentou-se abaixo da necessidade calórica estimada, assim como o consumo de fibras (80%). O consumo de colesterol foi considerado adequado em 55% das nutrizes. Em relação à ingestão de minerais, a maioria apresentou consumo inferior às recomendações da EAR/AI para cálcio, magnésio, potássio e selênio. Ao relacionar o consumo alimentar com o estado nutricional, observou-se que nutrizes com baixo peso ou eutrofia apresentaram maior ingestão energética quando comparadas às com sobrepeso ou obesidade, bem como maior consumo de lipídios e carboidratos (p<0,05). Entretanto, não foram observadas diferenças significativas entre o estado nutricional das nutrizes e a composição nutricional do leite materno, embora cálcio e lipídios tenham apresentado significância marginal. Adicionalmente, verificou-se que as concentrações de nutrientes nas amostras analisadas encontravam-se abaixo dos valores descritos na literatura.
Conclusão: Não foi observada associação significativa entre o estado nutricional e o consumo alimentar das nutrizes com a composição nutricional do leite materno. Contudo, destaca-se a importância da orientação nutricional para esse grupo, considerando que práticas alimentares inadequadas podem comprometer a saúde materna e potencialmente influenciar a qualidade e a continuidade da doação de leite humano.
Financiamento: Iniciação Científica- CNPq
#185 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ESTADO NUTRICIONAL, INTERCORRÊNCIAS GESTACIONAIS E PREVALÊNCIA DE DOENÇAS CRÔNICAS EM NUTRIZES DOADORAS DE LEITE HUMANO
CABRAL, JULIA MAGALHÃES; FERREIRA, YVE; SANTOS, KARINA DOS; SILVA, DANIELLE APARECIDA DA
UFRJ/ INJC; UNIRIO/PPGBMC; IFF/ Fiocruz
Resumo
Introdução: Durante a gestação e no período pós-parto, podem ocorrer complicações que comprometem a qualidade de vida e o bem-estar do binômio mãe-bebê, como diabetes gestacional e síndromes hipertensivas. O excesso de peso e o ganho de peso gestacional (GPG) acima do recomendado associam-se a desfechos adversos da gestação e maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.
Objetivo: Analisar o estado nutricional, intercorrências gestacionais e doenças crônicas em nutrizes doadoras de leite humano.
Metodologia: Estudo observacional com coleta de dados realizada de dezembro de 2023 a abril de 2024, com doadoras domiciliares de leite humano de um Banco de Leite Humano no Rio de Janeiro. Foram analisados os seguintes dados: idade materna, estado nutricional antropométrico materno em kg/m² (classificação do IMC), adequação do GPG, se houve intercorrências durante a gestação e a existência de enfermidade atual. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob o parecer: 6.498.527, CAAE 75400723.4.0000.5269.
Resultados: A idade das doadoras analisadas (n=100) apresentou mediana de 33,5 anos, com intervalo interquartil entre 31 e 37 anos. Quanto ao IMC pré-gestacional, 51% estavam com o peso adequado, 29% sobrepeso e 17% em obesidade e 3% em baixo peso. Em relação ao GPG, 52% tiveram ganho de peso acima da recomendação, 19% abaixo e 29% um ganho adequado. Sobre o IMC atual, 49% possui o peso adequado, 33% sobrepeso e 13% obesidade e 5% baixo peso. Foi observado que 41% das nutrizes tiveram alguma intercorrência na gestação: diabetes gestacional (13%), anemia (11%), hipotireoidismo (9%) e hipertensão gestacional (8%), enquanto 21% possuem doenças crônicas atuais, sendo as mais prevalentes: hipotireoidismo(12%), hipertensão (5%) e anemia (3,0%).
Conclusão: O estado nutricional pré gestacional e atual das nutrizes, em sua maioria, encontra-se fora da adequação, indicando necessidade de maior atenção por parte do sistema de saúde pública, com fortalecimento das ações voltadas à saúde da mulher, inclusive no período pós-parto. Faz-se necessário reconhecer a nutriz como foco da atenção em saúde e suas necessidades específicas de cuidado, bem como a implementação de estratégias multifatoriais de prevenção, uma vez que esses indicadores refletem condições de saúde e qualidade de vida que podem afetar a saúde das mulheres e seus filhos.
#7 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ESTRATÉGIA DE CAPTAÇÃO DE NUTRIZES DA UNIDADE NEONATAL PARA AMPLIAÇÃO DA OFERTA DE LEITE HUMANO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
JULIANA MIRANDA LOPES DA SILVA
Hospital e Maternidade Escola Doutor Mário de Moraes Altenfelder Silva
Resumo
Objeto da experiência: Relatar a implantação e os resultados de uma estratégia de captação de nutrizes da Unidade Neonatal para ordenha frequente e ampliação da oferta de leite humano aos recém-nascidos, por meio da integração entre a Unidade Neonatal e o Banco de Leite Humano (BLH).
Contexto: A experiência ocorreu em uma maternidade pública de grande porte da cidade de São Paulo, referência em assistência neonatal, com Unidade Neonatal composta por UTIN, UCINco e UCINca, responsável por elevado número de partos mensais. A prematuridade impõe desafios à amamentação, exigindo ações sistematizadas para manutenção da lactação e garantia do acesso ao leite humano.
Descrição da execução: A estratégia foi implantada a partir de 2021, na referida Maternidade, envolvendo nutrizes de recém-nascidos internados, equipe multiprofissional da Neonatologia e equipe do BLH. As ações incluíram estímulo precoce à ordenha beira-leito, encaminhamento sistemático à sala de ordenha, acolhimento individualizado, treinamentos contínuos das equipes sobre manejo do aleitamento materno, método canguru e técnicas de ordenha, além da incorporação da cultura da amamentação desde a integração de novos colaboradores. Foram utilizados protocolos institucionais e capacitações periódicas.
Resultados: Observou-se aumento progressivo da captação e utilização do leite humano. Entre 2021 e 2024, houve incremento de aproximadamente 15% na coleta total de leite humano, associado a um aumento de 80% na coleta realizada em sala de ordenha. Entre 2024 e 2025, verificou-se novo crescimento, com aumento de 23% na coleta total, além de elevação nos atendimentos em sala de ordenha e na distribuição de leite humano aos recém-nascidos. Destaca-se o fortalecimento da captação interna, com recorde de volume coletado, evidenciando maior adesão das nutrizes.
Considerações finais: A integração entre o Banco de Leite Humano e a Unidade Neonatal mostrou-se efetiva para ampliar a captação de leite humano e garantir assistência nutricional segura aos recém-nascidos. A experiência evidencia que ações integradas, baseadas em acolhimento, educação permanente e trabalho multiprofissional, fortalecem o aleitamento materno em unidades neonatais, sendo passíveis de reprodução em outros serviços.
#21 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ESTRATÉGIA DO PROGRAMA DE FÓRMULAS INFANTIS E DIETAS ENTERAIS DO MUNICÍPIO DE PINHAIS/PR PARA REDUÇÃO DO FORNECIMENTO DE FÓRMULAS INFANTIS E ESTÍMULO A AMAMENTAÇÃO
JEROSIANE NUNES MARCHAUKOSKI, MARCHAUKOSKI, J.N.; EVELYN DO ROCIO GIEHL MENEGHELLI, MENEGHELLI, E.R.G.; CAROLINE TONETA DE JESUS LEITE, LEITE, C.T.J.
Prefeitura Municipal de Pinhais; Universidade Cesumar
Resumo
O Programa de Fórmulas Infantis e Dietas Enterais do município de Pinhais/PR, atende no Núcleo Técnico de Nutrição - NUTRI, via protocolo de solicitação, casos com indicação/prescrição de fórmulas infantis. O relato de experiência apresenta estratégia para redução da demanda e estímulo ao aleitamento materno, visto que, muitas solicitações são realizadas sem critério justificável para uso de fórmula infantil, em detrimento ao aleitamento materno. Diante disso, o setor definiu fluxo de atendimento com a Rede de Apoio ao Aleitamento Materno - REMAAM, nas Unidades de Saúde da Família (USF), e com o Consórcio Metropolitano de Serviços do Paraná - COMESP. A estratégia e definição do fluxo ocorreram a partir do levantamento de solicitações de fórmulas infantis (partida/seguimento, antirrefluxo, intolerância e de Alergia à Proteína do Leite de Vaca - APLV), organização da rede de apoio municipal e do consórcio metropolitano, com retaguarda ambulatorial. O NUTRI propôs, em 2023, o fluxo para o fornecimento com insumo pelo município, vinculação do paciente à USF de referência, com registro e histórico do paciente, avaliação antropométrica, avaliação, orientação e incentivo da amamentação pela REMAAM, que pode ocorrer na unidade ou por visita domiciliar. Nos casos de APLV, após vinculação na USF, orientação de restrição alimentar à mãe que amamenta, o paciente é encaminhado ao COMESP, atendido pelos profissionais de enfermagem, nutrição, serviço social, pediatra e dependendo, pelo gastroenterologista. O objetivo é confirmação diagnóstica, programação do Teste de Provocação Oral e estímulo ao aleitamento materno, mesmo de forma complementar. Como resultado da estratégia, a partir do levantamento de solicitações e atendimentos, constatou-se que em 2023, dos 87 protocolos solicitados, 61 pacientes foram atendidos com fórmulas e 26 pela REMAAM (29,88%). Em 2024, das 82 solicitações, 55 foram atendidas com fórmula e 27 pela REMAAM (32,92%). E em 2025, das 84 solicitações, foram atendidos 60 com fórmula e 24 pela REMAAM (28,57%). Resultados que demonstram a eficiência e a efetividade da estratégia de vinculação à REMAAM e ao COMESP, no estímulo ao aleitamento materno e desincentivo ao uso de fórmulas infantis, como substituto para a amamentação, fortalecendo o serviço na busca de soluções e organização da rede de apoio, para que o aleitamento materno seja promovido, protegido e estimulado, e para que os casos que exigem substitutos sejam atendidos.
#83 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ESTRATÉGIAS DE CAPACITAÇÃO MULTIPROFISSIONAL PARA A HABILITAÇÃO DO SELO HOSPITAL AMIGO DA CRIANÇA NA MATERNIDADE REFERÊNCIA EM MATO GROSSO DO SUL
DAYANE KELLY QUEVEDO BISPO; FABIANA MARCO COUTINHO; GABRIEL BATISTA DE OLIVEIRA; VIVIANE DA SILVA FARO WOLF; MARIANA BRITES SANTANA
@dkquevedo; @fabiana_fdmc; @biel_brazz; @vivianefarowolff; @maribriites
Resumo
Introdução: A Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) exige a mobilização integral dos colaboradores para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Na Maternidade Cândido Mariano, alinhar os diferentes setores à filosofia do selo demandou planejamento estruturado, voltado à mudança da cultura institucional e à capacitação em larga escala. A experiência foi ampliada com a realização da Roda de Gestantes, como estratégia de educação em saúde, cuidado humanizado e incentivo às boas práticas materno-infantis, especialmente o aleitamento materno, em consonância com os princípios da IHAC.
Objetivo: Relatar a experiência da equipe multiprofissional na organização e execução das capacitações para habilitação do incentivo IHAC, destacando a logística de cobertura integral dos turnos e das categorias profissionais.
Metodologia: Relato de experiência referente ao ciclo de capacitações realizado entre 2023 e 2024, utilizando metodologia de rodas de conversa conduzidas pela educação continuada e enfermeiros assistenciais em todos os turnos; capacitações técnicas específicas pelas coordenações; ensino a distância pela plataforma AVASUS; e rodas de conversa com gestantes. Participaram profissionais das enfermarias, sala de parto, centro cirúrgico, CME, UTIN/UCINCO/UCINCA, além de setores de apoio e administrativos. Os temas abordaram os 10 Passos do IHAC, Cuidado Amigo da Mulher, NBCAL, Portaria nº 938/2002, pré-natal, parto, nascimento, aleitamento materno, cuidados ao recém-nascido e direitos da gestante. Paralelamente, foram realizadas adequações nas salas cirúrgicas para garantir a assistência ao binômio mãe-bebê conforme as diretrizes da IHAC.
Resultados: Foram capacitados 500 colaboradores de um total de 663 ativos, além de 72 gestantes e 175 profissionais concluíram os cursos no AVASUS. A abordagem multiprofissional e a inclusão dos setores de apoio fortaleceram a disseminação da filosofia IHAC desde a entrada da gestante até a alta hospitalar. A Roda de Gestantes mostrou-se estratégica na promoção do aleitamento materno e do cuidado humanizado.
Conclusão: A experiência demonstra que a capacitação institucional é uma ferramenta efetiva de educação em saúde, qualificando a assistência materno-infantil e fortalecendo o selo Hospital Amigo da Criança, consolidando uma assistência mais segura, humanizada e centrada no binômio mãe-bebê.
#38 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ESTRATÉGIAS DIGITAIS EM MATERNIDADE PÚBLICA COMO MÉTODO DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO AO ALEITAMENTO MATERNO E FORTALECIMENTO DA IHAC
DAIANE GOVONI ORVIEDO PICCINI
Hospital Regional de São José Dr. Homero de Miranda Gomes
Resumo
Introdução: A promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e ao cuidado humanizado no ciclo gravídico-puerperal constituem prioridades das políticas públicas de saúde, sobretudo em instituições credenciadas na Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), que demanda ações educativas permanentes e monitoramento contínuo das práticas assistenciais.
Objetivo: Relatar duas estratégias desenvolvidas no Hospital Regional de São José Dr. Homero de Miranda Gomes (HRSJ), em São José-SC, voltadas ao fortalecimento da IHAC e à qualificação do cuidado materno-infantil por meio de tecnologias digitais.
Método/relato da experiência: Trata-se de um relato de experiência sobre duas intervenções institucionais. Em 2023, foram implementados formulários digitais no Google Forms para entrevistas com pacientes e profissionais, baseados no instrumento oficial de monitoramento anual da IHAC. A ferramenta facilitou a coleta e a análise dos dados, otimizou o tempo das equipes, reduziu erros de transcrição e eliminou o uso de formulários impressos. Em 2025, após limitações relacionadas à escassez de recursos humanos e à falta de espaço físico para consultas presenciais, foi estruturada uma consultoria on-line em grupo para gestantes, atendendo ao passo 3 da IHAC. Os encontros mensais, iniciados em setembro de 2025 e realizados via Google Meet, são conduzidos pela enfermeira obstétrica responsável pela Comissão IHAC e direcionados a gestantes do pré-natal de alto risco e seus familiares, com divulgação pelo Instagram institucional.
Resultados: As estratégias contribuíram para qualificar o monitoramento institucional e ampliar as ações de educação em saúde. O uso do Google Forms tornou o acompanhamento mais ágil e sustentável, enquanto a consultoria on-line ampliou o acesso à informação, fortaleceu o protagonismo das gestantes e favoreceu o melhor preparo para o parto e o pós-parto, inclusive em cesarianas.
Conclusão: A incorporação de tecnologias digitais mostrou-se uma estratégia eficaz para fortalecer as políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, qualificar processos institucionais e ampliar o alcance das ações educativas, evidenciando potencial de replicabilidade em outros serviços de saúde.
#283 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ESTRATÉGIAS MULTIPROFISSIONAIS DA E-MULTI PARA FORTALECER O ALEITAMENTO MATERNO NO TERRITÓRIO
ERIKA RODRIGUES MACIEL; THAIS MONARA BEZERRA RAMOS; ALINE SHEILLA CABRAL SILVA NASCIMENTO; ROSICLEIDE DA SILVA; MARIA CÂNDIDA DIAS DE FRANÇA CAVALCANTI MORAIS; ANA KAROLINE DE LIMA
Secretaria Municipal de Saúde
Resumo
Introdução: O aleitamento materno é reconhecido como uma das estratégias mais eficazes para a promoção da saúde infantil, contribuindo para a redução da morbimortalidade infantil e para o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê. A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e complementado até dois anos ou mais. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde desempenha papel fundamental na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. A atuação da equipe multiprofissional, especialmente por meio da e-Multi (Equipe Multiprofissional na Atenção Primária), amplia o cuidado ofertado às gestantes, puérperas e lactentes, integrando diferentes saberes e práticas no acompanhamento DO BINÔMIO MÃE-BEBÊ.
Objetivo: Relatar a experiência da atuação da equipe e-Multi no desenvolvimento de ações voltadas à promoção e apoio ao aleitamento materno no contexto da Atenção Primária à Saúde.
Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, realizado a partir das vivências de profissionais da equipe multiprofissional (e-Multi) em parceria com as equipes da Estratégia Saúde da Família. As ações ocorrem nas Unidades de Saúde da Família e envolveram gestantes, puérperas e familiares. As atividades desenvolvidas incluíram rodas de conversa, orientações individuais durante consultas e atendimentos compartilhados, visitas domiciliares e ações educativas em grupos de gestantes e puericultura. São abordados temas como importância do aleitamento materno, técnicas corretas de amamentação, prevenção de dificuldades como fissuras mamilares e ingurgitamento mamário, além do apoio emocional às mães no período pós-parto.
Resultados e discussão: A experiência evidencia que a participação da e-Multi contribui para ampliar o acesso à informação e fortalecimento do apoio às mulheres durante o processo de amamentação. As ações educativas favorecem a troca de experiências entre gestantes e puérperas, além de possibilitar o esclarecimento de dúvidas e a desconstrução de mitos relacionados ao aleitamento materno. O trabalho multiprofissional permitiu uma abordagem integral, considerando aspectos biológicos, psicológicos e sociais que podem interferir na prática da amamentação. Observa-se também que o apoio matricial da e-Multi às equipes da Estratégia Saúde da Família fortalece a qualificação das ações de promoção do aleitamento materno.
#225 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ESTRATÉGIAS PARA A PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO NO MUNICÍPIO DE CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL
ELLEN SABINO DE OLIVEIRA; RENATA MIDOGUTI JOIA; ESTER MARCELE FERREIRA DE MELO
Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande-MS (SESAU)
Resumo
O Aleitamento Materno Exclusivo (AME) em Campo Grande-MS caracterizou-se por ações de fortalecimento dessa prática e qualificação da Atenção Primária à Saúde (APS). A análise baseou-se em dados públicos do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN)/WEB, no período de 2020 a 2025, considerando os filtros do município, faixa etária de crianças de 0 a 6 meses,ano, marcadores de consumo alimentar, além das ações implementadas para promoção e apoio ao AME. Observou-se a ampliação expressiva do acompanhamento do consumo alimentar na APS (de 61 para 2.478 crianças) e aumento absoluto de crianças em AME (de 38 para 1.581), com variação percentual de 62% para 64%. Em 2025, o município apresentou cobertura superior à nacional (57%) e equivalente à estadual (64%). As áreas técnicas da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande implementaram estratégias que impactaram na cobertura de menores de 6 meses em AME, destacando-se: estruturação e atuação do Grupo Condutor Municipal da Rede Alyne; qualificação da assistência às mulheres em situação de vulnerabilidade, em articulação com o Consultório na Rua (CR), ampliando acesso e continuidade do cuidado; capacitação das equipes da APS com oficinas de puericultura, manejo do aleitamento materno e Teste da Linguinha; parcerias com Ligas Acadêmicas para ações educativas de incentivo ao AME junto aos Agentes Comunitários de Saúde; disponibilização de materiais educativos às 74 Unidades de Saúde da Família, ao Estabelecimento Prisional Feminino e ao CR; estruturação de grupos operativos, como o Projeto Kadosh, com foco no acompanhamento longitudinal de gestantes e puérperas; intensificação de ações de promoção e apoio ao AME, com destaque ao “Agosto Dourado”; implantação integral do e-SUS PEC na Estratégia Saúde da Família em 2020; qualificação contínua dos registros e das práticas assistenciais; e monitoramento sistemático das práticas de aleitamento materno junto ao Banco de Leite e maternidades vinculadas ao SUS. Conclui-se que o uso de dados promoveu a reorganização do processo de trabalho na APS, consolidação de políticas locais para integração assistencial, qualificação técnica e fortalecimento do AME. Embora apresentasse bom desempenho, persistiram os desafios relacionados à ampliação da cobertura de acompanhamento, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e qualificação permanente das equipes.
#102 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
ESTRATÉGIAS PARA MANUTENÇÃO DA LACTAÇÃO E AMPLIAÇÃO DA OFERTA DE LEITE MATERNO EM UNIDADES NEONATAIS COM ÊNFASE NA IMUNOTERAPIA
BÁRBARA OSÓRIO XAVIER MONTEZUMA; ROSY DENYSE PINHEIRO DE OLIVEIRA; MARIELLE RIBEIRO FEITOSA; JANAINA LANDIM DE SOUSA; ANTÔNIA RITA DE FÁTIMA ABREU DE CARVALHO; ICLEIA PARENTE RODRIGUES; BIANCA FERREIRA MOURA GIRÃO; JULIANA NAVARRO UEDA YAOCHITE
Universidade Federal do Ceará; Maternidade escola Assis Chateubriand- UFC/ Ebserh
Resumo
Objeto da experiência: Implantação de estratégias para manutenção da lactação e ampliação da oferta de leite humano, com ênfase na imunoterapia, na neonatologia.
Contexto: O nascimento de recém-nascidos pré-termo (RNPT) configura uma emergência nutricional e impõe desafios ao aleitamento materno, especialmente diante da separação mãe-bebê e das limitações iniciais da puérpera. O fortalecimento de práticas que assegurem a oferta de leite humano é fundamental para a qualificação do cuidado neonatal.
Descrição da execução: Relato de experiência desenvolvido em uma maternidade de referência em boas práticas de parto e nascimento, localizada em Fortaleza/CE. As ações foram realizadas entre novembro de 2024 e julho de 2025, envolvendo puérperas com RNs internados em unidades neonatais e equipes multiprofissionais. Foram elaborados documentos e iniciado um projeto piloto na Sala de Recuperação Pós-Anestésica, posteriormente expandido para as demais unidades, com capacitação das equipes e apoio das comissões institucionais, visando a extração no próprio leito materno, pela equipe assistencial, durante o tempo que a mãe estivesse impossibilitada de se direcionar à neonatologia. Também foi ampliada a imunoterapia com leite humano cru para todos os RNs internados na neonatologia, independentemente do peso ao nascer.
Resultados: Durante o período, observou-se que maior quantidade de RNs de risco foram beneficiados com todas as propriedades intactas do leite humano através da extração beira leito e imunoterapia, que foi ampliada até o seio ou dieta via oral com leite materno. Foram ofertados 1.311,3 litros de leite humano cru, preservando suas propriedades imunológicas e nutricionais e favorecendo a manutenção da lactação e o início precoce do aleitamento materno. Houve também maior aproximação entre os setores materno-infantil diante das reuniões e treinamentos, assim como a construção e desenvolvimento de protocolos e ferramentas de apoio para alinhamento de processos relacionados, como a imunoterapia ampliada e a extração no leito da mãe.
Considerações finais: A experiência evidenciou que a padronização de processos, a educação permanente e o trabalho interprofissional são fundamentais para a ampliação do acesso ao leite humano e fortalecimento da imunoterapia nas unidades neonatais, contribuindo para a qualificação da assistência e promoção do aleitamento materno.
#238 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
EXPERIÊNCIA DE UM NÚCLEO ACADÊMICO DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E APOIO À AMAMENTAÇÃO E À ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR SAUDÁVEL
ROSANE VALÉRIA VIANA FONSECA RITO; ENILCE DE OLIVEIRA FONSECA SALLY; DANIELE MENDONÇA FERREIRA; ANA BEATRIZ FRANCO SENA SIQUEIRA; CELIA COHEN; GABRIELA DE QUEIROZ PEREIRA LOPES; ANA LÚCIA PIRES AUGUSTO
UFF
Resumo
Objeto: Experiência do núcleo acadêmico de promoção, proteção e apoio à amamentação e à alimentação complementar saudável.
Contexto: O trabalho docente de formação acadêmica e de educação profissional em amamentação e em alimentação complementar saudável há décadas vêm se consolidando na Faculdade de Nutrição da Universidade Federal Fluminense (UFF). A proposta do núcleo é articular essa produção acadêmica, integrar pesquisas e ações de extensão de forma multidisciplinar, fortalecer o Programa Nacional de Amamentação e Alimentação Complementar Saudável e estabelecer parcerias nacionais e internacionais com a Faculdade.
Descrição da execução: Relatar a experiência das atividades do núcleo, implantado em 2025.
Resultados: Em relação ao ensino, ambas as temáticas vêm sendo desenvolvidas em disciplinas de graduação (n=8) e de pós graduação (n=2). Por meio de projetos de extensão (n=5) são oferecidos cuidados nutricionais ambulatoriais, tendo como público-alvo crianças pequenas e seus cuidadores, são realizadas ações de suporte e apoio para órgãos de governo e da sociedade civil envolvidos na implementação das políticas de promoção, proteção e apoio à amamentação e à alimentação complementar saudável, entre as quais a capacitação de profissionais de saúde em serviço e são desenvolvidas atividades educativas com a população em geral. As pesquisas em andamento possibilitaram a produção de 6 trabalhos de conclusão de curso e 3 dissertações de mestrado no ano de 2025. A faculdade possui uma sala de apoio à amamentação, certificada pelo MS. O núcleo vem realizando o mapeamento dessa implantação dentro na Universidade, assim como vem promovendo o intercâmbio da Rede de Promoção da Amamentação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
Considerações finais: O processo de implantação do Núcleo está em andamento. A maior interação entre as docentes potencializou a realização de ações formativas, de pesquisa e extensão focadas na promoção da equidade, da inclusão e do cuidado integral desse público com impacto social, estimulando o papel social da Universidade.
#176 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
FATORES LIMITANTES DA DOAÇÃO DE LEITE HUMANO NO BRASIL E SEUS IMPACTOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
SANTOS, ELIENAI R.;; CAMPANA, MARINA S.;; MEDEIROS, SAYONARA M.F.;
Lactare Banco de leite humano
Resumo
Introdução: A doação de leite humano é uma estratégia essencial para a redução da morbimortalidade neonatal, especialmente entre recém-nascidos prematuros e de muito baixo peso. Apesar de o Brasil possuir a maior Rede de Bancos de Leite Humano (BLH) do mundo, a quantidade de leite coletada permanece insuficiente para atender à demanda, o que evidencia a presença de barreiras que dificultam e limitam a prática da doação.
Objetivo: Identificar e analisar os principais fatores limitantes da doação de leite humano no Brasil e seus impactos sobre a oferta de leite destinada aos Bancos de Leite Humano.
Metodologia: Foi realizada uma revisão sistemática da literatura nas bases PubMed, MDPI e SciELO, incluindo estudos que investigaram fatores associados, barreiras ou limitações à doação de leite humano no contexto brasileiro. Foram incluídos artigos originais, estudos qualitativos e revisões, publicados nos idiomas português, inglês ou espanhol. Os fatores identificados foram agrupados de acordo com a similaridade temática.
Resultados: Foram incluídos 49 estudos. Os fatores limitantes à doação de leite humano foram organizados em quatro eixos: fatores individuais e sociodemográficos, como insegurança materna, retorno precoce ao trabalho e dificuldades no manejo da amamentação; fatores educacionais, relacionados à insuficiência de informações e orientações no pré-natal e puerpério; fatores estruturais e logísticos, incluindo dificuldade de acesso aos BLH e limitações para a coleta domiciliar; e fatores culturais e psicossociais, como crenças, medo de prejudicar o próprio bebê e ausência de apoio familiar. Destacam-se experiências institucionais inovadoras, como postos de coleta e ampliação da coleta domiciliar, que contribuem para a redução de barreiras logísticas e ampliação da captação de leite humano.
Conclusão: A doação de leite humano no Brasil é influenciada por fatores multifatoriais e interdependentes. Estratégias integradas que fortaleçam a educação em saúde, o apoio profissional e a logística de coleta são essenciais para ampliar a oferta de leite humano e promover maior equidade no cuidado neonatal.
#129 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
FERRAMENTA DIGITAL PARA PESQUISA COM MEDITAÇÃO NA AMAMENTAÇÃO (MEDITAMAMENTE): UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
LETÍCIA SCHMIDT; CÁTIA REGINA MACHADO; CAROLINE ABUD DRUMOND COSTA
PUCRS
Resumo
Objeto de experiência: Descrever o Website Interativo de “Meditação Slow”, cujo domínio é meditAMAmente.com, criado para aplicação de projeto de doutorado baseado em um ensaio clínico randomizado, sobre meditação na amamentação, em mães de recém-nascidos prematuros, que frequentam o Banco de Leite Humano de um hospital do sul do país.
Contexto/descrição: O meditAMAmente é uma ferramenta digital criada para facilitar os acessos aos áudios do programa de meditação pelas participantes da pesquisa, bem como, gerar o controle deles pelos pesquisadores. Foi desenvolvido em 2024, em parceria com a Agência Experimental de Engenharia de Software (AGES) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a partir de projeto de extensão, sob coordenação da professora responsável e 18 alunos de graduação de Engenharia de Software, em diversos níveis de conhecimento. O processo do esboço da estrutura necessária do meditAMAmente foi desenvolvido pela autora deste trabalho, em conjunto com a orientadora, para que atendesse os requisitos para execução do projeto de doutorado. Todos os roteiros de meditação foram criados pela autora, passando por validação do idealizador da “Meditação Slow”, Malone Rodrigues. Os áudios foram gravados pela autora, utilizando o aplicativo Audacity® e editados por uma empresa terceirizada.
Resultados: O meditAMAMente tem duas interfaces, uma da usuária, que contempla três módulos: (1) acesso a áudios de meditação guiada (10 minutos) do "Programa de Meditação Slow" (6 semanas); (2) um "Diário de Bordo" para o registro das percepções e experiências das participantes durante a prática; e (3) um quiz (Quasar) com perguntas educativas sobre amamentação; e outra do pesquisador: (1) um Dashboard de Monitoramento que permite acompanhar o acesso das participantes aos áudios (data, hora e duração); (2) Cadastro para registrar participantes e gerar credenciais; e (3) exportar relatórios consolidados, dos acessos das participantes e “Diário de Bordo”.
Considerações finais: A pesquisa sobre meditação na amamentação, especialmente em hospitais, é escassa e carece de métodos para monitorar a adesão. O meditAMAmente foi criado para preencher essa lacuna, utilizando tecnologia para melhorar a coleta de dados e a fidelidade ao protocolo.
Financiamento: Apoio financeiro para a hospedagem do website interativo pela PUCRS e CAPES.
#44 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
FERRO, DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E PRIMEIRA INFÂNCIA: CONTRIBUIÇÕES PARA AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE ALEITAMENTO MATERNO E ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR
FRANCO, A.S; NUNES, S.F.
UERJ/UNIFESO/DUQUE DE CAXIAS-RJ; UNIFESO
Resumo
Introdução: A primeira infância constitui uma janela crítica para o desenvolvimento cognitivo, período em que fatores nutricionais, sociais e institucionais influenciam o neurodesenvolvimento. A deficiência de ferro (Fe), embora prevenível, permanece como problema de saúde pública no Brasil, especialmente entre crianças pequenas, mesmo diante de políticas nacionais de suplementação e fortificação. Evidências indicam que seus impactos extrapolam o campo biológico, com repercussões duradouras sobre funções cognitivas. O período de introdução da alimentação complementar (AC), entre 6 e 24 meses, representa uma fase de maior vulnerabilidade, marcada pelo aumento das necessidades de Fe, esgotamento das reservas corporais e risco de práticas alimentares inadequadas. Nesse contexto, a articulação entre aleitamento materno (AM) continuado e AC saudável assume papel central na prevenção da anemia ferropriva.
Objetivo: Revisar a literatura sobre a relação entre deficiência de Fe e desenvolvimento cognitivo na primeira infância, discutindo implicações para políticas públicas de saúde materno-infantil, com ênfase no AM, na AC, na Atenção Primária à Saúde (APS) e na suplementação de Fe.
Metodologia: Revisão integrativa da literatura realizada nas bases PubMed, SciELO e Google Acadêmico, incluindo estudos publicados entre 2013 e 2025, em português e inglês. Foram selecionados seis estudos quantitativos que analisaram níveis de Fe, anemia ferropriva e desfechos cognitivos em crianças de até seis anos. A análise adotou uma perspectiva de políticas públicas, considerando implicações para ações de prevenção, cuidado e monitoramento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Resultados: Os estudos evidenciam que o Fe é essencial para o desenvolvimento cognitivo, especialmente nos primeiros 24 meses de vida. A deficiência de Fe associa-se a prejuízos em atenção, memória, linguagem e desenvolvimento neuropsicomotor, com possíveis efeitos duradouros. A suplementação precoce mostrou-se eficaz na prevenção de atrasos cognitivos, reforçando a importância do diagnóstico e da intervenção oportunos.
Conclusão: O enfrentamento da deficiência de Fe na primeira infância requer ações integradas e intersetoriais e a efetivação de políticas públicas de promoção da alimentação adequada e saudável já existentes e eficazes como estratégia estruturante para o pleno desenvolvimento infantil.
#295 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
Fonoaudiologia na Promoção do Aleitamento Materno no Alojamento Conjunto e Banco de Leite Humano: Relato de Experiência na Residência Multiprofissional
EVELYN DE CARVALHO CAPRINI; OCÂNIA DA COSTA VALE; CAROLINE RIBEIRO DA SILVA
Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde - FEPECS; Secretaria de Saúde do Distrito Federal
Resumo
Objetivo: Relatar a experiência de uma residente de Fonoaudiologia do Programa de Residência Multiprofissional em Neonatologia (PRMN) comparando os seguintes cenários: Alojamento Conjunto e o Banco de Leite Humano de um hospital público da Rede SES-DF
Método: Relato de experiência vivenciado entre abril e maio de 2025, em rotina de trabalho compartilhada com equipe multiprofissional, a saber, Fonoaudiologia, Medicina, Enfermagem, Nutrição, Farmácia e Psicologia com base em observação, atendimentos clínicos supervisionados e registros reflexivos, pautados nos princípios éticos.
Descrição do caso e discussão: No Alojamento Conjunto, a atuação fonoaudiológica destacou-se na triagem de anquiloglossia (Lei nº 13.002/2014), no manejo das funções orais e no apoio à amamentação, embora houvesse divergência de condutas com a odontologia. No Banco de Leite Humano, o trabalho multiprofissional favoreceu a autonomia da residente, ampliou a compreensão sobre o cuidado integral e fortaleceu sua identidade profissional.
Conclusão: A residência multiprofissional mostrou-se essencial para articular teoria e prática na Neonatologia, fortalecendo a contribuição da fonoaudiologia na promoção do aleitamento materno e no cuidado integral ao binômio mãe-bebê.
#271 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
FORMAÇÃO EM NBCAL NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR: RESULTADOS DO MONITORAMENTO NACIONAL 2025 E IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO EM SAÚDE
ROSSICLEI DE SOUZA PINHEIRO – PINHEIRO, R. S.; IVONE AMAZONAS MARQUES ABOLNIK – ABOLNIK, I. A. M; MARINA FERREIRA REA – REA, M. F.; CÍNTIA ERBERT – ERBERT, C.; CAMILA DA SILVA PEREIRA – PEREIRA, C.S; MÁRCIA CRISTINA GUERREIRO DOS REIS – REIS, M.C.G
UFAM, SBP, IBFAN; COFEN, SEMSA, IBFAN; IBFAN
Resumo
Introdução: A Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL), bicos, chupetas e mamadeiras - lei 11.265/2006, constitui um dos principais instrumentos de proteção ao aleitamento materno no Brasil, regulamentando práticas de promoção comercial de produtos que podem interferir na amamentação. A crescente sofisticação das estratégias de marketing, especialmente no ambiente digital e em materiais educativos destinados a profissionais de saúde, evidencia a necessidade de fortalecer a formação acadêmica sobre a legislação nas instituições de ensino superior.
Metodologia: Trata-se de estudo descritivo baseado nos dados do Monitoramento Nacional da NBCAL realizado pela IBFAN Brasil em 2025. A coleta ocorreu entre junho e outubro de 2025, com participação de 109 voluntários distribuídos em 14 estados. Foram analisados registros obtidos por meio de formulário eletrônico padronizado aplicado em diferentes ambientes, incluindo estabelecimentos comerciais, redes sociais, sites de vendas, serviços de saúde, materiais técnico-científicos e instituições de ensino.
Resultados: Foram analisados 391 registros de monitoramento, dos quais 156 foram confirmados como violações da NBCAL. Entre outros achados, identificamos aumento de irregularidades em materiais educativos e técnico-científicos voltados a profissionais de saúde, frequentemente utilizados como estratégia de marketing indireto.
No setor de ensino, embora não tenham sido identificadas infrações significativas, foram observadas fragilidades estruturais, como desconhecimento da legislação, ausência de políticas institucionais sobre conflito de interesses e confusão entre educação científica e promoção comercial. Esses achados indicam a necessidade de incorporar o tema da NBCAL nos currículos de graduação e pós-graduação da área da saúde.
Conclusões: O monitoramento evidencia que a formação acadêmica constitui elemento estratégico para o fortalecimento da NBCAL. A inserção da legislação nos currículos, associada a atividades práticas como análise de casos, simulações de fiscalização e debates sobre conflito de interesses, pode contribuir para formar profissionais mais críticos e comprometidos com a proteção do aleitamento materno.
Financiamento: IBFAN Brasil – Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar.
#220 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
FORMAÇÃO NA ESTRATÉGIA AMAMENTA E ALIMENTA BRASIL PARA ATUAÇÃO NO CONTEXTO INTERCULTURAL
IANE CARINE FREITAS DA SILVA, I.C.F.S,; VALDEREZ MACHADO DE ARAGÃO, V.M.A,; JOSAILDES ANTUNES RIBEIRO, J.A.R,; DOLORES FERNANDEZ FERNANDEZ, D.F.F,; MARIA DA GLÓRIA DE JESUS MATOS, M.G.J.M,
DSEI BAHIA; SESAI/MS; SESAB
Resumo
Objeto: Aprimorar competências e habilidades dos profissionais de saúde para ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento humano e à alimentação complementar saudável visando práticas alimentares adequadas e melhoria no estado nutricional de crianças indígenas menores de 2 anos de idade residentes em territórios indígenas da Bahia.
Contexto: A Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil – EAAB foi instituída pela Portaria MS nº 1.920/13. Em busca de qualidade do serviço e organização do processo de trabalho, no que tange à saúde da criança, o DSEI-BA vem empenhando-se no aperfeiçoamento da assistência prestada pelos profissionais de saúde à população indígena da Bahia e investiu esforços (através da educação permanente) na realização da EAAB para atuação em contexto intercultural.
Descrição da execução: A oficina foi realizada em Salvador Bahia, no auditório do DSEI BA, no período de 09 a 12/12/2025. A atividade prática ocorreu na Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai), com participação dos profissionais do local.
Foram utilizadas metodologias ativas de ensino aprendizagem adotados na EAAB, com base no Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos. Ocorreu também uma exposição dialogada sobre os aspectos socioculturais da alimentação conduzida por uma enfermeira indígena da etnia Pataxó, que relatou os conhecimentos, rituais e saberes indígenas compartilhados no seu território através das suas ancestrais.
A formação foi conduzida por 4 tutoras nacionais da EAAB, sendo 2 da SESAI e 2 da SESAB.
Resultados: Participaram 19 profissionais dos seguintes polos base do DSEI BA: Euclides da Cunha, Ibotirama, Ilhéus, Itamaraju, Juazeiro, Pau Brasil, Paulo Afonso e Porto Seguro, que foram certificados como tutores locais da EAAB no contexto intercultural.
Para replicar a oficina nos territórios, foi elaborado plano de ação a fim de qualificar e alinhar processos de trabalho a nível local, com apoio e monitoramento pelas áreas técnicas de vigilância alimentar e nutricional e da educação permanente da sede do DSEI BA.
Considerações finais: Foi alcançado o objetivo principal de atualizar os conhecimentos sobre o aleitamento humano e a alimentação complementar e incentivar a prática como atividade de rotina nos serviços de saúde do DSEI Bahia, respeitando a identidade cultural e alimentar das etnias.
Financiamento: Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena na Bahia (DSEI BA) Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB)
#45 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
FORTALECIMENTO DA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NO PROGRAMA ESTADUAL DE INCENTIVOS PARA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE
DIEGO SILVEIRA SIQUEIRA; PRISCILA HELENA MIRANDA SOARES; MARCELA TEIXEIRA FERREIRA DA SILVA; GABRIEL AZAMBUJA ATHAYDES; MARILISE FRAGA DE SOUZA; MAISA BELTRAME PEDROSO; MARIA ALICE VIEIRA LANTMANN; DEISE VALERIO VETROMILLA
DAPPS/SES/RS
Resumo
Introdução: O Programa Estadual de Incentivos para a Atenção Primária em Saúde (PIAPS) visa ao fortalecimento e à qualificação da Atenção Primária à Saúde (APS) no Rio Grande do Sul, por meio de acompanhamento sistemático e repasse de recursos financeiros aos municípios. No componente de incentivo às equipes, são propostos cinco indicadores para qualificação do cuidado, incluindo o percentual de equipes da Atenção Básica que realizaram ao menos uma atividade sobre alimentação saudável, correspondente a até 5% do valor total destinado às equipes.
Objetivos: Promover escolhas alimentares saudáveis, prevenir doenças crônicas não transmissíveis, estimular a formação de hábitos saudáveis e fortalecer o cuidado nutricional ao longo dos ciclos da vida.
Metodologia: O indicador possui parâmetro de 100%, com metas de 75% para municípios com até 30.000 habitantes e 50% para municípios com mais de 30.000 habitantes. O numerador corresponde aos registros das equipes de Saúde da Família (eSF), Atenção Primária (eAP), Saúde Bucal (eSB) e equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde (eMulti) do município, enquanto o denominador considera o número de eSF e eAP financiadas pelo Estado no período. Trata-se de um indicador cumulativo em períodos semestrais.
Resultados: A proporção de equipes com ações de alimentação saudável evoluiu de 49% no segundo semestre de 2022 para 84% no segundo semestre de 2025, com oscilações intermediárias. O número de atividades aumentou de 9.795 em 2022 para 17.842 em 2025, representando crescimento superior a 80%.
Conclusões: Os resultados evidenciam ampliação das ações de promoção da alimentação saudável na APS, indicando o potencial do PIAPS como estratégia indutora de práticas de cuidado nutricional. O fortalecimento dessas ações contribui para a prevenção de agravos e para a qualificação do cuidado ofertado à população.
#73 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
FORTALECIMENTO DA PARENTALIDADE COMO ESTRATÉGIA PARA A SUSTENTABILIDADE DO ALEITAMENTO MATERNO NO PROGRAMA CEDAE POR ELAS
FERNANDA DO ROSÁRIO PEREIRA; VERÔNICA CRISTINA DE OLIVEIRA DOS SANTOS; MARIA LUIZA MACHADO RIBEIRO
CEDAE GOVRJ
Resumo
A parentalidade desempenha papel estruturante na promoção, manutenção e sucesso do aleitamento materno, especialmente em contextos que envolvem o retorno da mulher ao trabalho. Embora a amamentação seja uma experiência biologicamente vivenciada pela mulher, trata-se de um processo social sustentado por uma rede de apoio emocional, afetiva e prática. Nesse sentido, a corresponsabilização parental configura-se como estratégia central para a sustentabilidade do aleitamento materno.
A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e sua continuidade até dois anos ou mais, reconhecendo seus impactos positivos na saúde infantil e materna. No entanto, o desmame precoce permanece associado à sobrecarga feminina, ao retorno ao trabalho e à ausência de redes de apoio estruturadas. Assim, fortalecer a parentalidade no âmbito institucional constitui ação estratégica alinhada às diretrizes nacionais de atenção à saúde da mulher e às recomendações internacionais de proteção à maternidade no trabalho.
O Programa Cedae Por Elas, iniciativa da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro-CEDAE-, insere-se nesse contexto como política institucional voltada ao cuidado integral das mulheres trabalhadoras. Por meio de ações de acolhimento, promoção da saúde, equidade de gênero, maternidade e fortalecimento da parentalidade, o programa amplia a compreensão do cuidado para além da dimensão exclusivamente materna, promovendo uma construção compartilhada e corresponsável.
No âmbito do Programa, a parentalidade é compreendida como eixo estruturante do cuidado integral. A inclusão de parceiros trabalhadores da Companhia e de companheiros(as) das colaboradoras em rodas de conversa, atendimentos individuais e ações educativas favorece o engajamento no cuidado desde o período gestacional até o puerpério e fomenta a paternidade ativa.
Conclui-se que trabalhar a parentalidade como eixo transversal das ações institucionais constitui estratégia fundamental para a sustentabilidade do aleitamento materno, para a promoção da saúde integral das famílias trabalhadoras, fortalece vínculos familiares, amplia a segurança emocional da mulher e contribui para a redução da sobrecarga historicamente atribuída ao feminino, fatores diretamente relacionados à manutenção do aleitamento materno.
#75 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
FORTALECIMENTO DO ALEITAMENTO MATERNO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE POR MEIO DE COMISSÃO MUNICIPAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
TAINAH DE OLIVEIRA GUERRA, GUERRA, T.O.; MARIANE DE OLIVEIRA MILANI, MILANI, M.O.
Prefeitura de Município de Santa Maria - RS
Resumo
Objeto da experiência: A implementação e as ações desenvolvidas pela Comissão de Aleitamento Humano e Alimentação Complementar Saudável no município de Santa Maria (RS), com foco na qualificação da assistência e no fortalecimento das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno (AM).
Contexto: O AM é reconhecido como estratégia central para a redução da mortalidade infantil, além de favorecer o desenvolvimento cognitivo e emocional e prevenir infecções e doenças crônicas ao longo da vida. Embora Santa Maria apresente indicadores elevados de Aleitamento Materno Exclusivo (62,42%) em 2025, os dados disponíveis são limitados (157 bebês avaliados), indicando a necessidade de qualificação das ações e da vigilância. Nesse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) configura-se como espaço estratégico para intervenções.
Descrição da execução: A experiência ocorreu no município de Santa Maria (RS), a partir da instituição da Comissão por Portaria Municipal, em 18 de dezembro de 2023. A comissão é composta por equipe multiprofissional de servidoras da rede, incluindo enfermeiras, médica de família e comunidade, odontopediatra, nutricionistas e fonoaudióloga. As ações foram desenvolvidas no período de 2024 a 2025, envolvendo profissionais da APS, gestantes, puérperas e famílias. As ações adotadas incluíram educação permanente por meio de oficinas de capacitação, grupos educativos, atendimentos multiprofissionais de manejo do AM e realização de Curso de Consultoria em Aleitamento pelas integrantes da comissão a fim de aprimorar o conhecimento teórico e prático.
Resultados: Foram realizados 85 atendimentos de manejo do aleitamento, 12 oficinas de capacitação para equipes da APS e cerca de 20 grupos de educação em saúde com gestantes e puérperas. As avaliações aplicadas às equipes participantes evidenciaram melhora do aprendizado e elevado grau de satisfação, além de devolutivas positivas das famílias atendidas quanto ao apoio recebido.
Considerações finais: A experiência demonstrou que a atuação multiprofissional organizada fortalece as ações de aleitamento materno na APS. Apesar das limitações relacionadas à carga de trabalho das integrantes, a iniciativa contribuiu para a qualificação da assistência, fortalecimento das equipes e ampliação do cuidado às famílias, configurando-se como estratégia relevante e replicável em outros contextos municipais.
#49 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
HOSPITAL AMIGO DA CRIANÇA E BANCOS DE LEITE HUMANO NO RIO GRANDE DO SUL: AVANÇOS E DESAFIOS NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO
KATIA RONISE ROSPIDE; DIEGO SILVEIRA SIQUEIRA; ROSANGELA MACHADO MOREIRA; MAISA BELTRAME PEDROSO; MARIA ALICE VIEIRA LANTMANN; DEISE VALERIO VETROMILLA
DAPPS/SES/RS
Resumo
Introdução: A Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) integra a política nacional de incentivo ao aleitamento materno e ao cuidado humanizado. No Brasil, a expansão recente da rede fortalece ações que visam reduzir a mortalidade materna e neonatal. No Rio Grande do Sul, hospitais de diferentes regiões são credenciados, compondo uma rede significativa de apoio à saúde materno-infantil. Simultaneamente, os Bancos de Leite Humano (BLH) desempenham papel estratégico na nutrição e recuperação de recém-nascidos, sobretudo prematuros.
Objetivo: Descrever o cenário atualizado da IHAC e dos BLH no Rio Grande do Sul, destacando investimentos, organização da rede e desafios recentes.
Metodologia: Revisão documental baseada em dados publicados pelo Ministério da Saúde, Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul e Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, referentes ao período de 2024 a 2025.
Resultados: O Brasil conta atualmente com 335 Hospitais Amigos da Criança, após habilitação recente de novas unidades, fortalecendo práticas de cuidado humanizado. No Rio Grande do Sul, 19 hospitais permanecem credenciados, representando importante capilaridade regional. No âmbito dos Bancos de Leite Humano, o estado dispõe de 10 BLH e dez postos de coleta, todos mantidos operacionais mesmo após eventos climáticos extremos. Em 2025, foram destinados R$2.580.000,00 para qualificação das unidades do estado, permitindo melhorias em coleta, processamento, armazenamento, controle de qualidade e ações educativas. A mobilização das doadoras tem sido fundamental para manter estoques adequados, especialmente diante das enchentes de 2024, que ampliaram a demanda.
Conclusão: A integração entre IHAC e BLH no Rio Grande do Sul demonstra robustez e capacidade de resposta diante de desafios sanitários e climáticos. O fortalecimento da rede, aliado ao investimento federal e à participação ativa da comunidade, sustenta a promoção do aleitamento materno e contribui para a melhoria dos indicadores de saúde neonatal. Contudo, a manutenção da estrutura requer continuidade de investimentos, reforço da educação permanente e ampliação das ações de apoio às famílias.
#99 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
IMPACTO DA ESTRATÉGIA AMAMENTA E ALIMENTA BRASIL NOS INDICADORES DE ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO EM GOVERNADOR VALADARES-MG (2016-2022)
ELOISA HELENA MEDEIROS CUNHA; CARLA PEREIRA MONTEIRO; GILCIMARA BONIFÁCIA COSTA; VÊNIA LIVIA ANDRADE SANTOS; NÚBIA CRISTINA FREITAS BARBOSA; SARA BATISTA GONÇALVES DA SILVA
Banco de Leite Humano Miguel Silva Reis; Hospital Municipal de Governador Valadares; Secretaria Municipal de Saúde de Governador Valadares
Resumo
A Estratégia Nacional "Amamenta e Alimenta Brasil" (EAAB) é uma ação fundamental para a promoção do aleitamento materno exclusivo (AME) na Atenção Primária à Saúde. Este estudo teve como objetivo analisar a evolução do AME em crianças menores de seis meses em Governador Valadares-MG, no período de 2016 a 2022, buscando correlacionar o indicador com a consolidação da EAAB no município. Realizou-se análise longitudinal de dados secundários do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN-Web), de domínio público. Os dados analisados advêm dos Formulários de Marcadores de Consumo Alimentar do SISVAN, disponibilizados pela Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN), para uso na atenção básica e, portanto, foram preenchidos por profissionais de saúde das Estratégia Saúde da Família (ESF). Para apresentação dos resultados foi calculado a prevalência anual de AME. Observou-se uma nítida transição no indicador. Nos anos iniciais (2016-2017), as prevalências foram de 33% (9/27) e 38% (113/300), respectivamente. A partir de 2018, houve uma inflexão marcante: a taxa saltou para 86% (190/220), mantendo-se elevada nos anos seguintes: 96% em 2019 (276/288), 93% em 2020 (133/143), 95% em 2021 (55/58) e 87,4% em 2022 (125/143). Nota-se também um aumento na cobertura do SISVAN no período. A trajetória ascendente e sustentada da prevalência de AME a partir de 2018 sugere fortemente um impacto positivo da implantação e consolidação da EAAB no município. A melhoria simultânea na cobertura do sistema, indica aprimoramento do processo de trabalho, além da manutenção das altas prevalências mesmo durante a pandemia de COVID-19 reforçar a resiliência de uma prática institucionalizada. Conclui-se que a experiência local corrobora a efetividade da EAAB, devendo servir como modelo para outras cidades. Recomenda-se estudos qualitativos complementares para aprofundar a compreensão sobre as potencialidades e desafios da estratégia especialmente em relação à qualificação profissional, à cobertura da política e às evidências de efetividade na promoção do aleitamento materno no âmbito da Atenção Primária à Saúde.
Financiamento: Secretaria Municipal de Saúde de Governador Valadares
#194 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
IMPACTO DA POLÍTICA ESTADUAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE NA VIGILÂNCIA DO CONSUMO ALIMENTAR DE CRIANÇAS MENORES DE DOIS ANOS EM MINAS GERAIS (2015-2024)
NATHÁLIA RIBEIRO MOTA BELTRÃO; CAROLINA GUIMARAES MARRA NASCIMENTO; DANIELA VASCONCELOS DUTRA; MARILENE PEREIRA DE SOUZA; BARBARA RODRIGUES SARSUR LISBOA; DANIELA SOUZALIMA CAMPOS
Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG)
Resumo
Introdução: A Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN) monitora tendências da situação alimentar e nutricional da população e seus fatores determinantes. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) é utilizado na atenção primária à saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS) para monitorar dados do estado nutricional e de práticas alimentares dos indivíduos. Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) instituiu, em 2016, a Política Estadual de Promoção da Saúde (POEPS), que vincula o repasse de incentivos financeiros ao alcance de indicador de registro dos marcadores de consumo alimentar (CA). Inicialmente focado em crianças menores de dois anos, o indicador foi ampliado em 2021, para crianças menores de 10 anos e em 2023 para todas as faixas etárias, consolidando a cultura de monitoramento no estado.
Objetivo: Analisar a evolução dos registros dos marcadores de consumo alimentar de crianças menores de dois anos em Minas Gerais, comparando os períodos anterior e posterior à implementação da POEPS.
Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo baseado em dados públicos extraídos do SISVAN em fevereiro de 2025. Foram analisados os registros de avaliação do consumo alimentar de crianças menores de dois anos, realizados por profissionais da APS nos municípios mineiros entre os anos de 2015 e 2024.
Resultados: Em 2015, o cenário de coleta do CA em Minas Gerais apresentava-se incipiente: apenas 13.888 crianças haviam sido avaliadas, representando uma cobertura de apenas 3% do público-alvo. Após a implementação e consolidação da POEPS, observou-se um aumento expressivo no indicador. Em 2024, o número de crianças avaliadas elevou-se para 138.720, atingindo uma cobertura de 27%. Esse avanço representa um crescimento de 898% (aproximadamente 10 vezes) no volume de registros de CA no período de nove anos, evidenciando a eficácia do incentivo financeiro atrelado à gestão da informação.
Conclusão: A implementação da POEPS foi determinante para o fortalecimento da VAN em Minas Gerais, integrando a coleta de marcadores de consumo à rotina assistencial da APS. Esse resultado permite o diagnóstico da prevalência do aleitamento materno e do perfil alimentar infantil, fornecendo subsídios para o planejamento de políticas públicas e ações estratégicas estaduais, municipais e locais direcionadas à segurança alimentar e nutricional na primeira infância.
#142 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
IMPACTO DA SUPLEMENTAÇÃO COM ÓLEO DE BARU NA COMPOSIÇÃO DO LEITE MATERNO DE RATAS WISTAR LACTANTES
VANESSA TORRES BRAGA; DAYANE STÉPHANIE FERNANDES; ADRIANA CONCEIÇON GUERCIO MENEZES; MARIA PAULA FERREIRA FIALHO FRAZILIO; MARCELO DE OLIVEIRA; RITA DE CÁSSIA AVELLANEDA GUIMARÃES; PRISCILA AIKO HIANE; KARINE DE CÁSSIA FREITAS
Faculdade de Medicina, Programa de Pós-Graduação em Saúde e Desenvolvimento na Região Centro-Oeste, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS; Biotério Central, Diretoria de Cooperação Científica e Tecnológica, Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS; Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, Campus Campo Grande, Campo Grande, MS
Resumo
Introdução: O leite materno é considerado o alimento ideal para o recém-nascido, e sua composição pode ser influenciada pela dieta materna durante a gestação e a lactação. Alimentos regionais com potencial funcional, como o óleo de baru (Dipteryx alata Vog.), fruto nativo do Cerrado brasileiro, têm despertado interesse devido ao seu perfil lipídico favorável e possíveis benefícios à saúde.
Objetivos: Avaliar o impacto da suplementação com óleo de baru na composição do leite materno de ratas Wistar lactantes, bem como em parâmetros metabólicos maternos e da prole.
Metodologia: Estudo experimental conduzido em modelo animal, realizado durante 21 dias de gestação e 21 dias de lactação, totalizando 42 dias, em ambiente controlado e aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Foram utilizadas 36 ratas Wistar, distribuídas em três grupos (n=12): controle soja, controle azeite de oliva e grupo experimental suplementado com óleo de baru. As ratas receberam ração comercial Nuvital® e água ad libitum, além de suplementação diária de óleo na dose de 1000 mg/kg de peso corporal. A coleta do leite materno ocorreu manualmente a partir do 12º dia de lactação, em dias alternados, até o 21º dia. Foram analisados o perfil de ácidos graxos do leite, parâmetros séricos, ganho de peso, consumo alimentar e tecidos adiposos maternos e da prole.
Resultados: A suplementação com óleo de baru promoveu um perfil lipídico favorável no leite materno, com concentrações significativas de ácidos graxos monoinsaturados (MUFAs) e poli-insaturados (PUFAs), especialmente os ácidos oleico e linoleico. Não foram observadas alterações significativas no ganho de peso, consumo alimentar, parâmetros séricos, peso hepático ou distribuição de tecido adiposo, indicando segurança metabólica da suplementação. Além disso, o óleo de baru apresentou atividade antiaterogênica.
Conclusões: O óleo de baru mostrou-se um alimento funcional promissor, capaz de melhorar a qualidade lipídica do leite materno sem causar alterações metabólicas adversas, contribuindo para a valorização de frutos do Cerrado e para o desenvolvimento de estratégias nutricionais voltadas à saúde materno-infantil.
Financiamento: Os autores agradecem a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Programa de Pós-graduação em Saúde e Desenvolvimento na Região Centro-Oeste da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
#217 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
IMPACTOS DA EDUCAÇÃO CONTINUADA NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO
THAIS MONARA BEZERRA RAMOS; ALINE SHEILLA CABRAL SILVA NASCIMENTO; ERIKA RODRIGUES MACIEL; MARIA CANDIDA DIAS DE FRANÇA CAVALCANTI DE MORAIS; ROSICLEIDE DA SILVA; ANA KAROLINA DE LIME
Secretaria Municipal de Saúde
Resumo
Introdução: O aleitamento materno é reconhecido como estratégia fundamental para a promoção da saúde da criança e da mulher, contribuindo para a redução da morbimortalidade infantil e fortalecimento do vínculo materno-infantil. Apesar das recomendações nacionais e internacionais, os índices de aleitamento materno exclusivo ainda apresentam desafios, especialmente no que se refere ao apoio qualificado ofertado na Atenção Primária à Saúde (APS). Nesse contexto, a educação continuada dos profissionais emerge como ferramenta estratégica para qualificar o cuidado e fortalecer as práticas de promoção, proteção e apoio à amamentação.
Objetivo: Descrever a experiência de implementação de encontros online mensais de educação continuada para profissionais da APS, voltados à qualificação das ações de incentivo ao aleitamento materno.
Metodologia: Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa e descritiva, realizado no âmbito da APS. A intervenção consiste em encontros online mensais, com duração média de 90 minutos, destinados à equipe multiprofissional. As temáticas abordam manejo clínico da lactação, aconselhamento em amamentação, prevenção e tratamento de intercorrências mamárias e estratégias de apoio durante o pré-natal e puerpério. A metodologia inclui exposição dialogada, discussão de casos clínicos e compartilhamento de experiências. A avaliação ocorre por meio de registros descritivos e análise reflexiva das percepções dos participantes quanto à aplicabilidade do conteúdo na prática assistencial.
Resultados: Os encontros online favorecem maior segurança dos profissionais no manejo clínico da amamentação e no aconselhamento às puérperas. Observa-se ampliação das discussões de casos nas equipes e maior alinhamento das condutas assistenciais. Destaca-se como potencialidades o fortalecimento do trabalho multiprofissional e maior integração entre os membros da APS. Os participantes relataram melhora na qualidade das orientações ofertadas às gestantes e lactantes.
Considerações finais: A experiência em vigor, evidencia que a educação continuada, mesmo em formato online, constitui estratégia viável e potente para fortalecer competências profissionais, ampliar a segurança no manejo da amamentação e qualificar o cuidado ofertado às gestantes e puérperas.
#78 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
IMPLANTAÇÃO DE SALAS DE APOIO À AMAMENTAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E APOIO À AMAMENTAÇÃO NA REGIÃO DE SAÚDE TELES PIRES
KÁTIA DA SILVA ROCHA; ELAINE ALVES DA SILVA; RODRIGO CÉSAR DE OLIVEIRA CARVALHO; ROSIENE ROSA PIRES
Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso
Resumo
Introdução: A amamentação é recomendada por 2 anos ou mais e de forma exclusiva até os 6 meses, sendo uma das mais eficazes intervenções de saúde pública, que visa a redução da morbimortalidade infantil e promove benefícios à saúde da mulher (WHO, 2018). Entretanto, o retorno ao trabalho é reconhecido como uma das principais barreiras para a manutenção efetiva da amamentação. Para enfrentar esse desafio, o Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria, implementam, desde 2010, a estratégia Mulher Trabalhadora que Amamenta promovendo ambientes adequados para a extração, coleta e armazenamento seguro do leite materno durante a jornada de trabalho da mulher, além da licença-maternidade e creche ou auxílio creche. Evidências científicas demonstram que a existência de Salas de Apoio à Amamentação aumentam significativamente a duração da amamentação, reduz absenteísmo, melhora o vínculo mãe-bebê e aumenta a produtividade e satisfação das trabalhadoras.
Objetivo: Relatar a implantação de Salas de Apoio à Amamentação na Região de Saúde Teles Pires, em Mato Grosso, como estratégia para fortalecer a política de amamentação e garantir os direitos das mulheres trabalhadoras.
Metodologia: Trata-se de um relato de experiência da implantação da estratégia conduzida pela técnica responsável da Região de Saúde Teles Pires. No ano de 2023 foram realizadas visitas técnicas, sensibilização de gestores, orientações às equipes de saúde ocupacional e acompanhamento da implementação conforme requisitos técnicos do Ministério da Saúde e orientações da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso.
Resultados: Entre os anos de 2023 e 2024 foram implantadas cinco Salas de Apoio à Amamentação em instituições públicas e privadas da região. A implantação ampliou a proteção à amamentação para trabalhadoras de diferentes setores e favoreceu a sua continuidade após o retorno ao trabalho.
Conclusão: A implantação das cinco Salas de Apoio à Amamentação na Região de Saúde Teles Pires demonstra que a estratégia é viável, efetiva e com potencial para expansão. Trata-se de uma ação fundamental para garantir os direitos das mulheres, promover ambientes de trabalho mais acolhedores e fortalecer a amamentação como política pública.
#98 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
IMPLANTAÇÃO DO BANCO DE LEITE HUMANO MIGUEL SILVA REIS NO HOSPITAL MUNICIPAL DE GOVERNADOR VALADARES: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
ELOISA HELENA MEDEIROS CUNHA; CARLA PEREIRA MONTEIRO; GILCIMARA BONIFÁCIA COSTA; VÊNIA LIVIA ANDRADE SANTOS; SARA BATISTA GONÇALVES DA SILVA; LUIZ PATRICIO NETO; ELIANA MACEDO VIAL; HELIENAY DE FREITAS OLIVEIRA
Banco de Leite Humano Miguel Silva Reis; Hospital Municipal de Governador Valadares; Secretaria Municipal de Saúde; Superintendência Regional de Saúde de Governador Valadares
Resumo
O presente relato, tem como objetivo trazer a experiência de implantação do Banco de Leite Humano (BLH) "Miguel Silva Reis" no Hospital Municipal de Governador Valadares (HMGV). O HMGV é o único do município de natureza jurídica unicamente pública, realizando atendimentos voltados ao Sistema Único de Saúde (SUS) a demandas espontâneas e referenciadas. Atuando como referência para toda a macrorregião Leste/Vale do Rio Doce. Os bancos de leite humano, são setores intra hospitalares que contribuem para a redução da mortalidade neonatal. No final de 2025, o Brasil contabilizou 239 estabelecimentos credenciados, reafirmando sua posição como a maior rede de Bancos de Leite Humano do mundo e uma referência internacional em cooperação técnica em saúde. Já é consenso na literatura que o aleitamento materno é um componente primordial em diminuir os índices de mortalidade infantil e também está associado à prevenção de doenças na fase adulta. A ausência de um BLH em Governador Valadares, era uma lacuna histórica na rede de apoio à amamentação, especialmente para a UTI Neonatal. O processo de implantação ocorreu entre 2024 e 2025 no HMGV, envolvendo uma equipe multiprofissional (saúde e gestão) e sujeitos institucionais (Superintendência Regional de Saúde e Rede Brasileira de BLH - rBLH). A execução seguiu as técnicas e protocolos da rBLH/Fiocruz, estruturada em etapas sequenciais como: adequação da infraestrutura física e aquisição de equipamentos (2024); obtenção das liberações sanitárias municipal e estadual (início 2025); capacitação da equipe pela rBLH (2024 e 2025) e credenciamento oficial pela rBLH (novembro 2025). Como resultado, teve-se a implantação bem-sucedida do BLH, credenciado pela rBLH. O serviço está operacional, garantindo a oferta de leite humano pasteurizado seguro para recém-nascidos de risco e tornando-se um polo de apoio à amamentação para a comunidade. A experiência demonstrou que o sucesso depende da convergência de quatro pilares: investimento em infraestrutura adequada, rigor no cumprimento das normas sanitárias, capacitação da equipe por rede de expertise reconhecida (rBLH) e integração do serviço no sistema de saúde. A iniciativa consolida a rede de cuidado materno-infantil na região, reforçando a equidade e base técnica científica.
Financiamento: Secretaria Municipal de Saúde de Governador Valadares
#20 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
IMPLANTAÇÃO DO MODELO PASA NA ATENÇÃO MATERNO-INFANTIL: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO CENTRO DE ATENDIMENTO MATERNO-INFANTIL EM AQUIDAUANA, MS
BRUNA DUARTE FRANCO
Centro de Atendimento Materno Infantil - CAMI
Resumo
Implementação do ambulatório no modelo de Ponto de Atenção Secundária Ambulatorial (PASA), com a criação do Centro de Atendimento Materno-Infantil (CAMI), em substituição ao modelo anterior baseado no Centro de Especialidades Médicas (CEM). O CAMI é um serviço de referência em saúde materno-infantil que atende gestantes e crianças de alto risco provenientes do município de Aquidauana e distritos da região, incluindo Anastácio, Bodoquena, Cipolândia, Camisão, Dois Irmãos, Nioaque e Miranda, além de áreas rurais e territórios indígenas. Parte desse público encontra-se em situação de vulnerabilidade social, com baixa adesão aos serviços de saúde devido a dificuldades de acesso, baixa escolaridade e limitado acesso à informação, fatores que aumentam os riscos gestacionais e do desenvolvimento infantil, demandando cuidado compartilhado com as Unidades de Saúde da Família (USF). Sendo estabelecido no município de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, a partir de 2021, por meio da organização do ambulatório em fluxo assistencial estruturado, orientado pelo modelo de atenção contínua e multiprofissional. O atendimento inicia-se com recepção, acolhimento e triagem para coleta de sinais vitais. A enfermagem realiza a conferência da estratificação de risco, avaliação clínica inicial e verificação da conformidade dos critérios para atendimento. Quando os critérios não são atendidos, a assistente social realiza contato com a USF de origem e procede à devolutiva do usuário. Estando em conformidade, o atendimento segue de forma integrada com assistente social, médico, nutricionista, fisioterapeuta e psicóloga, conforme necessidades identificadas. Os sujeitos envolvidos incluem gestantes de alto risco, crianças acompanhadas no serviço, equipe multiprofissional do CAMI e profissionais das USF de referência. A implantação do modelo PASA qualificou a organização do cuidado materno-infantil, ampliou a resolutividade dos atendimentos e fortaleceu o acompanhamento multiprofissional. A experiência evidencia que o modelo PASA contribui para a reorganização da atenção ambulatorial especializada, promovendo cuidado integral, humanizado e articulado em rede, alinhado aos princípios do SUS.
#300 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
IMUNOTERAPIA COM COLOSTRO OROFARÍNGEO EM RECÉM-NASCIDOS PORTADORES DE CARDIOPATIA CONGÊNITA: ESTUDO DE INTERVENÇÃO
NATANE APARECIDA VIEIRA DE SOUZA; ANA CRISTINA FREITAS DE VILHENA ABRÃO; MARIA JOSÉ GUARDIA MATTAR
HCor-SP; UNICID; UNIFESP
Resumo
A imunoterapia orofaríngea com colostro (ICO) pode ser uma intervenção eficaz nas crianças com cardiopatias congênitas, pois apresentam má absorção intestinal e reduzida ingestão calórica causada por instabilidade hemodinâmica ou intervenções cirúrgicas precoces.
Objetivo: analisar os efeitos do uso da imunoterapia orofaríngea com colostro em recém-nascidos portadores de cardiopatia congênita.
Métodos: estudo piloto de intervenção, controlado e não randomizado, que analisou 37 mães/crianças internadas em um hospital especializado na cidade de São Paulo. O grupo intervenção (GI) (n=13), recebeu colostro cru ou pasteurizado nas primeiras 24 a 48 horas após o procedimento cardíaco entre março e dezembro de 2023. O grupo controle histórico (GC) (n=24) foi formado por crianças que estiveram internadas no período de março a dezembro de 2018. Para verificar a associação dos desfechos clínicos e nutricionais entre os Grupos, foram utilizados o teste de Mann-Whitney e o teste exato de Fisher, com nível de significância de 5% (0,05).
Resultados: em relação aos desfechos clínicos, não houve diferença estatística entre os grupos, mas somente o GC apresentou crianças com enterocolite necrotizante e sepse tardia. Em relação à mortalidade, os grupos foram praticamente iguais. Quanto aos desfechos nutricionais, encontrouse diferença estatística entre os grupos quanto ao início da nutrição parenteral, que foi mais precoce no GI. A imunoterapia não teve relação com o início da terapia nutricional enteral (TNE), a TNE plena, o peso na alta hospitalar e a permanência na UTIN. A maioria das crianças do Grupo Intervenção, independentemente da classificação de risco, recebeu alta com TNE exclusiva, e somente as crianças classificadas com Risk Adjusted Classification for Congenital Heart Surgery 1 a 3 receberam alta com dieta oral. Já no Grupo Controle Histórico, percebeuse a presença de todas as vias de alimentação na alta da UTIN.
Conclusão: o estudo demonstrou que a ICO parece reduzir a mortalidade, o tempo para atingir a TNE plena, a permanência hospitalar, a incidência de enterocolite necrotizante e a sepse tardia em cardiopatas congênitos. Porém, estudos com tamanho amostral maior são necessários para a confirmação dos benefícios da terapêutica nessa população.
#139 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
INDICADORES DE ALEITAMENTO MATERNO EM CRIANÇAS DO MATO GROSSO DO SUL: DADOS DE UMA COORTE DE NASCIMENTOS INDÍGENAS
EZEQUIEL MARCOS CALIXTO DA SILVA; DEISE BRESAN; VERÔNICA GRONAU LUZ; EVERTON FERREIRA LEMOS; RENATA PALÓPOLI PÍCOLI
Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD; Universidade Federal do Mato Grosso Sul - UFMS; Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - UEMS; Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul - Fiocruz/MS
Resumo
Introdução: O aleitamento materno (AM) é uma importante estratégia de promoção da saúde, contribuindo para a redução da morbimortalidade infantil. Entre povos indígenas, embora a amamentação seja culturalmente valorizada, constantes transformações nos modos de vida podem impactar sua adoção e manutenção.
Objetivo: Descrever e comparar indicadores de aleitamento materno e uso de mamadeira entre crianças de diferentes etnias indígenas de uma coorte de nascimentos no Mato Grosso do Sul.
Metodologia: Trata-se de um estudo longitudinal com dados de uma coorte de nascimentos indígenas, com três ondas de coleta: pós-parto imediato em ambiente hospitalar (2021–2022) e visitas domiciliares aos 12 e 24 meses de idade da criança. Foram incluídas crianças das etnias Kaiowá, Guarani e Terena. Os indicadores investigados foram as prevalências de AM na primeira hora de vida, de AM exclusivo (AME) até 6 meses, de AM continuado aos 12 e 24 meses e a duração mediana do AME, conforme definições da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde. Também foi investigada a frequência de uso de mamadeira nos primeiros 12 meses da criança. As análises comparativas entre as etnias foram feitas através do teste de qui-quadrado, com nível de significância de 5%, no STATA 16.1. A pesquisa foi aprovada por comitê de ética.
Resultados: Foram avaliadas 192 crianças. A prevalência de AM na primeira hora de vida foi de 85,9%, de AME até 6 meses de 35,9% e a duração mediana do AME foi de 122 dias; nenhuma das variáveis apresentou diferença significativa entre as etnias (p>0,05). O AM até 12 meses também não diferiu significativamente entre as etnias, sendo registrada prevalência de 86,1% (p=0,244). Aos 24 meses, observou-se menor prevalência de AM entre os Kaiowá (27,8%) em comparação aos Guarani (56,3%) e Terena (52,7%) (p=0,003). A frequência de utilização de mamadeira nos primeiros 12 meses foi de 64,4%, sem diferença entre as etnias (p=0,971).
Conclusão: Embora aquém das recomendações da OMS, os indicadores de AM se apresentaram mais favoráveis que aqueles registrados na população brasileira avaliada no Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil em 2019. No entanto, a frequência do uso de mamadeiras aponta para a exposição e a incorporação de práticas não tradicionais no cotidiano das famílias, refletindo uma mudança das práticas de cuidado e de aleitamento materno.
Financiamento: Programa Inova e VPAAPS/Fiocruz: “Contribuição para o desenvolvimento de estratégias para o fortalecimento do SasiSUS”
#174 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
INDICADORES DE COBERTURA ASSISTENCIAL: ANÁLISE DE OFERTA DE LEITE HUMANO PASTEURIZADO POR RECÉM-NASCIDO BENEFICIADO
MARLUCE E VOLTATONI
marluce.voltatoni@hrc.org.br
Resumo
Introdução: O processamento de leite humano em ambiente hospitalar é regido por rigorosos protocolos de segurança biológica, que visa eliminar a carga microbiana sem comprometer significativamente os fatores imunológicos. A eficiência operacional de um BLH é medida pela sua capacidade de converter o volume bruto coletado em um produto seguro para consumo (LHP), minimizando perdas por acidez excessiva, sujidade ou falhas de envase. Este trabalho justifica-se pela importância de auditar os indicadores de rendimento técnico, garantindo que o esforço da doação seja plenamente aproveitado e que a gestão de estoque otimize o tempo de prateleira e a disponibilidade do insumo.
Objetivo: Avaliar a eficiência da distribuição de Leite Humano Pasteurizado (LHP) e a média de volume ofertado por criança beneficiada.
Metodologia: Análise retrospectiva comparando o Volume de Leite Distribuído e o número de Crianças Beneficiadas entre 2019 e 2025.
Resultados: O volume total distribuído cresceu significativamente, saindo de 622.362 ml em 2019 para um pico de 1.077.728 ml em 2023. A média de leite ofertado por criança beneficiada saltou de 1.471 ml/ano (2019) para 3.087 ml/ano (2024), representando um aumento de mais de 100% na capacidade de oferta individual. Em 2025, o serviço manteve uma média robusta de aproximadamente 2.673 ml por criança.
Conclusão: Os dados demonstram um fortalecimento da assistência nutricional. O aumento no volume médio por beneficiário sugere que o Banco de Leite está conseguindo não apenas atender mais crianças, mas oferecer um volume maior para cada uma, o que é determinante para o desfecho clínico de bebês em UTIN/UCIN.
#54 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
Iniquidades sociais no consumo alimentar de crianças brasileiras de 6 a 23 meses com anemia ferropriva: Análise do ENANI-2019
IARA PENZO BARBOSA; IARA ARAÚJO FERREIRA; FERNANDA RAUBER
iarapenzo; iaraaaf; fer.rauber
Resumo
Introdução: A anemia ferropriva (AF) na infância reflete a baixa densidade de micronutrientes na dieta e iniquidades sociais. No Brasil, o acesso a fontes de ferro biodisponível e ao aleitamento materno é desigual, cenário agravado pelo avanço do consumo de ultraprocessados.
Objetivo: Analisar desigualdades sociais, absolutas e relativas, na contribuição calórica dos grupos de alimentos da classificação Nova, leite materno (LM) e fórmulas infantis (FI), entre crianças de 6-23 meses com AF.
Métodos: Estudo transversal com crianças de 6-23 meses participantes do ENANI-2019 com AF (7,9% da população), definida por hemoglobina <11gd/L e ferritina <12µg/mL na ausência de inflamação (PCR<5mg/L) e <30µg/mL na presença de inflamação (PCR≥5mg/L). O consumo foi analisado pela contribuição calórica (%), via classificação Nova: G1 (in natura/minimamente processados), G2 (ingredientes culinários), G3 (processados) e G4 (ultraprocessados), além do LM e FI. As desigualdades sociais foram mensuradas pelos índices Slope Index of Inequality (SII) e Concentration Index (CIX) por quintis de renda (valores positivos: concentração na maior renda; negativos: na menor renda). Análises realizadas no R.
Resultados: Aos 6-11 meses, quase todos os grupos concentraram-se na menor renda: G1 (SII: -7,26; CIX: -0,04), G2 (SII: -4,43; CIX: -0,23), G3 (SII: -4,46; CIX: -0,54) e G4 (SII: -1,99; CIX: -0,02). O LM foi o único concentrado na maior renda (SII: 19,24; CIX: 0,06). Aos 12-23 meses, o G1 (SII: 16,82; CIX: 0,05), G2 (SII: 1,62; CIX:0,03) e o LM (SII: 1,52; CIX: 0,01) concentraram-se na maior renda. Em contraste, o G4 intensificou sua concentração na menor renda (SII: -17,83; CIX: -0,14), assim como FI (SII: -0,43; CIX: -0,67) e G3 (SII: -1,71; CIX: -0,14).
Conclusões: Entre crianças com AF, as desigualdades alimentares se aprofundam com a idade. No primeiro ano, a iniquidade é marcada pelo privilégio do aleitamento materno na maior renda, enquanto o consumo de todos os grupos Nova concentra-se na menor renda. No segundo ano, a divisão social se acentua: o acesso a alimentos do G1 e ao LM consolidam-se na maior renda, ao passo que a dieta das crianças mais pobres torna-se predominantemente baseada em G4. A iniquidade no acesso a alimentos protetores e ao aleitamento materno agrava a vulnerabilidade à AF.
Financiamento: O presente trabalho foi realizado com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq.
#56 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
Iniquidades sociais no consumo alimentar de crianças brasileiras de 6 a 23 meses com deficiência de vitamina A: Análise do ENANI-2019
IARA PENZO BARBOSA; IARA ARAÚJO FERREIRA; FERNANDA RAUBER
iarapenzo; iaraaaf; fer.rauber
Resumo
Introdução: A deficiência de vitamina A (DVA) persiste como desafio à saúde pública brasileira, ocorrendo em um cenário de transição nutricional marcado pela introdução precoce de ultraprocessados e iniquidades sociais.
Objetivo: Analisar desigualdades sociais, absolutas e relativas, na contribuição calórica dos grupos de alimentos da classificação Nova, leite materno (LM) e fórmulas infantis (FI), entre crianças de 6-23 meses com DVA.
Metodologia: Estudo transversal com crianças de 6-23 meses participantes do ENANI-2019 com DVA (6,4% da população de estudo), definida por retinol sérico <0,20 mg/L. O consumo foi analisado pela contribuição calórica (%), via classificação Nova: G1 (in natura/minimamente processados), G2 (ingredientes culinários), G3 (processados) e G4 (ultraprocessados), além do LM e FI. As desigualdades sociais foram mensuradas pelos índices Slope Index of Inequality (SII) e Concentration Index (CIX) por quintis de renda (valores positivos: concentração na maior renda; negativos: na menor renda). Análises realizadas no R.
Resultados: Na faixa de 6 a 11 meses, observou-se concentração do consumo de G1 e LM nos estratos de maior renda (SII: 19,16; CIX: 0,07 e SII: 7,74; CIX: 0,03, respectivamente). Em contraste, o consumo de G4 concentrou-se na menor renda (SII: -21,29; CIX: -0,25). Entre 12 a 23 meses, as desigualdades para o G1 apresentaram menor magnitude (SII: 4,12; CIX: 0,01). Observou-se inversão do gradiente social para G4, concentrado na maior renda (SII: 10,23; CIX: 0,06). Nessa faixa, o consumo de LM teve maior contribuição na menor renda (SII: -8,84; CIX: -0,07). Em ambas as faixas, G2, G3 e FI concentraram-se na menor renda: aos 6-11 meses (SII: -1,25; CIX: -0,05; SII: -1,24; CIX: -0,45; SII: -3,10; CIX: -0,20) e aos 12-23 meses (SII: -1,81; CIX: -0,05; SII: -3,04; CIX: -0,18; SII: -0,66; CIX: -0,62).
Conclusões: Entre crianças com DVA, as desigualdades no consumo variam com a idade. No primeiro ano de vida, a menor renda é marcada pela maior participação de G4 e FI, enquanto o consumo de G1 e LM concentra-se na maior renda. No segundo ano, ocorre uma inversão do gradiente social: o consumo de LM passa a se concentrar nos estratos de menor renda, enquanto a contribuição calórica do G4 torna-se superior entre a maior renda. A vulnerabilidade nutricional assume faces distintas conforme o contexto social e a etapa do desenvolvimento.
Financiamento: O presente trabalho foi realizado com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq.
#84 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
INTEGRAÇÃO PÚBLICO-PRIVADA E BANCO DE LEITE HUMANO: IMPACTOS NA EFICIÊNCIA E QUALIDADE DO CUIDADO MATERNO-INFANTIL
SAYONARA MARTINS FELIX DE MEDEIROS; JULIANA MIRANDA LOPES DA SILVA; PATRICIA MARANÕN TERRIVEL
Lactare Banco de leite humano; BLH Vila Nova Cachoeirinha; BLH Hospital Geral Grajaú
Resumo
Introdução: A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) constitui uma das principais políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, com impacto direto na redução da morbimortalidade neonatal. Entretanto, desafios estruturais, logísticos e operacionais ainda limitam a capacidade de resposta, especialmente no que se refere à coleta, processamento e distribuição de leite humano. Nesse contexto, a integração público privada emerge como estratégia complementar para ampliar a eficiência e a qualidade do cuidado materno infantil. Destaca-se a atuação do Lactare Banco de Leite Humano, que desenvolve ações articuladas à rBLH-BR e ao Sistema Único de Saúde por meio de parcerias institucionais, contribuindo para o fortalecimento da rede assistencial.
Objetivo: Analisar os impactos da integração público privada na eficiência e qualidade do cuidado materno infantil, a partir da experiência do BLH Lactare na prestação de serviços à Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano e sua contribuição ao SUS.
Metodologia: Estudo descritivo e reflexivo, fundamentado na análise documental de parcerias institucionais, projetos assistenciais e registros de atuação do BLH Lactare junto a hospitais públicos, secretarias de saúde e serviços integrantes da rBLH-BR.
Resultados e discussão: A experiência do Lactare demonstra que a integração público privada contribui para a ampliação do acesso ao leite humano pasteurizado, a otimização da coleta domiciliar, o fortalecimento do controle de qualidade e a ampliação das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Entre as principais contribuições destacam-se o fornecimento de leite humano pasteurizado a unidades neonatais do SUS, a capacitação contínua de profissionais de saúde, a realização de ações educativas com gestantes e nutrizes, o apoio multiprofissional à amamentação e a prestação de serviços especializados de Banco de Leite Humano a municípios parceiros. Essas ações favorecem a eficiência operacional da rBLH-BR, reduzem barreiras de acesso e qualificam o cuidado neonatal, especialmente para recém-nascidos prematuros e de alto risco.
Conclusão: A integração público privada, exemplificada pela atuação do Lactare Banco de Leite Humano, configura-se como estratégia relevante para o fortalecimento das políticas públicas de aleitamento materno. Ao atuar de forma articulada com a rBLH.
#207 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
LASERTERAPIA NA AMAMENTAÇÃO: O USO DE UM RECURSO TERAPÊUTICO COADJUVANTE NO TRATAMENTO DE LESÕES MAMÁRIAS
CAMILA SANTOS DO COUTO; MARIANA DUARTE NEVES; ISADORA CHRISTINE DE AZEVEDO; JANE CRISTINA ANDERS
Universidade do Vale do Itajaí / Universidade Federal de Santa Catarina / Secretaria Municipal de Saúde de Itajaí; Universidade do Vale do Itajaí; Universidade Federal de Santa Catarina
Resumo
Introdução: O aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses do recém-nascido promove diversos benefícios para a díade mãe-bebê e para toda a sociedade. Porém, as altas incidências de lesões mamilares em puérperas fazem com que o desmame precoce seja cada vez mais recorrente. Neste sentido, o uso de recursos terapêuticos coadjuvantes no tratamento de lesões mamilares, como o laser de baixa potência, tem sido evidenciado nos últimos anos.
Objetivo: Revisar literatura publicada acerca do uso da laserterapia como recurso terapêutico coadjuvante no tratamento de lesões mamárias decorrentes da amamentação.
Metodologia: Revisão narrativa da literatura, realizada em outubro de 2024, na base de dados LILACS, com a estratégia de busca “Aleitamento Materno” AND “Laserterapia”. Os critérios de inclusão foram estudos disponíveis na íntegra online, publicados em português, no período entre 2019 à 2024, sendo incluídos quatro artigos, que foram analisados descritivamente.
Resultados: A literatura demonstrou que as lesões mamárias decorrem de fatores maternos e/ou fatores relacionados ao recém-nascido, que decorrem em desconforto e dor local, podendo ocasionar o desmame precoce. Sendo assim, a laserterapia foi apontada como uma intervenção eficaz quando associada ao manejo da amamentação, com correção da causa primária da lesão, no tratamento das lesões mamárias. Por promover a biomodulação, o laser de baixa potência utilizado de forma adequada promove ação anti-inflamatória, analgésica, cicatrizante, possuindo efeito terapêutico. As evidências apontaram que após a intervenção de manejo clínico aliado ao uso da laserterapia em puérperas, observou-se redução das dores, cicatrização das mamas, corroborando com a manutenção da amamentação em livre demanda e consequentemente evitando o desmame precoce.
Considerações finais: Neste cenário, a laserterapia é apontada como um excelente recurso terapêutico coadjuvante no tratamento dessas lesões por meio da biomodulação, contribuindo para o alívio da dor e redução da inflamação, paralelamente aos processos aprimorados de cicatrização e reparação tecidual. Assim, apresenta-se como uma abordagem promissora e eficaz no tratamento de lesões mamárias decorrentes da amamentação, haja vista que a utilização desse recurso terapêutico não apenas favorece a cicatrização das lesões como prolonga a amamentação em livre demanda.
#289 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
LIDERANÇA QUILOMBOLA E O ENFRENTAMENTO AOS PANTANOS ALIMENTARES: ESTRATÉGIAS DE CONTROLE SOCIAL NO CAE E CONSEA
CELINA VALDEZ FEIJÓ KOHLER; CLÉIA COSTA BARBOSA; BÁRBARA ALVES DE VASCONCELOS; BRUNA LANA CAMARGOS COSTA; BRUNO MARTINS DALA PAULA; ISABELA MOREIRA DAMASCENO; VINÍCIUS TADEU DA VEIGA CORREIA; RENATA ADRIANA LABANCA
IBFAN BRASIL; MOPI; UFMG; EPAMIG
Resumo
O presente trabalho relata a experiência de qualificação de lideranças quilombolas para a incidência política em espaços de decisão sobre Segurança Alimentar e Nutricional. O objeto da experiência é o processo de formação de agentes de controle social para identificar e combater "pântanos alimentares" — territórios com oferta predominante de alimentos ultraprocessados que prejudicam a introdução alimentar saudável e o ciclo de amamentação. O contexto compreende as comunidades de Matias e Magueira (Belo Horizonte), que enfrentam a pressão do marketing agressivo de substitutos do leite materno e barreiras burocráticas para acessar políticas federais estruturantes. A descrição da execução, vinculada ao projeto aprovado pelo CNPq/UFMG (2025-2026), detalha a implementação de processos formativos para o diagnóstico do ambiente alimentar local através da Educação Popular freiriana. As técnicas adotadas incluem oficinas de Cartografia Social, círculos de diálogo e a construção de instrumentos de incidência política — como pareceres técnicos baseados na bioacessibilidade nutricional de Plantas Alimentícias Não Convencionais. Serão realizadas simulações de plenárias para atuação no CAE e CONSEA/COMUSAN, visando qualificar a argumentação técnica das lideranças frente aos gestores municipais e estaduais. Como resultados, destaca-se a mobilização comunitária para o monitoramento da conformidade com a NBCAL e a proposição de editais de compras públicas que priorizem a sociobiodiversidade, contrapondo a oferta predatória de produtos industriais. O projeto sistematizou o saber ancestral etnobotânico como evidência científica para a revisão de cardápios escolares e inclusão produtiva. As considerações finais reforçam que a qualificação comunitária, ao unir o saber tradicional a mecanismos de proposição técnica, permite que as comunidades quilombolas atuem como protagonistas na construção de "oásis alimentares". A integração intersetorial entre universidade e movimentos sociais (MOPI - Movimento Ouro Preto pela Infância) é estratégica para democratizar o saber, proteger o ciclo da amamentação e garantir o direito humano à alimentação adequada frente ao sistema alimentar obesogênico e aos desertos de comida de verdade.
Financiamento: financiado por recursos públicos oriundos da Chamada CNPq/FNDCT/SGPR/MDS nº 17/2025 e conta com o apoio institucional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
#193 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
MANEJO DO ALEITAMENTO HUMANO AO USUÁRIO TRANSGÊNERO EM ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
DAIANI OLIVEIRA CHERUBIM; BIANCA BERNARDES MURUZZI; AMANDA MACHADO SALES; ANGÉLICA GINDRI MEIRA; GABRIELLE PEREIRA DA SILVA
Fundação Universidade Federal do Pampa
Resumo
Introdução: A amamentação é uma prática estimulada no mundo todo, é capaz de promover inúmeros benefícios que reduzem a morbimortalidade infantil. Socialmente, o protagonismo da reprodução, criação e cuidado das crianças segue associado à mulher cis-heterossexual. Entretanto, com a ascensão dos direitos familiares adquiridos na última década pela população LGBTQIA+, diferentes composições familiares passaram a ser legitimadas pela lei. Destaca-se a importância da assistência de enfermagem com qualidade à população transgênero, promovendo a saúde da pessoa e da criança, tanto no pré-natal quanto na puericultura e puerpério.
Metodologia: Trata-se de um relato de experiência discente oportunizado durante o estágio obrigatório da disciplina de Gestão do Cuidado Materno Neonatal e Pediátrico na Estratégia de Saúde da Família.
Resultados: O lactente, com dois meses de idade no momento da consulta, em aleitamento misto, compareceu acompanhado do pai, um homem transgênero, e de sua avó. Durante a anamnese, identificou-se o desejo do pai em realizar o desmame. As acadêmicas informaram a importância e os benefícios da continuidade da amamentação para a saúde do lactente. Embora se saiba que o aleitamento materno é o alimento mais completo e adequado, devendo ser ofertado de maneira exclusiva até o sexto mês de vida da criança, e de maneira complementar até dois anos ou mais, é necessário respeitar a decisão da pessoa acerca do desejo de amamentar. Ao se sentir acolhido na consulta, o pai referiu que já não estava mais ofertando o seio ao seu filho justificando a cessação da produção láctea. Além disso, relatou que havia retomado a terapia hormonal recentemente e que se sentia desconfortável em amamentar fazendo uso dos medicamentos. As acadêmicas acolheram e respeitaram a decisão do pai, como também orientaram acerca do uso da fórmula, garantindo que a segurança alimentar e nutricional foram compartilhadas para pai e rede de apoio.
Considerações finais: Por meio dessa vivência acadêmica, percebeu-se a fragilidade no manejo do aleitamento humano na população LGBTQIAP+ no âmbito da atenção primária. Pode-se compreender a importância da escuta ativa e vínculo, além de proporcionar reflexão acerca do papel da enfermagem no âmbito do acolhimento bem como oportunizar os alunos a desenvolverem autonomia na tomada de decisão e aprimorar uma escuta ativa e efetiva.
#80 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
MOBILIZAÇÃO INTERSETORIAL PARA APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO: EXPERIÊNCIA DA CAMPANHA DE FRASCOS DE VIDRO NA REGIÃO TELES PIRES - MT
KÁTIA DA SILVA ROCHA; ELAINE ALVES DA SILVA; RODRIGO CÉSAR DE OLIVEIRA CARVALHO; ROSIENE ROSA PIRES
Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso
Resumo
O aleitamento materno é considerado a forma mais completa de alimentação infantil, proporcionando benefícios nutricionais, imunológicos, emocionais e econômicos. A OMS recomenda a amamentação por 2 anos ou mais e de forma exclusiva até os 6 meses.
Os Bancos de Leite Humano (BLH) são serviços especializados responsáveis pela promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, além da coleta, processamento e distribuição do leite humano, principalmente para RN prematuros e de baixo peso. Os frascos de vidro com tampa plástica rosqueável, esterilizáveis e resistentes ao processo de pasteurização, são essenciais para o armazenamento seguro do leite humano.
Diante disso, a Região de Saúde Teles Pires, mobilizada pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, desenvolve uma campanha permanente de recolhimento desses frascos desde 2020.
Descrever a experiência da campanha de recolhimento de frascos de vidro como estratégia de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno na Região de Saúde Teles Pires.
Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, referente à campanha de recolhimento de frascos de vidro com tampa plástica rosqueável realizada entre 2020 e 2025, realizada nos 15 municípios pertencentes à região de Saúde Teles Pires com mobilização de unidades de saúde, instituições públicas, privadas e comunidade em geral.
Entre 2020 e 2022 foram coletados 800 frascos, em 2023 a coleta atingiu 1.285 frascos, em 2024 e 2025 foram coletados 1.630 e 1.898 frascos respectivamente, totalizando 6.413 frascos coletados. Os frascos arrecadados foram destinados às instituições: SES-MT; UTI Neonatal do Hospital Santo Antônio e Hospital Regional de Sorriso; Sala de Apoio à Amamentação do Hospital Regional de Sinop e ao Banco de Leite do Hospital São Lucas. A campanha demonstrou ser uma estratégia eficaz de mobilização social em prol do aleitamento materno. O crescimento progressivo a partir de 2023, está associado ao fortalecimento das ações educativas, maior divulgação e ampliação das parcerias institucionais e conscientização da população sobre a importância dos BLH.
A campanha de recolhimento de frascos de vidro demonstrou ser uma ação simples, de baixo custo e alto impacto para apoio aos BLH e promoção do aleitamento materno. A continuidade e ampliação dessa estratégia podem contribuir significativamente para a sustentabilidade dos BLH.
#242 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
MONITORAMENTO DOS ATENDIMENTOS DE UM GRUPO VIRTUAL DE APOIO À AMAMENTAÇÃO: PERFIL DAS DEMANDAS E POTENCIALIDADES DO CUIDADO DIGITAL
SILVIA CRISTINA FARIAS; ANA CLARA RODRIGUES DE ASSUMPÇÃO; JORGINETE DE JESUS DAMIÃO; PATRICIA LIMA PEREIRA PERES; ELDA LIMA TAVARES; MARIA CLARA CARVALHO DE BARROS; ELISA DA CONCEIÇÃO RODRIGUES; ROSANE VALERIA VIANA FONSECA RITO
Uerj; Unirio; UFRJ; UFF
Resumo
O objeto desta experiência foi o monitoramento e a análise dos atendimentos realizados no Grupo Mulheres Apoiando Mulheres na Amamentação (MAMA), com foco no perfil das participantes, nas demandas apresentadas e nos encaminhamentos efetuados no contexto do apoio virtual à amamentação. A experiência insere-se na consolidação de grupos virtuais como estratégias complementares às ações presenciais de promoção, proteção e apoio à amamentação, ampliando o acesso à informação qualificada e ao acolhimento por meio de tecnologias digitais. O MAMA atua no Instagram®, oferecendo orientação e suporte a mães e demais cuidadores de crianças pequenas. A execução ocorreu por meio do monitoramento sistemático dos atendimentos realizados no ambiente virtual por profissionais de saúde e graduandas da área. Foram analisados registros do período de funcionamento do grupo, desde 2020, considerando variáveis relativas ao perfil das participantes, tipo de demanda, natureza das orientações e necessidade de encaminhamento para serviços presenciais. Utilizou-se estatística descritiva para os dados quantitativos e análise temática para os qualitativos. Os resultados mostraram que os atendimentos concentraram-se no período pós-parto. Predominaram dúvidas sobre pega e posicionamento, dor mamilar, percepção de baixa produção de leite, intercorrências mamárias e manejo do aleitamento exclusivo. Também emergiram demandas emocionais, como insegurança e ansiedade. A maioria dos casos foi resolvida no próprio ambiente virtual, com orientações individualizadas. Uma parcela menor demandou encaminhamento presencial, sobretudo diante de sinais sugestivos de complicações, sendo as mulheres direcionadas, por meio da rede das voluntárias, a bancos de leite humano ou unidades básicas de saúde em seus territórios. Como considerações finais, a experiência evidencia que grupos virtuais de apoio à amamentação constituem estratégia relevante de cuidado e de formação acadêmica, ao responder a demandas técnicas e emocionais, ampliar o acesso à informação e complementar a rede presencial. A sistematização desses dados contribui para o aprimoramento das estratégias de apoio e planejamento de ações.
#67 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
MOTIVAÇÕES PARA O TRABALHO COM O ALEITAMENTO MATERNO E ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR SAUDÁVEL
GIULIA SANCHEZ LEONARDO; MARIANA TARRICONE GARCIA; ROBERTA MARIA MIRANDA RIBEIRO; MARCELA MATOS DE CAMARGO; MARIA IZABEL SANCHES COSTA
Instituto de Saúde - Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (IS-SES/SP), São Paulo, SP, Brasil; Faculdade de Saúde Pública - Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil
Resumo
Introdução: O eixo 2 da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) apresenta ações estratégicas para a promoção, proteção e apoio do aleitamento materno (AM) e alimentação complementar saudável. A implementação dessas ações no cotidiano dos serviços de saúde é atribuída aos trabalhadores da linha de frente (TLF), cujas trajetórias, motivações e experiências podem influenciar de forma decisiva a efetivação das ações.
Objetivos: Compreender as motivações de TLF relacionadas à atuação em ações estratégicas do eixo 2 da PNAISC.
Metodologia: No âmbito do projeto Avaliação da implementação do Eixo 2 da PNAISC foram realizadas entrevistas semiestruturadas com atores envolvidos na implementação. Para este estudo, foram considerados os relatos sobre trajetória pessoal e profissional e como se conectam às ações do eixo 2 da PNAISC de TLF atuantes na implementação da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, Iniciativa Hospital Amigo da Criança e ação Mulher Trabalhadora que Amamenta. Foi realizada análise temática de conteúdo com categorias definidas a priori. O software MAXQDA foi utilizado para organização do material e extração dos trechos de interesse.
Resultados: A análise das entrevistas das 11 mulheres TLF apontou 4 categorias temáticas como principais motivações: carreira profissional (experiência prévia com a saúde da criança na atenção especializada ou na atenção primária à saúde, processo de formação), identificação com a temática (potencialidade do AM, afeto), ativismo (filiação e atuação em organizações da sociedade civil), experiência pessoal com a maternidade (parto e amamentação). O engajamento em organizações da sociedade civil e as experiências afetivas com a maternidade são fatores que se complementam às motivações do processo de formação e desenvolvimento da carreira profissional. Ademais, as atividades dessas trabalhadoras estão muito relacionadas ao cuidado e, na pesquisa, atribuídas exclusivamente às mulheres.
Conclusão: O comprometimento com o trabalho das TLF é fortalecido por motivações pessoais e profissionais que possibilitam um envolvimento efetivo na implementação das ações AM e alimentação complementar saudável. Estar vinculada a organizações da sociedade civil aparece como um fator que potencializa a qualidade do trabalho nos diferentes contextos em que atuam.
Financiamento: Financiamento do Departamento de Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde, do Ministério da Saúde (Decit/SECTICS/MS) e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq
#263 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
O BANCO DE LEITE HUMANO VAI À MATERNIDADE: RELATO DE EXPERIÊNCIA
SÔNIA MARIA LIMA PERES; SANDRA MENDONÇA OLIVEIRA DOMINGUES; EDINALVA NEVES NASCIMENTO
Banco de Leite Humano da Secretaria Municipal de Saúde de Marília
Resumo
Introdução: O Banco de Leite Humano (BLH) é integrante da Rede Alyne e pode atuar em maternidades com foco na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, especialmente no período imediato ao parto, quando as puérperas demandam maior orientação.
Objetivo: Relatar a experiência das ações desenvolvidas pelo Banco de Leite Humano em maternidades de risco habitual e de alto risco, voltadas à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno no período puerperal.
Metodologia: Trata-se de um relato de experiência das ações desenvolvidas pelo Banco de Leite Humano em duas maternidades, sendo uma de risco habitual e outra de alto risco. Durante o ano de 2025, duas técnicas de enfermagem do respectivo serviço realizaram visitas sistemáticas às unidades, com abordagem direta às puérperas. As atividades incluíram orientação individual, entrevistas para coleta de informações sobre o histórico da amamentação e ações educativas dirigidas às mães, familiares e equipe assistencial.
Resultados: No período de um ano foram orientadas 365 puérperas na maternidade de risco habitual e 367 na maternidade de alto risco. As profissionais realizaram entrevistas para levantamento do histórico de amamentação e identificação de dificuldades. Foram abordados os benefícios do aleitamento materno, o manejo e a técnica correta da amamentação, os cuidados com as mamas e o fortalecimento do vínculo mãe/bebê. Também foram desenvolvidas ações de educação em saúde junto à equipe da maternidade e aos familiares. As puérperas receberam material informativo com orientações sobre amamentação, divulgação das ações do Ambulatório de Aleitamento Materno e informações sobre bebês de risco.
Considerações finais: A atuação do Banco de Leite Humano nas maternidades mostrou-se relevante para qualificar a assistência às puérperas e recém-nascidos, ampliando o acesso às orientações sobre aleitamento materno durante a internação. A parceria entre o BLH e as maternidades fortalece o cuidado integral à mulher e ao bebê, contribuindo para a redução do desmame precoce, prevenção de intercorrências mamárias e fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê.
#213 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
O CURSO TÉCNICO “SAÚDE COM AGENTE” E O CUIDADO À MULHER LACTANTE: UM OLHAR SOBRE A FORMAÇÃO DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE EM MATO GROSSO DO SUL
JUMARA ESPINDOLA DOS SANTOS; DÉBORA DUPAS GONÇALVES DO NASCIMENTO
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE CAMPO GRANDE - MS; FIOCRUZ MATO GROSSO DO SUL
Resumo
Introdução: O Agente Comunitário de Saúde (ACS) é figura-chave na Estratégia Saúde da Família, atuando no acompanhamento de lactantes e na promoção do aleitamento materno. O curso técnico "Saúde com Agente" representou um marco na qualificação desses profissionais. Avaliar o impacto dessa formação na abordagem às lactantes é crucial para o aprimoramento das políticas de educação permanente em saúde.
Objetivo: Analisar a percepção dos egressos do curso "Saúde com Agente" no estado de Mato Grosso do Sul quanto ao ganho de capacidade para a realização de visitas domiciliares (VD) à lactante nos primeiros seis meses pós-parto.
Metodologia: Estudo transversal, descritivo e quantitativo, realizado com 757 ACS egressos do curso em 78 municípios de Mato Grosso do Sul. A coleta de dados ocorreu de janeiro a março de 2024 via questionário on-line. Para este recorte, analisou-se a autoavaliação dos agentes sobre sua capacidade de realizar VD à lactante "antes" e "após" o curso, utilizando uma escala Likert. Os dados foram expressos em percentuais, e a diferença (ganho de capacidade) foi calculada.
Resultados: Os resultados indicaram um expressivo ganho de capacidade na realização de VD à lactante. Antes do curso, 90,4% dos ACS se consideravam "capazes" ou "muito capazes" para essa atividade. Após a conclusão da formação técnica, este percentual elevou-se para 98,5%, representando um ganho de capacidade de 8,1%. Esse aumento, embora significativo, foi inferior aos ganhos observados em habilidades menos consolidadas, como o cuidado a populações vulneráveis (p. ex., pessoas com dependência química: 17,8%), sugerindo que a formação foi capaz de consolidar e refinar competências pré-existentes enquanto introduzia novas.
Conclusões: A formação técnica proporcionada pelo curso "Saúde com Agente" fortaleceu significativamente a capacidade dos ACS para o cuidado qualificado à mulher lactante no domicílio. O aprimoramento dessa habilidade, ainda que partindo de uma base já consolidada, demonstra a efetividade do curso em refinar práticas essenciais na Atenção Primária. Investir na qualificação técnica dos ACS é, portanto, uma estratégia fundamental para fortalecer a rede de apoio à lactante, promover o aleitamento materno e, por conseguinte, impactar positivamente os indicadores de saúde materno-infantil no âmbito do Sistema Único de Saúde.
#173 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
O PAPEL DAS VISITAS DOMICILIARES NA SUSTENTABILIDADE DE UM BANCO DE LEITE HUMANO NUM HOSPITAL SECUNDÁRIO NA GRANDE SÃO PAULO: UMA ANÁLISE DE 7 ANOS (2019-2025)
MARLUCE ELIAS VOLTATONI
marluce.voltatoni@hrc.org.br
Resumo
Introdução: A amamentação é a estratégia isolada de maior impacto na redução da mortalidade infantil, sendo o Leite Humano (LH) o alimento padrão-ouro para neonatos de alto risco. No entanto, a manutenção de estoques adequados em Bancos de Leite Humano (BLH) enfrenta desafios logísticos significativos. A coleta externa, mediada por visitas domiciliares, surge como uma tecnologia social estratégica, pois não apenas viabiliza a captação do excedente de leite de nutrizes na comunidade, mas também oferece apoio técnico e emocional, prevenindo o desmame precoce. Justifica-se este estudo pela necessidade de mensurar como a busca ativa domiciliar impacta diretamente a segurança alimentar de unidades neonatais, consolidando o BLH como um serviço de extensão comunitária.
Objetivo: Analisar o impacto das visitas domiciliares no volume total de leite coletado, identificando a relevância da coleta externa para a manutenção dos estoques.
Metodologia: Estudo descritivo e quantitativo dos dados operacionais de um BLH entre 2019 e 2025. Foram correlacionados o número de visitas domiciliares com o volume de coleta externa e o volume total.
Resultados: No período analisado, a coleta externa representou, em média, 86,5% de todo o leite captado pelo serviço. O pico de captação externa ocorreu em 2022, atingindo 929.750 ml, ano que também registrou o maior número de visitas domiciliares (1.038 visitas). Observou-se que a coleta externa manteve-se acima de 90% do total nos anos de 2024 e 2025, evidenciando uma dependência positiva da logística externa em relação à interna.
Conclusão: As visitas domiciliares são um importante pilar da sustentabilidade do estoque do BLH, sendo essenciais para garantir a oferta de leite pasteurizado aos bebês internados.
#134 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
OFICINA SOBRE O MANEJO DA AMAMENTAÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA EXITOSA
SANDRA CAVATI RIBEIRO SANTOS 1,5; IVONE AMAZONAS MARQUES ABOLNIK 1; GABRIELLE ALMEIDA RODRIGUES 1,2; YONARA PEREIRA DE ARAÚJO GAIO 1; MARISTELA ASSUMPÇÃO DE AZEVEDO 1; TALITA PAVARINI BORGES 1,3; RUBENS ALEX DE OLIVEIRA MENEZES 1,4
1 Conselho Federal de Enfermagem, Brasília, DF, Brasil. 5 Cavati Consultoria e Gestão, Vitória, ES, Brasil.; 1 Conselho Federal de Enfermagem, Brasília, DF, Brasil.; 1 Conselho Federal de Enfermagem, Brasília, DF, Brasil. 2 Programa Acadêmico em Ciências do Cuidado em saúde da Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil; 1 Conselho Federal de Enfermagem, Brasília, DF, Brasil. 3 Instituto Pavarini, São Paulo, SP, Brasil.; 1 Conselho Federal de Enfermagem, Brasília, DF, Brasil. 4 Universidade Federal do Amapá, Macapá, AP, Brasil.
Resumo
Introdução: A amamentação é uma prática essencial para a promoção da saúde materno infantil, porém muitas mulheres enfrentam dificuldades relacionadas à pega incorreta, dor mamilar, baixa produção percebida e inseguranças emocionais. Nesse contexto, ações educativas do manejo clínico qualificando a Enfermagem são fundamentais para fortalecer à amamentação exclusiva e prevenir o desmame precoce.
Objetivo: Relatar uma experiência exitosa de manejo da amamentação desenvolvida no contexto do 27º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem (27º CBCENF), destacando estratégias educativas e assistenciais voltadas ao apoio às lactantes.
Método: Trata-se de um relato de experiência, realizado durante o 27º CBCENF, por meio de uma oficina sobre o manejo da amamentação, sendo realizada por estações: Estação 1. Como o leite vai do peito para o bebê; Estação 2. Pega e posição correta / Observando e Avaliando uma mamada; Estação 3. Como retirar o leite materno; Estação 4. Traumas Mamilares: Problemas precoces e tardios das mamas e a Estação 5. Questões relacionadas à saúde da mãe e do bebê.
Resultados: Através das estações foram realizadas orientações sobre posicionamento e pega correta, cuidados com as mamas, extração manual, prevenção de fissuras mamilares e esclarecimento de mitos relacionados à amamentação. A ação incluiu demonstrações com materiais educativos e espaço para escuta ativa e troca de experiências entre participantes. Observou-se participação expressiva do público, com elevada interação e interesse nas orientações práticas, onde os participantes relataram maior compreensão sobre os sinais de pega adequada, manejo de intercorrências como ingurgitamento mamário e fissuras, além de aumento da confiança para manter o aleitamento. A atividade também favoreceu o fortalecimento do papel da Enfermagem como protagonista no apoio à amamentação, evidenciando impacto positivo na educação em saúde e na promoção do vínculo mãe-bebê.
Conclusão: A experiência demonstrou que ações educativas e práticas sobre manejo da amamentação em eventos científicos são estratégias eficazes para disseminar conhecimento, fortalecer a autonomia materna e incentivar a continuidade da amamentação. Recomenda-se a ampliação de iniciativas semelhantes em congressos e espaços formativos, visando qualificar a assistência e promover melhores desfechos na saúde materno-infantil.
Financiamento: Conselho Federal de Enfermagem
#159 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
ONDE NASCE O CUIDADO: IMPLANTAÇÃO DE UM BANCO DE LEITE HUMANO EM LUCAS DO RIO VERDE MATO GROSSO
JANAINA DE LIMA MOTA WOICICHOSKI; ANA CARINA EFFTING; ADRIANE WELTER; GIORGIO ALDIGUERI TRENTIN
Hospital São Lucas, Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde; Hospital São Lucas; Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde, Escola Municipal de Saúde
Resumo
Objeto da experiência: Relatar a implantação de um Banco de Leite Humano (BLH) como estratégia de fortalecimento do cuidado materno-infantil em hospital filantrópico de Lucas do Rio Verde–MT.
Contexto: A experiência ocorreu diante da necessidade de ampliar o suporte especializado à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, especialmente para recém-nascidos internados em UTI neonatal, no contexto de organização da rede local de atenção materno-infantil por meio de parceria entre gestão municipal e instituição hospitalar.
Descrição da execução: A implantação ocorreu entre 2023 e 2025, envolvendo planejamento técnico, adequação de área física de 55 m² conforme normas sanitárias, aquisição de equipamentos, estruturação de fluxos assistenciais e capacitação de equipe multiprofissional. O serviço iniciou funcionamento em janeiro de 2024, ofertando atendimentos individuais e em grupo, visitas domiciliares, cadastro de doadoras, captação, processamento e distribuição de leite humano para recém-nascidos receptores.
Resultados: Nos primeiros 24 meses foram registrados 4.210 atendimentos individuais, 132 atividades em grupo e 645 visitas domiciliares. Foram cadastradas 552 doadoras, com coleta de 587,9 litros de leite humano e distribuição de 289 litros, beneficiando 315 recém-nascidos, evidenciando consolidação operacional do serviço e ampliação do acesso ao cuidado qualificado.
Considerações finais: A experiência demonstra que a articulação interinstitucional é fundamental para viabilizar serviços especializados de alta relevância sanitária. A implantação do BLH fortaleceu a rede materno-infantil, qualificou a assistência às mulheres e recém-nascidos e apresenta potencial de replicabilidade em municípios com características semelhantes.
Financiamento: Fundação Luverdense de Saúde e Secretaria de Saúde de Lucas do Rio Verde
#293 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
ONDE SE PERDE O LEITE HUMANO? ANÁLISE DE DEZ ANOS DAS CAUSAS DE DESCARTE EM UM BANCO DE LEITE HUMANO
RENATA VENTURIM; MÔNICA APARECIDA PESSOTO
Caism-Unicamp
Resumo
Introdução: o descarte de leite humano em Bancos de Leite Humano (BLH) reduz a disponibilidade desse recurso essencial para recém-nascidos, especialmente prematuros. A análise das causas de descarte permite identificar fragilidades operacionais e direcionar estratégias de melhoria da qualidade.
Objetivos: analisar as causas de descarte de leite humano em um BLH de hospital terciário ao longo de dez anos.
Métodos: estudo retrospectivo, descritivo e quantitativo, com análise dos registros do BLH do CAISM-Unicamp entre 2014 e 2023. Foram avaliados os volumes coletados, pasteurizados e descartados, bem como os motivos de descarte relacionados à acidez Dornic, armazenamento, rotulagem, embalagem, sujidades físicas, off-flavor e controle microbiológico por teste de coliformes (BGBL). Realizou-se análise descritiva e de tendência temporal.
Resultados: no período, foram coletados 11.758,2 litros de leite humano, com descarte total de 387,2 litros (3,3%). A acidez Dornic elevada representou uma das principais causas de descarte ao longo dos anos, associada a falhas na cadeia de frio e no tempo entre coleta e processamento. O armazenamento inadequado manteve-se como causa relevante. Observou-se redução significativa dos descartes por falhas de rotulagem e aumento significativo dos descartes por sujidades físicas e positividade microbiológica. Os descartes relacionados à embalagem e off-flavor permaneceram baixos e estáveis.
Conclusões: o BLH apresentou baixa e estável taxa de descarte, indicando efetividade dos processos operacionais. Os achados reforçam a importância do monitoramento contínuo e do fortalecimento das ações educativas relacionadas à coleta, armazenamento e transporte do leite humano.
#101 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
OPORTUNIDADES E DESAFIOS NA PESQUISA EM IMUNOTERAPIA EM UMA MATERNIDADE ESCOLA
BÁRBARA OSÓRIO XAVIER MONTEZUMA; BIANCA FERREIRA MOURA GIRÃO; JULIANA NAVARRO UEDA YAOCHITE; ROSY DENYSE PINHEIRO DE OLIVEIRA; VALDEMIRO JOSÉ GONDIM CANAFÍSTULA JÚNIOR; SYNARA DOS SANTOS SALES; NACHIELLE DA SILVA PINHEIRO; IARLA BRENA BRITO CESÁRIO
Universidade Federal do Ceará; Maternidade escola Assis Chateubriand- UFC/ Ebserh
Resumo
Objeto: Coleta de dados para pesquisa com bebês prematuros submetidos à imunoterapia.
Contexto: Maternidade escola referência para partos de alto risco e prematuridade.
Descrição da execução: A coleta de dados é parte de um projeto de pesquisa que visa avaliar a imunidade e a microbiota de bebês prematuros em imunoterapia. Inicialmente, pesquisaram-se as gestantes internadas com risco de parto prematuro, as parturientes no centro obstétrico (CO) com menos de 37 semanas e os bebês internados na neonatologia do centro obstétrico (NEO-CO) com menos de 2kg. Todos no perfil descrito eram submetidos à imunoterapia com colostro cru da própria mãe e suplementado com colostro pasteurizado do Banco de Leite Humano (BLH), quando a mãe não conseguia extrair o leite em todos os horários preconizados (a cada 3h até o 7º dia de nascimento). As coletas de swab oral e fraldas com mecônio/ fezes eram realizadas na NEO-CO ou na unidade neonatal em que eles estavam internados e as de leite da mãe foram realizadas onde ela se encontrasse (NEO-CO, NEO ou BLH). Os resultados da pesquisa originarão tese, dissertação e monografias (graduação e residência). A equipe identificou oportunidades e desafios para aprimorar a imunoterapia na unidade hospitalar.
Resultados: Oportunidades encontradas: equipes sensíveis e comprometidas com a melhor assistência; integração adequada entre o BLH e o lactário e disponibilidade das mães na participação da pesquisa e na imunoterapia. Os desafios: identificar as gestantes de risco de parto prematuro antes do trabalho de parto para a coleta do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE); coletar o swab oral antes que o bebê iniciasse a imunoterapia; pegar uma fralda de mecônio/ fezes por dia de todos os bebês, visto que alguns prematuros demoravam dias para ter a primeira evacuação e realizar coletas e armazenamento adequado das amostras na NEO.
Considerações finais: As primeiras tentativas de obter os TCLEs assinados e encontrar os bebês no perfil no tempo adequado das coletas foram difíceis, mas, à medida que as pesquisadoras percorriam mais a maternidade e os setores envolvidos, ganhavam respeito e confiança das equipes de assistência que passaram a ajudar nas informações para que a pesquisa obtivesse êxito e a imunoterapia se consolidasse como uma prática realizada com esforço e determinação pelas equipes de assistência.
Financiamento: FUNCAP- Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico e Ebserh- Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
#128 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
OS BENEFÍCIOS DA AMAMENTAÇÃO
MAGDA ISHIKAWA
empresa
Resumo
A amamentação é um gesto de amor que vai muito além da nutrição. O leite materno é considerado o alimento mais completo para o bebê, especialmente nos primeiros seis meses de vida, quando deve ser oferecido de forma exclusiva. Ele contém todos os nutrientes necessários para o crescimento saudável, além de anticorpos que fortalecem o sistema imunológico, protegendo contra diarreias, infecções respiratórias e alergias. Essa proteção natural reduz internações hospitalares e garante um início de vida mais seguro.
Os benefícios não se restringem à criança. Para a mãe, amamentar auxilia na recuperação pós-parto, diminuindo o risco de hemorragias e contribuindo para a involução do útero. A longo prazo, reduz a probabilidade de desenvolver câncer de mama e ovário, diabetes tipo 2 e hipertensão. Além disso, favorece o vínculo afetivo entre mãe e filho, promovendo segurança emocional e desenvolvimento cognitivo da criança.
Do ponto de vista econômico e social, o aleitamento materno é sustentável: dispensa gastos com fórmulas artificiais, reduz custos de saúde pública e contribui para a preservação ambiental, já que não gera resíduos de embalagens nem demanda processos industriais. A Organização Mundial da Saúde recomenda que o aleitamento seja exclusivo até os seis meses e complementado com alimentos saudáveis até os dois anos ou mais, sempre que possível.
Amamentar é, portanto, um ato que une saúde, afeto e responsabilidade social. Cada mamada fortalece não apenas o corpo do bebê, mas também o laço invisível que conecta mãe e filho, criando bases sólidas para uma vida plena e saudável.
#181 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
OS BENEFÍCIOS DA FRENOTOMIA PARA A AMAMENTAÇÃO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
GABRIELE GUIMARÃES GONÇALVES; GIÉDRE BERRETIN
FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE BAURU DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - FOB/USP
Resumo
Introdução: A frenotomia lingual, comumente realizada para corrigir a restrição do movimento da língua causada pelo frênulo lingual curto e/ou anteriorizado, proporciona melhorias importantes na amamentação, como o aumento da produção de leite materno, o ganho ponderal do lactente e redução das dores maternas. A percepção das genitoras referente ao procedimento cirúrgico é de um procedimento simples e seguro, que traz benefícios à amamentação. A frenotomia pode ser indicada quando a restrição da função da língua causa dificuldades que não foram solucionadas após a intervenção de uma equipe capacitada.
Objetivo: sintetizar evidências disponíveis sobre os benefícios da frenotomia para a amamentação.
Metodologia: trata-se de uma revisão integrativa da literatura na qual foram pesquisadas as bases de dados Medline via Pubmed, Web of Science e Scielo, considerando o período de 2015 a 2025. Critérios de inclusão: artigos científicos que abordassem a amamentação, anquiloglossia, frenotomia e frenotomia, publicados em inglês ou português. Critérios de exclusão: artigos que não apresentaram resumos na íntegra, não abordaram sobre lactentes e não atenderam ao objetivo da pesquisa.
Resultados: foram encontrados 186 estudos, dos quais 167 foram excluídos. Dezenove artigos abordaram o tema investigado, sendo que todos concordam que a anquiloglossia pode impedir o estabelecimento correto da amamentação e que a frenotomia, quando devidamente indicada, pode ter um impacto positivo na amamentação, reduzindo a dor materna, lesões mamilares, problemas de pega, com melhora no ganho ponderal dos bebês, duração da amamentação e mobilidade da língua.
Conclusão: Com base nos estudos incluídos nesta revisão, a cirurgia do frênulo lingual em lactentes proporciona melhora significativa quanto às dificuldades relatadas pela genitora no processo de amamentação. Observa-se na literatura poucos trabalhos que contemplam os benefícios da frenotomia na amamentação, apontando a necessidade de estudos futuros, ensaios clínicos usando tamanhos de amostra maiores e com maior qualidade metodológica.
#95 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
OS SIGNIFICADOS DA AMAMENTAÇÃO PARA MULHERES NEGRAS: UMA ANÁLISE QUALITATIVA SOBRE R(EXISTÊNCIA)
MARIA GABRIELA DA SILVA COSTA; NATHALIA ESTER MARTINS GUERRA; LARA FURLAN BATISTA; BEATRIZ CAROLINE DE ARRUDA ANDRADE; NATÁLIA SEVILHA STOFEL
Universidade Federal de São Carlos
Resumo
Introdução: O aleitamento humano entre mulheres negras constitui-se em um fenômeno sociocultural de resistência, ancorada em redes familiares matriarcais e conhecimentos ancestrais. Além de suas vantagens biológicas, esta prática é atravessada pela interseccionalidade de raça, gênero e classe. Nesse sentido, o racismo institucional configura-se como um determinante social, manifestando-se através de violência obstétrica e atenção à saúde inadequada, interferindo diretamente nessa vivência.
Objetivo: Compreender os significados da amamentação para mulheres negras.
Metodologia: pesquisa qualitativa, exploratória, realizada com cinco mulheres autodeclaradas negras (pretas ou pardas) que amamentaram exclusivamente por, no mínimo, quatro meses. A coleta de dados ocorreu por meio de grupo focal no formato de roda de conversa. Os dados, gravados e transcritos, foram analisados mediante Análise Temática.
Resultados: Após realização da análise temática foram encontrados quatro principais temas: 1) Parir em contexto de violência obstétrica racializada: com episiotomia injustificada e desassistência; 2) Dificuldades para amamentar: agravadas pela falta de orientação profissional no pré-natal e intercorrências mamárias; 3) Amamentar em redes de apoio matrifocais: onde mães, tias, avós e parceiros oferecem suporte prático e emocional, transmitindo conhecimento intergeracional; 4) O existir através da amamentação: que gera um misto de conexão profunda, culpa, questionamentos sobre autonomia financeira e o conflito entre o desejo de amamentar e a necessidade de retorno ao trabalho.
Conclusões: Para mulheres negras, amamentar é um ato de (re)existência, que fortalece laços, mas que ocorre em meio a um contexto social marcado por desigualdades estruturais. Nesse contexto, as redes de apoio matrifocais são pilares de resistência. Desse modo, o estudo evidencia a necessidade de políticas públicas e práticas assistenciais interseccionais e antirracistas, que garantam suporte qualificado e considerem as barreiras específicas enfrentadas por essas mulheres, promovendo justiça reprodutiva e equidade no apoio ao aleitamento humano.
Financiamento: Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo, processos números 2022/08997-3 e 2025/20887-7
#100 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PADRÃO ALIMENTAR E DESFECHOS CLÍNICOS EM NEONATOS E LACTENTES HOSPITALIZADOS POR VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO
MAYARA CAROLINA CAÑEDO; HARIADNE BRANDÃO BARBOSA SILVA; ROSINEIA JESUS ARAÚJO; SILVANIA CORREA GAUNA; GLÊNIO ALVES DE FREITAS; THIAGO INÁCIO BARROS LOPES; MARIA APARECIDA MUNHOZ GAIVA
Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul; Hospital Regional de Mato Grosso do Sul; Universidade Federal de Uberlândia; Universidade Federal da Grande Dourados; Universidade Federal do Mato Grosso
Resumo
Introdução: O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal responsável por infecções de vias aéreas inferiores (IVAI) em neonatos e lactentes. O aleitamento materno, em especial o exclusivo é reconhecido como fator de proteção na infância, por conter componentes imunológicos capazes de modular a resposta inflamatória e contribuir para a redução da gravidade das IVAI.
Objetivos: Analisar o padrão alimentar de neonatos e lactentes hospitalizados por infecção pelo VSR e discutir sua relação com a gravidade clínica.
Metodologia: Trata-se de um estudo observacional analítico, baseado em dados secundários de prontuários eletrônicos de crianças de 0 a 24 meses internadas por VSR em um hospital de ensino de Mato Grosso do Sul, nos anos de 2023 e 2024. Foram incluídos pacientes com diagnóstico confirmado de VSR e excluídos aqueles com idade superior a 24 meses, diagnóstico inconclusivo ou dados incompletos, totalizando 241 pacientes. O tipo de alimentação na admissão foi classificado em aleitamento materno exclusivo, aleitamento materno misto, alimentação artificial e alimentação artificial complementada. As análises estatísticas foram realizadas pelo teste exato de Fisher, com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 7.414.462).
Resultados: Em 2023, verificou-se maior frequência de uso de fórmula infantil ou aleitamento materno misto entre pacientes que necessitaram de suportes ventilatórios de menor complexidade e apresentaram menor tempo médio de internação, sem que isso represente relação causal. Em 2024, apesar do aumento da prevalência do aleitamento materno exclusivo, observou-se maior necessidade de suporte ventilatório avançado e internações mais prolongadas. A menor idade dos pacientes nesse período pode ter influenciado tanto a maior prevalência do aleitamento materno exclusivo quanto a maior gravidade clínica observada.
Conclusão: Os achados indicam que o tipo de alimentação, isoladamente, não se associou de forma significativa à gravidade clínica dos lactentes hospitalizados por VSR. Apesar do efeito protetor reconhecido do leite materno, fatores como prematuridade e tenra idade parecem exercer maior influência sobre os desfechos clínicos, reforçando a natureza multifatorial da gravidade da infecção pelo VSR.
Financiamento: : Portaria interministerial MEC/MS Nº 1.224, de 03-10-2012, instituiu o Programa Nacional de Bolsas para Residências Multiprofissionais
#183 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
PAPEL DO ESPECIALISTA EM ALEITAMENTO MATERNO NA PROMOÇÃO DA AMAMENTAÇÃO EM RECÉM-NASCIDOS PREMATUROS: RELATO DE EXPERIÊNCIA NO MÉTODO CANGURU
DEBORTOLLI,ALB; VITTI.JS; BARBOSA.LS;; CHIARADIA.RG;; LANA.NSG;; PEICOTO-RANGEL.AL;; PASSOS.F;
São Leopoldo Mandic; UENF
Resumo
Objetivo da experiência: Relatar a atuação do profissional qualificado em aleitamento materno na promoção da amamentação de recém-nascido prematuro assistido pelo Método Canguru.
Contexto: O nascimento prematuro impõe desafios ao estabelecimento do aleitamento materno devido à imaturidade neurológica, à dificuldade de coordenação sucção-deglutição-respiração e ao tempo prolongado de internação. O Método Canguru configura-se como estratégia de cuidado neonatal humanizado, centrado na família, favorecendo contato pele a pele, estabilidade fisiológica e vínculo afetivo. A experiência ocorreu em unidade neonatal de hospital público que adota o Método Canguru como rotina assistencial.
Descrição da execução: Trata-se de relato de experiência realizado no segundo semestre de 2025, durante acompanhamento multiprofissional de um recém-nascido prematuro e sua mãe, nas diferentes etapas do Método Canguru. Participaram odontopediatra qualificado em aleitamento materno, equipe de enfermagem, médicos e a puérpera. As técnicas adotadas incluíram incentivo sistemático ao contato pele a pele, estímulo à sucção não nutritiva, avaliação das funções orais, orientação quanto ao posicionamento e à pega correta, além de suporte contínuo à transição para o aleitamento materno exclusivo. O profissional atuou de forma integrada, auxiliando no manejo das dificuldades iniciais, na organização da sucção e na orientação familiar, com acompanhamento diário durante a internação.
Resultados: Observou-se evolução progressiva da coordenação entre sucção, deglutição e respiração, melhora do desempenho oral e maior eficiência na transferência de leite. Houve aumento da produção láctea materna, fortalecimento do vínculo mãe-bebê e manutenção do aleitamento materno exclusivo até a alta. O Método Canguru contribuiu para estabilidade térmica e cardiorrespiratória, além de proporcionar experiência mais humanizada à família.
Considerações finais: A inserção do profissional qualificado na equipe multiprofissional potencializa os resultados do Método Canguru e fortalece a promoção do aleitamento materno em prematuros. A experiência evidencia a importância da formação específica e do cuidado centrado na família como estratégias essenciais para qualificar a assistência neonatal.
#212 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
PEQUENO PIRAQUARENSE: UMA ESTRATÉGIA DE ACESSO A SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL A GESTANTES E CRIANÇAS EM INTRODUÇÃO ALIMENTAR
JULIEANNE REID ARCAIN; FERNANDA DAHER SABATIN MACHADO; PAOLLA BOAZEGEVSKI VELHO; AULI CARDOSO; RAMONY FILIPPINI MARTINS; ANA CRISTINA MATIOSKI; SUNAMITA DA SILVA OLIVEIRA; TELMARA CARSTEN VIEIRA; SACHA TESTONI LANGE
Prefeitura Municipal de Piraquara - SMS; Prefeitura Municipal de Piraquara - SMAS
Resumo
O presente relato de experiência tem por objetivo apresentar um recorte do Programa Municipal Pequeno Piraquarense, iniciativa voltada à promoção de ações intersetoriais que garantam desfechos positivos na saúde materno infantil. Em Piraquara-PR, um dos principais desafios relacionados a este público refere-se à vulnerabilidade socioeconômica, conforme evidenciado pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos que ranqueia o município no “G-100”, grupo de municípios brasileiros com mais de 80 mil habitantes, baixa renda per capita e alta vulnerabilidade socioeconômica.
Diante deste cenário, associado a taxas elevadas de mortalidade infantil, em 2019 foi conduzido um estudo municipal para identificar as causas destes óbitos. Os resultados indicaram que a maioria dos óbitos ocorria no período neonatal, estando associada principalmente às condições de saúde durante o pré-natal e o momento do parto, além de fatores socioeconômicos desfavoráveis como as situações de insegurança alimentar e nutricional das gestantes.
Assim, foi criado o Programa Pequeno Piraquarense (PPP) cujas estratégias implementadas, buscaram a identificação da insegurança alimentar e nutricional das gestantes, através da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar e Nutricional, na abertura do pré-natal. Nos casos classificados como insegurança alimentar moderada ou grave, a gestante era encaminhada aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) para concessão de benefício eventual na modalidade auxílio alimentação até o terceiro mês pós-parto, mediante avaliação técnica socioassistencial, as gestantes são inseridas em acompanhamento familiar. Concomitantemente, outras ações foram implementadas para fortalecer a cobertura no atendimento, tais como: educações permanentes aos profissionais de saúde; garantia de transporte às gestantes e crianças de riscos intermediário e alto aos ambulatórios; auditorias diárias em prontuários das gestantes e o fornecimento de kit maternidade (com bolsa maternidade, edredom, materiais de higiene, cueiro, entre outros), conforme adesão às consultas de pré-natal e pós-parto.
Como contrapartida, estabeleciam-se condicionalidades como a adesão às consultas de pré-natal, o calendário vacinal atualizado e a participação em grupos educacionais (nas UBS e nos CRAS), promovendo orientações para o cuidado do recém-nascido.
#200 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
PERCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE SOBRE O CONCEITO DE AUTOSSUFICIÊNCIA DOS BANCOS DE LEITE HUMANO
FERNANDA PARANHOS QUINTA; SONIA ISOYAMA VENANCIO
Universidade de São Paulo; Ministério da Saúde
Resumo
Introdução: Alcançar a autossuficiência deve ser um dos desfechos almejados pelos Bancos de Leite Humano (BLH) para garantir o direito à alimentação adequada dos recém-nascidos internados em unidades neonatais. Em 2024, o Ministério da Saúde estabeleceu que BLH autossuficientes seriam aqueles capazes de atender a pelo menos 80% das prescrições de leite humano destinadas a recém-nascidos prematuros e/ou de baixo peso, internados em unidades neonatais. Há pouca discussão na literatura, porém, sobre a definição de autossuficiência de BLH.
Objetivos: Descrever as percepções de profissionais de saúde sobre o conceito de autossuficiência de BLH.
Metodologia: Entrevistas semiestruturadas foram realizadas com coordenadores de Centros de Referência da Rede Paulista, trabalhadores de BLH e Postos de Coleta de Leite Humano, sendo posteriormente transcritas, revisadas e submetidas a um método de análise rápida. O material foi codificado e organizado em categorias, em um processo indutivo.
Resultados: Foram identificados pontos de vista diferentes, com consonâncias importantes. As categorias encontradas foram: autossuficiência é não ter que priorizar receptores; é atender a unidade de terapia intensiva neonatal ou os bebês mais graves; é ter estoque de leite (ou doações contínuas) ao longo do ano todo; é abastecer todas as unidades neonatais (inclusive unidade de cuidados intermediários neonatais e alojamento conjunto); é atender com leite humano 100% das prescrições, baseadas nas condições da díade mãe-bebê (até a alta); é ofertar assistência suficiente e adequada ao binômio mãe-filho; é apoiar as nutrizes no retorno ao trabalho. Duas observações identificadas nas falas se referem às prescrições, as quais estão relacionadas à definição de autossuficiência: 1. atender uma prescrição não significa necessariamente atender o volume total da prescrição; 2. prescrições também se baseiam na suficiência de estoque de leite humano, levando os profissionais médicos a prescreverem fórmula quando o bebê não está mais grave ou já ingere mais que 30 mL por refeição ou, ainda, quando falta leite humano para suprir mesmo os receptores prioritários.
Conclusões: A definição de autossuficiência dos BLH ainda não apresenta consenso entre profissionais de atuação na área, carecendo de uma reflexão mais aprofundada para melhor orientar os serviços.
#74 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
PERCEPÇÕES DE GESTANTES SOBRE AS CONSULTAS DE PRÉ-NATAL NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO HUMANO
BEATRIZ CAROLINE DE ARRUDA ANDRADE; REBECA ALMEIDA CORREA DE BARROS; JAMILE CLARO DE CASTRO BUSSADORI; LETICIA ALEXANDRIN GIÁCOMO; BEATRIZ GUIMARÃES SILVA; MARIA GABRIELA DA SILVA COSTA; NATÁLIA SEVILHA STOFEL
UFSCar
Resumo
Introdução: A amamentação oferece benefícios significativos para a pessoa que amamenta e para lactentes. O leite humano supre necessidades nutricionais, favorece o desenvolvimento saudável, fortalece o sistema imunológico e protege contra infecções. Para quem amamenta, contribui para a recuperação pós-parto, reduz o risco de hemorragias, diabetes mellitus tipo 2 e neoplasias. O pré-natal é uma estratégia relevante para consolidar a prática do aleitamento e promover seus benefícios para a saúde do binômio. Nesse contexto, os profissionais de saúde que realizam essas consultas exercem papel central ao orientar, esclarecer dúvidas e incentivar a amamentação, contribuindo para seu sucesso.
Objetivo: Descrever as percepções das gestantes sobre consultas de pré-natal voltadas à promoção do aleitamento.
Metodologia: Pesquisa qualitativa, exploratória, realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com oito gestantes, entre junho e agosto de 2024, após consultas de pré-natal direcionadas à promoção do aleitamento. Utilizou-se amostragem por saturação, e os dados foram analisados por meio de análise temática.
Resultados: Emergiram quatro categorias:1) Desmistificação e aprendizado, com esclarecimento de crenças equivocadas e fortalecimento do conhecimento, destacando o saber prévio e o aprendizado adquirido durante a consulta, a desmistificação de conceitos populares e abordagem de temas como aleitamento exclusivo, pega e posicionamento, prevenção fissuras e dor, livre demanda, além de técnicas práticas como massagem e ordenha de alívio; 2) Aumento da confiança, relacionado ao maior preparo para enfrentar os desafios da amamentação, evidenciado pelo sentimento de segurança decorrente da valorização das informações e do apoio recebido; 3) Satisfação com a consulta, percebida como útil e informativa, com destaque para a relevância do apoio educativo e a sugestão de ampliar as ações por meio de vídeos educativos em plataformas digitais; 4) Apoio contínuo, expresso pelo desejo de suporte adicional no pós-parto, ressaltando a importância de orientações para enfrentar desafios do puerpério.
Conclusão: Os achados indicam que o acompanhamento da promoção do aleitamento no pré-natal favorece a construção de saberes, amplia a confiança da mulher e evidencia a necessidade de apoio contínuo no pós-parto para o êxito da amamentação.
Financiamento: FAPESP
#15 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PERCEPÇÕES DE GESTANTES SOBRE AS CONSULTAS DE PRÉ-NATAL NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO
NATÁLIA SEVILHA STOFEL; REBECA ALMEIDA CORREA DE BARROS; JAMILE CLARO DE CASTRO BUSSADORI; LETÍCIA ALEXANDRIN GIÁCOMO; BEATRIZ GUIMARÃES SILVA
UFSCar; HC-USP; UNESP; PPGEnf-UFSCar
Resumo
Introdução: reconhecida como uma intervenção eficaz e de baixo custo, a promoção da amamentação é uma intervenção fundamental na saúde pública. Essa prática deve ser incentivada desde o pré-natal, com continuidade no parto, pós-parto e nas consultas puerperais e de puericultura.
Objetivo: descrever as percepções das gestantes sobre consultas de promoção à amamentação durante o pré-natal.
Metodologia: pesquisa qualitativa, exploratória, com entrevistas semiestruturadas realizadas com gestantes maiores de 18 anos, após consultas de amamentação no pré-natal ofertada por um projeto de extensão universitária. Foi utilizada técnica de amostragem por saturação, para se determinar o fim das entrevistas. As entrevistas foram realizadas, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, entre junho e agosto de 2024, transcritas e analisadas com Análise Temática.
Resultados: foram entrevistadas oito gestantes e quatro categorias foram identificadas: 1) Desmistificação e aprendizado, que permitiu esclarecer crenças errôneas sobre a amamentação e fortalecer o conhecimento das gestantes. 2) Aumento da confiança, com relatos de maior autoconfiança para enfrentar os desafios da amamentação; 3) Satisfação com a consulta, em que as gestantes consideraram as consultas úteis e informativas, melhorando o preparo para a amamentação; 4) Apoio contínuo, com o desejo de suporte adicional após o parto, evidenciando a importância de um acompanhamento constante.
Conclusão: a pesquisa evidenciou a importância do acompanhamento contínuo da amamentação desde o pré-natal, com ênfase nas orientações recebidas, no aumento da confiança e na necessidade de apoio pós-parto para o sucesso da amamentação. Reforça-se a importância de integrar, de forma estruturada, o apoio à amamentação no pré-natal e nas unidades de saúde, com foco na orientação contínua e capacitação de profissionais.
Financiamento: FAPESP - processo: 2023/08575-4
#138 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
PERFIL DEMOGRÁFICO DE BEBÊS SUBMETIDOS À FRENOTOMIA EM CONSULTÓRIO PARTICULAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA (2018-2025)
RITA DE CASSIA BUENO LOPES CALCIOLARI; ANDREA PENHA SPINOLA FERNANDES; HELOISA DE OLIVEIRA; JOÃO PEDRO LOPES CALCIOLARI; MARCIO JOSÉ DA SILVA MOREIRA
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; Universidade Cidade de São Paulo; Faculdade Inspirar; Universidade Federal Fluminense
Resumo
Introdução: O frênulo da língua é uma estrutura que tem como função modular e direcionar a movimentação da língua de forma harmônica. A alteração do frênulo lingual pode acarretar consequências como: desmame precoce; boca entreaberta e língua baixa; possíveis alterações das funções de mastigação, deglutição e produção de sons da fala. A amamentação é uma das alterações mais encontradas em estudos sobre alteração do frênulo lingual e suas consequências. O diagnóstico precoce e a cirurgia sendo realizada no momento oportuno, podem minimizar essas alterações oromiofuncionais, sendo a forma mais eficaz e segura em bebês. A triagem do frênulo lingual fez parte do protocolo padrão para todos os recém-nascidos a termo e lactentes deste estudo. O fonoaudiólogo foi o profissional responsável pela triagem, assim como pelas orientações e encaminhamentos necessários, seja para os casos duvidosos e reteste, ou a indicação da intervenção cirúrgica nos casos de anquiloglossia moderada e completa que apresentam alterações no desempenho da sucção, ocasionando impacto negativo no seguimento da amamentação.
Objetivo: Identificar o perfil demográfico dos bebês que realizaram frenotomia em consultório particular, após teste da linguinha alterado em maternidade.
Relato de experiência: Foram analisados 204 bebês encaminhados para frenotomia por apresentarem dificuldades na amamentação, no período de 2018 a 2025, em consultório particular no município de São Paulo, Brasil. A amostra apresentou 122 indivíduos do gênero masculino e 82 do gênero feminino. Quanto à faixa etária, 182 eram recém-nascidos e lactentes entre 0 e 3 meses, 18 lactentes entre 4 e 6 meses e 4 entre 7 e 9 meses.
Resultados: A pesquisa apontou que os procedimentos da frenotomia foram realizados em maior número no gênero masculino, corroborando com o já descrito na literatura. Também pudemos observar que, o predomínio da intervenção cirúrgica ocorreu no primeiro trimestre pós nascimento, estando de acordo com o objetivo do teste da linguinha, que é triar e encaminhar para acompanhamento e se necessário, a intervenção para liberação do frênulo lingual alterado pela intervenção cirúrgica.
Conclusão: O diagnóstico e a intervenção no momento oportuno são ações cruciais para a condução eficiente da díade mãe-bebê, prevenindo o desmame precoce e minimizando prejuízos ao desenvolvimento das funções estomatognáticas.
#218 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
PERFIL DO CONSUMO ALIMENTAR E DO ESTADO NUTRICIONAL DA POPULAÇÃO DE CRIANÇAS MENORES DE 2 ANOS NO ESTADO DO PARANÁ
VIVIANE BOGASZ DE MELO; CRISTINA KLOBUKOSKI
Secretaria de Estado da Saúde do Paraná
Resumo
Introdução: A Vigilância Alimentar e Nutricional, diretriz da Política Nacional de Alimentação e Nutrição, é fundamental para a organização da atenção nutricional na Rede de Atenção Primária à Saúde, monitorando o estado nutricional e consumo alimentar na infância.
Objetivo: Apresentar o perfil alimentar e nutricional de crianças menores de 2 anos no Paraná.
Metodologia: Pesquisa exploratória, descritiva, com abordagem quantitativa, com dados secundários dos relatórios públicos de consumo alimentar e estado nutricional do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, referentes a crianças menores de 2 anos, Paraná, 2025.
Resultados: Em 2025, 191.836 crianças menores de 2 anos tiveram o estado nutricional avaliado, correspondendo a uma cobertura populacional de 64,6%. A prevalência de desnutrição foi de 3,6% e de excesso de peso de 12,9%, incluindo 4,4% de obesidade. Entre 0 a 6 meses, a desnutrição atingiu 4,8%, e entre 6 a 24 meses, 3,1%. O sobrepeso e a obesidade foram, respectivamente, de 4,5% e 1,9% nas crianças de 0 a 6 meses, e de 10,2% e 5,5% entre 6 a 23 meses. Quanto ao consumo alimentar, 32.226 crianças (10,9% da população nessa faixa etária) tiveram marcadores avaliados. O aleitamento materno exclusivo em menores de 6 meses foi de 57%, e o aleitamento materno continuado (6 e 23 meses) de 52%. A introdução alimentar (consumo de 2 frutas e 1 comida de sal dos 6 meses a 6 meses e 29 dias, e de 2 frutas e 2 comidas de sal dos 7 meses a 8 meses e 29 dias) foi adequada em 45%. A diversidade alimentar mínima foi observada em 72% e a frequência mínima e consistência adequada em 86%. O consumo de alimentos ricos em ferro e vitamina A foi de 16% e 69%, respectivamente. Observou-se o consumo de biscoito recheado, doces ou guloseimas (27%), bebidas adoçadas (26%), macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote ou biscoitos salgados (23%) e hambúrgueres e/ou embutidos (14%). A prevalência do consumo de ultraprocessados foi de 42%.
Conclusão: Evidenciam-se elevadas prevalências de excesso de peso, associadas a inadequação do consumo alimentar, incluindo baixa prevalência de aleitamento materno, insuficiente consumo de alimentos fontes de ferro, introdução alimentar inadequada e elevada ingestão de bebidas adoçadas e ultraprocessados. Os achados apontam desafios relevantes para a alimentação infantil e subsidiam o planejamento de estratégias em saúde pública.
#61 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PIT STOP DA AMAMENTAÇÃO COMO AÇÃO EDUCATIVA PARA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO
PRISCILLA SHIRLEY SINIAK DOS ANJOS MODES; ALICE MILANI NESPOLLO; DANIELE MAGALHÃES DE MEDEIROS
Universidade Federal de Mato Grosso
Resumo
O aleitamento materno constitui uma prática essencial para a promoção da saúde materno-infantil, ao oferecer benefícios nutricionais, imunológicos e psicossociais ao binômio mãe-filho, além de contribuir para a redução de agravos à saúde da mulher no período puerperal. Nesse contexto, ações de educação em saúde que envolvam profissionais, familiares e a comunidade mostram-se estratégicas para o fortalecimento da cultura do aleitamento materno. O estudo tem como objetivo relatar a experiência de uma ação educativa em saúde voltada à sensibilização e promoção do aleitamento materno junto à comunidade sinopense, por meio da realização do Pit Stop da Amamentação. Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência, desenvolvido em um Hospital Regional do município de Sinop, Mato Grosso, durante o mês de agosto de 2024, em alusão à campanha do Agosto Dourado. A ação foi realizada em parceria entre o projeto de extensão Ninho do Cuidado, da Universidade Federal de Mato Grosso, a equipe multiprofissional hospitalar e a Guarda Municipal. A atividade consistiu em uma mobilização comunitária nas proximidades do hospital, caracterizada como Pit Stop da Amamentação, com abordagem de veículos, uso de materiais visuais e distribuição de panfletos informativos e sementes de ipê-amarelo, acompanhadas de orientações sobre os benefícios do aleitamento materno e a importância do apoio à amamentação. Aproximadamente 200 materiais educativos foram distribuídos. A ação foi finalizada com o plantio simbólico de um ipê-amarelo nas dependências do hospital, simbolizando o compromisso institucional com a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Como resultados, observou-se maior sensibilização da comunidade e o fortalecimento do protagonismo dos profissionais de saúde enquanto agentes educadores. Conclui-se que ações educativas intersetoriais, como o Pit Stop da Amamentação, configuram estratégias eficazes de educação em saúde, contribuindo para a ampliação da promoção do aleitamento materno e o cuidado integral materno-infantil.
#178 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
POLÍTICAS CORPORATIVAS DE APOIO À AMAMENTAÇÃO: IMPACTOS DO PROGRAMA EMPRESA CIDADÃ NA PROMOÇÃO DA SAÚDE MATERNO-INFANTIL
MEDEIROS, SAYONARA M.F.;; SANTOS, ELIENAI R.;
Lactare Banco de leite humano
Resumo
Introdução: O aleitamento materno é uma estratégia fundamental para a promoção da saúde materno-infantil, com impacto direto na redução da morbimortalidade neonatal. Apesar dos avanços das políticas públicas brasileiras, como a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, persistem fatores que limitam a manutenção do aleitamento e a doação de leite humano, destacando-se o retorno precoce ao trabalho, a insuficiência de apoio institucional e a ausência de políticas laborais favoráveis às nutrizes. Nesse contexto, as políticas corporativas de apoio à amamentação, especialmente o Programa Empresa Cidadã, assumem papel estratégico na efetivação das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.
Objetivo: Analisar o impacto das políticas corporativas de apoio à amamentação, com ênfase no Programa Empresa Cidadã, na promoção da saúde materno-infantil, considerando as ações de apoio às gestantes e nutrizes no ambiente de trabalho.
Metodologia: Estudo descritivo e reflexivo, fundamentado na análise de políticas públicas e corporativas de apoio ao aleitamento materno, tendo como referência evidências científicas sobre fatores limitantes da amamentação e da doação de leite humano no Brasil, conforme revisão sistemática da literatura.
Resultados e discussão: A literatura evidencia que o retorno precoce ao trabalho e a falta de apoio institucional figuram entre os principais fatores associados ao desmame precoce. O Programa Empresa Cidadã, ao ampliar a licença-maternidade e paternidade, contribui para a manutenção do aleitamento materno exclusivo, o fortalecimento do vínculo familiar e a promoção da saúde da criança. Além disso, ações corporativas como flexibilização da jornada, pausas para amamentação ou ordenha, oferta de espaços adequados para lactação e incentivo à participação do parceiro reduzem barreiras estruturais e psicossociais enfrentadas pelas mulheres trabalhadoras. Essas estratégias fortalecem a integração entre políticas públicas de saúde e políticas corporativas, ampliando o alcance das ações do Sistema Único de Saúde e da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano.
Conclusão: As políticas corporativas de apoio à amamentação, constituem importante instrumento de promoção, proteção e apoio ao aleitamento. Ao favorecer condições adequadas para gestantes e nutrizes no ambiente de trabalho melhores desfechos e continuidade na amamentação estendida.
#79 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
PONTO DE AFETO: SALA DE APOIO À AMAMENTAÇÃO ÀS MULHERES TRABALHADORAS DA COORDENADORIA DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO
MÔNICA CORDEIRO NOGUEIRA DA CRUZ (CRUZ MCN); GIOVANNA LUISI SERRA (SERRA GL); KÁTIA IARED SEBASTIÃO ROMANELLI (ROMANELLI KIS); LARISSA SANTOS DAS NEVES (NEVES LS); VALÉRIA ROMA DE FREITAS (FREITAS VR); VIVIANE FERRI ROSS PERUCHA (PERUCHA VFR)
Coordenadoria de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME/CODAE)
Resumo
Em 2023, a Prefeitura de São Paulo criou o Programa Pontos de Afeto, pela Secretaria Municipal de Gestão, para apoiar servidoras na manutenção da lactação após a licença maternidade. Atualmente há 9 Pontos de Afeto em instalações públicas da cidade, constituídos por salas padronizadas, privativas e equipadas para extração e armazenamento de leite materno no horário de trabalho. O Grupo de Trabalho de Aleitamento Materno da Coordenadoria de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação (GT AM/SME/CODAE) identificou a necessidade de implantação de um Ponto de Afeto em suas dependências, considerando a presença de 135 servidoras em idade fértil. A sala de apoio à amamentação foi inaugurada em setembro de 2024 e disponibilizada às servidoras e outras mulheres do prédio, após adequação de espaço com poltrona, freezer com termômetro, bomba extratora elétrica, esterilizador elétrico, cabideiro, espelho, pia para higienização de utensílios e armário. Após 5 meses, foi incluída uma segunda cadeira para permitir o uso simultâneo por duas lactantes. Nos primeiros 16 meses, a sala foi utilizada por 12 mulheres entre 29 e 43 anos, com bebês de 5 a 10 meses no início do uso. Destas, 58% eram funcionárias da SME/CODAE e 42% de outros órgãos do mesmo edifício. Até dezembro de 2025, o uso variou de 2 a 8 lactantes/mês; 83% frequentaram a sala diariamente e o tempo de utilização variou de 2 a 12 meses. Entre as sete usuárias que finalizaram o uso, 43% permaneceram por 11 meses. Entre junho e dezembro de 2025, o volume extraído registrado anonimamente totalizou 43,1 litros de leite materno. Além da disponibilização do espaço físico, outras ações foram realizadas como roda de conversa sobre amamentação com gestantes e lactantes, elaboração de infográficos mensais e acompanhamento das lactantes. Em pesquisa de satisfação com oito usuárias, todas relataram estar muito satisfeitas quanto ao conforto, privacidade, mobiliário e equipamentos. Entre as lactantes que encerraram o uso da sala, quatro interromperam a extração durante o expediente mantendo a amamentação, e uma mudou o local de trabalho. Com relação aos benefícios da sala, 80% tiveram a percepção de que a sala contribuiu para prolongar o aleitamento materno. A sala de apoio à amamentação na SME/CODAE promove a saúde da servidora e de seu filho, além de fortalecer a cultura da amamentação no ambiente de trabalho.
#221 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
PRÁTICA EDUCATIVA SOBRE INTRODUÇÃO ALIMENTAR NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA COM FAMÍLIAS DE LACTENTES
MARIA CÂNDIDA DIAS DE FRANÇA CAVALCANTI DE MORAES; ALINE SHEILLA CABRAL SILVA NASCIMENTO; ANA KAROLINE DE LIMA; ERIKA RODRIGUES MACIEL; THAIS MONARA BEZERRA RAMOS; ROSICLEIDE DA SILVA
Secretaria Municipal de Saúde de Macaparana/PE
Resumo
Introdução: A introdução alimentar adequada constitui etapa fundamental para o crescimento e desenvolvimento infantil, devendo ocorrer de forma oportuna, segura e nutricionalmente equilibrada. A Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e, a partir desse período, a introdução de alimentos complementares adequados e seguros. Práticas alimentares inadequadas nessa fase estão associadas a maior risco de deficiências nutricionais, excesso de peso, alergias alimentares e doenças crônicas futuras.
Objetivo: Descrever a experiência de uma atividade educativa sobre introdução alimentar realizada para famílias com crianças entre 4 e 7 meses de idade, em uma Unidade Básica de Saúde.
Métodos: Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa e descritiva, realizado no âmbito da APS. A atividade consistiu em um encontro presencial, destinado a familiares de crianças entre 4 e 7 meses. Utilizou-se metodologia participativa e com exposição dialogada. Foram discutidos aspectos como sinais de prontidão para início da alimentação complementar, consistência adequada dos alimentos, prevenção de engasgos, higiene no preparo e armazenamento, além da importância da oferta de alimentos in natura e minimamente processados. Participaram como facilitadoras uma nutricionista da equipe multidisciplinar e uma Agente Comunitária de Saúde.
Resultados: Foram realizadas orientações aos familiares sobre práticas seguras e saudáveis na introdução alimentar. Desenvolveram-se dinâmicas sobre mitos e verdades, favorecendo a desconstrução de crenças relacionadas à oferta precoce de alimentos ultraprocessados e à substituição do leite materno. Houve demonstração prática de como os alimentos devem ser preparados, cortados, oferecidos e armazenados, reforçando medidas de segurança alimentar. Observou-se participação ativa das famílias, esclarecimento de dúvidas e maior segurança relatada pelos cuidadores quanto à condução da alimentação complementar.
Considerações finais: A boa nutrição nos primeiros anos de vida está diretamente relacionada ao crescimento saudável, ao desenvolvimento neuropsicomotor adequado e à prevenção de agravos futuros. Atividades educativas coletivas na APS são estratégias eficazes para qualificação do cuidado, fortalecimento do vínculo com as famílias e promoção de práticas alimentares adequadas.
#141 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
PRÁTICAS CLÍNICO-ASSISTENCIAIS DA MEDICINA NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO: EVOLUÇÃO DOS PARADIGMAS E IMPACTOS NA SAÚDE INFANTIL NOS ÚLTIMOS 20 ANOS
LAYLA SANTANA CORRÊA DA SILVA; MAYARA CAROLINA CAÑEDO
UEMS
Resumo
Introdução: O aleitamento materno constitui uma das intervenções clínicas mais eficazes e custo-efetivas para a promoção da saúde materno-infantil. Nas últimas duas décadas, avanços científicos ampliaram a compreensão de seus benefícios imunológicos, metabólicos, cognitivos e na prevenção de doenças crônicas na infância, promovendo mudanças nos paradigmas assistenciais e reforçando o papel da medicina na promoção, proteção e manejo clínico da amamentação.
Objetivos: Analisar as práticas clínico-assistenciais da medicina na promoção do aleitamento materno e discutir a evolução dos paradigmas relacionados aos seus benefícios para a saúde infantil, à luz das evidências científicas dos últimos 20 anos.
Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, orientada pela pergunta norteadora: Quais evidências científicas sustentam as práticas médicas na promoção do aleitamento materno e seus impactos na saúde infantil nos últimos 20 anos? .A busca foi realizada em janeiro de 2026 nas bases BDENF e SciELO, utilizando descritores controlados combinados pelo operador booleano AND. Foram incluídos estudos publicados entre 2005 e 2025, em língua portuguesa, disponíveis na íntegra, que abordassem a atuação médica no pré-natal, parto e puerpério e seus efeitos na saúde da criança. Os estudos selecionados foram organizados em matriz de síntese contendo autor/ano, objetivo, metodologia, principais resultados, conclusões e nível de evidência.
Resultados: Os estudos evidenciam que a atuação médica exerce papel central na promoção do aleitamento materno por meio de orientações no pré-natal, incentivo ao contato pele a pele, apoio à amamentação na primeira hora de vida e manejo de intercorrências lactacionais. Observa-se, ao longo dos últimos 20 anos, mudança de paradigma assistencial, com ampliação do reconhecimento dos benefícios do aleitamento materno para a infância, incluindo redução de infecções, hospitalizações, obesidade e diabetes. Persistem desafios relacionados à formação médica, comunicação com puérperas, influência sociocultural e limitações estruturais dos serviços de saúde.
Conclusões: A medicina exerce papel central na consolidação do aleitamento materno como prática assistencial prioritária. O fortalecimento da formação médica baseada em evidências e da atuação em equipe é essencial para ampliar os benefícios do aleitamento.
#188 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PREVALÊNCIA DA INSEGURANÇA ALIMENTAR EM DOMICÍLIOS COM CRIANÇAS MENORES DE 2 ANOS: ANÁLISE DAS DESIGUALDADES REGIONAIS NO BRASIL
CABRAL, JULIA MAGALHÃES; SILVA, LETÍCIA RAMOS DA.; SANTOS, MARIANA VILARDO MOTA DOS.; RIBEIRO, ELOAH COSTA DE SANT ANNA.; FERREIRA, YVE; LIGNANI, JULIANA DE BEM-.; FERREIRA, ALINE ALVES.
PPGN/ UFRJ; UFRJ/ INJC; UERJ/ INU
Resumo
Introdução: O período de 2 anos de idade caracteriza-se pelo intenso crescimento e desenvolvimento, aumentando vulnerabilidade a condições adversas, inclusive a Insegurança Alimentar, definida pelo acesso irregular a alimentos em quantidade e qualidade suficientes. Mesmo transcorridas várias décadas, as macrorregiões continuam como variáveis com associações a IA, refletindo desigualdades estruturais.
Objetivo: Analisar a prevalência de Insegurança Alimentar em famílias que possuem crianças (0-2 anos), segundo a macrorregião.
Metodologia: Estudo transversal utilizando microdados secundários da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) de 2024. A insegurança alimentar (IA) foi avaliada pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, classificando os domicílios em segurança alimentar (SA), IA leve (IAL), IA moderada (IAM) e IA grave (IAG). Prevalências e intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram calculados no Stata 16.0, considerando o desenho amostral e a ponderação. O estudo dispensa CEP/CONEP.
Resultados: Dos 174,699 domicílios analisados, 13,824 (7,91%) tinham pelo menos uma criança menor de 2 anos, sendo 32,4% em algum grau de IA. Considerando a distribuição segundo as macrorregiões, a maior prevalência de SA foi registrada no Sul (82,85%; IC95%: 81,25–84,33). A IAL foi mais frequente no Norte (30,95%; IC95%: 28,82–33,17) e Nordeste (29,82%; IC95%: 28,58–31,10). As formas mais graves de IA, IAM e IAG, concentraram-se também principalmente no Norte (8,48%; IC95%: 7,39–9,70 e 6,11%; IC95%: 5,16–7,22, respectivamente) e no Nordeste (7,28%; IC95%: 6,63–7,99 e 3,82%; IC95%: 3,36–4,34), e com menor prevalência no Sul (2,23%; IC95%: 1,77–2,82 e 1,59%; IC95%: 1,17–2,15).
Conclusão: Os resultados evidenciam importantes variações regionais, com elevadas prevalências de IA nos domicílios com crianças e concentradas nas regiões Norte e Nordeste, inclusive na sua forma mais grave, a fome. A ausência de acesso regular a alimentos nessa fase crítica da vida pode comprometer o crescimento, desenvolvimento e estado de saúde infantil, com repercussões ao longo da vida. Diante desse contexto, reforça-se a necessidade de desenvolvimento e fortalecimento de políticas públicas e ações intersetoriais visando garantir o acesso regular à alimentação, considerando as especificidades de cada região.
#168 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PREVALÊNCIA DE ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO NO BRASIL, NA REGIÃO CENTRO-OESTE E EM MATO GROSSO DO SUL: UMA ANÁLISE DE TENDÊNCIA TEMPORAL
JULIA CHAGAS MELO; LUISA CAETANO DE ANDRADE; RITA DE CÁSSIA BERTOLO MARTINS; EMILIA ALONSO BALTHAZAR; NAIARA FERRAZ MOREIRA
UFGD; UNESP
Resumo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o Aleitamento Materno Exclusivo (AME) como a prática em que a criança recebe exclusivamente leite materno, sendo recomendado que seja mantida por, no mínimo, seis meses. No contexto das metas globais de saúde infantil, a OMS estabeleceu como objetivo que, até 2030, ao menos 70% das crianças menores de seis meses estejam em aleitamento materno exclusivo.
Objetivo: Esta pesquisa teve como objetivo analisar a tendência temporal da prevalência do AME no Brasil, Centro-Oeste (CO) e Mato Grosso do Sul em um período de 6 anos.
Metodologia: Trata-se de um estudo ecológico de série temporal da prevalência do AME em crianças menores de seis meses, utilizando dados secundários do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) referentes aos anos de 2019 a 2024. Utilizou-se análise de regressão linear simples conduzida no Programa estatístico SPSS (v. 22).
Resultados: Nos anos de 2019 e 2024, as prevalências de AME evoluíram de 58% a 63% no MS, de 53% a 62% no CO e de 53% a 57% no Brasil. Ao considerar os seis anos da série temporal, notou-se que houve aumento significativo de 1,7 pontos percentuais ao ano apenas no CO (p=0,03), sendo que as variações temporais no MS e Brasil não foram significativas.
Conclusão: Nota-se evolução do AME na Região Centro-Oeste, contrastando com a estabilidade no âmbito estadual e nacional. Os resultados apontam para a necessidade de fortalecimento e maior uniformidade das ações voltadas à saúde materno-infantil para que o país atinja a meta almejada pela OMS, para 2030. Contudo, ressalta-se que a cobertura dos registros de consumo alimentar no SISVAN é baixa, sendo necessário ampliar sua utilização para o monitoramento contínuo e para subsidiar políticas públicas de promoção do aleitamento materno.
#169 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO DURANTE A INTERNAÇÃO DE PUÉRPERAS DE UMA MATERNIDADE DE DOURADOS - MS
JULIA CHAGAS; GABRIELLA MACHADO DE SOUZA; MARIA ANTONIA BALTAZAR MEDEIROS; AMANDA JORGE DE SOUZA STEFANELLO; EMILIA ALONSO BALTHAZAR; RITA DE CÁSSIA DORÁCIO MENDES
UFGD; USP; HU-UFGD/Ebserh; UNIGRAN
Resumo
O aleitamento materno exerce papel essencial sobre o desenvolvimento fisiológico desejado e qualidade de vida do bebê. Tendo em vista o impacto positivo ao longo prazo da amamentação, o manejo durante o período de internação na maternidade age como fator para a continuidade e prevalência do aleitamento materno após a alta. Esta pesquisa teve como objetivo, descrever a prevalência do aleitamento materno durante a internação de puérperas em uma maternidade de Dourados – MS. Trata-se de uma pesquisa quantitativa do tipo descritivo observacional aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 6.761.864). Foi realizada busca pelas participantes no histórico dos censos dos setores da maternidade correspondentes aos meses de interesse. As puérperas e seus lactentes que se enquadraram nos critérios de elegibilidade foram contactadas via aplicativo Whatsapp ou ligação, para elucidação sobre o objetivo do estudo. Em caso de aceite, a participante era convidada a ler e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A coleta foi realizada via formulário digital de estruturação própria, para preenchimento subjetivo das informações direcionadas por perguntas simples. No período de coleta foram captadas 710 puérperas e seus recém nascidos, das quais 85 foram excluídas por não possuírem contato pessoal cadastrado, chegando ao total de 625 puérperas que foram contatadas. Participaram da pesquisa 121 puérperas destas 85,12% (n=103) relataram que os recém-nascidos amamentaram na primeira hora de vida, 95,04% (n=115) que os filhos amamentaram durante a internação e 19% (n=23) relataram que receberam fórmula infantil durante a internação. Em conclusão, a orientação e o apoio hospitalar e a amamentação na primeira hora de vida, se mostraram fundamentais para a prática da amamentação, corroborando a importância de intervenções estruturadas para promover a saúde materno-infantil.
#92 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO EM MULHERES USUÁRIAS DO DIU
VIRGÍNIA JUNQUEIRA OLIVEIRA; AMANDA BUENO DE OLIVEIRA; VANIA APARECIDA DA COSTA OLIVEIRA; ISTRILITAS SOARES MADEIRA; BIANCA SILVA FERREIRA; ANA LIGIA BARBOSA PAIXÃO
UFSJ
Resumo
Introdução: Sabe-se que o Dispositivo intrauterino DIU, tanto o de cobre quanto o hormonal com levonogestrel, pode ser utilizado com segurança por mulheres que estão amamentando, sem afetar a produção ou qualidade do leite materno, mas sua oferta no puerpério é restrita, sendo utilizado por apenas 5% das mulheres
Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo, com o objetivo de analisar a prevalência do aleitamento materno em mulheres que optaram por um método contraceptivo de longa duração. Utilizou-se como fonte de dados secundários os prontuários do ambulatório de saúde da mulher de um município do Centro Oeste Mineiro. As participantes foram mães e nutrizes com idade entre 19 e 46 anos, usuárias do DIU.
Resultados: Caracterizando o perfil das mulheres pode-se constatar que 57% se autodeclararam brancas e 43% pretas ou pardas. No que se refere à escolaridade apenas 17,3% estão cursando ou concluíram o ensino superior. No que tange à presença do companheiro 63,6% das mulheres são casadas ou residem com o pai da criança. A via de parto predominante foi a vaginal 56,8% e o número de partos cesáreas foi menor que a média nacional correspondendo a 43,2%. A prevalência do aleitamento materno por mais de 6 meses foi de 56,1 % em mulheres usuárias do DIU, sendo de 43,9 % a prática de desmame precoce.
Discussão: Os resultados enfatizam que as mães ou nutrizes que optaram por um método contraceptivo de longa duração obtiveram uma taxa de aleitamento materno superior a média de aleitamento materno exclusivo no Brasil que prevalece em torno de 45,8% para crianças menores de 6 meses.
Conclusões: Considera-se que a oferta de métodos contraceptivos no puerpério ainda é centrada em métodos de curta duração como a pílula e a camisinha, sendo necessário disponibilizar métodos de longa duração como o DIU, o qual poderá contribuir para o aumento nas taxas de aleitamento materno exclusivo.
Financiamento: Projeto de extensão Mulheres com sua saúde sexual e reprodutiva garantida com equidade no SUS Financiamento interno (programa institucional de bolsas de extensão da ufsj - pibex 2025)
#135 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PREVALÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DE ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO EM MOÇAMBIQUE
GABRIELLA MACHADO DE SOUZA; MARLY AUGUSTO CARDOSO
Faculdade de Saúde Pública/USP
Resumo
Introdução: A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a amamentação exclusiva (AME) até os seis meses de idade; contudo, as taxas globais permanecem abaixo do ideal e apresentam variações importantes segundo contextos socioeconômicos e culturais. Os avanços nos indicadores de saúde materno-infantil têm ocorrido de maneira heterogênea entre países e regiões de distintos níveis de renda, sendo influenciados por políticas públicas, infraestrutura dos sistemas de saúde e fatores socioculturais.
Objetivo: Examinar a prevalência e distribuição regional do AME em crianças de 0 a 5 meses em Moçambique, com base nos dados do Inquérito Demográfico e de Saúde de Moçambique 2022–2023 (IDSM 2022–2023).
Metodologia: Estudo transversal de base populacional, com amostra probabilística por província e áreas rural e urbana. A coleta de dados seguiu a metodologia padronizada do Programa de Inquéritos Demográficos e de Saúde (Demographic Health Program, DHS, em inglês), com amostragem em dois estágios, aplicação de múltiplos questionários e rigoroso controle de qualidade. Nesta análise, a variável dependente foi a prática do AME nos primeiros seis meses de vida, definida a partir de questões referentes à amamentação e à oferta de outros alimentos e líquidos na IDSM 2022-2023. Prevalências e respectivos intervalos com 95% de confiança (IC95%) foram calculadas no software Stata 18.0, utilizando-se estimativas ponderadas com pesos amostrais estabelecidos pelo IDS para amostragem com desenho complexo.
Resultados: Do total de 9.289 participantes menores de 60 meses, 948 (10,2%) eram menores de 6 meses. A prevalência geral de AME foi de 57,3% (52,9-61,7). Quanto à área de residência, as prevalências foram semelhantes entre os estratos urbano e rural: 57,5% (49,4–65,1) e 57,3% (51,9–62,5), respectivamente. No entanto, houve diferença estatisticamente significante entre as províncias (p de tendência <0,005). As maiores prevalências de AME foram registradas em Cabo Delgado (65,4%; 55,2–74,4), Nampula (64,8%; 55,8–72,8) e Niassa (63,9%; 53,8–72,8), enquanto as menores ocorreram em Tete (36,2%; 26,9–46,6), Maputo Cidade (37,8%; 24,6–53,2) e Maputo Província (44,3%; 25,1–65,4).
Conclusão: Em Moçambique, as prevalências de AME são marcadamente heterogêneas, refletindo vulnerabilidades socioeconômicas, práticas culturais, acesso aos serviços de saúde e desafios históricos.
Financiamento: CAPES
#247 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PROCESSO FORMATIVO EM BOAS PRÁTICAS NA GESTAÇÃO, PUERPÉRIO E AMAMENTAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE
LEUDIMAR CARVALHO SOARES FILHO; NÁDIA CAROLINE DE MOURA MATIAS; DENISY PINTO LIMA; DENNYSE CRISTINA MACEDO ALVES; AYESCA THAYNARA TONELI DA SILVA; MORGANNE ARRUDA GOMES VIEIRA; PRISCILA EVANGELISTA CAMPOS BRAGA; ELISA SANTOS MAGALHÃES RODRIGUES
Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão; Escola de Saúde Pública do Maranhão
Resumo
Objeto: Curso de qualificação em boas práticas na gestação, puerpério e amamentação na Atenção Primária em Saúde.
Contexto: Taxas elevadas de mortalidade materna, infantil e melhoria dos indicadores de aleitamento materno exclusivo.
Descrição da execução: com o objetivo de qualificar os gestores e profissionais da Atenção Primária em Saúde (APS), a Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão, através das Coordenações de Alimentação e Nutrição, Saúde da Criança e do Adolescente e Saúde das Mulheres, em parceria com a Escola de Saúde Pública do Maranhão (ESPMA), desenvolveram o curso de boas práticas na gestação, puerpério e amamentação na APS, no período de 2024 a 2025. Visando a melhoria dos indicadores de saúde materna e infantil e de aleitamento materno, tais como: redução da taxa de mortalidade materna e infantil e aumento da proporção de aleitamento materno exclusivo e continuado no estado. O curso foi estruturado em 60 horas de acesso ao ambiente virtual (AVA) da ESPMA, autoinstrucional, com e-book composto por 04 módulos: I – Boas práticas no pré-natal; II – Direito da gestante, puérpera e neonato; III – Atenção ao puerpério e os cuidados ao recém-nascidos; IV – Fisiologia da lactação e aleitamento materno: contextualização, epidemiologia, prevenção e manejo. O curso faz parte do itinerário formativo do Programa de governo Cuidar de Todos, que visa reconhecer, apoiar e destacar municípios que avançaram no enfrentamento dos problemas que mais causam adoecimento e óbito na população, através de monitoramento de indicadores de saúde.
Resultados: O curso foi lançado em junho de 2025 e disponibilizado no campus virtual da ESPMA. No primeiro ciclo de oferta, de junho a dezembro de 2025, inscreveram-se 355 profissionais de 82 municípios, com 44% de conclusão. No segundo ciclo de oferta do curso, de janeiro a dezembro de 2026, se inscreveram até o momento, 743 profissionais de 114 municípios, com 57% de conclusão. Um quantitativo superior em comparação ao ano anterior.
Considerações finais: o curso possibilitou a qualificação de um número elevado de profissionais e maior alcance e adesão destes, tendo em vista ser um processo formativo flexível e gratuito. Assim, espera-se que essa qualificação fortaleça as ações de cuidado e promoção da saúde para gestantes e crianças reduzindo as taxas de mortalidade materna e infantil.
#47 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
PROGRAMA CEDAE POR ELAS: ASSISTÊNCIA E CUIDADO PARA O RETORNO AO TRABALHO DURANTE A AMAMENTAÇÃO
FERNANDA DO ROSARIO PEREIRA; TALITA AGUIAR SHORT DE LIMA; ALINE DE SOUSA BRANDÃO DOS SANTOS; VERÔNICA CRISTINA DE OLIVEIRA DOS SANTOS; MARIA LUIZA MACHADO RIBEIRO
CEDAE GOVRJ
Resumo
O aleitamento materno, especialmente no contexto do retorno ao trabalho, apresenta desafios que atravessam dimensões físicas, emocionais, sociais e laborais da mulher. A conciliação entre as demandas da maternidade, a manutenção da amamentação e a reinserção no ambiente de trabalho exige suporte contínuo, informação qualificada e rede de apoio.
Nesse sentido, o Programa Cedae Por Elas é uma iniciativa corporativa que compreende o cuidado à mulher trabalhadora, reconhecendo a maternidade como um período sensível que demanda ações estruturadas de assistência. O programa se organiza em diferentes frentes de trabalho e inclui atendimentos individuais e coletivos, além de visitas hospitalares/domiciliares. Dentre elas encontra-se o suporte às mulheres trabalhadoras antes, durante e após a licença maternidade.
Na licença maternidade as visitas domiciliares integram um conjunto de práticas assistenciais desenvolvidas por equipe interdisciplinar, composta por profissionais da saúde. As visitas permitem a continuidade do cuidado iniciado no ambiente corporativo durante a gestação, garantindo apoio no período em que as dificuldades relacionadas à amamentação e ao pós-parto se manifestam de forma mais evidente.
As ações são pautadas na escuta qualificada, no fortalecimento da autonomia da mulher e na construção de estratégias para o enfrentamento às dificuldades vivenciadas pelas mães trabalhadoras. Isso porque, o principal objetivo do programa é que a mulher trabalhadora permaneça amamentando após o retorno ao trabalho e utilizem as salas de amamentação do programa.
Durante as visitas, são abordadas orientação sobre a pega adequada do bebê; prevenção e manejo do ingurgitamento mamário e cuidados com as mamas; estratégias para o aumento e manutenção da produção do leite; atenção à saúde mental no puerpério; identificação da rede de apoio; preparo para o retorno ao trabalho; rotina familiar e laboral; e orientações sobre técnicas de biossegurança para armazenamento e conservação do leite.
A visita domiciliar configura-se como um diferencial no cuidado integral à mulher trabalhadora, ao possibilitar intervenções que consideram as subjetividades, o bem-estar e a qualidade de vida da mulher e da criança, refletindo positivamente no ambiente laboral e contribuindo para um retorno ao trabalho mais seguro, harmonioso e alinhado às necessidades da mulher e de sua família.
#149 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PROJETO ALEITAMENTO MATERNO INCLUSIVO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
RAFAELE CRISTINE BARCELOS DOS SANTOS LUZ RIBEIRO
PPGBIOS/UERJ
Resumo
A amamentação tem inúmeros benefícios para quem amamenta, quem é amamentado e toda a sociedade. Entretanto trata-se de uma ação que apesar de ser um ato determinado fisiologicamente, segue sendo socioculturalmente condicionado. Sendo assim, ainda que os índices de aleitamento estejam abaixo do esperado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Pessoas com Deficiência apresentam taxas ainda menores de amamentação. O Projeto de Pesquisa Aleitamento Materno Inclusivo na rBLH: uma ação interunidades Ensp/IFF-rBLH contribuiu expressivamente para que Pessoas com Deficiência sejam vistas no seu processo de aleitamento, e também promoveu ações de promoção e apoio ao aleitamento humano inclusivo. O objetivo desse relato é descrever e discutir as atividades desenvolvidas no Projeto acima supracitado. Discutir a amamentação para pessoas com deficiência tem o grande potencial de troca entre profissionais de saúde da área, sociedade e lactantes que vivenciaram esse processo sendo invisibilizadas/dos/des. Foram realizadas, além de pesquisa na literatura, rodas de conversa com sociedade civil e profissionais da rBLH, oficinas, palestras e produção de cartilhas para disseminação de informação. Sendo assim, concluo que as ações e produtos resultantes do Projeto, contribuíram e se constituíram em ferramentas para desmistificar conceitos reproduzidos pelo capacitismo, sendo primordial para estimular a qualificação profissional e promover uma amamentação que considere todos os corpos.
#184 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
PROJETO LÍNGUA FELIZ: AÇÕES EXTENSIONISTAS DE PROMOÇÃO À SAÚDE PARA PACIENTES COM ANQUILOGLOSSIA EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
GABRIELE GUIMARÃES GONÇALVES; LUCIANA OLIVEIRA MATOS; ANDREA DE CARVALHO; LILIAN DE ANDRADE BORGES SANTOS; GIÉDRE BERRETIN
FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE BAURU DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - FOB/USP; INSTITUTO FGG; Faculdade IPPEO
Resumo
Objetivo: Relatar a experiência extensionista na implantação e consolidação do Projeto Língua Feliz, voltado à avaliação, diagnóstico e reabilitação de pacientes com Anquiloglossia, por meio de atuação interdisciplinar e articulação com serviços de saúde.
Contexto: O projeto foi desenvolvido em uma Instituição de Ensino Superior de Salvador-BA, no âmbito do Estágio Supervisionado em Motricidade Orofacial do curso de Fonoaudiologia, com a finalidade de oferecer atendimento integral, ético e humanizado à população de baixa renda, além de contribuir para a formação prática dos estudantes. O público atendido inclui lactentes, crianças e adultos, prioritariamente em situação de vulnerabilidade social, encaminhados por serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Descrição da execução: O atendimento segue fluxo estruturado, iniciando por anamnese e avaliação clínica com protocolos validados para análise do frênulo lingual em bebês e demais faixas etárias. Após avaliação, os casos são classificados como normal, duvidoso ou alterado. Pacientes com resultado normal recebem alta e orientações. Nos casos duvidosos, é realizada prova terapêutica por aproximadamente três meses para observação da resposta funcional, com posterior alta ou encaminhamento cirúrgico, conforme evolução. Casos alterados são direcionados à frenotomia ou frenectomia com odontopediatra parceiro. Após o procedimento, todos retornam para acompanhamento fonoaudiológico. O cuidado é realizado por equipe interdisciplinar composta por fonoaudiólogos e cirurgiões-dentistas, envolvendo docentes, discentes e profissionais voluntários.
Resultados: O projeto possibilitou atendimento gratuito a bebês, crianças e adultos, favorecendo diagnóstico precoce, encaminhamento cirúrgico quando indicado e reabilitação funcional. A atuação interdisciplinar contribuiu para a melhora das queixas e para a formação prática, humanizada e comprometida com a saúde pública, mostrando-se uma experiência viável e replicável.
Considerações finais: O Projeto Língua Feliz apresenta relevante impacto social, científico e educacional, fortalecendo a formação em Fonoaudiologia e evidenciando a importância da integração entre ensino, serviço e comunidade para ampliar o acesso ao cuidado em Anquiloglossia.
#172 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PROJETO PILOTO DE IMPLEMENTAÇÃO DA HORA DE OURO E ORDENHA ANTENATAL PARA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO
VITTI.JS; CHIARADIA.RG;; BARBOSA.LS;; PEIXOTO-RANGEL,AL;; PASSOS.F;; INACIO.LS;; SOUZA.RDC;; SOUZA,OA;
São Leopoldo Mandic; UENF
Resumo
Introdução: As práticas assistenciais no parto e nascimento influenciam diretamente o estabelecimento do aleitamento materno exclusivo e a saúde neonatal. O projeto de extensão “MICROBIOTA E VOCÊ: O QUE O PARTO E O AME TÊM A VER COM A SAÚDE DO SEU BEBÊ?”, vinculado à UENF em parceria com curso de ESPECIALIZAÇÃO EM ALEITAMENTO MATERNO da SLM, propõe investigar a relação entre via de parto, Hora de Ouro, contato pele a pele precoce e manutenção do AME. Frente à baixa adesão a essas práticas, foi desenvolvido projeto piloto articulando assistência, ensino e pesquisa.
Objetivos: Analisar indicadores relacionados à amamentação na primeira hora de vida e ao conhecimento materno sobre Hora de Ouro, bem como implementar estratégias baseadas em evidências para qualificar o cuidado, especialmente em díades de risco, como mães com diabetes mellitus gestacional (DMG).
Métodos: Relato de pesquisa extensionista, com levantamento de dados assistenciais. Foram analisadas variáveis referentes ao pré-natal, conhecimento sobre amamentação, tipo de parto, contato pele a pele, amamentação precoce e uso de fórmula. Paralelamente, estruturou-se projeto piloto com planejamento pré-natal, orientação especializada, incentivo à ordenha antenatal de colostro em gestantes com DMG, garantia da Hora de Ouro, acompanhamento da díade e oferta de colostro em casos de hipoglicemia neonatal.
Resultados: Observou-se que 76% realizaram mais de seis consultas de pré-natal; entretanto, 66% não receberam orientações sobre aleitamento nesse período. Apenas 7% reconheceram o termo “Hora de Ouro” e 19,5% sabiam que o bebê poderia mamar imediatamente após o parto. A amamentação na primeira hora ocorreu em 44,7% dos casos, enquanto 38% dos recém-nascidos receberam fórmula na maternidade. A prematuridade representou 9,8% da amostra, sugerindo influência de fatores institucionais. A implementação piloto indicou maior adesão ao contato pele a pele e possibilidade de manejo da hipoglicemia com colostro ordenhado, evitando suplementação artificial e favorecendo o AME.
Conclusões: Os achados evidenciam lacunas entre recomendações científicas e práticas assistenciais. A integração entre ordenha antenatal de colostro, preservação da Hora de Ouro e suporte multiprofissional mostra-se estratégia promissora para mitigar riscos associados à cesariana e ao DMG, fortalecer o AME e qualificar modelos assistenciais.
Financiamento: Faperj
#284 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PROMOÇÃO DA SAÚDE MATERNO-INFANTIL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: ESTRATÉGIAS DE CUIDADO PARA GESTANTES, LACTANTES, BEBÊS E SUAS REDES DE APOIO
ANA CLAUDIA GARCIA CALLEJON LOSADA; MILENE VALENTE LOPES; DÉBORA DOS SANTOS QUEIJA
Centro Universitário Lusíada- UNILUS
Resumo
Relato de experiência de um projeto de promoção da saúde materno-infantil desenvolvido na Atenção Primária à Saúde com integração entre ensino, serviço e comunidade. O projeto foi construído a partir do termo de cooperação técnica firmado entre um curso de graduação em Fonoaudiologia e uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O objetivo foi desenvolver habilidades e competências educacionais e ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação voltado para gestantes, lactantes, bebês e redes de apoio. O trabalho tem sido desenvolvido semanalmente de forma contínua desde 2020. Os atendimentos fonoaudiológicos ocorrem em duas frentes complementares, uma às díades mãe-bebê, realizados após consulta pediátrica, e outra em rodas de conversa mensais destinadas à gestantes, puérperas, bebês e rede de apoio. Nos atendimentos às díades são ministradas orientações e intervenções relacionadas ao manejo clínico do aleitamento materno, avaliação e acompanhamento da sucção e do frênulo lingual, prevenção de intercorrências mamárias, intervenções em disfunções orais e orientações sobre introdução alimentar. Nas rodas de conversa são criados espaços de educação em saúde e escuta qualificada, com diversas estratégias de orientação em ambiente acolhedor. Entre os anos de 2020 e 2025 foram realizados aproximadamente 539 atendimentos individuais e de nove a dez rodas de conversa anuais, com participação ativa dos participantes e da equipe multiprofissional da unidade. Os resultados evidenciaram a qualificação do cuidado materno-infantil com melhora da postura e da pega na amamentação, correção de padrões disfuncionais de sucção, redução imediata da dor materna, diminuição de encaminhamentos para frenectomia e de hábitos orais deletérios, maior adesão ao aleitamento, fortalecimento do vínculo mãe-bebê e relatos de maior segurança, acolhimento e pertencimento. A experiência revelou mais do que uma ação educativa, consolidou-se como um espaço vivo de acolhimento e construção coletiva da atuação fonoaudiológica na Atenção Primária à Saúde. O caráter inovador e de baixo custo do projeto é replicável e reafirma o compromisso com a humanização do cuidado e a promoção da saúde, bem como, com a formação de profissionais sensíveis, críticos e capazes de transformar realidades.
#70 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO HUMANO NO PRÉ-NATAL
NATÁLIA SEVILHA STOFEL; BEATRIZ GUIMARÃES SILVA; BEATRIZ CAROLINE DE ARRUDA ANDRADE; MARIA GABRIELA DA SILVA COSTA; JULIANA CRISTINA DOS SANTOS MONTEIRO
UFSCar; EERP/USP
Resumo
Introdução: reconhecida como uma intervenção eficaz e de baixo custo, a promoção da amamentação é uma intervenção fundamental na saúde pública. Essa prática deve ser incentivada desde o pré-natal, com continuidade no parto, pós-parto e nas consultas puerperais e de puericultura.
Objetivo: descrever as percepções das gestantes sobre consultas de promoção à amamentação durante o pré-natal.
Metodologia: pesquisa qualitativa, exploratória, com entrevistas semiestruturadas realizadas com gestantes maiores de 18 anos, após consultas de amamentação no pré-natal ofertada por um projeto de extensão universitária. Foi utilizada técnica de amostragem por saturação, para se determinar o fim das entrevistas. As entrevistas foram realizadas, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, entre junho e agosto de 2024, transcritas e analisadas com Análise Temática.
Resultados: foram entrevistadas oito gestantes e quatro categorias foram identificadas: 1) Desmistificação e aprendizado, que permitiu esclarecer crenças errôneas sobre a amamentação e fortalecer o conhecimento das gestantes. 2) Aumento da confiança, com relatos de maior autoconfiança para enfrentar os desafios da amamentação; 3) Satisfação com a consulta, em que as gestantes consideraram as consultas úteis e informativas, melhorando o preparo para a amamentação; 4) Apoio contínuo, com o desejo de suporte adicional após o parto, evidenciando a importância de um acompanhamento constante.
Conclusão: a pesquisa evidenciou a importância do acompanhamento contínuo da amamentação desde o pré-natal, com ênfase nas orientações recebidas, no aumento da confiança e na necessidade de apoio pós-parto para o sucesso da amamentação. Reforça-se a importância de integrar, de forma estruturada, o apoio à amamentação no pré-natal e nas unidades de saúde, com foco na orientação contínua e capacitação de profissionais.
Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), 2022/08661-5
#46 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO NO CICLO GRAVÍDICO-PUERPERAL: AÇÕES EDUCATIVAS DO PROJETO GESTAPET NA ATENÇÃO HOSPITALAR
KATILENA DE MORAES SCHUCK; SILVANA BASTOS COGO; AMANDA MUNIZ DA SILVA; BETTINA POLL MELLO DE MIRANDA; CRISTHIAN GARCIA VIEIRA; DIÊNIFER PADILHA MAIDANA; MATHEUS RIBAS JACQUES; RAYANA DOS SANTOS DE OLIVEIRA
Universidade Federal de Santa Maria
Resumo
O Aleitamento Materno (AM) apresenta benefícios à mulher, ao bebê e à sociedade, sendo uma fonte sustentável de alimento. Nesse sentido, tem-se como objetivo relatar a experiência de proteção, promoção e apoio ao AM no ciclo gravídico-puerperal através de ações educativas desenvolvidas no âmbito hospitalar. A experiência está inserida no projeto de extensão GestaPET vinculado ao Programa de Educação Tutorial - PET Enfermagem de uma instituição pública de ensino superior, cujo foco é a educação em saúde voltada à gestação, ao parto e ao puerpério. As ações ocorreram entre abril e dezembro de 2025, no centro obstétrico e na maternidade de um Hospital Universitário da região central do estado do Rio Grande do Sul, totalizando 11 encontros com duração média de duas horas cada. Os sujeitos envolvidos foram discentes de Enfermagem integrantes do PET, gestantes e puérperas e seus respectivos acompanhantes. As gestantes foram acolhidas individualmente na sala de espera do centro obstétrico e as puérperas no alojamento conjunto da maternidade, também de forma individual, respeitando suas necessidades. As estratégias adotadas incluíram o uso de ferramentas lúdicas como modelos de mamas e estômagos de recém-nascido confeccionados em crochê, bonecos e cartões temáticos de “mitos e verdades” sobre o AM. Durante a atividade, os temas abordados foram: benefícios do AM, tipos de AM, importância da rede de apoio, pega e posições para a amamentação. Como resultados, os recursos lúdicos se mostraram facilitadores do processo ensino-aprendizagem, possibilitando uma interação dialógica e a troca de aprendizados. Ademais, percebeu-se o interesse das gestantes e puérperas acerca da temática por meio de relatos dos seus anseios, das suas experiências prévias e expectativas. A maioria das dúvidas surgiram em torno de mitos como o do “leite fraco”. A partir dessa experiência, conclui-se que a prática de proteção, promoção e apoio ao AM deve ser estimulada em todos os níveis de atenção à saúde, pois fortalece o vínculo entre mãe, bebê e família e o empoderamento materno. No contexto hospitalar, o incentivo ao AM na primeira hora de vida contribui para a redução da morbimortalidade infantil e para a prevenção do desmame precoce. Além disso, a extensão universitária demonstra relevância na construção e compartilhamento de saberes ao articular o cuidado às ações educativas.
Financiamento: Programa de Educação Tutorial - MEC/SESu
#118 · Eixo 1 Democracia, diversidade, intersetorialidade e inclusão em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO POR MEIO DA ESTRATÉGIA LÚDICA E INTERSETORIAL: PROPOSTA DA “COPA DO ALEITAMENTO”
DENISE HELENA FORNAZARI; ANA PAULA VIOTO FERRAZ; PATRICIA APARECIDA ROGAZZI SANCHES; CAMILA DE SOUZA COSTA; JANAINA CRISTINA FONSECA NEGRÃO; DAYSE PATRICIA RUIZ DE ARAUJO FEITOSA; MARIANA DE CAMPOS CHAVES LIEPKAN; TATIANA DO PRADO LIMA BONINI
Programa Municipal de Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba; Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba; Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba; Hospital Unimed de Piracicaba; Secretaria Municipal de Educação de Piracicaba
Resumo
A promoção do aleitamento é um dos pilares para a ampliação das taxas de amamentação e para o alcance das metas globais. Em Piracicaba, foi instituído por lei, a Semana Municipal de Aleitamento Materno como um evento do calendário comemorativo do aniversário da cidade, celebrado em 01 agosto. Em 2026, o Comitê Municipal de Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável (CMAMACS), responsável pela organização da SMAM, propõe uma estratégia de mobilização intersetorial. Inspirada na “Gincana pela Amamentação” da Coordenadoria Regional de Saúde Leste do município de São Paulo, o projeto denominado “Copa do Aleitamento: jogando juntos pela amamentação”, em alusão à Copa do Mundo, tem a ideia de convidar equipes de saúde (atenção básica, secundária, hospitais/maternidades) e unidades escolares a participarem de ações relacionadas à proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno. As equipes participantes acumulam pontos à medida que realizam as ações propostas e encaminham provas documentais ao CMAMACS, no período de março a maio, culminando em uma premiação simbólica durante a 10ª SMAM. Para viabilizar a iniciativa, foram elaborados três editais específicos: um para unidades de saúde, um para unidades escolares e outro para maternidades/hospitais. Entre as ações comuns aos três editais destacam-se: relatos de experiências exitosas, confecção de papa-bicos, coleta de frascos de vidro e captação de doadoras para o BLH, elaboração e implementação de fluxograma de proteção e apoio ao aleitamento, discussão da NBCAL em equipe e pesquisa on-line de infrações à norma. Específicas para equipes de saúde são: divulgação da NBCAL em estabelecimentos e readequação do local, realização de plano de amamentação, dispor de um cantinho de amamentação; para creches: criança ser amamentada ou receber leite humano na creche, decoração dourada e cantinho de amamentação; e para hospitais: recebimento de plano de amamentação, hora dourada, alta em aleitamento exclusivo e leito canguru. A pontuação definida pelo CMAMACS tem valores diferentes para cada ação e está descrita nos editais. Acredita-se que a iniciativa, inovadora no município, fortaleça o engajamento intersetorial e contribua para a construção de um cuidado contínuo e acolhedor ao aleitamento, conforme o conceito da “Cadeia de Calor” proposto pela WABA, abrangendo do pré-natal aos primeiros anos de vida.
#235 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
PROMOÇÃO E PROTEÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EM CMEIs: NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PR
JOICE DOS SANTOS COSTA; LUÍZA SIEBENEICHLER DE PAULA; MARIZA ALINE DALPISSOL; THASSIANE TERRE DE MEIRA; JOÃO CARLOS KLEIN
Fonoaudióloga Educacional - Secretaria Municipal de Educação de Marechal Cândido Rondon – PR; Nutricionista Educacional - Secretaria Municipal de Educação de Marechal Cândido Rondon – PR; Assessora da Educação Infantil - Secretaria Municipal de Educação de Marechal Cândido Rondon – PR; Assessora da Educação Especial - Secretaria Municipal de Educação de Marechal Cândido Rondon – PR; Secretário Municipal de Educação – Gestão Secretaria Municipal de Educação de Marechal Cândido Rondon – PR
Resumo
Objeto: Relatar ações interdisciplinares de promoção e proteção do aleitamento materno desenvolvidas em Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) da rede municipal de ensino de Marechal Cândido Rondon – PR.
Contexto: O aleitamento materno é reconhecido como uma das estratégias mais eficazes para promoção da saúde e do desenvolvimento infantil, sendo recomendado de forma exclusiva até os seis meses de vida e complementado até dois anos ou mais. No contexto da educação infantil, os CMEIs constituem espaços relevantes para práticas educativas voltadas ao cuidado integral da criança e ao fortalecimento do vínculo com as famílias. A partir das diretrizes do Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016) e de orientações institucionais sobre alimentação adequada na infância, a rede municipal estruturou ações educativas voltadas à valorização do aleitamento materno.
Descrição da execução: O projeto foi planejado em 2025 e iniciou sua implementação no ano letivo de 2026 em CMEIs da rede municipal. As ações são desenvolvidas de forma interdisciplinar por profissionais da nutrição educacional, fonoaudiologia educacional, direção escolar e assessorias pedagógicas. Entre as estratégias adotadas destacam-se rodas de conversa com famílias em reuniões escolares, orientações educativas sobre amamentação e alimentação infantil, produção e distribuição de materiais informativos e inserção de atividades pedagógicas relacionadas à alimentação saudável no cotidiano das instituições. As ações foram fundamentadas no documento “A creche como promotora da amamentação e da alimentação adequada e saudável” e na cartilha “Mulher Trabalhadora que Amamenta”, adaptadas à realidade educacional do município.
Resultados: Por tratar-se do relato de experiência em fase inicial de execução, os resultados ainda estão em processo de consolidação. Entretanto, observa-se ampliação do diálogo entre profissionais da educação e famílias sobre a importância do aleitamento materno e da alimentação saudável na primeira infância, além de maior sensibilização da comunidade escolar para o tema.
Considerações finais: Mesmo em fase inicial, a experiência evidencia o potencial dos CMEIs como espaços estratégicos para promoção e proteção do aleitamento materno por meio de ações.
#190 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
PROPOSTA DE CAPACITAÇÃO SOBRE A NBCAL PARA HOSPITAIS DE ENSINO
FABIOLA FIGUEIREDO NEJAR; KÁTIA GALEÃO BRANDT; EVANGELIA KOTZIAS ATHERINO DOS SANTOS; MARINA FERREIRA REA
Universidade de Taubaté - UNITAU/IBFAN BRASIL; Universidade Federal de Pernambuco - UFPE/IBFAN BRASIL; Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC/IBFAN BRASIL; IBFAN
Resumo
Objeto: Relatar a elaboração de uma proposta de curso de capacitação sobre a NBCAL (Lei nº 11.265/2006 e Decreto nº 9579/2018) para profissionais de saúde de hospitais de ensino.
Contexto: A proteção da amamentação constitui estratégia central de promoção da saúde, respaldada por evidências científicas e por recomendações nacionais e internacionais. No Brasil, a NBCAL é um instrumento legal para coibir práticas de marketing abusivo que competem com o aleitamento materno, auxiliando essa proteção. Apesar disso, persistem violações frequentes inclusive em hospitais de ensino, associadas à insuficiente formação dos profissionais de saúde, à naturalização de conflitos de interesse e à influência do marketing da indústria de fórmulas infantis.
Descrição da execução: Relato de experiência, desenvolvido ao longo de 2025, sobre os desafios enfrentados por um grupo da IBFAN Brasil, com experiência em ensino e cursos de capacitação, para selecionar temas e desenvolver estratégias pedagógicas, a fim elaborar um curso de capacitação EAD sobre a NBCAL, para profissionais de saúde atuando em hospitais de ensino.
Resultados: O grupo organizador enfrentou o desafio de adaptar um curso presencial, previamente desenvolvido, para um formato híbrido, com 30 horas de atividades à distância, síncronas, e 10 horas de atividades presenciais e uma maternidade. Esse processo demandou reformulação de conteúdos e estratégias para preservar o caráter crítico, participativo e reflexivo da proposta original. Para enfrentar as limitações do ensino a distância, foram estruturados módulos temáticos e metodologias ativas.
Considerações finais: Em que pese ser um processo em andamento, visualizamos uma proposta inovadora frente a possibilidade de ampliar a capacitação em hospitais com vocação de formar graduandos e pós-graduandos.
#2 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
PROTEÇÃO LEGAL À AMAMENTAÇÃO NO INTERIOR DE MINAS GERAIS: AVALIAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA NBCAL DE 2022 A 2025
LAUDICEIA FERREIRA FROIS; GIOVANA OLIVEIRA MENDONÇA; LAHIS CRISTINA MORAIS DE MOURA; CLEIA COSTA BARBOSA; NATHALIA LUIZA FERREIRA; LÍLIAN GONÇALVES TEIXEIRA
UFOP; UFLA; UNIFESP; IBFAN; UFLA; IBFAN
Resumo
A promoção inadequada de produtos que competem com o leite materno contribui para o desmame precoce, e pode comprometer a saúde e a nutrição infantil. Nesse contexto, regulamentações voltadas à proteção à amamentação, como a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL), tornam-se fundamentais para o enfrentamento desse cenário. O presente estudo objetivou avaliar o cumprimento da NBCAL entre 2022 e 2025 em municípios do interior de Minas Gerais. Trata-se de estudo longitudinal e descritivo, com coletas de dados realizadas entre junho e julho de 2022, e em agosto de 2023, 2024 e 2025. O monitoramento ocorreu em farmácias, supermercados e lojas de artigos infantis, conforme critérios estabelecidos pela NBCAL, em municípios das mesorregiões Oeste e Campos das Vertentes de Minas Gerais (Campo Belo, Ijaci, Lavras, Nazareno e Tiradentes). As infrações foram devidamente registradas por meio de formulário eletrônico da International Baby Food Action Network (IBFAN). Os dados foram analisados por meio do software Stata . Entre 2022 e 2025, foram avaliados 50, 32, 48 e 141 estabelecimentos, respectivamente. A proporção de estabelecimentos com infrações à NBCAL variou ao longo do período, alcançando 40,0% em 2022, 28,1% em 2023, 45,8% em 2024 e 37,2% em 2025. A infração mais frequente nos quatro anos foi a ausência da frase de advertência, correspondendo a 60,0% das infrações em 2022, 67,7% em 2023, 72,7% em 2024 e 21,6% em 2025. Quanto às categorias de produtos, as fórmulas lácteas para lactentes concentraram o maior número de infrações em 2022 (25,0%), 2023 (33,0%) e 2025 (18,9%), enquanto em 2024 a maior parte das infrações estava associada às fórmulas lácteas de seguimento destinadas a crianças da primeira infância (36,4%). Ao longo dos anos analisados, as não conformidades à NBCAL permaneceram em níveis preocupantes, especialmente quanto às fórmulas lácteas, com predominância da ausência da frase de advertência. Esses achados reforçam a necessidade de medidas mais eficazes de fiscalização e orientação, especialmente nos municípios de menor porte, para garantir a proteção legal à amamentação de forma consistente e sustentável.
Financiamento: CAPES/CNPq/FAPESP
#160 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
QUALIFICAÇÃO DE AÇÕES INTERSETORIAIS EM ALEITAMENTO MATERNO E ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NO PROGRAMA PRIMEIRA INFÂNCIA MELHOR
MARIANE DE OLIVEIRA MILANI; TAINAH DE OLIVEIRA GUERRA; DENISE COMIN SILVA ALMEIDA; BRUNA DEDAVID DA ROCHA; ELAINE FERREIRA DE ARAÚJO
Prefeitura Municipal de Santa Maria - RS; Universidade Federal de Santa Maria
Resumo
Objeto da experiência: Oficina de capacitação sobre aleitamento materno, alimentação complementar saudável e curvas de crescimento, realizada com acadêmicos da área da saúde atuantes como visitadores do Programa Primeira Infância Melhor (PIM).
Contexto: O Programa Primeira Infância Melhor, criado no Rio Grande do Sul, é uma política pública intersetorial voltada à promoção do desenvolvimento integral na primeira infância, por meio de visitas domiciliares e atividades grupais lúdicas. Em Santa Maria/RS, o PIM possui convênio com uma universidade, na qual os visitadores do programa são acadêmicos de diferentes cursos da área da saúde.
Descrição da execução: A capacitação foi realizada em julho de 2023, em Santa Maria/RS, a partir de articulação entre o Grupo Técnico Municipal do PIM e a responsável pela Política de Alimentação e Nutrição do município, visando instrumentalizar os visitadores em temas relacionados à nutrição na primeira infância. Participaram 20 acadêmicos dos cursos de enfermagem, psicologia, odontologia e fisioterapia. A oficina teve caráter teórico-prático e foi dividida em dois momentos. No primeiro, foram apresentadas as curvas de crescimento infantil, com orientações sobre preenchimento e interpretação dos gráficos, seguidas de atividade prática em duplas. No segundo momento, através da aplicação de uma metodologia ativa, as duplas elaboraram refeições adequadas para crianças de diferentes idades, promovendo discussão coletiva. Posteriormente, foram abordados os temas aleitamento materno e alimentação complementar saudável, relacionados à ficha de marcadores de consumo alimentar, além de orientações sobre sua aplicação e encaminhamento das famílias aos serviços de saúde quando necessário.
Resultados: A abordagem prática e participativa favoreceu o engajamento dos visitadores e o esclarecimento de dúvidas sobre as temáticas abordadas. Ao final da capacitação, foi pactuada a aplicação da ficha de marcadores de consumo alimentar junto às famílias acompanhadas pelo programa.
Considerações finais: A experiência demonstrou-se uma estratégia eficaz para qualificação das ações de vigilância alimentar e nutricional no âmbito do PIM, reforçando a importância da educação permanente em alimentação saudável para profissionais que atuam diretamente com a primeira infância.
#267 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
QUALIFICAÇÃO DE PROFISSIONAIS PARA ESTRATÉGIA AMAMENTA E ALIMENTA BRASIL: BOAS PRÁTICAS DE ABORDAGEM NO CONTEXTO INTERCULTURAL
DOUGLAS DE JESUS SANTANA, D.J.S; BRUNO LUZ DOS SANTOS, B.L.S; IANE CARINE FREITAS DA SILVA, I.C.F.S; JOSAILDES ANTUNES RIBEIRO, J.A.R; DOLORES FERNANDEZ FERNANDEZ, D.F.F.; VALDEREZ MACHADO DE ARAGÃO
DSEI BAHIA - Polo Base de Juazeiro; DSEI BAHIA; SESAB; IBFAN
Resumo
Objeto: Promover práticas de aleitamento humano e da alimentação complementar saudável com qualificação técnica na assistência materno-infantil, incentivando o acolhimento e reforçando a humanização das boas práticas de trabalho no contexto intercultural.
Contexto: Formação voltada para melhorar os indicadores de aleitamento materno exclusivo, assim como atender às necessidades e demandas nos processos da assistência à saúde de indígenas no município de Juazeiro/BA.
Descrição da execução: A oficina ocorreu no Aldeamento Salgado, em Curaçá-BA, dia 26/02/2026 das 08:00 às 16:00h, com participação dos profissionais da saúde Indígena do polo base. Os métodos adotados visaram dinâmicas para que todos os participantes interagissem entre si e com a temática. Teve como base de referência o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos do Ministério da Saúde. A oficina foi planejada e executada por 2 facilitadores da estratégia, profissionais do polo base.
Resultados: Participaram 45 profissionais do território que atuam no polo base, que foram preparados para melhor atender as necessidades da população no contexto intercultural, visando alinhar demandas vivenciadas e reconhecidas dentro do território. Retornos foram recebidos vindos dos participantes, através de uma dinâmica coletiva ao final da qualificação, onde os mesmos enfatizaram a importância dessa formação e ressaltaram a necessidade de mais qualificações para apoiar os processos de trabalho e a auto reflexão para boas práticas de abordagem.
Considerações finais: O objetivo principal foi alcançar a multiplicação de conhecimentos para incentivar a prática do aleitamento humano e da alimentação complementar. Sendo assim, a qualificação se tornou um mediador para melhoria da abordagem no processo de trabalho no território indígena com seus usuários, para que se torne atividade de rotina nos serviços de saúde, respeitando a identidade cultural de cada etnia.
Financiamento: Distrito Sanitário Especial Indígena na Bahia (DSEI BA) - Polo Base de Juazeiro (PB) Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB)
#278 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL PARA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO NA ATENÇÃO BÁSICA: ALCANCE NACIONAL DE CURSOS DA UNIVERSIDADE ABERTA DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
EDINALVA NEVES NASCIMENTO; MARIA FABIANA DAMÁSIO PASSOS; DÉBORA DUPAS GONÇALVES DO NASCIMENTO
UNA-SUS
Resumo
A Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS) constitui uma rede colaborativa de instituições de ensino superior que desenvolve ações de educação permanente em saúde, utilizando principalmente estratégias de educação a distância para a qualificação de trabalhadores que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território nacional. Nesse contexto, entre 2017 e 2024 foram ofertados cursos de qualificação profissional voltados a trabalhadores da saúde de todo o país, com foco na atenção à saúde materno-infantil e na promoção do aleitamento materno na Atenção Básica. As formações foram desenvolvidas por instituições integrantes da rede UNA-SUS, incluindo a Universidade Federal do Maranhão e a Universidade Federal de Santa Catarina. Entre os cursos ofertados destacam-se: “Atenção às Mulheres no Pré-Natal de Baixo Risco, Puerpério e Promoção do Aleitamento Materno na Atenção Básica”, com carga horária de 15 horas, que registrou 3.751 matriculados e 362 concluintes; “Promoção do Aleitamento Materno na Atenção Básica”, com carga horária de 30 horas, com 27.027 matriculados e 12.161 concluintes; e “Reconhecendo a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL): formação para Profissionais da Rede de Atenção à Saúde”, também com carga horária de 30 horas, que contabilizou 21.863 matriculados e 11.608 concluintes. No período analisado, os cursos somaram 52.641 matriculados e 24.131 concluintes, evidenciando o alcance das ações de educação permanente em saúde e a relevância das estratégias de formação a distância para a qualificação de trabalhadores do SUS em todo o país, contribuindo para o fortalecimento das práticas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno na Atenção Básica.
#33 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
QUANDO O VÍNCULO SUSTENTA O CUIDADO: A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO ACOMPANHAMENTO DE UM NASCIMENTO DE RISCO
JENNIFFER SUELLEN ORMIANIN; LORENA HOLLAND DUARTE; CASSIANE PEREIRA DOS SANTOS; LUCIANE LENZ GALAN; CRISTINA ROSA DIAS
ACS - Usf Maria Antonieta
Resumo
Introdução: O cuidado integral à gestante e ao recém-nascido em situações de risco é essencial para a promoção da saúde materno-infantil. A Atenção Primária à Saúde (APS) exerce papel estratégico ao garantir acompanhamento contínuo, apoio emocional e cuidado humanizado. No município de Pinhais, esse modelo fortalece o vínculo entre família e equipe de saúde, favorecendo desfechos positivos mesmo em contextos adversos.
Objeto: Relatar a experiência de acompanhamento de uma gestante e puérpera em situação de risco, destacando a atuação da equipe da Unidade de Saúde da Família (USF) Maria Antonieta, no município de Pinhais - Pr, e a importância do aleitamento materno.
Contexto: Usuária de 42 anos, terceira gestação, acompanhada pela equipe de Sentinelas da USF Maria Antonieta, em Pinhais. O pré-natal ocorreu conforme os protocolos da rede de saúde até a 33ª semana gestacional, quando ultrassonografia identificou oligodrâmnio. Inicialmente cogitou-se manter a gestação até a 37ª semana; contudo, após nova avaliação médica, constatou-se sofrimento fetal, sendo indicada internação imediata.
Execução: Realizou-se cesariana de emergência, resultando em recém-nascido com peso de 1.510 kg. Devido ao baixo peso, permaneceu 18 dias em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal até atingir 1.800 kg, seguido de dois dias em observação. A família vivenciou intenso estresse emocional, sendo fundamental o apoio familiar, social e profissional. O parto ocorreu em hospital da rede privada, sem certificação Hospital Amigo da Criança, dificultando a manutenção do aleitamento materno. Mesmo em pós-operatório, a puérpera deslocava-se diariamente cerca de 13 km para amamentar, permanecendo no hospital durante o dia. À noite, o recém-nascido recebia fórmula infantil devido à ausência de banco de leite humano.
Resultados: Após a alta, houve alimentação mista, evoluindo para aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, com introdução alimentar posterior. O aleitamento foi mantido até os quatro anos. Aos 2 anos e 7 meses, a criança recebeu diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, apresentando atualmente bom estado de saúde.
Considerações finais: A equipe da USF Maria Antonieta acompanhou todo o processo com cuidado humanizado, apoio emocional e orientações contínuas. O relato evidencia a amamentação como prática essencial para o desenvolvimento infantil e destaca a relevância da rede de saúde de Pinhais na superação dos desafios enfrentados.
#40 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
REDE ALYNE: EXPERIÊNCIA EXITOSA DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE NAS AÇÕES DO AGOSTO DOURADO INTEGRADAS COM A POPULAÇÃO, UNIDADES E PROFISSIONAIS DE SAÚDE
LAÍS BARROS WEBER; SYNNARA LOUIZE DE ALMEIDA SIQUEIRA; ALINI KETY SANO COLOMBAROLI; EDEZIA DEANNY PIRES GUIRRA; SOLANGE ABREU DOS SANTOS MAIA; EDILAINE FERREIRA ARRUDA; ANTONIO MARCOS MOREIRA AGUILAR
Rede Alyne. Secretaria Municipal de Saúde de Primavera do Leste-MT; Atenção Primária à Saúde. Secretaria Municipal de Saúde de Primavera do Leste-MT; Educação Permanente. Secretaria Municipal de Saúde de Primavera do Leste-MT
Resumo
Introdução: A Saúde Materno-Infantil representa um dos pilares fundamentais das nações desenvolvidas e se ancoram em Políticas Públicas consolidadas no território (Moreira, et al, 2025).
Objetivo: Pormenorizar as ações de Educação Permanente em Saúde (EPS), realizadas em celebração ao Agosto Dourado.
Métodos: Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa, com objetivo descritivo-exploratório, realizado entre os dias 04/08/2025 a 29/08/2025. Este trabalho foi desenvolvido pelo setor da Coordenação da Rede Alyne, Educação Permanente e Atenção Primária à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Primavera do Leste/MT, em conjunto com o Programa de Educação Permanente em Saúde. O planejamento estratégico pactuou as seguintes ações: capacitação especializada para médicos e enfermeiros da Atenção Primária à Saúde (APS), matriciamento in loco nas unidades da APS, rodas de conversa e palestras para as gestantes e puérperas.
Resultados: A estrutura organizacional da APS de Primavera do Leste/MT dispõe atualmente de 17 equipes de Estratégia da Saúde da Família (ESF), garantindo uma cobertura populacional de 64,04%. Nos dias 07/08/2025 e 08/08/2025, foi realizada uma capacitação presencial para 39 profissionais de saúde, tendo como público-alvo Médicos (as) e Enfermeiros (as) da APS. A palestra intitulada “Aleitamento materno, sua importância e o Manejo Clínico adequado as principais intercorrências no âmbito da APS”, foi proferida por uma médica pediatra e consultora em aleitamento materno pelo International Board of Lactation Consultant Examiners®, em consonância com os protocolos da Academy Breastfeeding Medicine®. Por conseguinte, foram realizadas 17 rodas de conversa em todas as unidades da ESF, que incluiu a participação de gestantes e puérperas, totalizando 275 pessoas. Os temas abordaram a fisiologia do pré-natal, intercorrências no parto e no puerpério, técnicas seguras e as principais complicações na amamentação, bem como dos mitos e benesses relacionados à prática do aleitamento materno saudável.
Conclusão: A Rede Alyne é uma estratégia governamental de reconstrução da Política Nacional da Saúde Materno-Infantil no Brasil. Destaca-se que as ações de EPS in loco potencializam os saberes das equipes de saúde e do território, reduzindo a desinformação, permitindo o diálogo democrático, integral e acessível às gestantes e puérperas.
#13 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
REDE DE APOIO INTRA SETORIAL E MULTIDISCIPLINAR NO MUNICÍPIO DE MUQUI -ES: PROPORCIONANDO A GARANTIA AO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO E ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR SAUDÁVEL
CHRISTIANE ZANOL ARAUJO; CAROLINY ZAMPIRIS DE LIMA ARAÚJO; ANGÉLICA DE PAULA
Prefeitura Municipal de Muqui - ES
Resumo
A amamentação torna-se mais efetiva quando as mães têm informações sobre as práticas saudáveis para elas e para os bebês, incluindo a importância do aleitamento exclusivo (AME) durante os primeiros 06 meses de vida e alimentação complementar saudável. Este projeto tem objetivo de reforçar e incentivar a promoção do AME e da alimentação saudável para crianças menores de dois anos no município de Muqui-ES.
A partir de uma parceria realizada pela Secretaria de Saúde entre os setores de nutrição e o setor de vacina, na realização dos testes do pezinho nos Recém-Nascidos (RN) e demais vacinas até 02 meses de vida, e Estratégia de Saúde da Família (ESF) quando a enfermeira faz a primeira visita a puérpera, ocorrem uma triagem sobre a alimentação onde se averigua se a criança está sob AME ou em uso de fórmula e se a mãe está tendo algum problema para amamentar. Em caso de AME e sem queixas a lactante e o RN são encaminhados a consulta com Nutricionista Tutora da Amamenta e Alimenta Brasil, após 30 dias, porém quando se verifica algum problema a mãe é encaminhada na mesma semana para consulta. Na consulta são realizadas avaliações antropométricas, registros de consumo alimentar com orientações sobre a importância da AME até 06 meses e a criança é acompanhada mensalmente até completar dois anos. Após seis meses de vida, são utilizados nas consultas folders com informações sobre alimentação complementar saudável. No ano de 2025 foram acompanhadas em média 49 crianças por mês, com registro de aproximadamente 85% em aleitamento materno, dado significativo comparando aos dados registrados no país. Em relação à alimentação complementar foram registrados consumos do dia anterior a consulta, de 282 crianças de 6 a 23 meses, onde observou-se que 84% comeram algum tipo de fruta, 83% consumiram carne/ovo e apenas 1% tiveram acesso a algum embutido, dentre outros aproximadamente 12% consumiram algo com açúcar simples, isso mostra a importância de um acompanhamento nutricional adequado, porém com algo ainda a melhorar, pois o ideal é restringir os ultraprocessados em geral. Conclui-se que a busca ativa de RN e o atendimento humanizado com as crianças garante o direito a uma alimentação adequada e saudável.
#210 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
REDE MUNICIPAL DE APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO DE PIRAQUARA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
VIVIANE DE SOUSA BETONI; ZELI OLIVEIRA DE JESUS; JULIEANNE REID ARCAIN; MARTA OGATA FIDELIS; ALESSANDRA BRANDILIONE SANTOS ALVES; MARCILENE LOPES TORRECILHA DA CONCEIÇÃO
Secretaria Municipal de Saúde de Piraquara/PR
Resumo
A Rede Municipal de Apoio ao Aleitamento Materno de Piraquara foi instituída em 2021, integrando todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) por meio de profissionais denominados madrinhas e sentinelas, selecionados conforme perfil e interesse. Esses profissionais atuam em articulação com as equipes multiprofissionais das UBS, coordenação e gestão municipal, desenvolvendo ações educativas e oferecendo suporte técnico às famílias.
A atuação da RAM é estratégica para o fortalecimento da cultura da amamentação, a promoção de vínculos entre gestantes, famílias e serviços de saúde, e a garantia de acesso a informações qualificadas. Suas diretrizes contemplam a promoção, proteção e apoio à amamentação, com enfoque técnico, humano e intersetorial. No âmbito da atenção primária, as UBS constituem espaço privilegiado para acolhimento e orientação, favorecendo a disseminação de informações baseadas em evidências e prevenindo mitos relacionados ao tema.
Entre as principais ações realizadas destacam-se:
• Reimplementação da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB) em todas as UBS;
• Capacitação de profissionais de saúde em temas relevantes ao aleitamento materno;
• Desenvolvimento contínuo de atividades com grupos de gestantes e puérperas;
• Organização e apoio ao Agosto Dourado, instituído pela Lei nº 13.435/2017, com intensificação das ações de conscientização e promoção do aleitamento materno.
Essas iniciativas consolidam o papel da RAM como instrumento fundamental para a melhoria da saúde e do bem-estar materno-infantil no município trazendo conhecimento atualizado e sendo apoio a equipe em casos desafiadores.
#59 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
REDUZINDO LACUNAS NO MANEJO DO ALEITAMENTO HUMANO: EDUCAÇÃO PERMANENTE COM ACS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
MARCELA MENAH DE SOUSA USHIJIMA; CARLA PEREIRA BARRETO; FERNANDA SINATORA; NATALIA TURANO MONTEIRO; SIMONE DIVINA FERNANDES
HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN
Resumo
O aleitamento materno exclusivo até os seis meses é uma das principais estratégias para a promoção da saúde materno-infantil, conforme orientam a OMS e o Ministério da Saúde. Apesar de seus reconhecidos benefícios, a prevalência nacional ainda é de 48,5%, abaixo da meta de 70%, o que impacta diretamente a morbimortalidade infantil e o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Nesse cenário, fortalecer o papel dos profissionais da Atenção Primária, especialmente dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), é fundamental, pois esses trabalhadores têm presença contínua no território e vínculo direto com as famílias. Embora apresentem bom conhecimento sobre aleitamento exclusivo, estudos mostram lacunas relacionadas ao manejo de intercorrências, amamentação complementada e orientação no retorno ao trabalho — temas essenciais para evitar o desmame precoce.
Diante desse contexto, a iniciativa teve como objetivo qualificar e atualizar as orientações sobre aleitamento humano realizadas na APS, por meio de uma ação de educação permanente destinada a ACS de 14 UBS da Zona Sul de São Paulo. A formação buscou aprimorar a segurança técnica e relacional desses profissionais, favorecendo um aconselhamento alinhado às diretrizes nacionais.
O estudo, de delineamento quantitativo e transversal, foi estruturado a partir de um levantamento prévio das dificuldades enfrentadas pelos ACS. Com base no Guia Alimentar para Crianças Menores de 2 Anos, a capacitação incorporou metodologias tradicionais e ativas, organizadas em três eixos: mitos e verdades, manejo de dificuldades e amamentação no retorno ao trabalho. Ao final, os participantes responderam a um questionário teórico e avaliaram sua autopercepção de preparo para orientar o manejo do aleitamento.
Participaram 402 ACS, com resultados expressivos nas perguntas teóricas: taxa de acertos de 95%, 93% e 92% em cada eixo temático, respectivamente. Além disso, 98% relataram sentir-se preparados ou muito preparados para orientar famílias, e 92% recomendariam o treinamento para outros colegas da mesma categoria. Os achados demonstram que a educação permanente ampliou conhecimentos e fortaleceu a autonomia profissional, qualificando o apoio realizado no território. Destaca-se ainda a capacidade destes profissionais de identificar precocemente dificuldades, acolher famílias e contribuir para a continuidade da amamentação.
#8 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
RELAÇÃO DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA GESTÃO EM ENFERMAGEM: REVISÃO INTEGRATIVA
JULIANA MIRANDA LOPES DA SILVA; MARIA ELSÍ ALVES DE PAULA; RAQUEL POMPEU DE MIRANDA ANTONIO; THAIS LOZOVOI TOMAZ; TUIGI REIS BURLINA
Unifesp
Resumo
Introdução: A gestão em enfermagem exige competências que ultrapassam o domínio técnico, destacando-se a Inteligência Emocional (IE) como elemento estratégico para liderança eficaz. Considerando a elevada carga emocional, complexidade assistencial e desafios organizacionais enfrentados pelos enfermeiros gestores, a IE tem sido apontada como fator relevante para tomada de decisão, gestão de pessoas, engajamento das equipes e qualidade do cuidado.
Objetivo: Verificar, na literatura científica, a relação entre a Inteligência Emocional e a gestão em enfermagem.
Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases Biblioteca Virtual em Saúde e PubMed, contemplando estudos publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram incluídos artigos quantitativos, qualitativos e mistos que abordavam a Inteligência Emocional no contexto da liderança e gestão em enfermagem. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, compuseram a amostra final 12 estudos. A análise dos dados permitiu a organização dos resultados em categorias temáticas.
Resultados: Os estudos evidenciaram a Inteligência Emocional como competência gerencial central na liderança em enfermagem, associada à melhoria da tomada de decisão, gestão de conflitos, engajamento das equipes, desempenho organizacional e retenção de profissionais. Observou-se relação positiva entre IE e estilos de liderança transformacional e ressonante, além de impacto favorável no clima organizacional, satisfação no trabalho e bem-estar das equipes. A maioria dos estudos apresentou delineamento transversal, com predominância de nível VI de evidência, indicando lacunas quanto a investigações experimentais e longitudinais.
Conclusões: A Inteligência Emocional configura-se como competência essencial para o exercício da gestão em enfermagem, influenciando positivamente práticas de liderança, desempenho gerencial e qualidade do cuidado. Recomenda-se que instituições de saúde incorporem o desenvolvimento da IE como eixo estratégico na formação e capacitação de líderes, bem como a ampliação de estudos com maior rigor metodológico que avaliem intervenções voltadas ao aprimoramento dessa competência.
#114 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
RELATO DE EXPERIÊNCIA DA ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR DA ENFERMAGEM-NUTRIÇÃO NA ASSISTÊNCIA DO BANCO DE LEITE HUMANO "MIGUEL SILVA REIS"
CARLA MONTEIRO PEREIRA; ELOISA HELENA MEDEIROS; GILCIMARA BONIFÁCIA COSTA; VÊNIA LIVIA ANDRADE SANTOS; SARA BATISTA GONÇALVES DA SILVA; ANA KAROLINA OLIVEIRA RISSON; ELIANA MACEDO VIAL; HELIENAY DE FREITAS OLIVEIRA
Banco de Leite Humano Miguel Silva Reis; Hospital Municipal de Governador Valadares; Secretaria Municipal de Saúde de Governador Valadares
Resumo
O presente relato tem como objetivo trazer a experiência da equipe interdisciplinar (enfermeiro e nutricionista) no manejo clínico e nutricional de nutrizes atendidas no Banco de Leite Humano Miguel Silva Reis do Hospital Municipal de Governador Valadares-MG. O aleitamento materno é o padrão ouro para a saúde materno-infantil, porém, o sucesso da lactação depende de um suporte técnico e emocional qualificado. No cenário do Banco de Leite Humano (BLH), as dificuldades enfrentadas pelas nutrizes, variam desde dores físicas a inseguranças nutricionais, que exigem um olhar que ultrapasse a fragmentação do cuidado. A atuação conjunta do enfermeiro e do nutricionista torna-se, portanto, o pilar de sustentação para a superação de barreiras ao aleitamento exclusivo. A metodologia de trabalho baseou-se no acolhimento humanizado, em que o enfermeiro atuou no manejo clínico prático, avaliando as mamas, correção da dinâmica da mamada (pega, posicionamento e sucção) e intervenção em intercorrências (fissuras, ingurgitamento e mastite). Já a nutrição, ocorreu com orientações para desmistificação de tabus alimentares, orientação sobre a importância da hidratação e dieta equilibrada para a saúde da nutriz e produção láctea. Importante reforçar que as condutas foram discutidas em equipe, integrando o suporte médico quando necessário, garantindo uma abordagem integral.A atuação interdisciplinar demonstrou ser um diferencial na resolutividade das queixas, permitindo a redução imediata do desconforto físico, prevenindo o desmame por dor. Paralelamente, a orientação nutricional promoveu maior segurança à nutriz, eliminando dietas restritivas baseadas em mitos culturais. Portanto, a atuação profissional conjunta, permitiu que a mãe fosse vista não apenas como uma "produtora de leite", mas como um sujeito que necessita de cuidado nutricional e clínico para exercer sua autonomia.A experiência reforça que o incentivo ao aleitamento materno é mais eficaz quando pautado na interdisciplinaridade. A união entre o manejo clínico da enfermagem e o suporte dietético da nutrição no BLH cria uma rede de proteção capaz de sustentar a lactação mesmo diante de dificuldades iniciais. Conclui-se que o modelo de assistência conjunta é essencial para a humanização do cuidado e para a consolidação de políticas públicas de promoção à saúde da mulher e da criança.
Financiamento: Secretaria Municipal de Saude de Governador Valadares
#268 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
REPLICAÇÃO DA ESTRATÉGIA AMAMENTA E ALIMENTA BRASIL NA QUALIFICAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE PARA ATUAÇÃO EM CONTEXTO INTERCULTURAL
LUZIA REIS DOS SANTOS, L.R.S.; KARLA SANTOS SILVA, K.S.S.; IANE CARINE FREITAS DA SILVA, I.C.F.S.; JOSAILDES ANTUNES RIBEIRO, J.A.R.; DOLORES FERNANDEZ FERNANDEZ, D.F.F.; VALDEREZ MACHADO DE ARAGÃO, V.M.A.
DSEI BAHIA - Polo Base de Ibotirama; DSEI BAHIA; SESAB; IBFAN
Resumo
Objeto: Qualificar profissionais de saúde que atuam nos territórios indígenas do Oeste da Bahia para promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno (AM) e à alimentação complementar adequada e saudável (ACAS), considerando especificidades culturais das populações indígenas. A iniciativa fortalece atuação em contexto intercultural, ampliando conhecimentos em saúde infantil e contribuindo para consolidação da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB) e melhoria das práticas alimentares e do estado nutricional de crianças indígenas menores de dois anos.
Contexto: A oficina foi programada devido à necessidade de alinhamento das orientações prestadas pelos profissionais da saúde para as famílias indígenas, principalmente durante as ações de vigilância alimentar e nutricional, no acompanhamento dos indicadores referentes ao aleitamento materno exclusivo e ao monitoramento do estado nutricional de crianças menores de 5 anos de idade em conformidade com o Plano Distrital de Saúde Indígena.
Descrição da execução: Em 11/02/2026, foi realizada na SEME, em Ibotirama, a replicação do curso ‘EAAB: Atuação no Contexto Intercultural’. A capacitação utilizou metodologias ativas de ensino-aprendizagem, baseadas no Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos. As atividades incluíram dinâmica de integração, apresentação da EAAB, debates, leituras orientadas, dramatizações, abordagem dos doze passos para alimentação saudável, oficina temática e estudo de caso. A formação foi conduzida por uma nutricionista e uma enfermeira do PB de Ibotirama.
Resultados: Participaram 29 profissionais vinculados ao PB. A participação multiprofissional favoreceu a troca de experiências e o fortalecimento de estratégias para promoção do AM e da ACAS. Os profissionais foram qualificados para identificação, monitoramento e acompanhamento da situação alimentar e nutricional da população indígena, com foco em crianças menores de dois anos.
Considerações finais: A capacitação alcançou o objetivo ao qualificar profissionais do território indígena, fortalecendo conhecimentos sobre AM, ACAS e vigilância alimentar e nutricional. A atividade contribuiu para aprimorar a atuação das equipes no cuidado em saúde em contexto intercultural. Assim, fortalece a implementação da EAAB e a promoção da alimentação saudável para crianças indígenas menores de dois anos no Oeste da Bahia.
Financiamento: Distrito Sanitário Especial Indígena na Bahia (DSEI BA) - Polo Base de Ibotirama; Secretaria Municipal de Educação de Ibotirama (SEME)
#254 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE MULHERES VIVENDO COM HIV EM HUAMBO, ANGOLA, ACERCA DA PRIVAÇÃO DO ATO DE AMAMENTAR SEU FILHO: DESAFIOS E RESILIÊNCIA DA MATERNIDADE
KALENDE DAS MISÉRIAS DE MENEZES KALIVALA; ANDRÉIA GIACOMOZZI; MARLI TEREZINHA STEIN BACKES; MARIA DE JESUS HERNANDEZ RODRIGUES; VÂNIA SORGATTO COLLAÇO; EVANGELIA KOTZIAS ATHERINO DOS SANTOS
Hospital Geral do Huambo, Huambo, Angola; UFSC; UFSC/IBFAN; Prefeitura Municipal de Florianópolis; Equipe Hanami/ UNISUL
Resumo
Introdução: Apesar dos avanços no tratamento e prevenção do HIV, o número de novas infecções, especialmente entre meninas e mulheres jovens, ainda é preocupante. Em Angola, onde a população é majoritariamente feminina, a prevalência do HIV entre jovens de 15 a 24 anos é de 0,9%, sendo mais alta entre mulheres. Embora a amamentação seja recomendada como a maneira ideal e segura de alimentar uma criança, ela continua sendo um desafio para as mães vivendo com HIV.
Objetivo: Conhecer e analisar as representações sociais de mulheres vivendo com HIV em Huambo, Angola, acerca da privação do ato de amamentar seu filho.
Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de natureza exploratório-descritiva, com abordagem qualitativa, fundamentada na Teoria das Representações Sociais de Serge Moscovici. O estudo foi realizado na província de Huambo, em Angola, com a participação de 15 mulheres vivendo com o HIV, privadas do ato de amamentar seu filho. A coleta de dados ocorreu entre junho e outubro de 2024, por meio de entrevistas semiestruturadas. Para a organização e análise dos dados, utilizou-se a análise de conteúdo temática.
Resultados: Os achados evidenciam o impacto emocional e social provocado pela privação da amamentação, com destaque para sentimentos de tristeza, frustração, culpa e medo do julgamento social. As participantes expressaram a necessidade de maior acolhimento por parte dos profissionais de saúde, bem como de orientações mais sensíveis e humanizadas, capazes de reduzir o sofrimento associado à restrição do aleitamento.
Conclusões: As representações sociais das mulheres vivendo com HIV em Huambo, Angola, acerca da privação do ato de amamentar, revelam significados construídos a partir do senso comum, fortemente marcados por valores culturais, afetivos e simbólicos em torno da maternidade e do aleitamento materno. Os resultados evidenciam a importância de estratégias de cuidado que promovam acolhimento, segurança e apoio emocional, contribuindo para a humanização do atendimento e a superação do estigma social associado à doença.
#276 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
RUSTY PIPE SYNDROME: RELATO DE CASO ATÍPICO E O RESGATE DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO APÓS DESMAME
ANA LUIZA VELLOSO DA PAZ MATOS; DOLORES FERNANDES FERNANDEZ
INSTITUTO DE PERINATOLOGIA DA BAHIA -IPERBA
Resumo
Objeto: Descrever um caso raro de “ Rusty Pipe Syndrome” (RPS), também conhecida como Síndrome do Cachimbo Enferrujado.
Contexto: A RPS é uma condição de origem fisiológica, rara, de sangramento papilar indolor em gestantes e/ou nutrizes de caráter benigno e autolimitado, geralmente 1 semana. Esse relato, é uma apresentação atípica devido a descarga sanguinolenta ter ocorrido por 6 semanas.
Descrição da execução: Gestação sem intercorrências, interrompida com 35 semanas por presença de derrame pleural bilateral no feto. O recém-nascido (RN) permaneceu cerca de 6 semanas na UTI neonatal, com nutrição parenteral prolongada, e muitas intercorrências clínicas. A primeira ordenha materna apresentou descarga papilar sanguinolenta bilateralmente, sem dor, fissura, trauma ou infecção, orientado o descarte. O quadro foi mantido por 6 semanas, com lenta e gradativa mudança da cor do leite para a coloração fisiológica.
As mamas maternas não apresentaram alterações estruturais. US e mamografia normais, cultura do leite negativa e provas de coagulação normais. O paciente recebeu alta no 45º dia, com fórmula láctea em mamadeira. Em acompanhamento ambulatorial, no curso do 3º mês de vida, foi estabelecido o aleitamento materno exclusivo.
Resultados: Mantido o acompanhamento ambulatorial até o 1º ano, alta em AM, desmame com 2 anos. A presença da RPS em puérperas é um fator de grande estresse para profissionais e pacientes e pode contribuir para desmame precoce.
A RPS não é necessariamente uma patologia, ocorre devido ao aumento da vascularização do estroma e excessivo crescimento alveolar e ductal, associada a rede capilar delicada que rompe-se, resultando na descarga papilar sanguinolenta.
Em casos de DSP prolongada é importante, investigar outras causas.
Considerações finais: O AM é o padrão ouro de alimentação infantil. As dificuldades relativas ao seu estabelecimento devem ser amplamente pesquisadas antes de propor, de forma definitiva, sua substituição como solução. A presença de sangue no leite materno não indica sua suspensão, pois pode tratar-se de um evento, embora incomum, fisiológico. Desse modo, ampliar o conhecimento nesta área de conhecimento pode evitar desmame desnecessário.
#132 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
SALA DE ESPERA COMO PRÁTICA DE CUIDADO A GESTANTES COM DIABETES: EXPERIÊNCIA DE PROJETOS DE EXTENSÃO DA UERJ EM UMA UNIDADE DE SAÚDE
FERNANDA DA MOTTA AFONSO; JÚLIA AZEVEDO DE SANTANA; NICOLY ALVES DE ALMEIDA MELLO; CAROLINA AURÉLIO VIEIRA ANDRADE DE VASCONCELLOS; ALICE DE ALMEIDA PORTO DA SILVA; ANA BEATRIZ PINHEIRO; NATHALIA DIAS DA CONCEIÇÃO PORTUGAL; AMANDA DA SILVA FRANCO
Instituto de Nutrição (UERJ) e Policlínica Universitária Piquet Carneiro (UERJ); Instituto de Nutrição (UERJ); Policlinica Universitária Piquet Carneiro (PPC/UERJ); Instituto de Nutrição UERJ
Resumo
Este trabalho relata a experiência de uma sala de espera como prática de cuidado a gestantes com diabetes desenvolvida a partir da parceria entre dois projetos de extensão da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ): “Alimentação infantil: do peito à comida caseira” e “Cuidados a gestantes com diabetes”. O objetivo da experiência consistiu na realização de práticas assistenciais direcionadas ao público de gestantes com diabetes para a promoção do aleitamento materno, uma vez que a amamentação exclusiva é reconhecida como fator de proteção contra a obesidade e o diabetes; além de fornecer informações sobre alimentação complementar, enfatizando a importância do cuidado nutricional dos primeiros “mil dias”. O projeto atua na esfera da saúde pública, onde são realizadas atividades de integração com base nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), promovidas com um olhar humanizado e atenção às vivências e demandas das gestantes. Os encontros ocorreram presencialmente, uma vez ao mês ao longo do ano de 2025, em uma unidade de saúde universitária durante o tempo de aguardo para atendimento ambulatorial. A execução baseou-se em estratégias educativas, com uso de linguagem acessível, escuta ativa e incentivo à participação das gestantes e seus acompanhantes, abordando temas como benefícios do aleitamento materno, pega e posição, hora dourada, doação de leite humano e 12 passos para introdução da alimentação saudável para crianças, fortalecendo o uso do guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Como resultado, observou-se boa adesão das participantes nas discussões sobre os diversos assuntos trabalhados, troca de experiências entre as gestantes e integrantes do projeto, além de esclarecimento de dúvidas relacionadas ao cuidado alimentar materno-infantil, indicando um bom engajamento e compreensão dos temas abordados. A experiência evidenciou que a sala de espera é um espaço diverso e potente para trocas, contribuindo para a valorização do aleitamento materno, da alimentação complementar e do cuidado integral e humanizado no pré-natal, assim como para o fortalecimento da articulação entre a universidade e o serviço de saúde pública.
#107 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
SIMULAÇÃO CLÍNICA COMO ESTRATÉGIA PARA AS AULAS PRÁTICAS DO CURSO DA INICIATIVA HOSPITAL AMIGO DA CRIANÇA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
ANA MÁRCIA BUSTAMANTE DE MORAIS; LÚCIA VIRGÍNIA REIS ARAGÃO DE CARVALHO; MAYSA OLIVEIRA ROLIM SANFORD FROTA; EVELINE COSTA DA SILVA; MARIA EUNICE LEAL CAVALCANTE; JÉSSYKA FONTENELES FREITAS; SUELLEN SOARES NEGREIROS DA SILVA; THÁRSIA FEIJÓ DANTAS ARRAIS
Hospital Geral de Fortaleza
Resumo
Objeto da experiência: As aulas práticas do curso híbrido da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) de 40 horas, de um hospital Amigo da Criança.
Contexto: As aulas práticas eram presenciais, às quartas-feiras. A carga horária foi dividida entre sala de simulação (3h) e prática em Alojamento Conjunto (3h), após a conclusão da teoria online. Foram 08 dias de prática, de junho a julho, para atender 08 grupos distintos de profissionais da área materno-infantil, sob supervisão de 03 facilitadoras, enfermeiras do Banco de Leite Humano (BLH). O cenário simulado, organizado pela equipe do BLH, dispôs de materiais educativos, bonecos e mamas cobaias, estruturado em três estações de rodízio: 1) Habilidades de comunicação (ambulatório); 2) Posição e pega (alojamento conjunto); 3) Massagem, ordenha e uso de copo (unidade neonatal).
Descrição da experiência: Mediante rodízio de trios (profissional, paciente e observadora) o grupo todo percorria cada estação. Na 1ª estação a participante que interpretava a mãe era a única que conhecia o contexto. O profissional simulava o atendimento à mãe, identificava os problemas, aplicava as habilidades de comunicação e o restante do grupo acompanhava a observadora. Após a simulação, as observadoras faziam o feedback imediato, seguido do restante do grupo e, por fim, as facilitadoras. A mesma dinâmica seguiu nas outras estações, porém todos conheciam a necessidade da mãe. Ao final, os participantes davam o feedback sobre a aula prática. Em seguida, os participantes aplicaram as competências treinadas em atendimentos reais supervisionados no alojamento conjunto, encerrando a vivência com reflexão coletiva no BLH.
Resultados: A simulação e o rodízio criaram um ambiente seguro propiciando a escuta ativa e os bonecos fixaram a técnica pré-contato com a paciente. O feedback corrigiu vícios instantaneamente. A prática supervisionada no Alojamento Conjunto garantiu segurança aos profissionais, alinhando teoria à realidade.
Considerações finais: A estratégia de intercalar simulação com prática clínica mostrou-se eficaz para reduzir a ansiedade, aprimorar as habilidades no manejo da amamentação e garantir aplicação da técnica correta e ética no atendimento à puérpera A estratégia fortalece competências de aconselhamento e assegura a qualidade da assistência em amamentação, preconizada pela IHAC.
#145 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
SIMULAÇÃO CLÍNICA E CONSULTORIA EM AMAMENTAÇÃO NO PÓS-PARTO: EXPERIÊNCIA INTERDISCIPLINAR NA UFMT
JEZUS, SONIA VIVIAN; NORTE, KAMILLA MAESTÁ AGOSTINHO; ANDRADE, LUCIENE MANTOVANI SILVA; SILVA, CALIANDRA FELISBERTO FERNANDES DA; QUINTINO, KEIT ALONSO
UFMT
Resumo
Objeto: Descrever a experiência de implementação de um cenário simulado híbrido para promoção da amamentação no pós-parto, voltado ao desenvolvimento de competências em estudantes e profissionais da saúde.
Descrição da execução: Atividade foi realizada em maio de 2025, no Laboratório de Simulação Clínica da Universidade Federal de Mato Grosso, campus de Sinop, com transmissão ao vivo via Microsoft Teams® para participantes do Curso de Formação de Consultoras em Aleitamento Materno do projeto Amamente. O cenário foi ambientado em contexto domiciliar utilizando paciente simulada (lactante), acompanhante simulada e recém-nascido simulado, com moulage para representação do ingurgitamento mamário, participaram como atores estudantes de Enfermagem e Medicina previamente capacitadas em aconselhamento em amamentação, manejo clínico e simulação. A simulação reproduziu o atendimento a uma puérpera com dificuldades para amamentar durante a apojadura, abordando aspectos técnicos, emocionais e sociais. Foram utilizados um roteiro detalhado e checklist com critérios objetivos para avaliação de habilidades técnicas e comunicacionais. O debriefing foi conduzido com base no modelo PEARLS e a atividade finalizada com discussões em grupo, devolutiva das facilitadoras e autoavaliação das participantes. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 57982822.5.0000.8097).
Resultados: Observou-se alto engajamento e boa aceitação do formato híbrido. A estudante presencial relatou ter aplicado as estratégias aprendidas no curso, identificando acertos e pontos de melhoria com base no debriefing, o que contribuiu para aumentar sua autoconfiança. As participantes online destacaram a clareza da simulação, o realismo do cenário e a importância do debriefing na consolidação dos conhecimentos e na reflexão sobre a prática futura. A atividade favoreceu a interação entre estudantes de medicina e enfermagem, promovendo a colaboração interprofissional, evidenciando a importância do trabalho conjunto para o cuidado integral à puérpera, fortalecendo o desenvolvimento de competências colaborativas desde a formação.
Considerações finais: A simulação clínica híbrida demonstrou ser uma estratégia eficaz para o ensino do manejo da amamentação, promovendo a articulação entre teoria e prática, o cuidado centrado na mulher e o fortalecimento da formação interprofissional na área da saúde.
#259 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
SIMULAÇÃO REALÍSTICA EM UNIDADE NEONATAL PARA SENSIBILIZAÇÃO DE PROFISSIONAIS NO ACOLHIMENTO DE MÃES COM DEFICIÊNCIA VISUAL
LERIDA BARTHEMAN PINHEIRO SERRANO; SONIA ISOYAMA VENANCIO; ALINE CARLA HENNEMANN; ERILANE CORREIA AQUINO DE ANDRADE; RENARA GUEDES ARAUJO; PRISCILA OLIN SILVA; GABRIELA SINTRA RIOS
Ministério da Saúde
Resumo
Introdução A humanização do cuidado neonatal e a inclusão de mães com deficiência no ambiente hospitalar são princípios fundamentais da atenção materno-infantil. Barreiras comunicacionais e ambientais podem dificultar a participação ativa dessas mães no cuidado ao recém-nascido, tornando necessária a sensibilização das equipes de saúde para práticas assistenciais acessíveis e centradas na família.
Objetivo Descrever a experiência de uma oficina de simulação realística voltada à sensibilização de profissionais de saúde para o acolhimento de mães com deficiência visual durante a primeira visita à unidade neonatal.
Métodos Trata-se de estudo descritivo do tipo relato de experiência sobre oficina educativa realizada em 2024 no contexto de ações de educação permanente em saúde. A atividade ocorreu em auditório universitário e centro de convenções com ambientação simulada de unidade neonatal. Participaram gestores, profissionais e estudantes da área da saúde. A oficina utilizou metodologias ativas com simulação realística estruturada em quatro etapas: pré-briefing, construção do cenário, execução da simulação e debriefing reflexivo. O cenário representou a chegada de uma mãe com deficiência visual à unidade neonatal para a primeira visita ao recém-nascido. Foram estimuladas estratégias como comunicação verbal descritiva, orientação tátil consentida e explicação detalhada dos procedimentos. Parte dos participantes utilizou vendas oculares para vivência sensorial.
Resultados A experiência favoreceu maior compreensão das dificuldades enfrentadas por mães com deficiência visual no ambiente hospitalar. Durante o debriefing, os participantes destacaram a importância da comunicação acessível, da organização do espaço assistencial e do respeito à autonomia materna. Observou-se ampliação da empatia dos participantes e maior reconhecimento da necessidade de práticas assistenciais inclusivas e centradas na família.
Conclusões A simulação realística mostrou-se estratégia potente de educação permanente em saúde para sensibilização das equipes e fortalecimento de práticas inclusivas na atenção neonatal. A experiência contribui para o aprimoramento do cuidado humanizado ao recém-nascido e à família, especialmente no acolhimento de mães com deficiência.
#116 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
SUPORTE MULTIPROFISSIONAL CONTÍNUO DA GESTAÇÃO AO PUERPÉRIO NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
LUCIANA BARRETO LAGO; JANETE PESSUTO SIMONETTI; MARIA JUSTINA DALLA BERNARDINA FELIPPE
Faculdade Galileu
Resumo
Relata-se a experiência de um modelo de assistência multiprofissional de suporte contínuo da gestação ao puerpério, desenvolvido pela equipe Gestar Humanizado, com foco na promoção do aleitamento materno por meio de educação em saúde e assistência baseada em evidências científicas. A experiência ocorreu em um serviço multiprofissional de atenção materno-infantil, fundamentado no cuidado longitudinal, humanizado e centrado na mulher e na família, considerando determinantes assistenciais, sociais e culturais que atravessam o puerpério e influenciam a amamentação. Trata-se de um relato de experiência descritivo, realizado entre 2023 e 2025, no município de Botucatu/SP, envolvendo 30 famílias acompanhadas desde o pré-natal até os 30 dias pós-parto. O modelo assistencial incluiu preparação teórica durante a gestação; acompanhamento do parto com incentivo à amamentação na primeira hora de vida; presença da equipe nas primeiras 24 horas de internação; e visitas domiciliares estruturadas a partir da apojadura, além de retornos entre 7–10 dias, 15–20 dias e aos 30 dias pós-parto, considerando aspectos sociais, familiares e culturais. Foram acompanhadas situações clínicas de diferentes níveis de complexidade materno-infantil, como gestação de alto risco, alterações na produção láctea, intercorrências mamárias e neonatais e dificuldades iniciais de ganho ponderal, demandando manejo clínico do aleitamento. As intervenções envolveram escuta qualificada, educação em saúde, observação do binômio mãe-bebê, manejo clínico com técnicas avançadas, incluindo relactação, translactação, laserterapia e cuidado de lesões mamilares, além do uso de fitoterapia quando indicado. Observou-se elevada satisfação das mulheres acompanhadas e taxa de 100% de aleitamento materno exclusivo até os seis meses. O acompanhamento possibilitou identificação precoce de dificuldades, intervenções oportunas no manejo, fortalecimento do vínculo equipe-família e aumento da autoconfiança materna. A experiência demonstra que práticas assistenciais integradas, atualizadas e social e culturalmente sensíveis, iniciadas na gestação e mantidas durante o puerpério, contribuem para o sucesso do aleitamento materno exclusivo, com potencial de replicabilidade e relevância para a atenção materno-infantil.
#1 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
SUSTENTABILIDADE DA INICIATIVA UNIDADE BÁSICA AMIGA DA AMAMENTAÇÃO NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
MARIA INÊS COUTO DE OLIVEIRA; ROSANE VALÉRIA VIANA FONSECA RITO; RAFAELE ROSA FEBRONE; PATRÍCIA LIMA PEREIRA PERES
IBFAN; UFF; UERJ
Resumo
Introdução: A Sustentabilidade da IUBAAM já havia sido avaliada em pesquisa realizada em 2016 no Município do Rio de Janeiro, com as 26 unidades básicas da capital certificadas na iniciativa. Nessa pesquisa, o grau de cumprimento dos Dez Passos foi alto, variando de 95% (Passo 2, capacitação) a 80% (Passo 6, manejo), e foi encontrada uma prevalência de aleitamento materno exclusivo na clientela de bebês menores de 6 meses de 56,7%.
Objetivos: Esse estudo avaliou a sustentabilidade da IUBAAM pós-pandemia da COVID-19, pois várias atividades preconizadas, como capacitação de profissionais e grupos de gestantes e mães havia sido prejudicada pelas medidas necessárias de isolamento social.
Métodos: O Grupo Técnico Interinstitucional de Aleitamento Materno, coordenado pela SES-RJ, convidou todas as unidades credenciadas para o “Encontro de Unidades Básicas Amigas da Amamentação”, em março de 2023. Foi solicitado que a direção de cada unidade respondesse ao questionário de autoavaliação da IUBAAM, adaptado para preenchimento digital, para conhecimento das práticas atuais e das formas de apoio necessárias ao cumprimento integral dos Dez Passos. Foi esclarecido que respostas negativas não acarretariam qualquer tipo de sanção à unidade.
Resultados: O Encontro contou com 105 participantes, de várias regiões do Estado. Do total de 112 unidades certificadas na IUBAAM no Estado até março de 2023, 90 (80,4%) preencheram o questionário de autoavaliação. Quanto ao desempenho, observou-se uma pontuação que variou de 10 (cumprimento de todos os passos) a 0. A pontuação mediana foi de 9,5, sugerindo um elevado grau de cumprimento, mas 13 unidades tiveram uma pontuação inferior a 8,0, e dentre essas, 7 unidades tiveram uma pontuação inferior a 5,0, o que apontou para uma situação crítica de cumprimento de menos da metade dos Passos, tendo uma unidade recebido a pontuação mínima.
Conclusões: A Iniciativa Unidade Básica Amiga da Amamentação se mostrou sustentável nos vários estudos realizados. No entanto, é fundamental o monitoramento das práticas das unidades credenciadas, pois o quadro de pessoal se modifica periodicamente, exigindo uma formação continuada, e o contexto político pode gerar mudança de gestores e de prioridades. Situações excepcionais, como a pandemia da COVID-19, impactam as rotinas de assistência à clientela, e exigem um esforço de revitalização da iniciativa.
#94 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
TÉCNICA DE AMAMENTAÇÃO E DOR MAMILAR APÓS FOTOBIOMODULAÇÃO: ANÁLISE SECUNDÁRIA DE ENSAIOS CLÍNICOS
MARIANA MARINO BRASSOLATTI MOLNAR; KELLY PEREIRA COCA; BARBARA TIDEMAN SARTORIO CAMARGO; MARIA DOS REMÉDIOS DA SILVA ALVES
Escola de Enfermagem da UNIFESP
Resumo
Introdução: A dor mamilar é uma queixa comum nas primeiras semanas pós-parto e está associada a inadequações na pega e no posicionamento durante a amamentação. A fotobiomodulação tem sido utilizada como adjuvante no tratamento de lesões e dor mamilar, porém seus efeitos sobre a técnica de amamentação ainda são pouco investigados.
Objetivo: Comparar a técnica de amamentação entre mulheres com lesões mamilares submetidas a dois protocolos de fotobiomodulação e analisar sua associação com a dor.
Metodologia: Análise secundária de dados extraídos de dois ensaios clínicos randômicos realizados em duas maternidades públicas de São Paulo, Brasil. Os dados foram analisados em 2025. Participaram mulheres com queixa de dor e que apresentavam lesões mamilares. Os ensaios compararam a terapia de fotobiomodulação com placebo (irradiação simulada), utilizando dois protocolos distintos: um com menor energia (0,6J) aplicado três vezes com intervalo de 24 horas, e outro com maior energia (2J) aplicado uma única vez. A técnica de amamentação foi avaliada pelo instrumento B-R-E-A-S-T Feed da Organização Mundial da Saúde, adaptado pelas autoras. A dor foi mensurada através da escala visual analógica. Utilizou-se testes qui-quadrado, t de Student e regressão linear hierárquica para a análise dos dados.
Resultados: A técnica de amamentação foi semelhante imediatamente após as intervenções. Entretanto, o grupo que recebeu protocolo de maior energia (2J), apresentou mais variáveis de posicionamento inadequado em 6 e 24h, especialmente quando a puérpera se inclinava (P = 0.033) ou quando o pescoço do recém-nascido permanecia torcido (P = 0.039). O posicionamento inadequado da puérpera (postura inclinada) também apresentou associação com a maior intensidade de dor, com aumento médio de 1,5 ponto (P < 0.001).
Conclusão: O uso do protocolo de maior energia (2J) esteve relacionado à uma técnica de amamentação mais inadequada ao longo do tempo, além de influenciar na intensidade da dor mamilar. Reforça-se a necessidade de priorizar a orientação e supervisão contínua da amamentação entre mulheres com lesão mamilar, em conjunto com estratégias coadjuvantes como a fotobiomodulação.
Financiamento: CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior)
#231 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
TENDÊNCIA TEMPORAL DO CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS EM CRIANÇAS DE 6 A 23 MESES NO BRASIL, CENTRO-OESTE E MATO GROSSO DO SUL
LUISA CAETANO DE ANDRADE; JULIA CHAGAS MELO; NAIARA FERRAZ MOREIRA; EMILIA ALONSO BALTHAZAR; RITA DE CÁSSIA BERTOLO MARTINS
Universidade Estadual Paulista "Julio Mesquita Filho" (Unesp); Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Resumo
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a alimentação complementar corresponde à oferta de alimentos além do leite (leite materno ou fórmula infantil), quando ele não é mais suficiente para atender às necessidades nutricionais da criança, ocorrendo geralmente entre os 6 e 23 meses de idade. Em 2014, o Ministério da Saúde adotou a nova classificação dos alimentos segundo o grau de processamento na atualização do Guia Alimentar para a População Brasileira, e em 2019, o Guia Alimentar para Menores de 2 Anos, passou a recomendar que a alimentação seja baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, alertando para a não oferta de alimentos ultraprocessados (AUP), nessa fase de vida. O objetivo deste trabalho foi realizar uma análise da tendência temporal da prevalência do consumo de AUP durante a fase de alimentação complementar. Trata-se de um estudo ecológico de série temporal da prevalência do consumo de AUP entre crianças de 6 a 23 meses, nos âmbitos nacional (Brasil-BR), regional (Centro-Oeste-CO) e estadual (Mato Grosso do Sul-MS). Foram utilizados dados secundários sobre o consumo alimentar de marcadores não saudáveis, no dia anterior à entrevista obtidos em relatórios públicos do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), referentes ao período de 2019 a 2024. A análise foi realizada por meio de regressão linear simples, utilizando o programa estatístico SPSS (V.22). Observou-se que nessas localidades os percentuais de consumo de AUP variaram de 59% a 47% em MS, 58% a 42% no CO e de 48% a 36% no BR, nos anos de 2019 e 2024; no entanto, essa redução não foi estatisticamente significativa em nenhum dos territórios analisados. A redução média anual em pontos percentuais (pp) foi de 1,94 em MS (p=0,178), 2,57 no CO (p=0,268) e de 1,74 no Brasil (p=0,313). Conclui-se que não foi possível verificar tendência de redução no consumo de alimentos ultraprocessados, apesar de variações ao longo do período analisado; todavia, ressalta-se que os percentuais de consumo observados nos territórios são muito elevados e que há necessidade de medidas educativas de maior impacto e com amplitude intersetorial para a promoção da alimentação complementar saudável. Como limitação, destaca-se a baixa cobertura e subalimentação do SISVAN, o que pode comprometer a representatividade e a detecção de mudanças ao longo dos anos.
#146 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
TRATAMENTOS PARA LESÕES MAMILARES EM LACTANTES, CUIDADOS E BENEFÍCIOS: REVISÃO INTEGRATIVA
SORAIA SILVA DE SOUZA; ANA SIBILA DALLABONA; EVANGELIA KOTZIAS ATHERINO DOS SANTOS; MARLI TEREZINHA STEIN BACKES; LUCIANE NAJAR SMEHA
Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC-Florianópolis-SC; Universidade Franciscana -UFN-Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil
Resumo
Introdução: As lesões mamilares constituem uma das principais causas de dor e desmame precoce entre lactantes, geralmente associadas à pega inadequada, sucção ineficaz e manejo incorreto da amamentação. Estratégias terapêuticas convencionais, como lanolina e curativos de hidrogel, são amplamente utilizadas, porém evidências recentes apontam a fotobiomodulação e o laser de baixa intensidade como intervenções promissoras no manejo dessas lesões, com benefícios clínicos relevantes.
Objetivos: Identificar os principais tratamentos indicados para lesões mamilares em lactantes, com ênfase nas evidências científicas sobre a aplicação da fotobiomodulação, bem como descrever os cuidados de enfermagem e os benefícios associados ao seu uso.
Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases LILACS, SciELO, BDENF, PubMed e MEDLINE. Foram incluídos estudos publicados entre 2018 e 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol, disponíveis na íntegra. Utilizaram-se descritores relacionados à amamentação, lesão mamilar, tratamento, cuidados de enfermagem e fotobiomodulação. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 20 artigos compuseram a amostra final.
Resultados: Os estudos analisados evidenciaram diferentes intervenções para o manejo das lesões mamilares, incluindo correção da pega, educação em amamentação, uso de lanolina, hidrogel, leite materno, conchas protetoras e terapias fotônicas. A fotobiomodulação e o laser de baixa intensidade destacaram-se pela eficácia na redução da dor, aceleração da cicatrização tecidual, melhora da microcirculação e prevenção de complicações como mastite, candidíase mamária e obstrução de ductos. Doses entre 1 e 6 J/cm² mostraram-se seguras e eficazes.
Conclusões: Os cuidados de enfermagem, associados à aplicação de terapias baseadas em evidências, são fundamentais para a prevenção e o manejo das lesões mamilares. A fotobiomodulação configura-se como estratégia complementar eficaz, segura e não invasiva, contribuindo para o alívio da dor, recuperação tecidual e manutenção do aleitamento materno, fortalecendo o cuidado materno-infantil.
#171 · Eixo 3 Políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar · Pôster
UMA DÉCADA DE EXPERIÊNCIA NA IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA AMAMENTA ALIMENTA BRASIL EM PERNAMBUCO: DESAFIOS E OPORTUNIDADES NA FORMAÇÃO PRESENCIAL E EM EaD
MARÍLIA MARIA DE LUCENA MACÊDO; VILMA MARIA PEREIRA RAMOS
Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco
Resumo
Considerando o aleitamento materno e a alimentação complementar saudável como aspectos relevantes para a diminuição dos índices de morbimortalidade infantil, o Ministério da Saúde (MS) instituiu, em 2013, a Estratégia Amamenta Alimenta Brasil (EAAB) com o objetivo de fortalecer as ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar e saudável para crianças menores de 2 anos de idade, aprimorando as competências dos profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS). Para estruturar a estratégia é necessário a participação dos tutores da EAAB, profissional que coordena as ações na APS.
Objeto, contexto e descrição. Desde a implantação da EAAB em 2013 até o ano de 2019, já foram realizadas no estado 13 Oficinas de Formação de Tutores no modelo presencial. Durante esse período, as formações foram organizadas em parceria com o MS (CGAN E CRIACADJ), IBFAN e facilitadores estaduais. No entanto, em função da pandemia de Covid-19, o MS mudou as orientações para a formação de tutores criando o curso no modelo EAD.
Resultados: Segundo dados do MS (junho 2025), em Pernambuco, no período de 2013 a 2019, foram capacitados 430 tutores representantes das 12 regionais de saúde de Pernambuco. No modelo EaD, no período de 2021 até 2025, mais 151 tutores, totalizando 581 tutores da EAAB no estado. Também foi idealizado desde 2015, o “Encontro de Tutores da EAAB”, como momento de compartilhamento de informações e experiências exitosas. A partir de 2022 o evento possibilitou o diálogo entre tutores formados no modelo presencial e no modelo EaD. Até 2025 já foram realizados oito encontros dos quais sete foram presenciais e apenas um no modelo virtual.
Considerações finais: Contudo, avaliamos existir lacunas na formação à distância, por não oportunizar a realização das atividades práticas: plano de ação, oficinas de trabalho na UBS, atividade culinária de alimentação complementar para crianças menores de dois anos. Percebe-se também que no modelo presencial a metodologia proposta enriquecia os debates e facilitava a aprendizagem. Os encontros estaduais oportunizam a aproximação dos tutores com a coordenação estadual, permitindo o acompanhamento da atuação dos tutores e possibilitando a ampliação e proposição de ações inovadoras no contexto da APS.
#158 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE E MAPEAMENTO DAS AÇÕES DE PROMOÇÃO PROTEÇÃO E APOIO À AMAMENTAÇÃO NA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
ROSANE VALÉRIA VIANA FONSECA RITO; NATHALIA DA SILVEIRA NUNES; LAURA GUIMARÃES DE MEDEIROS E ALBUQUERQUE; VANESSA DA SILVA ROCHA; ANA PAULA PESSANHA FERREIRA DE LIMA; ROSANE SIQUEIRA VASCONCELLOS PEREIRA; PATRÍCIA LIMA PEREIRA PERES
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE; SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE RJ; SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE RJ; UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO
Resumo
Introdução: Políticas públicas e programas vêm sendo desenvolvidos para promover, proteger e apoiar a amamentação. Nesse contexto, a Universidade Federal Fluminense (UFF), instituição reconhecida como promotora da saúde e comprometida com o desenvolvimento social, tem a responsabilidade de assegurar condições adequadas para que mães lactantes conciliem suas atividades acadêmicas e profissionais com o cuidado de seus filhos.
Objetivo: conhecer as ações de Promoção, Proteção e Apoio ao Aleitamento Materno na UFF, em especial acerca das Salas de Apoio à Amamentação.
Metodologia: os diretores de unidades acadêmicas da UFF foram convidados a responder formulário eletrônico para a identificação das ações existentes relacionadas à amamentação e das demandas e recursos disponíveis para promoção desta e sobre processos de abertura das Salas de Apoio à Amamentação. Foram entrevistados os diretores que disseram ter essas salas funcionando ou em processo de implantação, sendo aplicado check-list nas salas localizadas em Niterói.
Resultados: As iniciativas relacionadas à Amamentação concentram-se nas unidades da área da saúde, com ações de promoção da amamentação, campanhas educativas, grupos de apoio e implantação de Salas de Apoio à Amamentação. Observou-se, porém, baixa adesão das demais áreas do conhecimento e ausência de políticas institucionais integradas. Foram identificadas nove salas e dessas duas já foram certificadas pelo Ministério da Saúde e duas estão em processo avançado de implantação. A análise qualitativa das entrevistas por categorização temática e dos check-lists permitiram identificar boas práticas como a valorização da prática do aleitamento materno e desafios de implantação e limitações estruturais como: pouca disponibilidade de espaços, reduzidos recursos financeiros e baixa conscientização da comunidade acadêmica sobre os processos de implantação.
Conclusão: O mapeamento geográfico, de estrutura e também do processo de trabalho, funcionou como ferramenta de visibilidade e planejamento, evidenciando a necessidade de criação de grupo institucional que coordene e amplie as ações, bem como a divulgação dessas, promovendo maior engajamento coletivo para consolidar uma cultura universitária de apoio à amamentação e para reforçar o papel da universidade na promoção da saúde.
#137 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
USO DE SOLUÇÕES COMPUTACIONAIS PARA APOIO À TOMADA DE DECISÃO EM SAÚDE DA CRIANÇA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA NO RIO DE JANEIRO
MARIA CLARA CARVALHO DE BARROS; AMANDA DUARTE DE OLIVEIRA; ANA CAROLINE GONZAGA DA SILVA; FABRICIO VIEIRA DE CARVALHO; TATIANA LOPES GOMES; BRUNO FRANCISCO TEIXEIRA SIMÕES; SIMONE AUGUSTA RIBAS
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Resumo
Objeto da experiência: Desenvolvimento de um painel de monitoramento para integração, análise e visualização de dados de aleitamento materno e da saúde da criança na Atenção Primária à Saúde (APS) no município do Rio de Janeiro.
Contexto: Desde agosto de 2025, na perspectiva do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), as atividades na SMS-RJ vêm sendo estruturadas em quatro etapas técnicas: formação de grupo tutorial multidisciplinar, levantamento, estruturação e integração de dados oriundos do prontuário eletrônico do paciente (PEP) e de sistemas complementares, construção de dicionário de dados e aplicação de modelos analíticos, além da definição e sistematização dos indicadores.
Descrição da execução: Para atender o objetivo da proposta, quatro etapas técnicas foram estruturadas de agosto de 2025 até o presente momento: Levantamento, estruturação e integração de dados oriundos do PEP e de sistemas complementares, construção do metadados e do dicionário de dados e aplicação de técnicas analíticas e, consequentemente a definição e a sistematização dos indicadores. Além disso, foram propostas o desenvolvimento de capacitações técnicas sobre os temas que são abordados no projeto, tais como: fluxos de dados dos sistemas de informação em saúde, metadados, modelagem de dados e consultas em SQL. Os indicadores foram estruturados a partir do referencial de ciência da implementação RE-AIM (ReAIM Outcomes Assessment Questionnaire).
Resultados: Durante o processo foi realizado o mapeamento das variáveis disponíveis no PEP para a construção de um dicionário de dados. Esse processo contou com a contribuição da equipe de saúde na definição conceitual dos termos, garantindo coerência entre os registros assistenciais e a análise computacional. Com o dicionário de dados consolidado, iniciou-se o levantamento dos indicadores de maior relevância no cuidado à criança, com o objetivo de realizar o cruzamento dos dados provenientes do PEP e, assim, mapear como essas informações podem subsidiar a tomada de decisão do profissional na ponta.
Considerações finais: Os resultados evidenciaram o papel dos métodos computacionais na integração e análise de bases de dados, bem como na organização das informações para apoio à gestão, contribuindo para a tomada de decisão e para o uso qualificado de tecnologias digitais no âmbito da saúde pública.
Financiamento: Ministério da Saúde
#192 · Eixo 2 Formação, educação, pesquisa, tecnologia e inovação em aleitamento materno e alimentação complementar · Pôster
USO DE TECNOLOGIA EDUCATIVA NA MATERNIDADE PARA O FORTALECIMENTO DOS DEZ PASSOS PARA O SUCESSO DO ALEITAMENTO MATERNO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
JULIANA NERI RIBEIRO FERREIRA; JOSELE GONÇALVES FERREIRA; ANDRESSA BONILAURI SANTIN
Hospital Regional de Sobradinho, SES, Brasília-DF
Resumo
Objeto: Criação e utilização de um folder educativo destinado a facilitar o diálogo entre profissionais de saúde da maternidade e puérperas. O objetivo central foi padronizar as orientações fundamentais para o sucesso da amamentação, em consonância com as diretrizes da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC).
Contexto: A experiência ocorreu no Hospital Regional de Sobradinho (HRS), unidade da Secretaria de Saúde do Distrito Federal que detém o título de Hospital Amigo da Criança desde 1995. A instituição busca constantemente o fortalecimento dos "Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno", e o folder desenvolvido atua como ferramenta facilitadora para o seu cumprimento.
Descrição da execução: A atividade foi iniciada em novembro de 2024, no HRS (Brasília-DF), envolvendo a equipe multiprofissional da maternidade, o Banco de Leite Humano (BLH), puérperas e acompanhantes. A técnica adotada baseou-se em evidências científicas e na rotina assistencial do BLH local. O conteúdo foi estruturado de forma visual e objetiva, abordando a técnica de extração manual do leite, a identificação dos sinais de fome do bebê, orientações sobre pega e posicionamento adequados, além de um alerta contra a amamentação cruzada. O material também desaconselha o uso de bicos artificiais e reforça a rede de apoio disponível após a alta.
Resultados: A atividade destacou o papel estratégico do profissional como mediador entre o conhecimento técnico e a prática materna. O uso do folder como tecnologia educativa operacionalizou o Passo 5 da IHAC (manejo da lactação e extração manual) e o Passo 8 (incentivo à livre demanda pelo reconhecimento dos sinais de fome). A intervenção também focou na desmistificação de bicos artificiais (Passo 9), na segurança biológica ao prevenir a amamentação cruzada e no fortalecimento do vínculo com a Atenção Primária e o BLH para suporte após a alta (Passo 10).
Considerações finais: A utilização de materiais educativos padronizados sugere reduzir a divergência de informações na equipe e aumentar a confiança materna. A experiência reforça que o folder potencializa o papel educador do profissional sem substituir a assistência direta. O trabalho demonstra um modelo replicável de fortalecimento da IHAC, sugerindo que tecnologias leves asseguram a continuidade do aleitamento materno exclusivo e o empoderamento das famílias no pós-parto imediato.
#58 · Eixo 4 Práticas assistenciais, sociais e culturais de amamentação e alimentação complementar · Pôster
VIGILÂNCIA ALIMENTAR E NUTRICIONAL NA PRIMEIRÍSSIMA INFÂNCIA E SEUS DESDOBRAMENTOS NO APOIO À AMAMENTAÇÃO E À INTRODUÇÃO ALIMENTAR EM UM CENTRO DE SAÚDE ESCOLA
VIVIANE LAUDELINO VIEIRA; ANA MARIA DA CRUZ; SONIA VOLPI GUIMARÃES BROLIO
Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza (FSP-USP)
Resumo
Objeto: Relato da experiência da incorporação da vigilância alimentar e nutricional de crianças da primeiríssima infância assistidas pelo Centro de Saúde Escola (CSE) Geraldo de Paula Souza (FSP-USP) para subsidiar o planejamento de ações de cuidado.
Contexto: O CSE é uma unidade de atenção primária à saúde (APS) de modelo tradicional, responsável pelo cuidado de população adscrita em território do município de São Paulo. O acompanhamento das crianças é realizado por equipe multiprofissional. Considerando o papel da APS no apoio ao aleitamento materno e na promoção da alimentação adequada e saudável, o mapeamento sistemático das crianças acompanhadas foi incorporado como estratégia para qualificar a assistência.
Descrição: O trabalho é realizado periodicamente há quatro anos. São identificadas as crianças atendidas pela pediatria e, a partir do prontuário, obtêm-se dados sociodemográficos, informações sobre o nascimento e sobre a realização de aleitamento materno, alimentação complementar, além da antropometria.
Resultados: Foram atendidas 121 crianças, sendo 20,7% de 0-11 meses, 38,8% de 12 a 23 meses e 40,5% de 24 a 36 meses; 48,8% são do sexo feminino; a maioria (58,2%) da raça branca e 32,2% parda; 27,3% possuem pais estrangeiros. Quanto ao nascimento, 13,8% foram prematuros; 10,8% tiveram baixo peso; 84,8% de partos em hospitais públicos e 45,7% por via vaginal. O aleitamento materno exclusivo ocorreu em 79,6% no primeiro mês de vida e 51,1% aos 6 meses. Aos 12 meses, 5,5% apresentavam baixo peso e 11,0% baixa estatura; aos 24 meses, não houve baixo peso, observando-se sobrepeso em 2,3% e baixa estatura em 4,5%. A análise desses dados possibilitou a identificação de vulnerabilidades e o avanço das ações de cuidado, como a implantação de grupos de introdução alimentar, com adesão de 28,9%, e de avaliação do desenvolvimento infantil, para crianças que demandam avaliação mais detalhada. Materiais para o apoio da amamentação e da introdução alimentar também foram desenvolvidos, inclusive no formato bilíngue, visando abranger imigrantes.
Considerações finais: A avaliação constante dos dados de acompanhamento de saúde das crianças da primeiríssima infância acompanhadas no CSE tem favorecido o desenvolvimento de intervenções e maior apropriação, por parte da equipe do perfil e das demandas da população assistida.